quarta-feira, abril 23, 2008
Provedor do ouvinte
Sobre o relatório do provedor.
sexta-feira, novembro 02, 2007
Novo provedor do Ouvinte na Altitude
António Dias de Almedia será, assim, o primeiro provedor do ouvinte da rádio portuguesa, uma vez que José Nuno Martins, da RDP, só entrou em funções em Abril de 2006, tendo o primeiro programa sido emitido no dia 9 de Setembro do mesmo ano, apesar da lei que criou esta figura no audiovisual público português ter data de Fevereiro de 2006.
sexta-feira, setembro 28, 2007
O provedor e a Antena Aberta
O provedor do ouvinte concluiu uma série de programas nos quais analisou o programa “Antena Aberta” emitido diariamente na Antena 1.
Trata-se de um espaço no qual os ouvintes participam em directo dando a sua opinião acerca de um tema proposto pela emissora. O programa é conduzido por um jornalista.
José Nuno Martins conclui que a existência de um programa com tais características não é consentâneo com os propósitos de uma rádio de serviço público.
Para JNM no programa Antena Aberta “pontificam a imprecisão e também o excesso, como aconteceu, de modo grave, na emissão de 4 de Julho”.
O provedor lembra que recebeu várias queixas de ouvintes referindo-se à existência de tais imprecisões e insultos.
Para o provedor, a Antena Aberta resume-se a uma “sequência de opiniões avulsas de pessoas comuns, expostas de modo relativamente caótico, sumariamente pontuadas por intervenções esparsas de dois, três ou mais Especialistas convocados pela Produção”.
O programa Antena Aberta, por ser feito em directo e permitir a participação dos ouvintes sem que exista uma prévia filtragem das intervenções, encerra vários riscos. Alguns deles enunciados por José Nuno Martins.
Considero, contudo, que os programas com estas características são um importante instrumento para contribuir para a diversidade e pluralidade do discurso radiofónico. E, por esta razão, uma relevante competência do Serviço Público.
Ainda para mais se lembrarmos que no cenário radiofóncio nacional não existem muitos espaços com aquelas características. Recordemos Andrew Crisell (1994) que classificou este tipo de programas em três categorias: Exibicionista, confessional e expressivo.
Ora, em muitos espaços radiofónicos nacionais, a participação dos ouvintes resume-se à transmissão da sua voz através da rádio. Pedem discos, contam anedotas (exibicionista) ou falam dos seus problemas pessoais (confessional). Raramente são colocados perante o desafio de se posicionarem em relação a um assunto público (expressivo).
Por outro lado, uma análise mais atenta aos espaços informativos, em particular os noticiários das rádios portuguesas (incluindo a pública) verifica-se que a palavra dos cidadãos, mesmo quando o tema lhes diz particular interesse, raramente é emitida, preferindo-se as fontes oficiais, aliás uma tendência do jornalismo em geral e não apenas da rádio. Por exemplo, numa notícia sobre um qualquer protesto de professores, ouviremos a posição do governo e dos sindicatos. Ponto final.
A presença dos cidadãos e das suas opiniões no debate público, que nos dias de hoje se faz num cenário mediático, é importante. Cabe aos media assegurar, com regras e rigor, instrumentos no sentido de que essa participação se efective. Um desafio também para a rádio pública.
Os problemas de mau uso da Língua Portuguesa, a falta de educação (expressão minha) de alguns participantes ou a impreparação para alguns temas, são situações lamentáveis, mas não devem obstruir o principal objectivo de um programa como a Antena Aberta.
O último programa do provedor dedicado à Antena Aberta pode ser ouvido aqui
Act: Manuel Pinto, no Jornalismo e Comunicação, também comenta a posição do provedor. Para ler aqui.
quinta-feira, junho 14, 2007
O provedor de rádio segundo o provedor de rádio
Da entrevista que José Nuno Martins deu à revista Aprender, sublinho as seguintes passagens:
Expectativas – “Não estava à espera de uma participação tão qualificada. Não é tanto pela quantidade, mas é pela qualidade da análise do ouvinte português. Isso sim surpreende-me.”
Defensor ou mediador ? – “A convicção é que ele é um defensor do ouvinte. Usei na altura uma expressão que sei que foi muito mal recebida na empresa. Eu disse que tinha mudado de trincheira. É que isto é uma batalha. Para fazer passar o conceito de que o consumidor tem direitos, é uma coisa completamente inédita na cabeça dos profissionais.”
sexta-feira, maio 11, 2007
Os novos sons da RDP !
O provedor foi, ele próprio vitima, daqueles "ruídos de fundo" e revelou que já teve de parar uma gravação de um programa por causa ... das obras.
Confesso que tais sons me passaram despercebidos, mas a situação tem tanto de absurda como de incompreensível para uma rádio com os meios da RDP.
Esta história faz lembrar outros tempos da rádio.
P.S. - O programa já está disponível no site do provedor
terça-feira, março 27, 2007
Ainda o relatório do provedor do ouvinte
Sobre José Nuno Martins:
"Nuno Martins mostra-se mais acutilante e menos optimista. Refere que "certos" dos seus "interlocutores internos" pareceram não ter entendido o seu papel e critica-lhes "a atitude demasiado defensiva" enquanto programadores.
Em concreto, e para além das críticas já referidas ao Desporto e à Antena 3, queixa-se do horário atribuído ao seu programa nas antenas 1, 2 e 3, por nunca ter sido "proposto ao maior número de ouvintes de cada emissora"; e acusa a Direcção de Programas de não assumir nenhuma das suas recomendações - nem quanto às escolhas musicais, que entende deverem passar a ser exclusivamente centradas na música portuguesa, na Antena 1, nem quanto à procura de novos públicos e à regeneração dos novos profissionais, na Antena 2.
Os "substantes índices de profundidade e de fundamentação" das críticas dos ouvintes tornam difícil "ignorá-las tão reiterada e persistentemente", observa o provedor, que não esquece o caso do programa Ritornello, cujo realizador, Jorge Rodrigues, entrou em confronto público com a direcção do canal cultural da RDP, originando "elevado fluxo de correspondência, muitas vezes apresentada em termos despropositados e também de modo "induzido"".
Nota também, de forma seca, que os responsáveis do Desporto não adoptaram os "modelos de solução" que apresentou para o problema dos relatos simultâneos de futebol e que a empresa não encetou "qualquer acção de formação" que combatesse o "mau uso ou uso indevido da língua portuguesa por apresentadores e locutores, jornalistas e comentadores das várias estações do serviço público".
Do que os portugueses gostam e não gostam na televisão e rádio públicas, no Público, via Clube de Jornalistas
sexta-feira, março 09, 2007
O provedor do ouvinte sobre o provedor do ouvinte
É um extenso documento que se refere à actividade desenvolvida em 2006 e no qual JNM reflecte sobre um conjunto alargado de questões relacionadas com a sua experiência. O ombudsman aborda matérias como o conceito do serviço público de radiodifusão, a relação dos ouvintes com a rádio e as funções de um provedor de Rádio. Pontos que antecedem a reflexão de José Nuno Martins sobre o seu exercício em concreto.
Detive-me na componente Jornalismo/Informação.
Algumas ideias:
- Na totalidade das estações do universo RDP, o provedor recebeu 69 queixas referentes à informação o que representa 10,4% da totalidade de queixas recebidas (661).
- Das queixas recebidas e que dizem respeito à Informação, 44 demonstraram uma critica negativa, 18 neutral e apenas 7 positiva.
- Os critérios jornalísticos utilizados pelos jornalistas, o programa Antena Aberta e o programa Contraditório foram os aspectos mais apontados pelos ouvintes, sendo que o provedor sublinha ainda o facto de terem aparecido outros comentários genéricos referentes à informação da RDP.
José Nuno Martins admite que, tendo em conta práticas de outros provedores de rádio no estrangeiro, esperaria mais queixas em matéria de informação. Não foi o que se verificou no caso português.
JNM considera haver uma "relativa pacificação do Ouvinte em relação à prática do Jornalismo radiofónico no Serviço Público, designadamente quando cotejamos o volume de correspondência que se exprime de modo muito mais expressivo relativamente à PROGRAMAÇÃO de uma única Estação – a ANTENA 1, com o conjunto das Mensagens que dizem respeito a assuntos do JORNALISMO e da INFORMAÇÃO afinal relacionados com TODAS as Estações do Grupo RDP." (p.45)
Em matéria de jornalismo e informação, o provedor conclui:
"foram para mim bem claros o exercício de reflexão apropriado acerca de procedimentos menos correctos dos Jornalistas e o esforço de rigor que a estrutura mantém patente no relativamente baixo volume de críticas expressas e, finalmente a atitude cooperante assumida pelo Director
de Informação nas suas relações com o Provedor. Relatório de Actividade 2006
102 Entendi dever considerar como SINAL DE EXCELÊNCIA do Serviço Público de
Radiodifusão, um Programa de JORNALISMO E INFORMAÇÃO apresentado na ANTENA 1 –
COREIA DO NORTE – UM SEGREDO DE ESTADO, de Rita Colaço." (pp.101-102)
O relatório completo está aqui.