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terça-feira, dezembro 04, 2012

Leituras

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, da Universidade Federal de Santa Catarina, acaba de disponibilizar o número dedicado à investigação sobre os média portugueses.

O índice da edição está disponível aqui

Contribuo com o artigo As rádios locais em Portugal – da génese do movimento à legalização

segunda-feira, setembro 20, 2010

Tese sobre rádios locais

É mais um contributo para o estudo das rádios locais portuguesas. Fica a ligação para a tese de mestrado da autoria de Maria José Teixeira Santana, com o título: As rádios locais no Norte de Portugal e na Galiza Dificuldades e desafios em ambos os lados da fronteira defendida na Universidade de Coimbra (2009).

sexta-feira, setembro 03, 2010

Cadeia de rádios locais

No regresso de outras ondas (que não as hertzianas), registo duas notas: a primeira que Nuno Domingues, uma das principais vozes da informação do Rádio Clube Português, estará agora na TSF. A outra nota retive-a do blogue Diário da Rádio e diz respeito a um projecto que começou a emitir recentemente. Trata-se da Cadeia Metropolitana de Rádios (CMR) que é constituída pelas rádios Lidador, Maia, 94.3, Voz de Santo Tirso, 98.4, Trofa, 107.8, Póvoa de Varzim, 89.0 e Aveiro FM, 96.5. A CMR vai emitir 13 horas de emissão em cadeia e 9 horas de emissão local, com a produção própria de sete noticiários locais / regionais, além de uma atenção especial ao desporto e à economia. A CMR também está online .

Estranhamente, há poucos projectos semelhantes a este entre as rádios locais portuguesas. Face às dificuldades crónicas que atravessam, seria uma excelente forma de gerar sinergias entre elas, continuando a oferecer informação e programação genuinamente locais.

Saúdo, por isso, este projecto.

sexta-feira, maio 28, 2010

Um prémio para o jornalismo local

Mais um prémio para a rádio.

Desta vez para uma rádio local, coisa rara, e por isso merece um sublinhado especial.

O prémio é do Parlamento Europeu que distinguiu Sónia Sousa, da rádio Antena Minho, pelo trabalho que efectuou com o eurodeputado José Manuel Fernandes.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A rádio no facebook I

A presença da rádio portuguesa no facebook é já um dado adquirido.
Aqui ficam apenas quatro exemplos de emissoras locais com presença nesta rede social: Rádio Campo Maior, Rádio Portalegre, Rádio Nova Era e Rádio Vale do Minho.

A promoção de espaços da emissão hertziana, a colocação de ligações para notícias disponíveis nos sites das rádios ou a sugestão de páginas, vídeos ou áudios são algumas das utilizações mais frequentes.

Um dos aspectos mais interessantes que decorre da presença da rádio nas redes sociais em geral, e no facebook em particular, é o sublinhado que faz do carácter interactivo do meio radiofónico permitindo que os utilizadores comentem e debatam os mais variados temas, incluindo a própria rádio.





segunda-feira, janeiro 04, 2010

Nova grelha da Altitude

E que tal participar na definição da grelha de programas da rádio que costuma ouvir? É o que a Rádio Altitude está a solicitar. Através de uma rede social criada pela estação (necessita pois de registo) os cibernautas/ouvintes poderão dar sugestões sobre a nova programação da Altitude que deverá arrancar no dia 1 de Fevereiro.

segunda-feira, outubro 26, 2009

A função social das rádios locais

O programa "Bom Dia Tio João" completa 20 anos de existência na RBA, Bragança. Pode-se discutir o estilo, mas não se discutirá, certamente, a proximidade e interacção com os ouvintes.

Para ler aqui.

sábado, outubro 17, 2009

Petição pela Noar

Já aqui tinha abordado o facto da Rádio Noar estar sem emitir noticiários aos fins-de-semana devido à redução de jornalistas. Agora circula pela net uma petição contestando a medida da administração da rádio que pertence ao grupo Lena também proprietário do jornal "i" e do Jornal do Centro de Viseu.

Lê-se na petição:

Desde o dia 26-09-2009 a Rádio NOAR, a emitir a partir da cidade de Viseu em 106.4 Fm ou www.radionoar.pt, deixou de informar os seus ouvintes aos fins-de-semana e feriados. É claro que, com a compra da Rádio NOAR pelo grupo Lena/Sojormedia, também proprietário do Jornal “i”, poucos, ou talvez ninguém, esperariam que tal fosse fosse acontecer.
(...)
Não vamos deixar morrer as notícias NOAR aos fins-de-semana e feriados! Só pedimos, como viseenses, que o grupo Lena/Sojormedia, proprietário da Rádio NOAR, não deixe morrer um projecto noticioso que muito orgulha a região de Viseu. Antes disso, que o faça crescer.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Rádio Noar sem emissões ao fim-de-semana

A Rádio Noar, de Viseu, deixou de emitir aos fins-de-semana. A notícia vem no Diário de Notícias e dá conta de que tal se deveu ao despedimento de dois jornalistas. O jornal fala também de críticas feitas à rádio pelo presidente da câmara.

A notícia está aqui.

terça-feira, setembro 22, 2009

Super FM já emite

A Super FM começou ontem a emitir em 104.8, regressando assim à Grande Lisboa.

E sobre as notícias (ouvi a síntese das 12h25)? Não sendo o objectivo da rádio, seria de esperar (e confirmou-se) peças curtas, sobre a agenda do dia, sem grandes novidades e sem informação local. Mas não será para ouvir notícias que se sintoniza a Super.

Uma visita ao site permite tirar duas (precipitadas) conclusões: que a aposta nas redes sociais é um forte investimento da rádio e que este é apenas um projecto de um futuro site a sério.

Mais sobre a Super FM . E também aqui.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Super FM regressa em Setembro

Segundo a Meios e Publicidade, a Super FM iniciará as suas emissões a partir do próximo mês, utilizando a frequência de 104.8, antes atribuída à ECO FM, uma rádio local de Alcochete.
Sobre a Super FM já aqui escrevi.

segunda-feira, julho 27, 2009

Ecos da Super (IV)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo está a publicar um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social aprovou a alteração da denominação da Rádio Eco, que agora passa a chamar-se Super FM.

Já há algum tempo que não dava por uma notícia destas que significa o fim de mais uma rádio local na Grande Lisboa.

Esta alteração representa o regresso às proximidades de Lisboa de uma rádio que originalmente começou por emitir nos anos 90 no Montijo e que assentava numa programação de música Rock. Passou depois por algumas mudanças que implicaram a sua ida para o Algarve, depois para o Barreiro (embora com estúdios nas Amoreiras, em Lisboa).

Agora regressa a Lisboa ocupando uma frequência (a única existente) no concelho de Alcochete.

O que mais me interessa neste caso, como noutros, é o caminho (inevitável ?!!) que as rádios locais portuguesas estão a tomar, desvirtuando-se de forma clara dos seus princípios: proximidade com as comunidades onde estão inseridas.

De facto, ninguém acredita que a Super FM, com uma programação estereotipada e assente em êxitos músicais, vá ter como preocupação "a produção e difusão de uma programação destinada especificamente à audiência do espaço geográfico a que corresponde a licença ou autorização"(lei da Rádio, artº 9, ponto 2).

É que, utilizando a única frequência de Alcochete, a Super FM será necessariamente classificada como rádio generalista local (Lei da Rádio, artº 27) e assim obrigada a difundir serviços noticiosos respeitantes à sua área geográfica (lei da rádio, artº 39).
Aguardemos, pois!

É claro que este é mais um exemplo de como o conceito de rádios locais em Portugal faliu. Se é verdade que a Super FM, regressando à Grande Lisboa, será obrigada por lei a cumprir disposições que nada têm a ver com os seus objectivos e que deste modo se perde um meio de comunicação local, não é menos verdade que a situação da Rádio Eco era insustentável há pelo menos cinco ou seis anos e que este cenário (ou outro ainda pior) seria inevitável.

Na Margem Sul do Tejo, para além de Alcochete, também Palmela, Barreiro, Almada e Moita deixaram de ter rádios locais pois nas suas frequências estão a ser emitidas rádios com outros objectivos.

Na mesma área geográfica restam: Rádio Popular FM (Montijo); Rádio Baia e RDS (Seixal) e Rádio Santiago (Sesimbra). A Pal FM (em Palmela) emite durante algumas horas a Rádio SIM (da Renascença).

sexta-feira, abril 24, 2009

20 anos de rádios locais - Liberdade e radiodifusão local (I)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo inicia hoje um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.
O 25 de Abril de 1974 é o mote para o primeiro texto.



A conquista da liberdade em Portugal foi a pedra de toque para as transformações ocorridas nos vários campos da sociedade portuguesa, e a rádio não é excepção.
O movimento das rádios locais em Portugal está intimamente relacionado com o próprio 25 de Abril, desde logo por ter criado as necessárias condições políticas para que centenas de rádios piratas aparecessem um pouco por todo o país. De facto, as rádios piratas apareceram num período pós-revolucionário quando a sede de liberdade de expressão ainda estava bem viva.
Do que se conhece, a primeira rádio pirata portuguesa apareceu na Grande Lisboa em 1977: a Rádio Juventude. Foi a primeira experiência de centenas que se seguiriam nos dez anos seguintes.
O sentimento de liberdade adquirido com o 25 de Abril foi fundamental na motivação sentida pelos impulsionadores das rádios piratas portuguesas que viam agora a oportunidade para transportar para Portugal as inúmeras experiências que chegavam da Europa, em particular de Itália e França, onde as rádios Livres começavam a adquirir uma importância que já não podia ser menosprezada pelo poder político.
É bom notar que não foi só em Portugal que a conquista da liberdade representou a alavanca para o aparecimento de rádios locais. O caso espanhol é, nesse sentido, semelhante ao português. Como nota Emili Prado (1982) a queda de Franco foi fundamental para a emergência deste tipo de emissoras em Espanha e acabou com a rádio que tinha por objectivo “entreter e embrutecer”.
A conquista da liberdade criou, por isso, o contexto para o florescimento das rádios locais em Portugal. Por outro lado, o movimento das rádios locais tinha na sua genética um profundo desejo, pelo menos no início, de conceder às regiões e às populações locais espaço nos meios de comunicação social.
O carácter revolucionário e de desejo de corte com o cenário de então da rádio em Portugal, demasiado centralizado em Lisboa, pode também ser visto à luz de um certo sentimento de liberdade que invadiu os impulsionadores das rádios locais portuguesas.
Rádio Delírio, Rádio Caos ou Rádio Livre são algumas das designações adoptadas pelas emissoras piratas numa clara associação do fenómeno a um desejo de agitação no sector.
De forma mais óbvia, o 25 de Abril foi associado ao movimento quando a Rádio Livre Internacional escolheu a data em 1983 para iniciar as suas emissões piratas com um debate sobre as rádios livres em França e na Polónia (Jornal Sete, 1983).

sexta-feira, novembro 28, 2008

O que mudou nas rádios locais…

… é o tema de uma tese de mestrado defendida em Outubro na Universidade da Beira Interior por Daniela Silva.

A autora começa por criar um breve contexto histórico das rádios locais em Portugal, sublinhando os aspectos que marcaram o seu aparecimento e analisando as transformações ocorridas no plano legislativo.

Partindo do pressuposto de que em 19 anos de existência de rádios locais em Portugal, o cenário destas emissoras se modificou, Daniela Silva procura na sua investigação perceber o que realmente mudou e quais as razões para isso.

A investigadora realizou entrevistas a duas personalidades que estiveram ligadas à radiodifusão local portuguesa (António Colaço e José Faustino) e analisa as respostas ao inquérito que submeteu às rádios locais.

Daniela Silva divide a sua investigação em seis grandes itens: Propriedade e Direcção, Recursos Humanos, Condições Técnicas, Audiência, Publicidade e Programação:

Da leitura da sua tese pode-se concluir que as principais transformações ocorridas nas rádios locais portuguesas situam-se ao nível da tecnologia, com destaque para a presença na Internet. Segundo os respondentes, quase todas as rádios estão presentes na rede global, sendo que no “Centro como no Sul, as respostas afirmativas atingiram os 100%”.
No entanto, as potencialidades da Internet parecem não ser totalmente aproveitadas pelas emissoras locais, por exemplo no que diz respeito à disponibilização de programas em podcast. Um dado que a Entidade Reguladora da Comunicação no seu relatório referente a 2007, também tinha notado.

Há, no entanto, um dado que me surpreende e que tem a ver com a informação: Segundo Daniela Silva, há hoje mais espaço para a informação nas rádios locais, do que há 20 anos. Acredito que sim, mas seria curioso saber que informação: local, nacional …

A investigadora conclui:

“Traçando o perfil das rádios locais actuais, ou seja, das rádios locais 20 anos depois da legalização, podemos dizer que a rádio de âmbito local, pertence a uma cooperativa, não está ligada a grupos media e tem na sua direcção entre quatro a sete pessoas. Remunera, em média, dois jornalistas, dois comerciais, dois técnicos e um director. Continua a existir algum voluntariado e, por isso mesmo, colaboradores não remunerados. As rádios empregam jornalistas com e sem formação académica. As instalações das rádios são instalações próprias e nelas existe, em média, um estúdio. A recolha de som é feita com Mini-disc e Gravador MP3. As rádios locais têm sítio na Internet e emissão Online, com o objectivo de chegar ao maior número de pessoas possível e de conquistar mais anunciantes. O Podcast é ainda muito raro.(…)“

Os meus parabéns à nova mestre e agradeço a Daniela Silva ter-me enviado a sua tese.

Leitura: SILVA, Daniela (2008). As Rádios Locais: o que mudou desde 1989?, Tese de Mestrado. Universidade da Beira Interior.
Orientação: João Canavilhas.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Aniversário da Altitude

A Rádio Altitude comemorou mais um ano de emissões. Parabéns, embora com algum atraso pois foi a 29 de Julho, à rádio local mais antiga de Portugal.

terça-feira, abril 22, 2008

Rádio Clube em Leiria

De acordo com o Meios&Publicidade o Rádio Clube continua a sua expansão geográfica. Desta vez estabeleceu uma parceria com a Central FM, de Leiria. A emissora local vai emitir programas do Rádio Clube.
O Rádio Clube ganha com a parceria. E a Central FM?
Este tipo de parcerias são, do meu ponto de vista, bem mais vantajosas para as rádios locais quando são establecidas entre emissoras locais de diferentes espaços geográficos.
Assim a Central FM ganhará, certamente, algo mas falta saber o quê. A notícia também não diz.

quarta-feira, março 12, 2008

Sobre as rádios comunitárias, a nova lei e o jornalismo

Do debate sobre as Rádios Comunitárias que teve lugar na Escola Superior de Educação de Portalegre sublinho a intenção da Associação Portuguesa de Radiodifusão de propor ao Governo a inserção daquela tipologia no quadro legal português que entrará em fase de revisão.
Aquela intenção foi anunciada por José Faustino, o presidente da APR, que pretende assim resolver o problema de algumas rádios locais portuguesas que se encontram em situação muito difícil de sobrevivência e às quais o actual quadro legal não dá resposta.

A ideia de José Faustino assenta, no meu ponto de vista, num princípio correcto, ou seja, é preciso reequacionar o mapa da radiodifusão local que é assimétrico e que está refém de um quadro legal pouco flexível e de reduzida aplicação à realidade. A Lei da Rádio trata uma rádio local da Grande Lisboa do mesmo modo que o faz em relação a outra, por exemplo, de São Pedro do Corval (Reguengos), exigindo o mesmo número de horas de emissão, de noticiários etc. Contudo, o mercado publicitário de uma e outra é muito diferente.

A APR propõe, assim, que para além do factor geográfico (actualmente as rádios locais emitem para concelhos), seja introduzido o factor demográfico. Significa, segundo José Faustino, que deve ser criada uma divisão na tipologia da rádio com base no número de potenciais ouvintes. Uma rádio que está inserida num concelho com 100 mil habitantes deve ser classificada de forma diferente de outra que atingirá 10 mil pessoas.

A proposta da APR sugere a existência de “um modelo misto” que implica, segundo as palavras do presidente da APR, uma grau de profissionalização, mas também de amadorismo. Ou seja, torna a lei mais flexível e diversificada. É neste ponto que Faustino estabelece uma comparação com as rádios comunitárias, embora admita que o modelo que propõe bem como a futura designação não seja exactamente essa.

José Faustino admitiu a complexidade desta questão e, por isso, por aquilo que percebi, a proposta está ainda em fase de preparação. Em breve seguramente haverá outros detalhes.

O que me parece menos correcto, por aquilo que ouvi, tem a ver com o que José Faustino apresentou como três certezas:

1ª as rádios, mesmo quando classificadas como comunitárias (ou com outra designação similar) vão poder continuar a angariar publicidade, apesar dos custos serem mais reduzidos, em especial com os recursos humanos (a ideia é possibilitar o amadorismo). Mas essa captação de publicidade estará sujeita a algumas limitações? Por exemplo, uma menor percentagem de tempo por hora, em relação às outras rádios? Não se criarão condições de concorrência desleal, pois uma rádio não totalmente profissionalizada poderá disputar o mercado publicitário de forma igualitária com outra que tem custos muito mais reduzidos?

2ª o subsidio por parte das autarquias tem que passar a ser possível. É uma matéria recorrente. Desde o primeiro projecto de lei com vista à legalização das rádios piratas, proposto em 1983 por Jaime Ramos e Dinis Alves, que se fala no assunto. Não tem sido possível e do meu ponto de vista bem.

3ª todos poderão passar a dar voz à informação e não apenas os jornalistas. É uma ideia já anteriormente defendida por José Faustino. O pressuposto em que assenta esta proposta da APR tem a ver com as dificuldades das rádios locais em empregar jornalistas. Percebo o princípio, mas não concordo com a solução. A informação, quando emitida nos noticiários, deve ser seleccionada, tratada e difundida exclusivamente por jornalistas, não concebo outro quadro.
Se o que se pretende é permitir que algumas rádios não sejam obrigadas a empregar jornalistas, então que a lei seja flexível no sentido de permitir que as rádios, quando classificadas de determinada forma, não tenham que emitir noticiários. Se há noticiário tem que haver jornalistas.
A este propósito, Beatriz Polivanov, investigadora brasileira que participou no debate a partir do Brasil, onde as Rádios Comunitárias já existem, referiu que a informação nas tais rádios brasileiras é emitida por pessoas que pertencem à comunidade e que não têm qualquer formação jornalística, a informação baseia-se na leitura dos jornais.
Ler jornais ao microfone não é jornalismo nem é rádio.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

O estudo das rádios locais portuguesas

Tenho verificado o que me parece ser um aumento de interesse no estudo das rádios locais portuguesas.

No último ano fui contactado por quatro futuros mestres (de três universidades portuguesas) cujas investigações, por certo, muito contribuirão para o melhor conhecimento deste sector da rádio portuguesa.

Gostaria de assinalar este facto que me parece extremamente importante, tendo em conta a escassez de trabalhos deste género no contexto português.

Boa sorte para as investigações.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Alcochete nas rádios

O anúncio de José Sócrates sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa proporcionou uma boa tarde informativa na rádio portuguesa.
Na emissão hertziana, TSF e Antena 1 prolongaram as emissões com comentários, reacções, históricos e reportagens a partir, primeiro dos arredores do campo de Tiro de Alcochete e depois da Ota.
Mas o enfoque acabaria por ser dado à questão política, sublinhando-se as declarações do ministro Mário Lino proferidas há alguns meses sobre a margem sul.

No online também houve acompanhamento. O site da RDP, beneficiando das sinergias com a televisão pública, disponibilizou vídeos. A TSF e Renascença apresentam sons dos protagonistas: o anúncio de Sócrates, as reacções mais diversas. No online replicou-se, contudo, a emissão hertziana.
Destaco o Rádio Clube que foi o primeiro a fazer uma ligação para o relatório do LNEC. Ao final da tarde já era possível fazer o download do mesmo documento a partir do site da RDP.

Uma passagem pelas rádios locais que ainda emitem na zona envolvente a Alcochete, permitiu verificar que o tratamento informativo, que nem sempre existiu, não apresentou qualquer mais-valia que poderia advir do conhecimento da região e proximidade com a população local.

Na maior parte dos casos, a começar pela Eco FM, que é a rádio local de Alcochete, a colagem à informação emitida pelos órgãos nacionais foi evidente.
Quem visitar, por exemplo, o site da Pal FM (rádio local de Palmela) encontra apenas duas notícias desta quinta-feira: uma sobre o Festróia e outra acerca da AutoEuropa.