Os acontecimentos desportivos, em particular o futebol, representam bons momentos de reflexão sobre a prática dos jornalistas, em concreto aqueles que se dedicam à informação desportiva.
Com o Mundial de futebol a decorrer emerge a questão - já antiga - de saber como deve o jornalista agir no tratamento noticioso da selecção nacional do seu país, neste caso a Portuguesa.
Uma visão apaixonada, reverente do estilo brasileiro ou uma perspectiva mais distante, próxima dos valores jornalísticos de objectividade e imparcialidade.
Se falamos em relatos, a questão é outra. E os argumentos também. A emoção, o directo, o ambiente do estádio condicionam o "português" que também é jornalista. Talvez isso possa justificar a frequência de expressões como "Vamos lá Portugal", "A nossa selecção" etc. Mesmo tratando-se de um jogo de Portugal contra Angola. Mesmo tendo em conta que em Portugal residem vários angolanos que também ouvem rádio. Quantos deles suportaram um relato assim ?!!!
Se falamos em noticiários, mesmo os temáticos, a emoção deveria ter um peso menor. A distância e o rigor jornalístico seriam mais importantes. Ou nem por isso?
Como explicar então, que se ouçam coisas como esta: "Esperemos que o Irão não voe tão alto contra Portugal".
O jornalismo desportivo será mesmo um caso à parte ?
quarta-feira, junho 14, 2006
quinta-feira, junho 08, 2006
Blogue da Radar
A Rádio Radar tem, desde o final de Maio, um blogue onde apresenta posts sobre programas da estação e informações sobre concertos. O blogue da rádio representa ainda um espaço de interacção com os ouvintes.
quinta-feira, junho 01, 2006
Encontro de podcasting
As vantagens do podcasting, a sua aplicação aos campos da comunicação, da educação e da publicidade foram os principais temas abordados no encontro de podcasters que decorreu hoje na Escola Superior de Educação de Portalegre, com a presença de Edgard Costa, autor do podcast Gavez Dois, Andreia Alonso do Podcomer e David Rodrigues do Sixhat-agridoce. Eu apresentei os dados do inquérito que realizei junto dos podcasters nacionais.
O tema mais discutido foi as potencialidades do podcasting como ferramenta pedagógica que poderá passar por duas situações distintas: a colocação integral das aulas teóricas em podcast (e assim serem subscritas pelos alunos) ou por um suporte complementar às sessões leccionadas pelos professores, por exemplo através da disponibilização de tópicos para a realização de trabalhos.
A utilização do podcasting na educação poderia auxiliar os alunos em diversas situações. São os exemplos dos estudantes em Erasmus que assim poderiam continuar a ter acesso a alguns conteúdos leccionados na sua escola de origem, ou dos trabalhadores estudantes quando necessitam faltar às aulas.
Um dos aspectos referidos, e que está a ser desenvolvido na Escola Superior de Educação de Portalegre por um grupo de alunas, é a possibilidade do podcasting poder representar uma ferramenta pedagógica facilitando a inclusão de alunos invisuais, que assim poderiam ter acesso à totalidade ou a parte dos conteúdos das aulas.
Edgard Costa referiu ainda a possibilidade do podcasting poder representar um espaço para que os ex-alunos continuem ligados à escola onde se formaram.
Andreia Alonso considera que "não é fácil implementar o podcasting em educação pois os professores são muito fechados às novas tecnologias".
Quanto ao futuro cenário do podcasting nacional, o autor do podcast GavezDois, considera que não haverá o domínio de um podcast sobre os restantes como sucede com os blogues e considera normal que pessoas com "voz nos media tradicionais se sintam atraídos por esta ferramenta"
"As pessoas dos media tradicionais vêm para o podcasting porque isso lhes proporciona uma liberdade que os seus media não lhes possibilita", disse Edgard Costa. A mesma ideia foi sublinhada por David Rodrigues: "com o aumento dos ouvintes, certamente que vão aparecer outras pessoas mais conhecidas".
A relação entre o podcasting e a rádio foi também abordada. Para Edgard Costa "o podcasting só poderá ser uma ameaça à rádio se houver disputa da fatia de publicidade. Neste momento já há alguma deslocação de investimento de publicidade da rádio para a Internet", referiu o podcaster que acrescentou: "Já houve agências de publicidade que nos contactaram pedindo informações sobre o podcasting". Um sinal de que é provável, num futuro próximo, vir a ser incluida publicidade nos podcasts portugueses.
O encontro de hoje fez parte de um conjunto de sessões que os podcasters nacionais estão a realizar pelo país. Este, contudo, integrou um projecto realizado por alunas do curso de Jornalismo e Comunicação da ESE de Portalegre. O próximo encontro de podcasters será no dia 6 de Junho no Porto na Fnac de Santa Catarina, pelas 17 horas.
O tema mais discutido foi as potencialidades do podcasting como ferramenta pedagógica que poderá passar por duas situações distintas: a colocação integral das aulas teóricas em podcast (e assim serem subscritas pelos alunos) ou por um suporte complementar às sessões leccionadas pelos professores, por exemplo através da disponibilização de tópicos para a realização de trabalhos.
A utilização do podcasting na educação poderia auxiliar os alunos em diversas situações. São os exemplos dos estudantes em Erasmus que assim poderiam continuar a ter acesso a alguns conteúdos leccionados na sua escola de origem, ou dos trabalhadores estudantes quando necessitam faltar às aulas.
Um dos aspectos referidos, e que está a ser desenvolvido na Escola Superior de Educação de Portalegre por um grupo de alunas, é a possibilidade do podcasting poder representar uma ferramenta pedagógica facilitando a inclusão de alunos invisuais, que assim poderiam ter acesso à totalidade ou a parte dos conteúdos das aulas.
Edgard Costa referiu ainda a possibilidade do podcasting poder representar um espaço para que os ex-alunos continuem ligados à escola onde se formaram.
Andreia Alonso considera que "não é fácil implementar o podcasting em educação pois os professores são muito fechados às novas tecnologias".
Quanto ao futuro cenário do podcasting nacional, o autor do podcast GavezDois, considera que não haverá o domínio de um podcast sobre os restantes como sucede com os blogues e considera normal que pessoas com "voz nos media tradicionais se sintam atraídos por esta ferramenta"
"As pessoas dos media tradicionais vêm para o podcasting porque isso lhes proporciona uma liberdade que os seus media não lhes possibilita", disse Edgard Costa. A mesma ideia foi sublinhada por David Rodrigues: "com o aumento dos ouvintes, certamente que vão aparecer outras pessoas mais conhecidas".
A relação entre o podcasting e a rádio foi também abordada. Para Edgard Costa "o podcasting só poderá ser uma ameaça à rádio se houver disputa da fatia de publicidade. Neste momento já há alguma deslocação de investimento de publicidade da rádio para a Internet", referiu o podcaster que acrescentou: "Já houve agências de publicidade que nos contactaram pedindo informações sobre o podcasting". Um sinal de que é provável, num futuro próximo, vir a ser incluida publicidade nos podcasts portugueses.
O encontro de hoje fez parte de um conjunto de sessões que os podcasters nacionais estão a realizar pelo país. Este, contudo, integrou um projecto realizado por alunas do curso de Jornalismo e Comunicação da ESE de Portalegre. O próximo encontro de podcasters será no dia 6 de Junho no Porto na Fnac de Santa Catarina, pelas 17 horas.
quarta-feira, maio 31, 2006
A rádio, a selecção e as transferências
A rádio na imprensa de hoje:
1º O DN tem hoje um texto que ilustra, uma vez mais, a forma como as rádios se têm associado ao evento Mundial de Futebol. Para além da alteração do nome dos espaços desportivos das emissoras e da transmissão em directo das conferências de imprensa, apesar de raramente haver novidades, no jornal escreve-se hoje acerca dos hinos de apoio à selecção. O primeiro foi o da TSF e agora o da Antena 1. Pelo menos na TSF o hino até serve de indicativo para o Diário do Mundial.
2º Na newsletter Meios&Publicidade há ainda uma notícia sobre a rádio e o Mundial. No caso faz-se referência aos 100 mil euros que a rádio do Estado vai gastar na operação mundial.
3º O Diário Digital fala-nos de mais uma transferência de jornalistas da TSF para a RDP. Trata-se de Paulo Alves Guerra que transita para a Antena 2. É caso para perguntar quem é que estava a fazer serviço público de radiodifusão. Da TSF já saíram para a rádio do Estado nomes como Tiago Alves, Eduarda Maio, Maria Flor Pedroso, Maria de São José, Teófilo Fernando ...
1º O DN tem hoje um texto que ilustra, uma vez mais, a forma como as rádios se têm associado ao evento Mundial de Futebol. Para além da alteração do nome dos espaços desportivos das emissoras e da transmissão em directo das conferências de imprensa, apesar de raramente haver novidades, no jornal escreve-se hoje acerca dos hinos de apoio à selecção. O primeiro foi o da TSF e agora o da Antena 1. Pelo menos na TSF o hino até serve de indicativo para o Diário do Mundial.
2º Na newsletter Meios&Publicidade há ainda uma notícia sobre a rádio e o Mundial. No caso faz-se referência aos 100 mil euros que a rádio do Estado vai gastar na operação mundial.
3º O Diário Digital fala-nos de mais uma transferência de jornalistas da TSF para a RDP. Trata-se de Paulo Alves Guerra que transita para a Antena 2. É caso para perguntar quem é que estava a fazer serviço público de radiodifusão. Da TSF já saíram para a rádio do Estado nomes como Tiago Alves, Eduarda Maio, Maria Flor Pedroso, Maria de São José, Teófilo Fernando ...
terça-feira, maio 23, 2006
A Bandeirantes e os incidentes em São Paulo
A provedora do ouvinte da Rádio Bandeirantes abordou, no seu último programa, a cobertura que a emissora fez dos incidentes em São Paulo. Fica aqui um resumo escrito. É pena o som não estar disponível.
A selecção da rádio
No plano desportivo as rádios viraram-se para a participação das selecções nacionais de futebol nos campeonatos Europeu de sub-21 e Mundial na Alemanha. Mudaram os títulos dos espaços temáticos de informação desportiva de forma a estabelecerem uma associação com aqueles eventos futebolísticos. Jornal de Desporto antes, agora Diário das Selecções, Diário do Mundial, Diário do Europeu etc. Na verdade, mudou o nome e o tempo dedicado às selecções em cada um daqueles espaços informativos, pois continuam a incluir notícias dos clubes de futebol, das transferências de jogadores que não estão nas selecções etc.
A participação da selecção nacional de futebol é um daqueles eventos que eclipsam outros acontecimentos passíveis de cobertura jornalística. As redacções mobilizam-se, os jornalistas preparam-se ...
Desde 2004 que a principal selecção de futebol tem sido acompanhada diariamente de forma exaustiva. Um dos exemplos é a transmissão em directo das conferências de imprensa. Esta prática representa pouco mais que a associação dos meios noticiosos - neste caso a rádio - ao próprio evento.
Numa selecção que privilegia a coesão do grupo - o que é normal - a opção dos seus responsáveis passa por não abordarem qualquer outro assunto que não seja a selecção ou o campeonato do Mundo. Não se fala de transferências, não se fala dos jogadores que não foram convocados. O objectivo é não "desestabilizar".
O que é que sabemos então das conferências de imprensa que a rádio tem transmitido em directo ? Que "o grupo está motivado", que "estou aqui é para ajudar a selecção", que "o mister Scolari é que vai decidir quem joga" que "respeitamos as outras selecções" etc, etc, etc.
Não há novidade. A rádio está presente, mas na verdadeira definição do termo, não está a informar.
Transmitir em directo conferências de imprensa com o conteúdo daquelas que se têm ouvido é uma forma da rádio dizer "Presente" e de se associar a um evento simpático para a opinião pública. Mas, mesmo conscientes disso, as rádios não abdicariam dessa transmissão. Poderia ser um tiro no pé, caso eventualmente, saísse dali novidade.
É o triunfo da actualidade sobre a informação.
Uma nota de rodapé
A participação da selecção nacional de futebol é um daqueles eventos que eclipsam outros acontecimentos passíveis de cobertura jornalística. As redacções mobilizam-se, os jornalistas preparam-se ...
Desde 2004 que a principal selecção de futebol tem sido acompanhada diariamente de forma exaustiva. Um dos exemplos é a transmissão em directo das conferências de imprensa. Esta prática representa pouco mais que a associação dos meios noticiosos - neste caso a rádio - ao próprio evento.
Numa selecção que privilegia a coesão do grupo - o que é normal - a opção dos seus responsáveis passa por não abordarem qualquer outro assunto que não seja a selecção ou o campeonato do Mundo. Não se fala de transferências, não se fala dos jogadores que não foram convocados. O objectivo é não "desestabilizar".
O que é que sabemos então das conferências de imprensa que a rádio tem transmitido em directo ? Que "o grupo está motivado", que "estou aqui é para ajudar a selecção", que "o mister Scolari é que vai decidir quem joga" que "respeitamos as outras selecções" etc, etc, etc.
Não há novidade. A rádio está presente, mas na verdadeira definição do termo, não está a informar.
Transmitir em directo conferências de imprensa com o conteúdo daquelas que se têm ouvido é uma forma da rádio dizer "Presente" e de se associar a um evento simpático para a opinião pública. Mas, mesmo conscientes disso, as rádios não abdicariam dessa transmissão. Poderia ser um tiro no pé, caso eventualmente, saísse dali novidade.
É o triunfo da actualidade sobre a informação.
Uma nota de rodapé
quarta-feira, maio 17, 2006
RDP em podcast
A RDP tem finalmente disponível em podcast um conjunto de espaços radiofónicos das rádios Antena 1, 2 e 3.
Agora é possível descarregar conteúdos áudio tão distintos como entrevistas, crónicas ou programas que foram emitidos originalmente na Rádio de serviço público.
Há Vida em Markl, Conselho Superior ou Dias do Avesso são alguns dos espaços agora disponíveis em podcast.
Depois das rádios da Media Capital, da TSF e da RUC chegou agora a vez da RDP entrar no mundo do podcasting.
Agora é possível descarregar conteúdos áudio tão distintos como entrevistas, crónicas ou programas que foram emitidos originalmente na Rádio de serviço público.
Há Vida em Markl, Conselho Superior ou Dias do Avesso são alguns dos espaços agora disponíveis em podcast.
Depois das rádios da Media Capital, da TSF e da RUC chegou agora a vez da RDP entrar no mundo do podcasting.
sexta-feira, maio 12, 2006
Um olhar sobre o podcasting português
O programa da TSF, Rádio.com, desta semana teve como tema principal os resultados de um inquérito que apliquei junto dos podcasters portugueses. Agradeço o interesse da TSF e em particular do João Paulo Meneses.
Aqui ficam alguns resultados do inquérito e que, julgo, poderão contribuir para perceber quem são os pioneiros do podcasting português.
Metodologia:
Foram tidos em conta para este trabalho os podcasts portugueses registados nos directórios Lusocast e Cotonete entre os dias 1 e 14 de Março de 2006 e que nessa altura tivessem sido actualizados pelo menos uma vez nos últimos dois meses. Foram excluídos os podcasts cuja autoria fosse de empresas de comunicação social.
Foram encontrados 31 podcasts nestas condições. Para eles foi enviado, via mail, um questionário que tinha como objectivo recolher dados sobre o fenómeno em Portugal, o que dele pensam os seus protagonistas e qual a relação com a rádio.
Responderam autores de 17 podcasts correspondendo a uma taxa de retorno de 54,84%
Como os questionários foram enviados para o podcast e não para cada autor individualmente, com a obtenção das respostas foi possível identificar 4 podcasts colectivos (duas ou mais pessoas) totalizando 23 podcasters.
Foram ainda identificadas quatro instituições autoras de podcasts.
Um perfil do podcaster português
O autor é homem (73%), tem menos de 30 anos (76,19%), tem formação superior (78%), iniciou-se nesta actividade pelo “Gosto pelas novas tecnologias” e pelo “Gosto pela rádio” e criou o seu podcast entre Dezembro de 2005 e Março de 2006 (47%).

Um perfil do podcast nacional
Os podcasts nacionais são maioritariamente produzidos por uma única pessoa (52%). O cenário do podcasting nacional inclui ainda podcasts de instituições religiosas, culturais e comerciais e podcasts colectivos, ou seja produzidos por duas ou mais pessoas.
O podcast nacional é, de acordo com os respondentes, informativo, actualizado semanalmente (64%), tem convidados no programa e utiliza entrevistas a amigos e conhecidos do podcaster. 94% dos respondentes afirmou receber retorno dos seus ouvintes. Recebem sobretudo comentários aos programas que chegam, em 87,5% dos casos, via mail. A totalidade dos podcasts nacionais associa o seu podcast a um blogue (35,29%), a um site (29,41%) ou a ambos (29,41%).
O que pensam os podcasters
Os podcasters nacionais consideram que o podcasting representa uma nova forma de expressão (76,47%) e uma oportunidade para a rádio uma vez permite levar a rádio mais longe, a mais gente e funciona como uma nova forma de disponibilizar outros conteúdos que não se enquadram nas “formatações” das rádios... às vezes, com bastante sucesso e até lucro!
Outros podcasters nacionais consideram que A rádio é para o podcasting o mesmo que o VHS é para o DVD ou a cassete para o CD. É passado.
A portabilidade, a diversidade de conteúdos e maior liberdade na escuta, que deixa de depender do espaço e do tempo, foram as principais vantagens do podcasting invocadas pelos respondentes.
O programa pode ser ouvido aqui.
Aqui ficam alguns resultados do inquérito e que, julgo, poderão contribuir para perceber quem são os pioneiros do podcasting português.
Metodologia:
Foram tidos em conta para este trabalho os podcasts portugueses registados nos directórios Lusocast e Cotonete entre os dias 1 e 14 de Março de 2006 e que nessa altura tivessem sido actualizados pelo menos uma vez nos últimos dois meses. Foram excluídos os podcasts cuja autoria fosse de empresas de comunicação social.
Foram encontrados 31 podcasts nestas condições. Para eles foi enviado, via mail, um questionário que tinha como objectivo recolher dados sobre o fenómeno em Portugal, o que dele pensam os seus protagonistas e qual a relação com a rádio.
Responderam autores de 17 podcasts correspondendo a uma taxa de retorno de 54,84%
Como os questionários foram enviados para o podcast e não para cada autor individualmente, com a obtenção das respostas foi possível identificar 4 podcasts colectivos (duas ou mais pessoas) totalizando 23 podcasters.
Foram ainda identificadas quatro instituições autoras de podcasts.
Um perfil do podcaster português
O autor é homem (73%), tem menos de 30 anos (76,19%), tem formação superior (78%), iniciou-se nesta actividade pelo “Gosto pelas novas tecnologias” e pelo “Gosto pela rádio” e criou o seu podcast entre Dezembro de 2005 e Março de 2006 (47%).
Um perfil do podcast nacional
Os podcasts nacionais são maioritariamente produzidos por uma única pessoa (52%). O cenário do podcasting nacional inclui ainda podcasts de instituições religiosas, culturais e comerciais e podcasts colectivos, ou seja produzidos por duas ou mais pessoas.
O podcast nacional é, de acordo com os respondentes, informativo, actualizado semanalmente (64%), tem convidados no programa e utiliza entrevistas a amigos e conhecidos do podcaster. 94% dos respondentes afirmou receber retorno dos seus ouvintes. Recebem sobretudo comentários aos programas que chegam, em 87,5% dos casos, via mail. A totalidade dos podcasts nacionais associa o seu podcast a um blogue (35,29%), a um site (29,41%) ou a ambos (29,41%).
O que pensam os podcastersOs podcasters nacionais consideram que o podcasting representa uma nova forma de expressão (76,47%) e uma oportunidade para a rádio uma vez permite levar a rádio mais longe, a mais gente e funciona como uma nova forma de disponibilizar outros conteúdos que não se enquadram nas “formatações” das rádios... às vezes, com bastante sucesso e até lucro!
Outros podcasters nacionais consideram que A rádio é para o podcasting o mesmo que o VHS é para o DVD ou a cassete para o CD. É passado.
A portabilidade, a diversidade de conteúdos e maior liberdade na escuta, que deixa de depender do espaço e do tempo, foram as principais vantagens do podcasting invocadas pelos respondentes.
O programa pode ser ouvido aqui.
Ainda os programas com participação de ouvintes
O DN publica hoje um artigo que relança o debate sobre os programas em directo com participação dos ouvintes ou telespectadores. O texto é motivado por um episódio ocorrido recentemente durante o programa "Opinião Pública" na SIC Notícias, quando um dos participantes insultou a apresentadora daquele espaço.
Estes programas encerram em si mesmo um perigo evidente que decorre do facto de serem em directo e de convocarem uma série de opiniões, sensibilidades, culturas etc. Mais uma vez a questão do equilíbrio entre possibilitar um espaço para o debate público e os perigos que daí advêm faz todo o sentido.
Num dos posts recentes neste espaço fiz referência à opção que a National Public Radio tomou relativamente ao programa Talk of the Nation. A rádio publica norte-americana tem um sistema de atraso entre o telefonema do ouvinte e a sua entrada no ar que permite à equipa do programa filtrar as participações em função de determinados critérios - aliás discutíveis do ponto de vista dos ouvintes.
Este método retira espontaneidade ao programa e atribui maior poder aos jornalistas na condução do espaço, mas talvez possa contribuir para evitar que surjam situações menos agradáveis em directo.
Ouvidos pelo DN, os responsáveis da TSF e Antena 1, que emitem programas de antena aberta, optam pelo pragmatismo.
José Fragoso (TSF): "Se o ouvinte viola o espaço que lhe é dado, tiramo-lo do ar e arrumamos a questão. Tão simples como isso."
João Barreiros (Antena 1): "Acabar com eles [com os programas] por medo do imprevisto seria profundamente negativo".
Também me parece que acabar com este tipo de programas seria uma má escolha, uma vez que, apesar de alguns momentos menos felizes protagonizados por alguns ouvintes, a verdade é que o Fórum da TSF, a Antena Aberta e outros espaços semelhantes que existem nalgumas rádios locais portuguesas são dos poucos exemplos da abertura dos meios de comunicação social à participação do público. E isso não deve ser menosprezado.
Paula Cordeiro, no seu blogue Netfm também fala desta questão.
Estes programas encerram em si mesmo um perigo evidente que decorre do facto de serem em directo e de convocarem uma série de opiniões, sensibilidades, culturas etc. Mais uma vez a questão do equilíbrio entre possibilitar um espaço para o debate público e os perigos que daí advêm faz todo o sentido.
Num dos posts recentes neste espaço fiz referência à opção que a National Public Radio tomou relativamente ao programa Talk of the Nation. A rádio publica norte-americana tem um sistema de atraso entre o telefonema do ouvinte e a sua entrada no ar que permite à equipa do programa filtrar as participações em função de determinados critérios - aliás discutíveis do ponto de vista dos ouvintes.
Este método retira espontaneidade ao programa e atribui maior poder aos jornalistas na condução do espaço, mas talvez possa contribuir para evitar que surjam situações menos agradáveis em directo.
Ouvidos pelo DN, os responsáveis da TSF e Antena 1, que emitem programas de antena aberta, optam pelo pragmatismo.
José Fragoso (TSF): "Se o ouvinte viola o espaço que lhe é dado, tiramo-lo do ar e arrumamos a questão. Tão simples como isso."
João Barreiros (Antena 1): "Acabar com eles [com os programas] por medo do imprevisto seria profundamente negativo".
Também me parece que acabar com este tipo de programas seria uma má escolha, uma vez que, apesar de alguns momentos menos felizes protagonizados por alguns ouvintes, a verdade é que o Fórum da TSF, a Antena Aberta e outros espaços semelhantes que existem nalgumas rádios locais portuguesas são dos poucos exemplos da abertura dos meios de comunicação social à participação do público. E isso não deve ser menosprezado.
Paula Cordeiro, no seu blogue Netfm também fala desta questão.
quarta-feira, maio 10, 2006
A rádio portuguesa e o podcasting
De destacar duas notícias desta semana sobre o podcasting em Portugal. A do DN que nos informa que são os programas de entrevistas da TSF os podcasts mais descarregados daquela emissora. Os programas são "Pessoal e Transmissível" e "Contas de Cabeça".
A outra notícia é do Diário Digital e diz-nos que a rádio pública vai finalmente lançar programas das rádios Antena 1, 2 e 3 em podcast. Só não se sabe quais são os programas que vão estar disponíveis.
De referir, contudo, que o programa O Ouvido de Maxwell emitido na Antena 2 já está em podcast.
Sinal que as rádios começam a perceber as vantagens que o podcasting pode representar para elas. Ainda estamos na fase do "arquivo digital" ou seja a colocação em podcast de programas emitidos originalmente na rádio hertziana. O tempo da criação de conteúdos próprios para podcast chegará.
Entre os chamados "amadores", o fenómeno continua a crescer. Em Março estavam registados nos directórios Lusocast e Cotonete pouco mais de 30 podcasts feitos por amadores, ou seja excluindo os das rádios, do cotonete, SIC e Expresso. No final de Abril contabilizei perto de 60.
A outra notícia é do Diário Digital e diz-nos que a rádio pública vai finalmente lançar programas das rádios Antena 1, 2 e 3 em podcast. Só não se sabe quais são os programas que vão estar disponíveis.
De referir, contudo, que o programa O Ouvido de Maxwell emitido na Antena 2 já está em podcast.
Sinal que as rádios começam a perceber as vantagens que o podcasting pode representar para elas. Ainda estamos na fase do "arquivo digital" ou seja a colocação em podcast de programas emitidos originalmente na rádio hertziana. O tempo da criação de conteúdos próprios para podcast chegará.
Entre os chamados "amadores", o fenómeno continua a crescer. Em Março estavam registados nos directórios Lusocast e Cotonete pouco mais de 30 podcasts feitos por amadores, ou seja excluindo os das rádios, do cotonete, SIC e Expresso. No final de Abril contabilizei perto de 60.
domingo, maio 07, 2006
Leituras
O blogue de Luís Santos, Atrium, faz referência a um dossier do The Economist sobre os novos media. Estão disponíveis vários artigos. Destaco este sobre podcasting.
Podcasting para vigiar jornalistas
O podcasting pode ser uma forma de vigiar o trabalho dos jornalistas?
O jornalista e investigador dos media, Carlos Castilho, faz referência, num artigo disponível no Observatório de Imprensa, a um projecto que visa testar a transparência jornalística combinando texto com áudio de forma a que o leitor possa confirmar se a citação que o jornalista faz corresponde exactamente ao que foi dito pelo entrevistado.
Os responsáveis pelo projeto acreditam que a iniciativa pode reduzir drasticamente os escândalos de falsificação de informações que sacudiram a imprensa mundial, especialmente a norte-americana, pois os repórteres e editores terão que ser fiéis à suas fontes e isto poderá ser checado a qualquer momento.
A relação entre o podcasting e a prática jornalística é uma das questões mais pertinentes e que interessará discutir nos próximos tempos. O artigo de Castilho explora as consequências que a utilização desta ferramenta poderá trazer para os próprios jornalistas se for utilizada para "avaliar" a transparência jornalística.
O artigo é de 2005, mas vale a pena passar por lá numa altura em que o jornal Expresso publicou uma manchete, pelo menos polémica, sobre uma entrevista concedida ao jornal. O Expresso é, recorde-se, o único jornal português que tem parte dos seus conteúdos em podcast, mas a entrevista a Freitas do Amaral não está.
O jornalista e investigador dos media, Carlos Castilho, faz referência, num artigo disponível no Observatório de Imprensa, a um projecto que visa testar a transparência jornalística combinando texto com áudio de forma a que o leitor possa confirmar se a citação que o jornalista faz corresponde exactamente ao que foi dito pelo entrevistado.
Os responsáveis pelo projeto acreditam que a iniciativa pode reduzir drasticamente os escândalos de falsificação de informações que sacudiram a imprensa mundial, especialmente a norte-americana, pois os repórteres e editores terão que ser fiéis à suas fontes e isto poderá ser checado a qualquer momento.
A relação entre o podcasting e a prática jornalística é uma das questões mais pertinentes e que interessará discutir nos próximos tempos. O artigo de Castilho explora as consequências que a utilização desta ferramenta poderá trazer para os próprios jornalistas se for utilizada para "avaliar" a transparência jornalística.
O artigo é de 2005, mas vale a pena passar por lá numa altura em que o jornal Expresso publicou uma manchete, pelo menos polémica, sobre uma entrevista concedida ao jornal. O Expresso é, recorde-se, o único jornal português que tem parte dos seus conteúdos em podcast, mas a entrevista a Freitas do Amaral não está.
quinta-feira, maio 04, 2006
Rádio é o quarto media com maior índice de confiança
De acordo com um estudo encomendado pela BBC, Reuters e Media Center os habitantes de dez países, entre os quais Estados Unidos, Reino Unido, ìndia ou Nigéria, confiam mais na comunicação social do que nos seus próprios governantes. A média de confiança nos meios de comunicação social é de 61% contra 52% nos governos. A excepção verifica-se nos Estados Unidos, Alemanha e no Reino Unido onde a confiança é maior nos governos. Ou seja, é nos países em vias de desenvolvimento que a confiança nos meios de comunicação social é maior.
O estudo mostra que a rádio é o quarto meio de comunicação com maior índice de confiança, a seguir à Televisão (82%), aos jornais nacionais e regionais (75%) e aos jornais locais (69%). A rádio pública tem uma média de confiança de 67%. Já a rádio comercial ocupa a 7ª posição com uma média de confiança de 55%.
Só na Alemanha a rádio é o medium que merece mais confiança por parte da população. Ao invés, no Brasil este meio de comunicação não aparece nas primeiras oito posições.
A televisão é também vista como a mais importante fonte de informação para os inquiridos. A rádio aparece em terceiro lugar em parceria com a Internet.
O estudo mostra que a rádio é o quarto meio de comunicação com maior índice de confiança, a seguir à Televisão (82%), aos jornais nacionais e regionais (75%) e aos jornais locais (69%). A rádio pública tem uma média de confiança de 67%. Já a rádio comercial ocupa a 7ª posição com uma média de confiança de 55%.
Só na Alemanha a rádio é o medium que merece mais confiança por parte da população. Ao invés, no Brasil este meio de comunicação não aparece nas primeiras oito posições.
A televisão é também vista como a mais importante fonte de informação para os inquiridos. A rádio aparece em terceiro lugar em parceria com a Internet.
quarta-feira, abril 26, 2006
O que deve valer num programa de antena aberta ?
No artigo How to Get on 'Talk of the Nation' o provedor do ouvinte da National Public Radio analisa a forma como funciona o programa "Talk of the Nation" que vive da participação em directo dos ouvintes.
Em directo ou quase... É que , tal como refere Jeffrey A. Dvorkin, existe um pequeno atraso entre o contacto telefónico e a entrada em emissão do ouvinte.
That gap is there in the event that the listener gets on but then wants to talk about something else -- or worse -- so the studio director must be able to terminate the call.
O artigo do provedor foi motivado por questões colocadas pelos ouvintes acerca dos critérios utilizados pelos responsáveis do programa para incluir ou excluir determinada intervenção.
Some exasperated listeners ask me, “What does it take to get on Talk of the Nation?” Their frustration? When they call NPR’s weekday, live national call-in program, their questions or comments are rejected. The studio producers or “screeners” tell them they are “off topic.” Callers are further upset when the screeners end the conversation in an apparently abrupt manner. And that’s when they contact me.
O que se passa no "Talk of the Nation" é que os ouvintes não entram todos em antena. Estão sujeitos a uma filtragem prévia onde é avaliada a pertinência da sua intervenção ou a qualidade da ligação telefónica.
O programa da NPR "Talk of the Nation" maximiza, desta forma, o poder de edição dos jornalistas responsáveis pela emissão, mesmo tratando-se de um directo. É, como o próprio Dvorkin admite, um cenário menos democrático, mas que cria condições para o aparecimento na emissão de contribuições mais válidas (ou pelo menos assim entendidas pelos responsáveis do programa).
A NPR dá prioridade ao que é dito e como é dito. Com esta prática inviabiliza que entrem em antena ouvintes com opiniões menos fundamentadas, que se afastem do tema em debate ou até cuja ligação telefónica não se encontre em boas condições. Todas estas razões são, para os responsáveis do "Talk of the Nation", suficientes para excluir um ouvinte de participar no programa.
Em Portugal, a prática não parece ser esta, pelo menos a avaliar pelas constantes interrupções que os pivots de programas do género são obrigados a fazer durante uma emissão.
No fundo, a questão emergente é a de saber o que deve ser valorizado num programa de informação com participação dos ouvintes: se o que dizem e como dizem ou o seu direito de participar no espaço público ?
Provavelmente ambas, o desafio é encontrar o equilíbrio.
Em directo ou quase... É que , tal como refere Jeffrey A. Dvorkin, existe um pequeno atraso entre o contacto telefónico e a entrada em emissão do ouvinte.
That gap is there in the event that the listener gets on but then wants to talk about something else -- or worse -- so the studio director must be able to terminate the call.
O artigo do provedor foi motivado por questões colocadas pelos ouvintes acerca dos critérios utilizados pelos responsáveis do programa para incluir ou excluir determinada intervenção.
Some exasperated listeners ask me, “What does it take to get on Talk of the Nation?” Their frustration? When they call NPR’s weekday, live national call-in program, their questions or comments are rejected. The studio producers or “screeners” tell them they are “off topic.” Callers are further upset when the screeners end the conversation in an apparently abrupt manner. And that’s when they contact me.
O que se passa no "Talk of the Nation" é que os ouvintes não entram todos em antena. Estão sujeitos a uma filtragem prévia onde é avaliada a pertinência da sua intervenção ou a qualidade da ligação telefónica.
O programa da NPR "Talk of the Nation" maximiza, desta forma, o poder de edição dos jornalistas responsáveis pela emissão, mesmo tratando-se de um directo. É, como o próprio Dvorkin admite, um cenário menos democrático, mas que cria condições para o aparecimento na emissão de contribuições mais válidas (ou pelo menos assim entendidas pelos responsáveis do programa).
A NPR dá prioridade ao que é dito e como é dito. Com esta prática inviabiliza que entrem em antena ouvintes com opiniões menos fundamentadas, que se afastem do tema em debate ou até cuja ligação telefónica não se encontre em boas condições. Todas estas razões são, para os responsáveis do "Talk of the Nation", suficientes para excluir um ouvinte de participar no programa.
Em Portugal, a prática não parece ser esta, pelo menos a avaliar pelas constantes interrupções que os pivots de programas do género são obrigados a fazer durante uma emissão.
No fundo, a questão emergente é a de saber o que deve ser valorizado num programa de informação com participação dos ouvintes: se o que dizem e como dizem ou o seu direito de participar no espaço público ?
Provavelmente ambas, o desafio é encontrar o equilíbrio.
domingo, abril 23, 2006
A rádio e a Internet
Carmen Saiz, num texto de 2002, caracterizava assim o estado da relação entre a Rádio e a Internet em Espanha:
"(...) son pocos los productos innovadores que se difunden por Internet, pues la gran mayoría de los programas son meras cópias de los ya existentes e incluso se simultanean los mismos programas por ambos medios".
Carmen Saiz entende que as emissoras espanholas não retiram da web as potencialidades que ela oferece, e que têm a ver com uma nova realidade imposta por um novo meio de comunicação. Para isso, acrescenta Saiz, "Es necesario contar con un equipo técnico y humano especializado que conoza los nuevos modos productivos del sistema interactivo, lo que supone un salto cualitativo en las rutinas productivas convencionales de la radio analógica".
O salto que a professora espanhola propõe implica que as rádios, no campo da informação, deixem de ver a web como um simples arquivo digital dos programas emitidos via hertziana, útil é certo, mas que ignora as capacidades de interacção e multimediáticas que a Internet possui.
Alguns sites das rádios nacionais, por exemplo, não permitem que o utilizador comente notícias ou contacte com os jornalistas. As notícias disponíveis no site são as mesmas que a rádio emitiu e nalguns casos só com texto (sem som, imagem, links).
Durante as eleições presidenciais de Janeiro, algumas rádios disponibilizaram nos seus sites informação sobre resultados de eleições anteriores. São muitos números que a emissão hertziana não poderia facultar. É um exemplo positivo.
Nos últimos dias, as notícias davam conta da entrada em funções nesta semana do provedor do ouvinte da RDP. À semelhança do que sucede com outros provedores de rádio, o site é uma excelente forma de esclarecer acerca das suas funções e de como os ouvintes podem entrar em contacto com aquela figura. No caso português ainda não encontrei qualquer referência ao facto...
"(...) son pocos los productos innovadores que se difunden por Internet, pues la gran mayoría de los programas son meras cópias de los ya existentes e incluso se simultanean los mismos programas por ambos medios".
Carmen Saiz entende que as emissoras espanholas não retiram da web as potencialidades que ela oferece, e que têm a ver com uma nova realidade imposta por um novo meio de comunicação. Para isso, acrescenta Saiz, "Es necesario contar con un equipo técnico y humano especializado que conoza los nuevos modos productivos del sistema interactivo, lo que supone un salto cualitativo en las rutinas productivas convencionales de la radio analógica".
O salto que a professora espanhola propõe implica que as rádios, no campo da informação, deixem de ver a web como um simples arquivo digital dos programas emitidos via hertziana, útil é certo, mas que ignora as capacidades de interacção e multimediáticas que a Internet possui.
Alguns sites das rádios nacionais, por exemplo, não permitem que o utilizador comente notícias ou contacte com os jornalistas. As notícias disponíveis no site são as mesmas que a rádio emitiu e nalguns casos só com texto (sem som, imagem, links).
Durante as eleições presidenciais de Janeiro, algumas rádios disponibilizaram nos seus sites informação sobre resultados de eleições anteriores. São muitos números que a emissão hertziana não poderia facultar. É um exemplo positivo.
Nos últimos dias, as notícias davam conta da entrada em funções nesta semana do provedor do ouvinte da RDP. À semelhança do que sucede com outros provedores de rádio, o site é uma excelente forma de esclarecer acerca das suas funções e de como os ouvintes podem entrar em contacto com aquela figura. No caso português ainda não encontrei qualquer referência ao facto...
sexta-feira, abril 21, 2006
Rádio portuguesa perdeu 300 mil ouvintes
Um sinal preocupante para a rádio portuguesa que perdeu em relação ao ano passado cerca de 300 mil ouvintes. A informação (via Indústrias Culturais) está disponível no blogue Media Network Weblog e tem como base os dados da Marktest que indicam uma perda de ouvintes de 6,1%, relativamente ao ano passado.
A quebra só não se verifica no caso da Rádio Comercial, cuja audiência cresceu 5,2%, e do renovado Rádio Clube que subiu 3,2%. A Antena 2 também registou uma subida.
O Grupo Renascença - apesar da quebra de 8,1% em relação a 2005 - continua a liderar as audiências de rádio em Portugal: a RFM mantem-se como a estação mais ouvida, com uma audiência acumulada de véspera de 12,4% e o Canal 1 da RR com 9,8%. Seguem-se a Rádio Comercial, Antena 1, TSF e Cidade FM.
Regista-se a perda de ouvintes, significativa, e que deve merecer um olhar mais atento no sentido de perceber as suas causas.
Outros indicadores mostram como a rádio tem deixado de representar para os ouvintes um meio de comunicação de proximidade - uma das suas principais características.
A quebra só não se verifica no caso da Rádio Comercial, cuja audiência cresceu 5,2%, e do renovado Rádio Clube que subiu 3,2%. A Antena 2 também registou uma subida.
O Grupo Renascença - apesar da quebra de 8,1% em relação a 2005 - continua a liderar as audiências de rádio em Portugal: a RFM mantem-se como a estação mais ouvida, com uma audiência acumulada de véspera de 12,4% e o Canal 1 da RR com 9,8%. Seguem-se a Rádio Comercial, Antena 1, TSF e Cidade FM.
Regista-se a perda de ouvintes, significativa, e que deve merecer um olhar mais atento no sentido de perceber as suas causas.
Outros indicadores mostram como a rádio tem deixado de representar para os ouvintes um meio de comunicação de proximidade - uma das suas principais características.
quarta-feira, abril 19, 2006
Provedor do ouvinte inicia funções
O primeiro ombudsman do ouvinte em Portugal assumiu ontem as funções, conjuntamente com Paquete de Oliveira, que assumirá idêntico cargo na RTP.
Durante a cerimónia de tomada de posse, José Nuno Martins deixou algumas ideias que vêm reproduzidas no Diário de Notícias:
"Agora a lei garante ao ouvinte o direito de ouvir bem a rádio pública"
"(...)por quanto tempo mais poderão os operadores privados de radiodifusão continuar a ignorar o cidadão?"
"Os provedores não adiantaram muito sobre o caminho que vão seguir, mas José Nuno Martins admitiu ter dúvidas sobre os "programas chamados interactivos, os fóruns".
Segundo o mesmo jornal, o ministro Augusto Santos Silva desafiou ainda os
"outros a adoptar estes mecanismos, sublinhando que os provedores são instrumentos de auto-regulação da comunicação social".
À consideração da TSF, RR, Rádio Clube ...
Durante a cerimónia de tomada de posse, José Nuno Martins deixou algumas ideias que vêm reproduzidas no Diário de Notícias:
"Agora a lei garante ao ouvinte o direito de ouvir bem a rádio pública"
"(...)por quanto tempo mais poderão os operadores privados de radiodifusão continuar a ignorar o cidadão?"
"Os provedores não adiantaram muito sobre o caminho que vão seguir, mas José Nuno Martins admitiu ter dúvidas sobre os "programas chamados interactivos, os fóruns".
Segundo o mesmo jornal, o ministro Augusto Santos Silva desafiou ainda os
"outros a adoptar estes mecanismos, sublinhando que os provedores são instrumentos de auto-regulação da comunicação social".
À consideração da TSF, RR, Rádio Clube ...
terça-feira, abril 18, 2006
O que será do Museu da Rádio ?
O Jornal Público dava conta, ontem, da mudança de instalações do Museu da Rádio. Não haverá grande problema se o que estiver em causa for apenas a mudança de local. Já parece mais preocupante outras informações que indicam que parte do seu riquíssimo acervo possa desaparecer (!!!) ou que a mudança se faça para um espaço mais reduzido, implicando isso uma área menor para a exposição do património existente.
Pela importância que o Museu da Rádio representa para a história deste meio de comunicação social em Portugal e para a cultura nacional justifica-se a preocupação face às informações que têm surgido, aliás igualmente manisfestadas noutros blogues: Indústrias Culturais, Netfm e A Rádio em Portugal .
No blogue Indústrias Culturais, Rogério Santos fala de uma petição disponível no blogue A Minha Rádio mas, pelo menos ontem, não consegui aceder a ela.
Pela importância que o Museu da Rádio representa para a história deste meio de comunicação social em Portugal e para a cultura nacional justifica-se a preocupação face às informações que têm surgido, aliás igualmente manisfestadas noutros blogues: Indústrias Culturais, Netfm e A Rádio em Portugal .
No blogue Indústrias Culturais, Rogério Santos fala de uma petição disponível no blogue A Minha Rádio mas, pelo menos ontem, não consegui aceder a ela.
sábado, abril 15, 2006
Provedor da RTVE
Nos últimos dias o post É preciso ser jornalista para ser provedor ? recebeu novos comentários. O tema é ainda actual quando se espera pelo início de actividade do provedor do ouvinte da rádio pública portuguesa.
Entretanto, vale a pena passar pelo site da RTVE e conhecer as comunicações e perfil do também recente provedor (iniciou funções em Fevereiro) da televisão e rádio públicas de Espanha. A opção recaiu sobre um único defensor para a televisão e para a rádio e para as áreas da programação e da informação.
Manuel Alonso Erausquin é um antigo jornalista, doutorado em Ciências da Informação e com experiência em várias áreas de trabalho na TVE.
O vídeo da apresentação do provedor pode ser visto aqui
Entretanto, vale a pena passar pelo site da RTVE e conhecer as comunicações e perfil do também recente provedor (iniciou funções em Fevereiro) da televisão e rádio públicas de Espanha. A opção recaiu sobre um único defensor para a televisão e para a rádio e para as áreas da programação e da informação.
Manuel Alonso Erausquin é um antigo jornalista, doutorado em Ciências da Informação e com experiência em várias áreas de trabalho na TVE.
O vídeo da apresentação do provedor pode ser visto aqui
quinta-feira, abril 13, 2006
Ainda há a rádio !!!
Até ao momento não vi na televisão nem li (em jornais ou na Internet) que a escuta de rádio, feita com moderação ou em excesso, pudesse disputar o tempo com a meditação ou oração.
Não sei se o Vaticano se esqueceu da Rádio ou se a rádio é neste particular um caso à parte !!!
Não há Televisão, jornais ou Internet... mas há rádio...Graças a Deus.
Não sei se o Vaticano se esqueceu da Rádio ou se a rádio é neste particular um caso à parte !!!
Não há Televisão, jornais ou Internet... mas há rádio...Graças a Deus.
quarta-feira, abril 12, 2006
Blogue para jornalistas da NPR
A National Public Radio criou um blogue onde os jornalistas da rádio pública norte-americana podem escrever as suas histórias, opiniões e reflexões que normalmente não chegam aos ouvintes.
O blogue chama-se Mixed Signals.
O provedor da emissora escreve esta semana sobre o assunto:
One of the most interesting and useful developments on NPR’s Web site is the arrival of the NPR blog.
This feature involves an NPR journalist who posts (as often as a dozen times a day) his or her impressions and opinions of what’s going on behind the scenes at NPR News. Included in this are responses, impressions and opinions of listeners to NPR programs and from visitors to the NPR Web site.
Jeffrey A. Dvorkin, o ombudsman da National Public Radio, explica no mesmo artigo porque decidiu rejeitar a criação de um blogue para as funções que desempenha, à semelhança do que sucede com outros provedores, por exemplo na RTVA e no jornal Público.
Vale a pena passar por lá.
O blogue chama-se Mixed Signals.
O provedor da emissora escreve esta semana sobre o assunto:
One of the most interesting and useful developments on NPR’s Web site is the arrival of the NPR blog.
This feature involves an NPR journalist who posts (as often as a dozen times a day) his or her impressions and opinions of what’s going on behind the scenes at NPR News. Included in this are responses, impressions and opinions of listeners to NPR programs and from visitors to the NPR Web site.
Jeffrey A. Dvorkin, o ombudsman da National Public Radio, explica no mesmo artigo porque decidiu rejeitar a criação de um blogue para as funções que desempenha, à semelhança do que sucede com outros provedores, por exemplo na RTVA e no jornal Público.
Vale a pena passar por lá.
terça-feira, abril 11, 2006
À atenção da rádio

Segundo o ofcom a rádio é o meio de comunicação onde o nível de interacção é mais reduzido, pelo menos na realidade britânica.
A notícia vem na newsletter do Obercom que refere que a principal forma de interacção com a rádio é feita através dos sites das estações emissoras.
Os programas de antena aberta, que muito contribuíram para a popularização da rádio, parecem estar a perder terreno, pois de acordo com o estudo da ofcom os contactos por telefone para a rádio aparecem em segundo ou em terceiro lugar, dependendo da faixa etária, quando os ouvintes pretendem interagir com a emissora.
Responder a uma questão ou participar num concurso são as principais razões para os ouvintes estabelecerem interacção digital com a rádio.
Os inquiridos neste estudo responderam ainda em relação aos conteúdos emitidos pela rádio. Neste caso as respostas devem representar um sério alerta para quem faz rádio nos dias de hoje:
As queixas registadas incidem essencialmente no tipo de linguagem utilizada (quer pelo locutor, quer nas letras dos temas), e na fraca qualidade dos conteúdos (intervalos publicitários muito longos, conteúdos liderados pela ditadura das audiências...).
Gráfico retirado do site do Obercom.
quinta-feira, abril 06, 2006
O peso do futebol na rádio
Os jogos de futebol entre o Benfica e o Barcelona centraram as atenções dos jornalistas das rádios TSF, Rádio Renascença e Antena 1 nos dias 28 de Março e 5 de Abril.
Para além das várias horas de emissão especial, nos noticiários o acontecimento serviu de fio condutor para conhecermos a Peña de Barcelona em Lisboa, perceber como vivem portugueses em Barcelona ou como naturais daquela cidade fazem vida na capital portuguesa. Não faltaram as habituais reportagens nas esplanadas ou à porta dos hóteis onde as equipas se encontravam. Comentários de jogadores, treinadores, escritores...
Percentagem de tempo ocupado com informação sobre os jogos entre o Benfica e o Barcelona pelas rádios TSF(36,47%), RR (18,84%) e Antena 1 (17,17%) nos dias 28 de Março e 5 de Abril nos noticiários das 9 e 17 horas:
Para além das várias horas de emissão especial, nos noticiários o acontecimento serviu de fio condutor para conhecermos a Peña de Barcelona em Lisboa, perceber como vivem portugueses em Barcelona ou como naturais daquela cidade fazem vida na capital portuguesa. Não faltaram as habituais reportagens nas esplanadas ou à porta dos hóteis onde as equipas se encontravam. Comentários de jogadores, treinadores, escritores...
Percentagem de tempo ocupado com informação sobre os jogos entre o Benfica e o Barcelona pelas rádios TSF(36,47%), RR (18,84%) e Antena 1 (17,17%) nos dias 28 de Março e 5 de Abril nos noticiários das 9 e 17 horas:
terça-feira, abril 04, 2006
Onda Livre há 27 anos
O fim do franquismo coincide com o início da luta pela liberalização das ondas em Espanha. O exercício da radiodifusão esteve sempre centralizada no Estado, protegido por leis que favoreciam um cenário de monopólio.
Tratava-se, como descreve Emili Prado (1982), de uma rádio que “entretinha embrutecendo” referindo-se à programação onde sobressaíam programas com música comercial e consultórios para o auditório feminino.
O governo espanhol acabaria por abrir algumas concessões à iniciativa privada, mas tratou-se de uma abertura limitada, uma vez que estas novas emissoras, que aceitaram sem reservas as regras do jogo, eram obrigadas a recorrer à Rádio Nacional de Espanha(RNE), que detinha a exclusividade da informação, para transmitir os noticiários.
Com a morte de Franco dá-se o boom da rádio em território espanhol. O primeiro passo foi dado em Outubro de 1977 com a liberalização da informação radiofónica. Nessa altura, as cadeias privadas passaram a ter liberdade para fazer os seus próprios noticiários sem a obrigação de recorrer à RNE.
Mas a liberalização das ondas em Espanha teve também argumentos de ordem política, nomeadamente pela necessidade de acatar os acordos internacionais de distribuição de frequências, uma medida essencial para Espanha, envolvida que estava no processo de integração europeia.
É neste contexto que aparecem por todo o país no final da década de 70, princípio de 80, várias emissoras livres.
A criação da Ona Lliure (onda Livre) significa um dos marcos decisivos para o florescimento das Rádios Livres em Espanha. A sua primeira emissão aconteceu no dia 4 de Abril de 1979, faz hoje precisamente 27 anos.
A Ona Lliure foi criada por um grupo constituído por estudantes de ciências da informação, ecologistas, homossexuais, feministas e tinha como principal objectivo fundar um movimento pela liberalização das rádios livres em Espanha.
Lia-se num comunicado da Ona Lliure:
"Frente al derecho a ser informados/as debemos plantear como eje central de la Comunicación Alternativa el derecho a informar con entera libertad de nuestra realidad. Las Radios Libres deben ser en ese sentido el instrumento a partir del cual desarrollar la capacidad y necesidad de informar por parte de todo el mundo, de todos los sectores en lucha, de todo el movimiento, potenciando la capacidad de emitir, transformar y criticar".
A primeira emissão foi para o ar no dia 4 de Abril de 1979. Quinze dias mais tarde a Ona Lliure foi mandada encerrar pelo Ministério da Cultura espanhol.
A Ona Lliure abriu as portas ao aparecimento das rádios livres em Espanha e acabou por ser também a alavanca para o aparecimento das Emissoras Municipais (Chaparro, 1995).
Tratava-se, como descreve Emili Prado (1982), de uma rádio que “entretinha embrutecendo” referindo-se à programação onde sobressaíam programas com música comercial e consultórios para o auditório feminino.
O governo espanhol acabaria por abrir algumas concessões à iniciativa privada, mas tratou-se de uma abertura limitada, uma vez que estas novas emissoras, que aceitaram sem reservas as regras do jogo, eram obrigadas a recorrer à Rádio Nacional de Espanha(RNE), que detinha a exclusividade da informação, para transmitir os noticiários.
Com a morte de Franco dá-se o boom da rádio em território espanhol. O primeiro passo foi dado em Outubro de 1977 com a liberalização da informação radiofónica. Nessa altura, as cadeias privadas passaram a ter liberdade para fazer os seus próprios noticiários sem a obrigação de recorrer à RNE.
Mas a liberalização das ondas em Espanha teve também argumentos de ordem política, nomeadamente pela necessidade de acatar os acordos internacionais de distribuição de frequências, uma medida essencial para Espanha, envolvida que estava no processo de integração europeia.
É neste contexto que aparecem por todo o país no final da década de 70, princípio de 80, várias emissoras livres.
A criação da Ona Lliure (onda Livre) significa um dos marcos decisivos para o florescimento das Rádios Livres em Espanha. A sua primeira emissão aconteceu no dia 4 de Abril de 1979, faz hoje precisamente 27 anos.
A Ona Lliure foi criada por um grupo constituído por estudantes de ciências da informação, ecologistas, homossexuais, feministas e tinha como principal objectivo fundar um movimento pela liberalização das rádios livres em Espanha.
Lia-se num comunicado da Ona Lliure:
"Frente al derecho a ser informados/as debemos plantear como eje central de la Comunicación Alternativa el derecho a informar con entera libertad de nuestra realidad. Las Radios Libres deben ser en ese sentido el instrumento a partir del cual desarrollar la capacidad y necesidad de informar por parte de todo el mundo, de todos los sectores en lucha, de todo el movimiento, potenciando la capacidad de emitir, transformar y criticar".
A primeira emissão foi para o ar no dia 4 de Abril de 1979. Quinze dias mais tarde a Ona Lliure foi mandada encerrar pelo Ministério da Cultura espanhol.
A Ona Lliure abriu as portas ao aparecimento das rádios livres em Espanha e acabou por ser também a alavanca para o aparecimento das Emissoras Municipais (Chaparro, 1995).
domingo, abril 02, 2006
Encontro da rede Radia
Lisboa vai receber o primeiro encontro da rede Radia - uma associação de emissoras de rádio que emitem em FM ou através da Internet - entre os dias 10 e 14 de Abril. Do programa faz parte a exibição de filmes sobre rádio e várias conferências como "Rádios comunitárias, rádios experimentais, rádios arte: que história é esta?" e "Rádio, web, podcast: mutações de um meio de transmissão".
Via Indústrias Culturais.
Ver ainda Rádio Zero.
Via Indústrias Culturais.
Ver ainda Rádio Zero.
sexta-feira, março 31, 2006
RDP África assinala dez anos
A RDP África assinala este Sábado a primeira década de existência. A notícia vem no Jornal Público .
Para quem não é assinante pode ler sobre o mesmo assunto no Diário Digital:
A RDP África completa este sábado dez anos de existência. No âmbito do aniversário, a equipa da emissora desloca-se, durante o mês de Abril, a Coimbra, Faro e Porto, avançou esta sexta-feira o jornal Público.
Para quem não é assinante pode ler sobre o mesmo assunto no Diário Digital:
A RDP África completa este sábado dez anos de existência. No âmbito do aniversário, a equipa da emissora desloca-se, durante o mês de Abril, a Coimbra, Faro e Porto, avançou esta sexta-feira o jornal Público.
terça-feira, março 28, 2006
É preciso ser jornalista para ser provedor ?
Vai uma discussão interessante no blogue de João Paulo Menezes acerca da nomeação de José Nuno Martins para provedor do ouvinte na RDP. Diz JPM que preferiria “alguém do jornalismo, com os olhos abertos para a programação, ou alguém das ciências da comunicação, com capacidade para problematizar (como penso que acontecerá com Paquete de Oliveira, na RTP)”.
Confesso que também fiquei surpreendido com a nomeação de José Nuno Martins, não pelo facto de ser quem é, mas pela natureza da figura de provedor, que tem como função receber queixas/sugestões dos ouvintes/leitores ou telespectadores e de boa parte dessas interpelações remeterem para a análise do trabalho dos jornalistas.
Não sendo jornalista, será uma vantagem ou uma desvantagem?
Julgo pertinente lembrar alguns aspectos:
1º O provedor é, segundo Claude-Jean Bertrand, uma figura que tem a vantagem de “ser menos ameaçador para os profissionais, visto que, geralmente, ele também é jornalista, sendo bem conhecido na redacção” (Mesquita, 1998:27)
2º Ou seja, os jornalistas aceitam mais facilmente eventuais críticas que possam receber de um dos seus pares;
3º No audiovisual, as competências do provedor extravasam as questões meramente jornalísticas.
4º A France 2 e a France 3 tiveram em tempos (confesso que não sei se ainda mantêm esta prática) um provedor para a programação e outro para a informação. Não seria descabido a mesma prática na RTP e RDP. Um provedor de informação para a RTP e RDP e outro de programação.
5º Por fim, é preciso não esquecer que a figura do provedor só resulta na conjugação da acção dos leitores (ouvintes ou telespectadores), dos jornalistas e do próprio ombudsman e por isso não é excessivo recordar o que escreve Mário Mesquita – primeiro provedor do DN – no seu livro “O jornalismo em Análise – a coluna do provedor dos leitores” sobre a sua experiência.
“Que sentirá quando verifica, ao fim de cinquenta e duas semanas de presença nestas páginas, que, se a memória não o trai, nem um só jornalista da casa – à excepção do próprio Director – reconheceu ter escrito uma frase menos feliz, um título pouco rigoroso ou assumiu a responsabilidade por uma investigação insuficientemente aprofundada?” (Mesquita, 1998:39).
Confesso que também fiquei surpreendido com a nomeação de José Nuno Martins, não pelo facto de ser quem é, mas pela natureza da figura de provedor, que tem como função receber queixas/sugestões dos ouvintes/leitores ou telespectadores e de boa parte dessas interpelações remeterem para a análise do trabalho dos jornalistas.
Não sendo jornalista, será uma vantagem ou uma desvantagem?
Julgo pertinente lembrar alguns aspectos:
1º O provedor é, segundo Claude-Jean Bertrand, uma figura que tem a vantagem de “ser menos ameaçador para os profissionais, visto que, geralmente, ele também é jornalista, sendo bem conhecido na redacção” (Mesquita, 1998:27)
2º Ou seja, os jornalistas aceitam mais facilmente eventuais críticas que possam receber de um dos seus pares;
3º No audiovisual, as competências do provedor extravasam as questões meramente jornalísticas.
4º A France 2 e a France 3 tiveram em tempos (confesso que não sei se ainda mantêm esta prática) um provedor para a programação e outro para a informação. Não seria descabido a mesma prática na RTP e RDP. Um provedor de informação para a RTP e RDP e outro de programação.
5º Por fim, é preciso não esquecer que a figura do provedor só resulta na conjugação da acção dos leitores (ouvintes ou telespectadores), dos jornalistas e do próprio ombudsman e por isso não é excessivo recordar o que escreve Mário Mesquita – primeiro provedor do DN – no seu livro “O jornalismo em Análise – a coluna do provedor dos leitores” sobre a sua experiência.
“Que sentirá quando verifica, ao fim de cinquenta e duas semanas de presença nestas páginas, que, se a memória não o trai, nem um só jornalista da casa – à excepção do próprio Director – reconheceu ter escrito uma frase menos feliz, um título pouco rigoroso ou assumiu a responsabilidade por uma investigação insuficientemente aprofundada?” (Mesquita, 1998:39).
segunda-feira, março 27, 2006
Uma ordem dos jornalistas
Emídio Rangel defendeu esta manhã, na TSF, a criação de uma Ordem dos Jornalistas. Na espaço "Mel com Fel" (ainda não está online), Rangel referiu que esta seria uma estrutura importante para tratar de questões relacionadas com a deontologia jornalística.
Desde já é de salutar que o tema saia da gaveta e entre na agenda da classe para que se discuta a viabilidade da criação de um organismo com estas características. Parece-me igualmente importante referir que a implementação de regras do foro deontológico aos jornalistas, supervisionadas pelos seus pares, é não só uma forma de credibilização da profissão como um mecanismo saudável de auto-regulação evitando assim excessivas medidas de regulação externa.
Uma estrutura - chamada Ordem ou outra coisa qualquer - poderia ter funções ainda noutros domínios da profissão como a atribução de títulos profissionais ou no ensino do jornalismo.
Desde já é de salutar que o tema saia da gaveta e entre na agenda da classe para que se discuta a viabilidade da criação de um organismo com estas características. Parece-me igualmente importante referir que a implementação de regras do foro deontológico aos jornalistas, supervisionadas pelos seus pares, é não só uma forma de credibilização da profissão como um mecanismo saudável de auto-regulação evitando assim excessivas medidas de regulação externa.
Uma estrutura - chamada Ordem ou outra coisa qualquer - poderia ter funções ainda noutros domínios da profissão como a atribução de títulos profissionais ou no ensino do jornalismo.
Ainda a tradução de sons em língua estrangeira
Duas notas sobre o debate que começou neste espaço, mas que foi para aqui.
João Paulo Menezes colocou um post sobre a tradução ou não dos sons dos protagonistas das notícias emitidas pela rádio, a propósito de um comentário meu sobre o programa "Nós Europa" da TSF.
Concordo genericamente com JPM e com os seus activos leitores quando referem que os declarações em língua estrangeira devem ser traduzidas, mesmo aquelas que são produzidas em língua espanhola.
Não concordo, contudo, quando se diz que apenas os sons com mais de 10 segundos devem ser traduzidos (dobrados). Do meu ponto de vista devem ser todos independentemente da língua estrangeira em que são produzidos. É que nunca se sabe bem quem é que nos está a ouvir!!!
Há ainda uma outra nota sobre esta matéria, que passa, é certo, ao lado do comum dos ouvintes. Na rádio, as mensagens difundidas têm quase sempre dois significados: aquele que o conteúdo nos dá e outro que é perceptível através da forma como é dito. Por vezes é importante ouvir a forma como algo é dito, ou seja o tom que o sujeito utiliza ao dizer o que diz. Colocar uma voz "por cima" da declaração do interlocutor pode prejudicar a percepção desse segundo significado.
Dois exemplos recentes: a declaração da ETA anunciando tréguas e a de Hugo Chavez dando a conhecer o que pensa (!!!) de George W. Bush.
São, de qualquer forma, excepções à regra. E a regra, do meu ponto de vista, deve ser a tradução.
João Paulo Menezes colocou um post sobre a tradução ou não dos sons dos protagonistas das notícias emitidas pela rádio, a propósito de um comentário meu sobre o programa "Nós Europa" da TSF.
Concordo genericamente com JPM e com os seus activos leitores quando referem que os declarações em língua estrangeira devem ser traduzidas, mesmo aquelas que são produzidas em língua espanhola.
Não concordo, contudo, quando se diz que apenas os sons com mais de 10 segundos devem ser traduzidos (dobrados). Do meu ponto de vista devem ser todos independentemente da língua estrangeira em que são produzidos. É que nunca se sabe bem quem é que nos está a ouvir!!!
Há ainda uma outra nota sobre esta matéria, que passa, é certo, ao lado do comum dos ouvintes. Na rádio, as mensagens difundidas têm quase sempre dois significados: aquele que o conteúdo nos dá e outro que é perceptível através da forma como é dito. Por vezes é importante ouvir a forma como algo é dito, ou seja o tom que o sujeito utiliza ao dizer o que diz. Colocar uma voz "por cima" da declaração do interlocutor pode prejudicar a percepção desse segundo significado.
Dois exemplos recentes: a declaração da ETA anunciando tréguas e a de Hugo Chavez dando a conhecer o que pensa (!!!) de George W. Bush.
São, de qualquer forma, excepções à regra. E a regra, do meu ponto de vista, deve ser a tradução.
terça-feira, março 21, 2006
Provedores II
José Nuno Martins será, segundo a Lusa o primeiro provedor da Rádio em Portugal.
Depois de Paquete de Oliveira ter sido o escolhido para ombudsman da televisão pública, a administração do grupo deu a conhecer, durante a tarde de hoje, o nome do radialista para exercer as mesmas funções na emissora pública.
Na quarta-feira, os dois nomes serão entregues ao Conselho de Opinião que dará um parecer. Se for positivo, José Nuno Martins e Paquete de Oliveira iniciarão as funções já em Maio.
Depois de Paquete de Oliveira ter sido o escolhido para ombudsman da televisão pública, a administração do grupo deu a conhecer, durante a tarde de hoje, o nome do radialista para exercer as mesmas funções na emissora pública.
Na quarta-feira, os dois nomes serão entregues ao Conselho de Opinião que dará um parecer. Se for positivo, José Nuno Martins e Paquete de Oliveira iniciarão as funções já em Maio.
Provedores
O DN escreve hoje que o professor Paquete de Oliveira foi convidado para ocupar o cargo de provedor do telespectador na televisão pública. O texto refere que o docente foi convidado, mas não diz se o convite foi aceite. De acordo com a mesma notícia, o nome do provedor da rádio também já está escolhido, mas ainda se encontra no segredo dos deuses. Aguardemos, pois...
sábado, março 18, 2006
As taxas da ERC e a rádio
O presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão manifestou-se preocupado com a aplicação de taxas da ERC às rádios. A notícia está no Diário Digital.
Diz José Faustino:
«O novo regime pode levar uma série de rádios no país à falência», afirmou José Faustino, salientando que mais de 150 emissoras locais, na sua maioria localizadas na zona interior do país, têm orçamentos muito apertados e deficitários.
Diz José Faustino:
«O novo regime pode levar uma série de rádios no país à falência», afirmou José Faustino, salientando que mais de 150 emissoras locais, na sua maioria localizadas na zona interior do país, têm orçamentos muito apertados e deficitários.
sexta-feira, março 17, 2006
Indústrias Culturais de parabéns
Parabéns a Rogério Santos e ao Indústrias Culturais que hoje completa três anos na blogosfera. É para mim uma passagem diária obrigatória. Votos de continuação do excelente trabalho que tem desenvolvido. Vale a pena passar pelo post de hoje no qual o seu autor faz um balanço dos três anos de vida do blogue.
quinta-feira, março 16, 2006
Traduzir ou não traduzir ...
O programa "Nós Europa" da TSF é, quanto a mim, um espaço radiofónico interessante pelo tratamento de acontecimentos referentes ao espaço comunitário que regra geral não passam nos noticiários.
O que não se percebe é a razão para que os sons dos protagonistas (registos magnéticos -RM-) sejam difundidos na sua língua original, sem, portanto, a necessária tradução. Sejam eles em inglês, francês, espanhol, italiano etc.
É certo que o pivot nos dá a ideia principal, à entrada do som, daquilo que é dito pelo protagonista, mas num meio tão vulnerável como é a rádio no que diz respeito à captação da atenção, não será arriscada esta prática ? Para além disso, a informação fica seguramente mais pobre, uma vez que um dos objectivos da colocação do som dos protagonistas dos acontecimentos é precisamente complementar e credibilizar a informação veiculada.
O que não se percebe é a razão para que os sons dos protagonistas (registos magnéticos -RM-) sejam difundidos na sua língua original, sem, portanto, a necessária tradução. Sejam eles em inglês, francês, espanhol, italiano etc.
É certo que o pivot nos dá a ideia principal, à entrada do som, daquilo que é dito pelo protagonista, mas num meio tão vulnerável como é a rádio no que diz respeito à captação da atenção, não será arriscada esta prática ? Para além disso, a informação fica seguramente mais pobre, uma vez que um dos objectivos da colocação do som dos protagonistas dos acontecimentos é precisamente complementar e credibilizar a informação veiculada.
quarta-feira, março 15, 2006
A língua na rádio
Merecem referência os textos dos provedores da Radio y Televisión de Andalucia e da Rádio Bandeirantes. Ambos posicionam-se face a queixas dos seus ouvintes quanto à utilização da língua por parte dos jornalistas e apresentadores daquelas emissoras.
No caso brasileiro, os ouvintes questionam-se sobre a melhor forma de pronunciar determinadas palavras como porcentagem ou percentagem. A provedora responde.
O caso espanhol é mais interessante. Patricio Gutiérrez debruça-se sobre uma queixa de uma telespectadora sobre o pouco uso que é dado às "modalidades linguísticas andaluzas".
Vale a pena passar pelo texto do provedor da RTVA
A rádio é um excelente veículo de difusão e promoção da língua materna bem como das suas especificidades regionais e locais. Esta é também uma das funções da radiodifusão local, mas ao invés de uma afirmação nesse sentido, por cá ainda não é bem visto falar com a pronúncia algarvia numa rádio do Algarve, utilizar expressões portuenses numa emissora do Porto ou falar alentejano numa rádio do Alentejo.
No caso brasileiro, os ouvintes questionam-se sobre a melhor forma de pronunciar determinadas palavras como porcentagem ou percentagem. A provedora responde.
O caso espanhol é mais interessante. Patricio Gutiérrez debruça-se sobre uma queixa de uma telespectadora sobre o pouco uso que é dado às "modalidades linguísticas andaluzas".
Vale a pena passar pelo texto do provedor da RTVA
A rádio é um excelente veículo de difusão e promoção da língua materna bem como das suas especificidades regionais e locais. Esta é também uma das funções da radiodifusão local, mas ao invés de uma afirmação nesse sentido, por cá ainda não é bem visto falar com a pronúncia algarvia numa rádio do Algarve, utilizar expressões portuenses numa emissora do Porto ou falar alentejano numa rádio do Alentejo.
Debate sobre blogues em Portalegre
Já aqui me referi às Jornadas da Comunicação que decorrem na ESE de Portalegre. Ontem a tarde foi dedicada à discussão em torno dos blogues. Apesar de não ter havido rádio (este blogue é sobretudo para falar deste meio) merece a referência pelo painel de peso: Rogério Santos, Paulo Querido e Luís Santos.
Sobre o debate podem-se encontrar refências aqui, aqui e também aqui.
Já agora ficam também os parabéns (atrasados) ao blogue de Luís Santos pelos seus dois anos de existência. Ainda este mês haverá mais comemorações ...
Sobre o debate podem-se encontrar refências aqui, aqui e também aqui.
Já agora ficam também os parabéns (atrasados) ao blogue de Luís Santos pelos seus dois anos de existência. Ainda este mês haverá mais comemorações ...
domingo, março 12, 2006
Recordar Alice
Passam hoje 29 anos desde que a polícia entrou pelos estúdios da Rádio Alice e encerrou as suas emissões. O encerramento desta emissora significa muito mais do que simplesmente o fim de uma rádio, ainda para mais no contexto da chamada cacofonia italiana (expressão atribuída ao caso italiano por ter sido cenário para o aparecimento de milhares de emissoras piratas durante a “febre” das rádios livres na Europa).
A Rádio Alice representa um ícone da liberdade de expressão que o movimento das rádios livres significou. Assumiu-se sempre com um discurso alternativo e de confronto, como aliás se pode perceber a partir do texto lido na primeira emissão da Rádio Alice em Janeiro de 1976.
“Radio Alice emite: música, notícias, jardins em flor, conversas que não vêm ao caso, inventos, descobrimentos, receitas, horóscopos, filtros mágicos, amor, partes de guerra, fotografias, mensagens, massagens e mentiras”.
A emissora, que emitia para Bolonha, foi criada por um grupo de intelectuais denominado A/Travesso. Alice significava para muitos a representação simbólica de um absurdo que deveria vir à superfície no país das maravilhas, numa clara alusão à obra de Lewis Carroll.
Foi este discurso de confronto permanente que acabaria por ditar o encerramento das suas emissões.
A Rádio Alice anunciara a morte de Francesco Lorusso, um militante de extrema-esquerda. Por causa deste homicídio ocorreram várias manifestações em Bolonha. A Rádio Alice guiava os contestatários, recorrendo a um caricaturista de nome Bonvi, ouvinte da emissora, e que em directo dava indicações sobre a forma como a polícia tentava controlar os manifestantes.
“Bien, escuchen pues; la situación es todavia confusa, pêro lo magnifico es que la ciudad está reaccionando muy bien contra la provocación ...” (Parte da intervenção de Bonvi, citada por Umberto Eco)
Esta acção da emissora foi considerada pelas autoridades como subversiva e no dia 12 de Março de 1977 acabaria por encerrar as emissões da Rádio Alice.
O dia em que a polícia entrou nos estúdios da emissora e a encerrou pode ser recordado aqui.
A Rádio Alice representa um ícone da liberdade de expressão que o movimento das rádios livres significou. Assumiu-se sempre com um discurso alternativo e de confronto, como aliás se pode perceber a partir do texto lido na primeira emissão da Rádio Alice em Janeiro de 1976.
“Radio Alice emite: música, notícias, jardins em flor, conversas que não vêm ao caso, inventos, descobrimentos, receitas, horóscopos, filtros mágicos, amor, partes de guerra, fotografias, mensagens, massagens e mentiras”.
A emissora, que emitia para Bolonha, foi criada por um grupo de intelectuais denominado A/Travesso. Alice significava para muitos a representação simbólica de um absurdo que deveria vir à superfície no país das maravilhas, numa clara alusão à obra de Lewis Carroll.
Foi este discurso de confronto permanente que acabaria por ditar o encerramento das suas emissões.
A Rádio Alice anunciara a morte de Francesco Lorusso, um militante de extrema-esquerda. Por causa deste homicídio ocorreram várias manifestações em Bolonha. A Rádio Alice guiava os contestatários, recorrendo a um caricaturista de nome Bonvi, ouvinte da emissora, e que em directo dava indicações sobre a forma como a polícia tentava controlar os manifestantes.
“Bien, escuchen pues; la situación es todavia confusa, pêro lo magnifico es que la ciudad está reaccionando muy bien contra la provocación ...” (Parte da intervenção de Bonvi, citada por Umberto Eco)
Esta acção da emissora foi considerada pelas autoridades como subversiva e no dia 12 de Março de 1977 acabaria por encerrar as emissões da Rádio Alice.
O dia em que a polícia entrou nos estúdios da emissora e a encerrou pode ser recordado aqui.
sábado, março 11, 2006
Quais rádios de proximidade ?!
A Associação Portuguesa de Radiodifusão promoveu na última quinta-feira um debate sobre as "Rádios de Proximidade na Internet". Sobre a iniciativa já aqui tinha feito referência, e na altura surgiram-me algumas dúvidas: No contexto português, quais são as rádios de proximidade? O que as define? São as locais? Todas as locais? A Radar? A Mega FM? ou a Capital?
Não pude estar presente no referido encontro e por isso não sei se alguém explicou isto, mas julgo que era importante perceber o conceito.
O blogue Netfm tem um resumo sobre o debate.
Não pude estar presente no referido encontro e por isso não sei se alguém explicou isto, mas julgo que era importante perceber o conceito.
O blogue Netfm tem um resumo sobre o debate.
Blogue do defensor do ouvinte da RTVA
O acesso aos conteúdos do provedor da RTVA está mais facilitado e dinâmico, após a criação de um blogue, onde agora é possível acompanhar as principais queixas dos telespectadores e ouvintes bem como a opinião e os pareceres do ombudsman. Na mesma página está também disponível um pequeno vídeo com a intervenção do "defensor".
terça-feira, março 07, 2006
Podcast para além da rádio
O Podcasting começa a deixar de ser um exclusivo para a difusão de conteúdos de rádio. Pelo Mundo começam a aparecer cada vez mais exemplos disso mesmo. Em Portugal, esta semana foi a vez do
Jornal Expresso apostar nesta forma de difusão de conteúdos.
Já antes a SIC tinha colocado programas como o “Expresso da Meia Noite” em podcast.
Para ver ainda o The Guardian aqui e também aqui
Jornal Expresso apostar nesta forma de difusão de conteúdos.
Já antes a SIC tinha colocado programas como o “Expresso da Meia Noite” em podcast.
Para ver ainda o The Guardian aqui e também aqui
Radio Critica
Uma referência (mais uma) ao blogue do Francisco Mateus pela recordação de outros tempos.
domingo, março 05, 2006
As rádios de Proximidade e a Internet
A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) promove, na próxima quinta-feira, mais um de uma série de debates sobre rádio que aquela organização tem previstos para este ano. O tema desta vez é "As Rádios de Proximidade na Internet". Das várias questões subjacentes ao tema, a APR destaca as seguintes:
- Qual a Importância de garantir uma presença na Internet?
- Que Investimentos devem ser feitos?
- Que tipo de Retornos (financeiros ou outros), devem ser esperados?
- Quais os Conteúdos que devem ser disponibilizados?
- Qual a melhor Formatação para as páginas das rádios?
Os convidados são:
- Eng.º Carlos Marques, da Media Capital Rádio, Director Geral do Cotonete;
- Sr. Abel Sousa, da Rádio Santiago, de Guimarães (projecto Guimarães Digital);
- Professor Manuel Fonseca, da Rádio Clube de Monsanto;
- representante da Link Consulting, empresa responsável pela elaboração do Portal do ROLI
O debate está marcado para o dia 9 de Março pelas 14h30 no Auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa.
- Qual a Importância de garantir uma presença na Internet?
- Que Investimentos devem ser feitos?
- Que tipo de Retornos (financeiros ou outros), devem ser esperados?
- Quais os Conteúdos que devem ser disponibilizados?
- Qual a melhor Formatação para as páginas das rádios?
Os convidados são:
- Eng.º Carlos Marques, da Media Capital Rádio, Director Geral do Cotonete;
- Sr. Abel Sousa, da Rádio Santiago, de Guimarães (projecto Guimarães Digital);
- Professor Manuel Fonseca, da Rádio Clube de Monsanto;
- representante da Link Consulting, empresa responsável pela elaboração do Portal do ROLI
O debate está marcado para o dia 9 de Março pelas 14h30 no Auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa.
sexta-feira, março 03, 2006
Leituras
Uma perspectiva sobre as rádios culturais em Espanha para ler no número de Janeiro da revista Eptic online. (Via Irrealtv)
Las radios culturales en España: una vida en tierra de nadie aunque con esperanzas de legalización, Fernando Sabés Turmo
Las radios culturales en España: una vida en tierra de nadie aunque con esperanzas de legalización, Fernando Sabés Turmo
Kiss FM em Lisboa
Ora aí está mais uma frequência inicialmente atribuída a uma rádio local que deixa de o ser.A Kiss FM, que em Portugal iniciou as suas emissões em Albufeira, chega agora a Lisboa na frequência da antiga rádio local da Amadora. Trata-se de uma rádio virada para um público mais jovem e que aposta nos hits musicais, por isso não seria de esperar outra coisa a não ser o que o Diário Económico escreve:
A Kiss FM Lisboa vai apostar em grandes êxitos da música nacional e internacional, com uma ‘playlist’ cuidadosamente estudada pela consultora, tal como na informação curta de hora a hora. Não admitindo com que estações pretende concorrer directamente, Jorge Correia acredita que a Kiss FM Lisboa pode “ganhar ouvintes a todas as rádios".
A notícia vem também no Público (só para assinantes).
A Kiss FM Lisboa vai apostar em grandes êxitos da música nacional e internacional, com uma ‘playlist’ cuidadosamente estudada pela consultora, tal como na informação curta de hora a hora. Não admitindo com que estações pretende concorrer directamente, Jorge Correia acredita que a Kiss FM Lisboa pode “ganhar ouvintes a todas as rádios".
A notícia vem também no Público (só para assinantes).
Jovens ouvem mais rádio

Segundo o Bareme Rádio da Marktest, os jovens entre os 15 e os 35 anos foram os maiores consumidores de rádio em 2005. De acordo com aquele estudo, os jovens com idades entre os 15 e os 24 anos representam 74,6% de audiência acumulada de véspera e a faixa etária entre os 25 e os 34 anos situa-se nos 73,8%. Curiosamente foi entre os individuos com mais de 65 anos de idade que se registou a maior subida em relação a 2004.
Os jovens ouvem rádio sobretudo no período da tarde, descendo o seu consumo a partir das 20 horas, quando a televisão começa a ditar leis (acrescento eu).
Um bom sinal para os que acreditam que o podcasting é uma ameaça para a rádio, se tivermos em linha de conta que são os jovens que mais utilizam a audição de programas de audio neste novo formato.
quinta-feira, março 02, 2006
(Act) Jornadas da Comunicação em Portalegre
Os alunos do curso de Jornalismo e Comunicação da Escola Superior de Educação de Portalegre organizam entre os dias 13 e 16 de Março a 10ª edição das Jornadas da Comunicação. Trata-se do evento mais antigo daquela escola e que, por ser organizado por alunos de um estabelecimento de ensino superior no interior do país merece os meus parabéns.
Este ano assinalam a década de edições, sem qualquer interrupção. Criaram um espaço interessante de debate e reflexão sobre os media, o jornalismo, a publicidade e as relações públicas.
Por se tratar do 10º ano, a edição terá como tema central "A comunicação em Portugal nos últimos 10 anos". Trata-se efectivamente de uma década cheia de marcos importantes no cenário dos media nacionais. A consolidação das televisões privadas em Portugal, consubstanciada pela luta pelas audiências, emergência de determinado tipo de programção (reality shows etc), o aparecimento da televisão por cabo, que alterou significativemente o sector, as transformações no cenário da radiodifusão local, o papel cada vez mais relevante dos grupos de comunicação social no panorama nacional, o aparecimento dos provedores de leitor e claro a emergência da Internet com tudo o que isso acarretou (blogues, podcasting, jornalismo online etc). Enfim, não falta matéria para os alunos do curso discutirem com os seus convidados.
Aqui fica o programa (ainda provisório)
Dia 13 - 15h. Sessão de Abertura
Dia 14 - 10h. Os bastidores do Marketing Político (Edgar Correia, ISCTE, Luís Rasquilha, Marketeer e Luís Rodrigues, PSD)
15h. blogsemdiscussão.na.esep. (Luís Santos, Atrium, Rogério Santos, Blog “Industrias Culturais”), Paulo Querido, blog “ mas certamente que sim!”)
Dia 15 - 10h. As crianças e o jornalismo (Felicia Cabrita, Expresso e Miguel Martins, Correio da Manhã)
15h. Indústria Farmacêutica: O Marketing além do produto (Cândido Barnabé, Pfizer e Fernando Siborro, médico, Ana Beatriz Gaminha, Laboratório Farmacêutico “Azevedos”)
21h30. Uma década de Jornalismo (Emidio Rangel, David Borges e Virgilio Azevedo)
Dia 16 - 10h. Encontro: Aqui há dez anos (Ex-alunos que organizaram as jornadas)
12h. Inauguração de uma exposição de trabalhos de Eduardo Gageiro
15h. Tributo a Eduardo Gageiro
Encerramento das Jornadas
À organização das jornadas votos para que tudo corra bem.
Este ano assinalam a década de edições, sem qualquer interrupção. Criaram um espaço interessante de debate e reflexão sobre os media, o jornalismo, a publicidade e as relações públicas.
Por se tratar do 10º ano, a edição terá como tema central "A comunicação em Portugal nos últimos 10 anos". Trata-se efectivamente de uma década cheia de marcos importantes no cenário dos media nacionais. A consolidação das televisões privadas em Portugal, consubstanciada pela luta pelas audiências, emergência de determinado tipo de programção (reality shows etc), o aparecimento da televisão por cabo, que alterou significativemente o sector, as transformações no cenário da radiodifusão local, o papel cada vez mais relevante dos grupos de comunicação social no panorama nacional, o aparecimento dos provedores de leitor e claro a emergência da Internet com tudo o que isso acarretou (blogues, podcasting, jornalismo online etc). Enfim, não falta matéria para os alunos do curso discutirem com os seus convidados.
Aqui fica o programa (ainda provisório)
Dia 13 - 15h. Sessão de Abertura
Dia 14 - 10h. Os bastidores do Marketing Político (Edgar Correia, ISCTE, Luís Rasquilha, Marketeer e Luís Rodrigues, PSD)
15h. blogsemdiscussão.na.esep. (Luís Santos, Atrium, Rogério Santos, Blog “Industrias Culturais”), Paulo Querido, blog “ mas certamente que sim!”)
Dia 15 - 10h. As crianças e o jornalismo (Felicia Cabrita, Expresso e Miguel Martins, Correio da Manhã)
15h. Indústria Farmacêutica: O Marketing além do produto (Cândido Barnabé, Pfizer e Fernando Siborro, médico, Ana Beatriz Gaminha, Laboratório Farmacêutico “Azevedos”)
21h30. Uma década de Jornalismo (Emidio Rangel, David Borges e Virgilio Azevedo)
Dia 16 - 10h. Encontro: Aqui há dez anos (Ex-alunos que organizaram as jornadas)
12h. Inauguração de uma exposição de trabalhos de Eduardo Gageiro
15h. Tributo a Eduardo Gageiro
Encerramento das Jornadas
À organização das jornadas votos para que tudo corra bem.
quarta-feira, março 01, 2006
TSF e RUC de parabéns
A imprensa de hoje faz referência a dois aniversários. O jornal Público lembra os 20 anos da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) criada no dia 1 de Março de 1986 ( o alvará só viria em 1988 ao contrário do que o jornal escreve). Trata-se seguramente de uma das rádios universitárias mais emblemáticas do país e que ocupou o seu lugar na história da radiodifusão nacional, particularmente pelos profissionais que formou e pela irreverência que ainda hoje a caracteriza.
O DN faz referência aos 18 anos que a TSF hoje comemora, (ou melhor que comemora no dia 29 de Fevereiro).
Para esta quarta-feira a emissora tem estado a passar uma série de sons da sua história. Sons que nos recordam momentos da história nacional e mundial que foram alvo de cobertura por parte da emissora.
Surgida na vaga das rádios piratas em Portugal, a TSF cedo se destacou das restantes emissoras que apareceram na mesma altura. Com um projecto arrojado, particularmente no campo da informação, a rádio que começou a emitir das Amoreiras, em Lisboa, destacou-se pela inovação dos seus formatos noticiosos.
"De repente aparece uma rádio que desata a fazer noticiários de meia em meia hora, a acordar ministros às 6 ou 7 da manhã, a ir aos restaurantes esperar os políticos” (Público, 1 Março de 1998).
Ainda durante o período da "pirataria" destacou-se por ter estado na linha da frente da pressão ao governo para a legalização das emissoras locais. Já em Novembro de 1988 foi dos seus estúdios nas Amoreiras que foi emitida uma emissão em cadeia com cerca de duas centenas de rádios em protesto contra a imposição legal das rádios piratas terem de suspender a emissão enquanto decorria a avaliação do concurso público para a atribuição dos alvarás de cobertura local.
Em 1990 acabaria por perder o concurso para a atribuição de uma frequência regional, a favor do Correio da Manhã Rádio. Um concurso que ficou marcado por muita controvérsia.Cobertura regional que acabaria por conseguir com a aquisição da Rádio Press em 1992.
O DN faz referência aos 18 anos que a TSF hoje comemora, (ou melhor que comemora no dia 29 de Fevereiro).
Para esta quarta-feira a emissora tem estado a passar uma série de sons da sua história. Sons que nos recordam momentos da história nacional e mundial que foram alvo de cobertura por parte da emissora.
Surgida na vaga das rádios piratas em Portugal, a TSF cedo se destacou das restantes emissoras que apareceram na mesma altura. Com um projecto arrojado, particularmente no campo da informação, a rádio que começou a emitir das Amoreiras, em Lisboa, destacou-se pela inovação dos seus formatos noticiosos.
"De repente aparece uma rádio que desata a fazer noticiários de meia em meia hora, a acordar ministros às 6 ou 7 da manhã, a ir aos restaurantes esperar os políticos” (Público, 1 Março de 1998).
Ainda durante o período da "pirataria" destacou-se por ter estado na linha da frente da pressão ao governo para a legalização das emissoras locais. Já em Novembro de 1988 foi dos seus estúdios nas Amoreiras que foi emitida uma emissão em cadeia com cerca de duas centenas de rádios em protesto contra a imposição legal das rádios piratas terem de suspender a emissão enquanto decorria a avaliação do concurso público para a atribuição dos alvarás de cobertura local.
Em 1990 acabaria por perder o concurso para a atribuição de uma frequência regional, a favor do Correio da Manhã Rádio. Um concurso que ficou marcado por muita controvérsia.Cobertura regional que acabaria por conseguir com a aquisição da Rádio Press em 1992.
domingo, fevereiro 26, 2006
Entrevistas a podcasters nacionais
Vale a pena passar pelo Rádio Critica do Francisco Mateus. O blogueiro e locutor tem estado a entrevistar alguns radialistas que entretanto aderiram ao podcasting. Primeiro Pedro Esteves, depois Ricardo Mariano e agora Francisco Amaral.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
O jornalista da rádio no futuro
Por causa da Internet e da digitalização da rádio, Miguel Ortiz e Juan Cuesta (2003) vêem assim o futuro jornalista da rádio.
"Se tiende hacia un profesional polivalente que trabaja en diferentes lenguajes y soportes, con unas competencias tecnológicas de usuário mucho más flexibles: elabora un contenido que sirve para una locución clásica, redacta una pieza dirigida a un PAD y además, realiza otra, que no tiene sentido difundir para la gran mayoria, pero que puede interesar a un segmento concreto de la audiencia y, probabelmente, vaya destinada a un servicio de pago. El mismo redactor desarrollará las tres piezas utilizando, según convenga, textos, imágenes y sonidos: un periodista multimedia."
E Jesus S. Olmo (2005) acrescenta:
"(...) un profisional capaz de afrontar la actividad informativa y productiva en radio, prensa, televisión, Internet y en todo aquello que nos vaya proporcionando el avance de la ciencia y el conocimiento"
Será ?
"Se tiende hacia un profesional polivalente que trabaja en diferentes lenguajes y soportes, con unas competencias tecnológicas de usuário mucho más flexibles: elabora un contenido que sirve para una locución clásica, redacta una pieza dirigida a un PAD y además, realiza otra, que no tiene sentido difundir para la gran mayoria, pero que puede interesar a un segmento concreto de la audiencia y, probabelmente, vaya destinada a un servicio de pago. El mismo redactor desarrollará las tres piezas utilizando, según convenga, textos, imágenes y sonidos: un periodista multimedia."
E Jesus S. Olmo (2005) acrescenta:
"(...) un profisional capaz de afrontar la actividad informativa y productiva en radio, prensa, televisión, Internet y en todo aquello que nos vaya proporcionando el avance de la ciencia y el conocimiento"
Será ?
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
A agenda da rádio
A capacidade que a rádio tem para influenciar a agenda do dia decorre do seu dispositivo comunicacional, caracterizado pelo imediatismo, instantaneidade, simultaneidade e rapidez que classificam este meio de comunicação como um “medium” informativo por excelência.
“La rádio será, pues, la primeira en suministrar la «primera notícia» de un acontecimento y ésta es una de las principales características del periodismo radiofónico” (PRADO: 1985, 23).
Mas estas mesmas características tornam a rádio refém de um discurso determinado pela existência de curtos ciclos informativos. A consequência prática é que a rádio procura temas previsíveis que lhe garantam o preenchimento dos seus espaços informativos.
Um estudo conduzido por Villafañe el. al. sobre a informação difundida pelas televisões TVE e TVE3 e pelas rádios RNE e SER determinou que das cem notícias difundidas por aqueles órgãos, só cinco não estavam previstas.
Os noticiários da rádio ficam por isso amarrados a acontecimentos que emergem no dia e tendem a esquecer outros temas cujo interesse/significado não é imediato, que são transferidos para os fins-de-semana ou para programas de informação.
Vem tudo isto a propósito do dia da Ciência que a TSF decidiu incluir hoje na sua agenda. Ao fazê-lo, contrariou a tendência da rádio para tratar assuntos imediatos e colocou na discussão pública um tema de extrema importância, mas que dificilmente entraria nas agendas dos noticiários a não ser através da emergência de um qualquer acontecimento a ele ligado: o anúncio de um novo projecto, uma declaração de um responsável etc.
E com isto já hoje ouvimos um ministro a pedir mais dinheiro para o seu ministério.
“La rádio será, pues, la primeira en suministrar la «primera notícia» de un acontecimento y ésta es una de las principales características del periodismo radiofónico” (PRADO: 1985, 23).
Mas estas mesmas características tornam a rádio refém de um discurso determinado pela existência de curtos ciclos informativos. A consequência prática é que a rádio procura temas previsíveis que lhe garantam o preenchimento dos seus espaços informativos.
Um estudo conduzido por Villafañe el. al. sobre a informação difundida pelas televisões TVE e TVE3 e pelas rádios RNE e SER determinou que das cem notícias difundidas por aqueles órgãos, só cinco não estavam previstas.
Os noticiários da rádio ficam por isso amarrados a acontecimentos que emergem no dia e tendem a esquecer outros temas cujo interesse/significado não é imediato, que são transferidos para os fins-de-semana ou para programas de informação.
Vem tudo isto a propósito do dia da Ciência que a TSF decidiu incluir hoje na sua agenda. Ao fazê-lo, contrariou a tendência da rádio para tratar assuntos imediatos e colocou na discussão pública um tema de extrema importância, mas que dificilmente entraria nas agendas dos noticiários a não ser através da emergência de um qualquer acontecimento a ele ligado: o anúncio de um novo projecto, uma declaração de um responsável etc.
E com isto já hoje ouvimos um ministro a pedir mais dinheiro para o seu ministério.
Provedor do Ouvinte
A lei que estabelece a criação de provedores do ouvinte e do telespectador na rádio e televisão públicas portuguesas.
Artigo 23.º-D
Competências
1 - Compete ao Provedor do Ouvinte e ao Provedor do Telespectador:
a) Receber e avaliar a pertinência de queixas e sugestões dos ouvintes e
telespectadores sobre os conteúdos difundidos e a respectiva forma de
apresentação pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
b) Produzir pareceres sobre as queixas e sugestões recebidas, dirigindo-os aos
órgãos de administração e aos demais responsáveis visados;
c) Indagar e formular conclusões sobre os critérios adoptados e os métodos
utilizados na elaboração e apresentação da programação e da informação
difundidas pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
d) Transmitir aos ouvintes e telespectadores os seus pareceres sobre os conteúdos
difundidos pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
e) Assegurar a edição, nos principais serviços de programas, de um programa
semanal sobre matérias da sua competência, com uma duração mínima de 15
minutos, a transmitir em horário adequado;
f) Elaborar um relatório anual sobre a sua actividade.
Artigo 23.º-D
Competências
1 - Compete ao Provedor do Ouvinte e ao Provedor do Telespectador:
a) Receber e avaliar a pertinência de queixas e sugestões dos ouvintes e
telespectadores sobre os conteúdos difundidos e a respectiva forma de
apresentação pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
b) Produzir pareceres sobre as queixas e sugestões recebidas, dirigindo-os aos
órgãos de administração e aos demais responsáveis visados;
c) Indagar e formular conclusões sobre os critérios adoptados e os métodos
utilizados na elaboração e apresentação da programação e da informação
difundidas pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
d) Transmitir aos ouvintes e telespectadores os seus pareceres sobre os conteúdos
difundidos pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
e) Assegurar a edição, nos principais serviços de programas, de um programa
semanal sobre matérias da sua competência, com uma duração mínima de 15
minutos, a transmitir em horário adequado;
f) Elaborar um relatório anual sobre a sua actividade.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Rádio mais machista
O DN divulga hoje um estudo sobre Os Media e as Mulheres no qual foram analisadas notícias dos meios de comunicação de vários países. No caso português, o estudo foi realizado por Maria João Silveirinha, da Universidade de Coimbra. Foram analisadas 140 peças noticiosas de imprensa, noticiários dos três canais generalistas de televisão e três noticiários da RR, TSF e Antena 1.
No caso da Rádio escreve o DN:
Rádio mais «machista»
Foram as mulheres quem produziu 57% das notícias portuguesas - uma média superior ao total dos países, 37%. A percentagem de repórteres mulheres é equitativa (51%), sendo um pouco superior na televisão (59%). O estudo sublinha que "não parece existir diferenciação entre os temas tratados por mulheres e homens jornalistas". Na rádio a produção de notícias foi marcadamente feminina (71%) e 29% dos apresentadores foram mulheres. No entanto, 88% das notícias têm no seu assunto homens.
Embora sem os objectivos, a profundidade e o alcance deste estudo - longe disso - num trabalho de análise aos noticiários das 9 horas da RR, TSF e Antena 1 nos últimos dez dias da campanha eleitoral para as últimas presidenciais, constatei que 66,6% dos referidos noticiários foram apresentados por mulheres. Quanto à produção de notícias sobre a campanha eleitoral predominam as vozes femininas, mas não tenho números pois o objectivo não era de facto este.
Fica só a nota !!
No caso da Rádio escreve o DN:
Rádio mais «machista»
Foram as mulheres quem produziu 57% das notícias portuguesas - uma média superior ao total dos países, 37%. A percentagem de repórteres mulheres é equitativa (51%), sendo um pouco superior na televisão (59%). O estudo sublinha que "não parece existir diferenciação entre os temas tratados por mulheres e homens jornalistas". Na rádio a produção de notícias foi marcadamente feminina (71%) e 29% dos apresentadores foram mulheres. No entanto, 88% das notícias têm no seu assunto homens.
Embora sem os objectivos, a profundidade e o alcance deste estudo - longe disso - num trabalho de análise aos noticiários das 9 horas da RR, TSF e Antena 1 nos últimos dez dias da campanha eleitoral para as últimas presidenciais, constatei que 66,6% dos referidos noticiários foram apresentados por mulheres. Quanto à produção de notícias sobre a campanha eleitoral predominam as vozes femininas, mas não tenho números pois o objectivo não era de facto este.
Fica só a nota !!
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
A NPR e os cartoons
O provedor da National Public Radio (NPR) debruça-se sobre uma interessante questão a propósito dos cartoons publicados por alguns jornais europeus.
Jeffrey A. Dvorkin recebeu uma série de questões dos ouvintes questionando o ombudsman sobre a atitude da estação, e em particular do site da NPR, em não colocar online os ditos cartoons, acompanhando as notícias sobre o assunto.
Os ouvintes da NPR, e em concreto os cibernautas, estão divididos acerca desta matéria. Para uns é importante colocar os cartoons na medida em que eles se tornaram notícia, ou seja é preciso vê-los para perceber o que se passa. Outros entendem que a liberdade de expressão não se esgota neste caso e que se os cartoons causaram esta ira no mundo muçulmano, a NPR fez bem em não os colocar no seu site. Neste caso, a descrição dos cartoons por palavras é suficiente.
Ou seja, dizer o que se vê é menos ofensivo do que mostrar, mesmo que aquilo que se diz seja igualmente ofensivo.
O texto de J.Dvorkin aqui.
Jeffrey A. Dvorkin recebeu uma série de questões dos ouvintes questionando o ombudsman sobre a atitude da estação, e em particular do site da NPR, em não colocar online os ditos cartoons, acompanhando as notícias sobre o assunto.
Os ouvintes da NPR, e em concreto os cibernautas, estão divididos acerca desta matéria. Para uns é importante colocar os cartoons na medida em que eles se tornaram notícia, ou seja é preciso vê-los para perceber o que se passa. Outros entendem que a liberdade de expressão não se esgota neste caso e que se os cartoons causaram esta ira no mundo muçulmano, a NPR fez bem em não os colocar no seu site. Neste caso, a descrição dos cartoons por palavras é suficiente.
Ou seja, dizer o que se vê é menos ofensivo do que mostrar, mesmo que aquilo que se diz seja igualmente ofensivo.
O texto de J.Dvorkin aqui.
Rádio Digital na Suécia
A notícia já tem dois meses, mas fica como contributo para a discussão em torno do DAB e das suas reais vantagens.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Seminário sobre Rádio Digital II
No fax informativo da APR, José Faustino, presidente daquela associação, faz uma breve nota sobre o seminário que decorreu na última quinta-feira sobre a Rádio Digital:
Para que qualquer sistema se imponha no mercado é necessário que o Estado, os operadores e a indústria convirjam nos seus interesses, ora com o sistema DAB tem sido difícil encontrar essa convergência.
O sistema é caro para os operadores, o Estado não tem dinheiro e não o quer financiar, a indústria não fabricará receptores baratos enquanto o publico não os consumir massivamente.
Outro dos problemas deste sistema é que não permite uma evolução gradual do actual sistema analógico para o novo digital.
Contrariamente, tanto o DRM como o IBOC permitem uma adaptação gradual, permitindo aos ouvintes, a pouco e pouco, uma mudança de receptores.
Infelizmente, actualmente na Europa, em FM, não temos alternativa ao DAB, mas o consórcio encarregado de desenvolver o DRM anunciou que dentro de dois anos (2008-?) apresentará uma norma de adaptação ao FM.
Deixo outras notas complementares ainda sobre o mesmo encontro:
- O DRM pode significar mais que a migração para o digital. Pode representar a captação de novos públicos para a rádio, na medida em que dará mais qualidade a um tipo de emissão (Onda Média e Onda Curta) actualmente pouco escutada, especialmente pelos jovens.
- A pouca aceitação do DAB não só pelos ouvintes, mas também por parte dos fabricantes de automóveis, que têm apostado muito mais em leitores de MP3 (Ideia deixada por Rui Magalhães da Rádio Renascença)
- O DAB interessa pouco às rádios locais portuguesas, na medida em que a especificidade local da sua programação pouco terá a ganhar com os serviços oferecidos pelo DAB.
- Alguns números deixados na útil apresentação de Miguel Henriques da Anacom:
- 123 estações em OM emitem em IBOC-DSB em modo hibrido;
- Mais de uma centena de estações emite em DRM;
- 540 estações em FM emitem no modo híbrido no sistema IBOC (Norte-americano)
- O DAB em Portugal: A RDP possui 49 emissores cobrindo cerca de 85% do
do território nacional. 30 emissores no continente, 9 nos Açores e 7 na
Madeira.
Para que qualquer sistema se imponha no mercado é necessário que o Estado, os operadores e a indústria convirjam nos seus interesses, ora com o sistema DAB tem sido difícil encontrar essa convergência.
O sistema é caro para os operadores, o Estado não tem dinheiro e não o quer financiar, a indústria não fabricará receptores baratos enquanto o publico não os consumir massivamente.
Outro dos problemas deste sistema é que não permite uma evolução gradual do actual sistema analógico para o novo digital.
Contrariamente, tanto o DRM como o IBOC permitem uma adaptação gradual, permitindo aos ouvintes, a pouco e pouco, uma mudança de receptores.
Infelizmente, actualmente na Europa, em FM, não temos alternativa ao DAB, mas o consórcio encarregado de desenvolver o DRM anunciou que dentro de dois anos (2008-?) apresentará uma norma de adaptação ao FM.
Deixo outras notas complementares ainda sobre o mesmo encontro:
- O DRM pode significar mais que a migração para o digital. Pode representar a captação de novos públicos para a rádio, na medida em que dará mais qualidade a um tipo de emissão (Onda Média e Onda Curta) actualmente pouco escutada, especialmente pelos jovens.
- A pouca aceitação do DAB não só pelos ouvintes, mas também por parte dos fabricantes de automóveis, que têm apostado muito mais em leitores de MP3 (Ideia deixada por Rui Magalhães da Rádio Renascença)
- O DAB interessa pouco às rádios locais portuguesas, na medida em que a especificidade local da sua programação pouco terá a ganhar com os serviços oferecidos pelo DAB.
- Alguns números deixados na útil apresentação de Miguel Henriques da Anacom:
- 123 estações em OM emitem em IBOC-DSB em modo hibrido;
- Mais de uma centena de estações emite em DRM;
- 540 estações em FM emitem no modo híbrido no sistema IBOC (Norte-americano)
- O DAB em Portugal: A RDP possui 49 emissores cobrindo cerca de 85% do
do território nacional. 30 emissores no continente, 9 nos Açores e 7 na
Madeira.
sábado, fevereiro 11, 2006
Seminário sobre rádio digital
Do seminário que a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) promoveu na passada quinta-feira sobre a Rádio Digital sublinho duas ideias que me parecem resumir o encontro. A primeira, que a rádio será no futuro digital, a segunda que o futuro não está assim tão próximo, pelo menos em Portugal.
Apesar dos participantes terem concordado que a migração da rádio para o digital é um processo irreversível, subsistem algumas dúvidas quanto ao melhor sistema a adoptar numa perspectiva de melhor servir os ouvintes da rádio portuguesa.
A visão que atribui ao Digital Audio Broadcasting (DAB) o melhor cenário parece-me estar longe de ser consensual. Não está em causa as vantagens que o sistema trará para fabricantes, operadores e até mesmo para os ouvintes. O problema, parece residir, na consciência que esses mesmos ouvintes terão dessas vantagens de tal forma que os motive a adquirir os aparelhos necessários para a recepção.
Ou seja, o DAB pretende digitalizar a emissão em FM, precisamente aquela que menos problemas de recepção oferece para os ouvintes. Então o que os levará a mudar ? Foi uma das questões levantadas no seminário. A excepção parece ser o Reino Unido, onde a popularização do DAB tem sido excepcional - segundo dados divulgados na apresentação feita por Miguel Henriques, da Anacom, só no último período natalício foram vendidos cerca de 400 mil receptores.
Pelo contrário emerge cada vez mais o interesse pelo Digital Radio Mondiale (DRM) cujas vantagens parecem ser mais óbvias, pelo menos para os ouvintes, uma vez que pretende digitalizar a difusão que é actualmente feita em Onda Média e Onda Curta, cuja qualidade de som é claramente má. Uma experiência que pode ser feita aqui.
Apesar dos participantes terem concordado que a migração da rádio para o digital é um processo irreversível, subsistem algumas dúvidas quanto ao melhor sistema a adoptar numa perspectiva de melhor servir os ouvintes da rádio portuguesa.
A visão que atribui ao Digital Audio Broadcasting (DAB) o melhor cenário parece-me estar longe de ser consensual. Não está em causa as vantagens que o sistema trará para fabricantes, operadores e até mesmo para os ouvintes. O problema, parece residir, na consciência que esses mesmos ouvintes terão dessas vantagens de tal forma que os motive a adquirir os aparelhos necessários para a recepção.
Ou seja, o DAB pretende digitalizar a emissão em FM, precisamente aquela que menos problemas de recepção oferece para os ouvintes. Então o que os levará a mudar ? Foi uma das questões levantadas no seminário. A excepção parece ser o Reino Unido, onde a popularização do DAB tem sido excepcional - segundo dados divulgados na apresentação feita por Miguel Henriques, da Anacom, só no último período natalício foram vendidos cerca de 400 mil receptores.
Pelo contrário emerge cada vez mais o interesse pelo Digital Radio Mondiale (DRM) cujas vantagens parecem ser mais óbvias, pelo menos para os ouvintes, uma vez que pretende digitalizar a difusão que é actualmente feita em Onda Média e Onda Curta, cuja qualidade de som é claramente má. Uma experiência que pode ser feita aqui.
RTVE cria provedor
De acordo com a Meios & Publicidade a RTVE criou um provedor de rádio e de televisão. Segundo a notícia, o defensor será “um órgão independente do qual a RTVE se dota para o exercício da autocrítica”.
A Meios&Publicidade, citando o El Mundo, refere que Manuel Alonso Erausquin, ex-jornalista da TVE, será o primeiro provedor.
A Meios&Publicidade, citando o El Mundo, refere que Manuel Alonso Erausquin, ex-jornalista da TVE, será o primeiro provedor.
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
"O colapso das rádios locais"
O artigo do DN, no passado sábado, escapou-me por completo, mas o atento blogue A Rádio em Portugal trouxe, e bem, o assunto para a "agenda dos blogues".
Refiro-me ao artigo de opinião da autoria de Nuno Azinheira, sobre as rádios locais em Portugal. É um assunto pelo qual o blogueiro se interessa em particular e por essa razão deixo alguns cometários, apesar de já o ter feito noutros ocasiões, neste mesmo espaço.
A questão a que Nuno Azinheira alude - o colapso das rádios locais - é motivada pela aquisição da Rádio Ocidente, Sintra, pelo Grupo Renascença, desconhecendo-se, para já o que pretende fazer com a emissora adquirida.
Este é, infelizmente, um cenário que se tem vindo a repetir desde o início dos anos 90, quando a maior parte das rádios locais portuguesas, depois de passada a euforia que caracterizou o período da «pirataria» se viu confrontada com um mercado agressivo, para o qual não estavam preparadas, e regulamentadas por legislação que já vinha torta ao permitir que a concelhos deste país, que dificilmente teriam capacidade para suportar uma rádio local, fossem atribuídos alvarás para duas e, nalguns casos, três emissoras.
A solução passou pela cedência de espaços horários a confissões religiosas ou a rádios com mais sustentabilidade económica. Noutros casos, a opção foi a venda pura e simples, como sucede agora com a Ocidente.
Nuno Azinheira reporta-se a Sintra. Mas relembro Almada - uma frequência está atribuída à Rádio Capital e outra à Radar - Barreiro ou Moita. Em qualquer destes casos falamos da área Metropolitana de Lisboa. Em qualquer destes casos falamos de concelhos populosos.
Os municípios que rodeiam Lisboa representam, por esta altura, um terreno fértil para as emissoras chegarem à capital. Não interessa a informação local do Barreiro, de Almada ou de Sintra. Interessa isso sim entrar no mercado lisboeta. O problema desta luta pela sobrevivência é que o discurso produzido pelas rádios locais está cada vez mais igual, sobretudo no capítulo da informação.
Num trabalho desenvolvido no âmbito do Mestrado (2003), tive oportunidade de analisar os noticiários de quatro rádios locais da Península de Setúbal e portanto inseridas na àrea Metropolitana de Lisboa.
Conclusão: As notícias locais - aquelas que dizem respeito à área de implantação da rádio local - representaram apenas 34 por cento da totalidade da informação difundida.
É claro que o problema tem causas. Por exemplo a falta de recursos humanos. As redacções das rádios analisadas possuíam entre 1 a 5 jornalistas, conduzindo à prática de um jornalismo que priveligia as notícias de agência.
Ou as condições salariais: a média de vencimentos era, em 2002, inferior a 500 euros.
É preciso repensar o conceito de rádio local.
Refiro-me ao artigo de opinião da autoria de Nuno Azinheira, sobre as rádios locais em Portugal. É um assunto pelo qual o blogueiro se interessa em particular e por essa razão deixo alguns cometários, apesar de já o ter feito noutros ocasiões, neste mesmo espaço.
A questão a que Nuno Azinheira alude - o colapso das rádios locais - é motivada pela aquisição da Rádio Ocidente, Sintra, pelo Grupo Renascença, desconhecendo-se, para já o que pretende fazer com a emissora adquirida.
Este é, infelizmente, um cenário que se tem vindo a repetir desde o início dos anos 90, quando a maior parte das rádios locais portuguesas, depois de passada a euforia que caracterizou o período da «pirataria» se viu confrontada com um mercado agressivo, para o qual não estavam preparadas, e regulamentadas por legislação que já vinha torta ao permitir que a concelhos deste país, que dificilmente teriam capacidade para suportar uma rádio local, fossem atribuídos alvarás para duas e, nalguns casos, três emissoras.
A solução passou pela cedência de espaços horários a confissões religiosas ou a rádios com mais sustentabilidade económica. Noutros casos, a opção foi a venda pura e simples, como sucede agora com a Ocidente.
Nuno Azinheira reporta-se a Sintra. Mas relembro Almada - uma frequência está atribuída à Rádio Capital e outra à Radar - Barreiro ou Moita. Em qualquer destes casos falamos da área Metropolitana de Lisboa. Em qualquer destes casos falamos de concelhos populosos.
Os municípios que rodeiam Lisboa representam, por esta altura, um terreno fértil para as emissoras chegarem à capital. Não interessa a informação local do Barreiro, de Almada ou de Sintra. Interessa isso sim entrar no mercado lisboeta. O problema desta luta pela sobrevivência é que o discurso produzido pelas rádios locais está cada vez mais igual, sobretudo no capítulo da informação.
Num trabalho desenvolvido no âmbito do Mestrado (2003), tive oportunidade de analisar os noticiários de quatro rádios locais da Península de Setúbal e portanto inseridas na àrea Metropolitana de Lisboa.
Conclusão: As notícias locais - aquelas que dizem respeito à área de implantação da rádio local - representaram apenas 34 por cento da totalidade da informação difundida.
É claro que o problema tem causas. Por exemplo a falta de recursos humanos. As redacções das rádios analisadas possuíam entre 1 a 5 jornalistas, conduzindo à prática de um jornalismo que priveligia as notícias de agência.
Ou as condições salariais: a média de vencimentos era, em 2002, inferior a 500 euros.
É preciso repensar o conceito de rádio local.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Iniciativas sobre rádio
Duas iniciativas para acompanhar em Fevereiro onde a rádio vai ser tema em discussão.
No dia 9 tem lugar o primeiro de oito seminários que a Associação Portuguesa de Radiodifusão prepara para 2006. Subordinado ao tema O FUTURO DA RÁDIO DIGITAL - Que Alternativa? o seminário conta com as presenças de Eng.º Carlos Almeida, da Rádio Vouzela, Eng.º José Pinto Ventura, da MCR, Eng.º Francisco Mascarenhas, da RDP e Eng.º Rui Magalhães da Rádio Renascença.
A sessão tem lugar no auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa. No site da APR não está disponível a hora.
No dia 23, a Universidade Fernando Pessoa promove as Jornadas Internacionais de Jornalismo subordinadas ao tema central "Horizontes do Jornalismo". O programa inclui uma sessão dedicada aos "Horizontes do Radiojornalismo" e contará com as presenças do Prof. Doutor Xosé Soengas (Universidade de Santiago de Compostela), Prof. Doutor Eduardo Meditsch (Universidade Federal de Santa Catarina). As jornadas têm início às 9h30. A rádio começa a ser discutida às 11h45.
No dia 9 tem lugar o primeiro de oito seminários que a Associação Portuguesa de Radiodifusão prepara para 2006. Subordinado ao tema O FUTURO DA RÁDIO DIGITAL - Que Alternativa? o seminário conta com as presenças de Eng.º Carlos Almeida, da Rádio Vouzela, Eng.º José Pinto Ventura, da MCR, Eng.º Francisco Mascarenhas, da RDP e Eng.º Rui Magalhães da Rádio Renascença.
A sessão tem lugar no auditório do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa. No site da APR não está disponível a hora.
No dia 23, a Universidade Fernando Pessoa promove as Jornadas Internacionais de Jornalismo subordinadas ao tema central "Horizontes do Jornalismo". O programa inclui uma sessão dedicada aos "Horizontes do Radiojornalismo" e contará com as presenças do Prof. Doutor Xosé Soengas (Universidade de Santiago de Compostela), Prof. Doutor Eduardo Meditsch (Universidade Federal de Santa Catarina). As jornadas têm início às 9h30. A rádio começa a ser discutida às 11h45.
Provedores de rádio II
Ainda sobre os provedores, vale a pena ver o texto de Marc-François Bernier e Hélène Romeyer. O trabalho centraliza-se sobretudo na acção dos ombudsmen de televisão, mas a caracterização que fazem da prática desta figura permite-nos perceber a relevância dos provedores nos media audiovisuais, naturalmente também na rádio.
Os autores fizeram uma análise comparativa à acção dos provedores da France 2 e da Radio-Canada e estabelecem a existência de duas práticas distintas desta figura naqueles países. O francês que configura um espaço de debate, uma vez que existe um programa semanal onde as decisões do mediateur são difundidas, enquanto que o canadiano configura mais um procedimento juridico. As suas decisões constam de um relatório anual.
La différence entre les modèles présentés ici est bien illustrée par le choix initial de Didier Epelbaum pour le nom de son nouveau statut : médiateur et non ombudsman. Il opte pour un modèle moins juridique que la SRC. Si l'inspiration est bien celle du modèle de l'ombudsman, l'application est à chercher plutôt du côté du médiateur de la République et dans la culture de la confrontation républicaine d'idées. Le médiateur de France 2 est une sorte de facilitateur de dialogue. Le modèle radio-canadien se veut plus procédural et plus normatif. En principe, il privilégie l'analyse de cas en fonction de normes précises, accessibles à tous, dans un cadre où la compétence médiatique du plaignant n'a aucune importance (il ne doit pas se justifier à la télévision par exemple).
Os autores fizeram uma análise comparativa à acção dos provedores da France 2 e da Radio-Canada e estabelecem a existência de duas práticas distintas desta figura naqueles países. O francês que configura um espaço de debate, uma vez que existe um programa semanal onde as decisões do mediateur são difundidas, enquanto que o canadiano configura mais um procedimento juridico. As suas decisões constam de um relatório anual.
La différence entre les modèles présentés ici est bien illustrée par le choix initial de Didier Epelbaum pour le nom de son nouveau statut : médiateur et non ombudsman. Il opte pour un modèle moins juridique que la SRC. Si l'inspiration est bien celle du modèle de l'ombudsman, l'application est à chercher plutôt du côté du médiateur de la République et dans la culture de la confrontation républicaine d'idées. Le médiateur de France 2 est une sorte de facilitateur de dialogue. Le modèle radio-canadien se veut plus procédural et plus normatif. En principe, il privilégie l'analyse de cas en fonction de normes précises, accessibles à tous, dans un cadre où la compétence médiatique du plaignant n'a aucune importance (il ne doit pas se justifier à la télévision par exemple).
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
O RCP e a informação
Parece desfeita, pelo menos para já, a dúvida quanto ao futuro do RCP. Pelo menos a avaliar pela notícia de ontem do Diário Económico que encontrou ecos nos blogues de JP Menezes e Paula Cordeiro .
O que estava em causa era a possibilidade do grupo Media Capital criar uma rádio de informação, em princípio substituindo o actual RCP. Essa nova emissora passaria a ter outra designação.
Segundo o DE, tal não se verificará, mas haverá, mesmo assim, mudanças na componente informativa da emissora. “(…)a rádio vai continuar a reforçar a informação própria de forma a não se limitar “a notícias do género: o jornal X disse ou o canal de televisão Y mostrou”, lê-se naquele periódico.
O facto só por si já merece palmas, pois os noticiários do RCP são pouco mais que um conjunto de enunciados de acontecimentos. Há ali pouca informação. Investir nesta matéria parece uma boa solução e representará uma novidade no conjunto das rádios mais ouvidas em Portugal.
Agora é preciso perceber o que significa em concreto “reforçar a informação própria”.
Apostar em noticiários como os da Antena 1 e da TSF, e às vezes da Renascença, fortemente dependentes da informação institucional, mas com alinhamentos interessantes ao nível da diversidade temática e com algum desenvolvimento, o que significaria uma volta de 180 graus no RCP;
Ou num novo modelo, que se distinga daqueles e daquilo que fazem as restantes emissoras do grupo ou a RFM.
A informação na rádio portuguesa precisa de mais reportagem, já em 98 por altura do III Congresso dos Jornalistas Portugueses, Sena Santos alertava para isso. Numa altura em que o podcasting é uma ameaça (será mesmo ?!!!) a rádio precisa de sublinhar aquilo que constitui a sua razão de ser: estar próxima das pessoas.
Sena Santos dizia na mesma altura a propósito do jornalismo radiofónico: "Está com falta de profundidade, horizonte e rasgo".
O que estava em causa era a possibilidade do grupo Media Capital criar uma rádio de informação, em princípio substituindo o actual RCP. Essa nova emissora passaria a ter outra designação.
Segundo o DE, tal não se verificará, mas haverá, mesmo assim, mudanças na componente informativa da emissora. “(…)a rádio vai continuar a reforçar a informação própria de forma a não se limitar “a notícias do género: o jornal X disse ou o canal de televisão Y mostrou”, lê-se naquele periódico.
O facto só por si já merece palmas, pois os noticiários do RCP são pouco mais que um conjunto de enunciados de acontecimentos. Há ali pouca informação. Investir nesta matéria parece uma boa solução e representará uma novidade no conjunto das rádios mais ouvidas em Portugal.
Agora é preciso perceber o que significa em concreto “reforçar a informação própria”.
Apostar em noticiários como os da Antena 1 e da TSF, e às vezes da Renascença, fortemente dependentes da informação institucional, mas com alinhamentos interessantes ao nível da diversidade temática e com algum desenvolvimento, o que significaria uma volta de 180 graus no RCP;
Ou num novo modelo, que se distinga daqueles e daquilo que fazem as restantes emissoras do grupo ou a RFM.
A informação na rádio portuguesa precisa de mais reportagem, já em 98 por altura do III Congresso dos Jornalistas Portugueses, Sena Santos alertava para isso. Numa altura em que o podcasting é uma ameaça (será mesmo ?!!!) a rádio precisa de sublinhar aquilo que constitui a sua razão de ser: estar próxima das pessoas.
Sena Santos dizia na mesma altura a propósito do jornalismo radiofónico: "Está com falta de profundidade, horizonte e rasgo".
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Provedores de rádio
Numa altura em que se aguarda pela divulgação do primeiro ombudsman do ouvinte da rádio portuguesa vale a pena espreitar o balanço que dois provedores de rádio fizeram em 2005. Percebe-se que as reclamações dos ouvintes, nos casos da Rádio Bandeirantes e da NPR são muito abrangentes. Sugerem questões tão distintas como a recepção da emissão, a cobertura que os media fizeram dos furacões que assolaram os Estados Unidos, horários de programas etc.
Aqui ficam dois excertos:
Maria Elisa Porchat, da Rádio Bandeirantes (Brasil)
Reclamações mais freqüentes em 2005: em primeiríssimo lugar a falta da conexão com a Bandeirantes na internet – um projeto que está há um tempão para ser para implantado – e até agora não foi, tem causado muita frustração e bronca de ouvintes. Depois vêm as reclamações do som ou falta de sintonia, também freqüentes. Entre os programas, o Na Geral foi o mais mencionado em reclamações e em elogios.
Jeffrey A. Dvorkin, da NPR (Estados Unidos)
During the past year, many complaints and comments have come from listeners certain that NPR is on the wrong side. But as I have explained, it is not NPR's intention to take any one side, other than the side of the truth -- as much as NPR can determine what the truth is. I think NPR's obligation is to try to explain with as much nuance as possible, the issues and the arguments so that its listeners can decide for themselves. But many listeners remain unconvinced that NPR does not have a political agenda.
Embora sem o "relatório de actividades" disponível ficam mais duas referências ao trabalho de provedores de rádio.
Guillermo Jelen, da Radio de la Ciudad, da Agentina
e Patricio Gutiérrez, da RTVA, de Espanha .
Aqui ficam dois excertos:
Maria Elisa Porchat, da Rádio Bandeirantes (Brasil)
Reclamações mais freqüentes em 2005: em primeiríssimo lugar a falta da conexão com a Bandeirantes na internet – um projeto que está há um tempão para ser para implantado – e até agora não foi, tem causado muita frustração e bronca de ouvintes. Depois vêm as reclamações do som ou falta de sintonia, também freqüentes. Entre os programas, o Na Geral foi o mais mencionado em reclamações e em elogios.
Jeffrey A. Dvorkin, da NPR (Estados Unidos)
During the past year, many complaints and comments have come from listeners certain that NPR is on the wrong side. But as I have explained, it is not NPR's intention to take any one side, other than the side of the truth -- as much as NPR can determine what the truth is. I think NPR's obligation is to try to explain with as much nuance as possible, the issues and the arguments so that its listeners can decide for themselves. But many listeners remain unconvinced that NPR does not have a political agenda.
Embora sem o "relatório de actividades" disponível ficam mais duas referências ao trabalho de provedores de rádio.
Guillermo Jelen, da Radio de la Ciudad, da Agentina
e Patricio Gutiérrez, da RTVA, de Espanha .
quinta-feira, janeiro 26, 2006
TSF vence prémio internacional de jornalismo
A jornalista Cláudia Henriques da TSF ganhou o prémio de rádio da edição deste ano dos Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha com o seu trabalho «Memória Magoada», alusiva aos atentados de 11 de Março em Madrid. Pelo que já esta tarde se escutou na emissora, a reportagem foi escolhida por unanimidade.
O trabalho pode ser ouvido no site da emissora.
Gritos, sirenes e sangue. Os sons e as imagens do dia 11 de Março de 2004 não se esquecem facilmente. Naquele dia, que anunciava chuva em Madrid, a Espanha e a Europa sentiram de perto o horror do terrorismo. 4 comboios, 10 explosões, 191 mortos, mais de 1500 feridos, numa memória para sempre magoada.
O trabalho pode ser ouvido no site da emissora.
Gritos, sirenes e sangue. Os sons e as imagens do dia 11 de Março de 2004 não se esquecem facilmente. Naquele dia, que anunciava chuva em Madrid, a Espanha e a Europa sentiram de perto o horror do terrorismo. 4 comboios, 10 explosões, 191 mortos, mais de 1500 feridos, numa memória para sempre magoada.
Mais um sinal dos tempos
Afinal o vídeo não matou a rádio. A Rádio Comercial tem disponível, em exclusivo, no seu site o teledisco de Hold Still, de David Fonseca. Perante o avanço avassalador das novas tecnologias, eis que uma técnica caduca (como se refere Felix Guattari à rádio) consegue criar mecanismos de sobrevivência.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Mozart na TSF
A TSF lança um interessante desafio aos seus ouvintes: Um Fórum especial dedicado a Mozart no dia em que se assinala 250 anos do nascimento do compositor. A iniciativa tem tanto de louvável como de arriscado. Fazer um programa com a participação dos ouvintes sugerindo um tema que sai fora da “agenda normal” dos media é um risco que a emissora está disposta a correr. Para se precaver já tem no ar a respectiva promoção, saindo assim da norma que consiste em anunciar o tema do Fórum na mesma manhã.
Lembro-me de um Fórum, há algum tempo atrás, sobre a voz. Não me recordo se houve falta de ouvintes-participantes, mas o programa ganhou, e muito, com as contribuições de especialistas.
Quinta-feira se verá como será. A TSF, pelo que depreendo da audição da promoção, dedicará todo o dia, ou parte dele, ao compositor.
Lembro-me de um Fórum, há algum tempo atrás, sobre a voz. Não me recordo se houve falta de ouvintes-participantes, mas o programa ganhou, e muito, com as contribuições de especialistas.
Quinta-feira se verá como será. A TSF, pelo que depreendo da audição da promoção, dedicará todo o dia, ou parte dele, ao compositor.
O podcasting em Portugal
Deste fim-de-semana emerge o artigo sobre a situação do podcasting em Portugal,publicado no jornal Público e da autoria de Paulo Miguel Madeira.
O artigo está também disponível no site do Clube de Jornalistas.
Como complemento a esta leitura sugiro estas duas: aqui
e aqui
O artigo está também disponível no site do Clube de Jornalistas.
Como complemento a esta leitura sugiro estas duas: aqui
e aqui
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Os jornais e o jornalismo vistos pelas crianças
O que é o jornal ?
- "É para ler"
- "É para ver coisas que interessam para os avós"
-"Vem coisas do Benfica"
- "Os jornais são velhos porque são os velhos que os lêem"
- "Quando não têm televisão, lêem jornais"
-"Para mudar a página é difícil"
-"Os dedos ficam sujos por causa da tinta do jornal"
O que são as notícias ?
- "É o que está escrito, depois vê-se as imagens"
- "São coisas importantes"
Quem faz as notícias ?
- "O senhor que está no telejornal"
-"São os jornalistas"
-"O jornalista inventa as notícias"
-"O jornalista tem que ir ter com os homens e perguntar"
-"É uma fábrica que faz os jornais de notícias"
Crianças de 5 anos que frequentam o Jardim de Infância do Centro Infantil "O Barquinho", no Lavradio, Barreiro.
Obrigado à Sónia Pacheco, educadora que teve a ousadia de apostar na Educação para os Media, numa sala de Jardim de Infância. O blogueiro tem uma pequeniníssima participação. Do projecto ainda vamos dar conta neste blogue.
- "É para ler"
- "É para ver coisas que interessam para os avós"
-"Vem coisas do Benfica"
- "Os jornais são velhos porque são os velhos que os lêem"
- "Quando não têm televisão, lêem jornais"
-"Para mudar a página é difícil"
-"Os dedos ficam sujos por causa da tinta do jornal"
O que são as notícias ?
- "É o que está escrito, depois vê-se as imagens"
- "São coisas importantes"
Quem faz as notícias ?
- "O senhor que está no telejornal"
-"São os jornalistas"
-"O jornalista inventa as notícias"
-"O jornalista tem que ir ter com os homens e perguntar"
-"É uma fábrica que faz os jornais de notícias"
Crianças de 5 anos que frequentam o Jardim de Infância do Centro Infantil "O Barquinho", no Lavradio, Barreiro.
Obrigado à Sónia Pacheco, educadora que teve a ousadia de apostar na Educação para os Media, numa sala de Jardim de Infância. O blogueiro tem uma pequeniníssima participação. Do projecto ainda vamos dar conta neste blogue.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Lei da Rádio e quotas de música
O DN publica mais novidades sobre a nova lei da Rádio e as quotas de música.
Sublinho duas questões que me parecem constituir novidade.
Primeiro, a definição de música portuguesa: " música composta ou interpretada em língua portuguesa por cidadãos dos Estados-membros da União Europeia".
Segundo, a possibilidade das quotas serem aplicadas ao grupo e não à rádio em particular.
Os responsáveis da Renascença e da TSF, citados na notícia, continuam a duvidar da eficácia da medida.
Sublinho duas questões que me parecem constituir novidade.
Primeiro, a definição de música portuguesa: " música composta ou interpretada em língua portuguesa por cidadãos dos Estados-membros da União Europeia".
Segundo, a possibilidade das quotas serem aplicadas ao grupo e não à rádio em particular.
Os responsáveis da Renascença e da TSF, citados na notícia, continuam a duvidar da eficácia da medida.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Rádios Universitárias
O DN edita hoje um artigo sobre as rádios universitárias portuguesas, uma realidade que a lei portuguesa já contempla. O artigo sublinha a importância destas emissoras enquanto escola de profissionais e veículo de programação e informação alternativas.
Faltou a referência ao apoio a aulas de jornalismo radiofónico que algumas destas rádios podem representar.
A propósito de rádios universitárias em Portugal, há um contributo teórico interessante aqui.
Faltou a referência ao apoio a aulas de jornalismo radiofónico que algumas destas rádios podem representar.
A propósito de rádios universitárias em Portugal, há um contributo teórico interessante aqui.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Expansão geográfica das rádios locais
Há mais um caso no cenário radiofónico português de expansão geográfica de uma rádio local. A Seixal FM, agora designada RDS, ampliou a sua cobertura utilizando para tal os emissores de rádios locais localizadas em Portalegre (São Mamede), Alter do Chão, Gavião, Trofa, Olhão e Miranda do Corvo.
A estratégia da rádio do Seixal tem sido frequentemente utilizada por outras emissoras desde a liberalização do sector radiofónico, em 1989, alterando o mapa da rádio em Portugal e contrariando o espírito da radiodifusão local.
Estas medidas expansionistas por parte de algumas empresas de radiodifusão local representam uma consequência de uma legislação desadequada e que facilita um processo de “canibalização” das rádios com mais recursos face às emissoras mais débeis financeiramente.
A realidade imposta por um mercado concorrencial alterou profundamente a noção que os radialistas “mais românticos” possuíam quando as rádios emitiam sem licença. As regras do mercado acabaram por separar as águas obrigando ao encerramento de muitas emissoras, especialmente situadas no interior do país. As populações locais viram-se, por essa razão, privadas de um importante meio de expressão.
Recorrendo ao exemplo dos distritos de Setúbal e Portalegre, podemos observar profundas alterações nos respectivos mapas radiofónicos.
O caso do distrito de Setúbal e em particular a Península setubalense é extremamente interessante. Serve actualmente como território apetecível para quem pretende chegar a Lisboa. As frequências atribuídas ao concelho de Almada são utilizadas pela Radar e pela Capital. A MIX FM utiliza uma frequência do Barreiro. A Tropical FM utiliza uma das frequências do concelho da Moita. No Montijo, uma das frequências é utilizada pela rádio Classe FM. Ou seja, o distrito de Setúbal perdeu, pelo menos, cinco rádios que se dedicavam às respectivas comunidades locais.
Em Portalegre o cenário é diferente. Tratando-se de um distrito do interior sofre desde o início da liberalização da radiodifusão os problemas inerentes à falta de investimento no tecido económico. O distrito de Portalegre foi um dos que mais frequências deixou livres após o licenciamento da radiodifusão local. Foi com alguma surpresa que em 2003 o grupo Fonógrafo adquiriu as frequências de Fronteira, Gavião e Alter do Chão. Estas últimas e a de São Mamede são agora utilizadas pela RDS, uma emissora da margem sul do Tejo, que ampliará a sua rede de cobertura e com isso recolherá maiores receitas publicitárias.
Vejamos quem ficará a ganhar com esta estratégia da RDS: se o Seixal, se Portalegre, se Alter do Chão, se a Trofa etc.
A estratégia da rádio do Seixal tem sido frequentemente utilizada por outras emissoras desde a liberalização do sector radiofónico, em 1989, alterando o mapa da rádio em Portugal e contrariando o espírito da radiodifusão local.
Estas medidas expansionistas por parte de algumas empresas de radiodifusão local representam uma consequência de uma legislação desadequada e que facilita um processo de “canibalização” das rádios com mais recursos face às emissoras mais débeis financeiramente.
A realidade imposta por um mercado concorrencial alterou profundamente a noção que os radialistas “mais românticos” possuíam quando as rádios emitiam sem licença. As regras do mercado acabaram por separar as águas obrigando ao encerramento de muitas emissoras, especialmente situadas no interior do país. As populações locais viram-se, por essa razão, privadas de um importante meio de expressão.
Recorrendo ao exemplo dos distritos de Setúbal e Portalegre, podemos observar profundas alterações nos respectivos mapas radiofónicos.
O caso do distrito de Setúbal e em particular a Península setubalense é extremamente interessante. Serve actualmente como território apetecível para quem pretende chegar a Lisboa. As frequências atribuídas ao concelho de Almada são utilizadas pela Radar e pela Capital. A MIX FM utiliza uma frequência do Barreiro. A Tropical FM utiliza uma das frequências do concelho da Moita. No Montijo, uma das frequências é utilizada pela rádio Classe FM. Ou seja, o distrito de Setúbal perdeu, pelo menos, cinco rádios que se dedicavam às respectivas comunidades locais.
Em Portalegre o cenário é diferente. Tratando-se de um distrito do interior sofre desde o início da liberalização da radiodifusão os problemas inerentes à falta de investimento no tecido económico. O distrito de Portalegre foi um dos que mais frequências deixou livres após o licenciamento da radiodifusão local. Foi com alguma surpresa que em 2003 o grupo Fonógrafo adquiriu as frequências de Fronteira, Gavião e Alter do Chão. Estas últimas e a de São Mamede são agora utilizadas pela RDS, uma emissora da margem sul do Tejo, que ampliará a sua rede de cobertura e com isso recolherá maiores receitas publicitárias.
Vejamos quem ficará a ganhar com esta estratégia da RDS: se o Seixal, se Portalegre, se Alter do Chão, se a Trofa etc.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
A voz e o estilo
Um anónimo avisado deu pelo lapso imperdoável cometido pelo blogueiro, que se referiu a João Paulo Guerra, quando na realidade pretendia falar de Paulo Alves Guerra, daí a actualização do post.
Paulo Alves Guerra (TSF) brinda-nos frequentemente com momentos ímpares nos noticiários da rádio portuguesa. É com este jornalista que os momentos informativos da rádio nos são dados num registo diferente. Ora com a leitura de notícias pela voz de um barítono, ora iniciando o noticiário com um trecho musical, abandonando-o de seguida, para a ele voltar mais tarde. A música, os livros, os autores fazem parte, de forma repetida, do alinhamento dos noticiários editados por Alves Guerra.
O poeta (anónimo para os ouvintes daquele noticiário de fim de tarde) que perdeu os seus manuscritos algures em Lisboa, a ópera de Verdi que, ainda hoje, fechou o noticiário das 18 horas, servindo de base musical para a leitura de um poema de António Gancho. Alves Guerra despediu-se com um lacónico “Verdi para sempre”.
O uso recorrente de reflexões sonorizadas como "uhuuuum", preenchem as pausas e os silêncios da improvisação.
São exemplos de um estilo que recolherá alguns adeptos e certamente alguns “inimigos” mas que sublinha o tom pessoal da edição jornalística, enfatizada na rádio pela postura comunicacional do pivot.
A voz, a palavra dita, a entoação conferida e os elementos musicais funcionam como um todo que reforça um estilo, mais próximo da estética, ultrapassando o carácter meramente informativo do noticiário radiofónico.
Paulo Alves Guerra é um exemplo. Sena Santos, Fernando Alves e Maria Flor Pedroso são outros. A lista não fica certamente por aqui.
Paulo Alves Guerra (TSF) brinda-nos frequentemente com momentos ímpares nos noticiários da rádio portuguesa. É com este jornalista que os momentos informativos da rádio nos são dados num registo diferente. Ora com a leitura de notícias pela voz de um barítono, ora iniciando o noticiário com um trecho musical, abandonando-o de seguida, para a ele voltar mais tarde. A música, os livros, os autores fazem parte, de forma repetida, do alinhamento dos noticiários editados por Alves Guerra.
O poeta (anónimo para os ouvintes daquele noticiário de fim de tarde) que perdeu os seus manuscritos algures em Lisboa, a ópera de Verdi que, ainda hoje, fechou o noticiário das 18 horas, servindo de base musical para a leitura de um poema de António Gancho. Alves Guerra despediu-se com um lacónico “Verdi para sempre”.
O uso recorrente de reflexões sonorizadas como "uhuuuum", preenchem as pausas e os silêncios da improvisação.
São exemplos de um estilo que recolherá alguns adeptos e certamente alguns “inimigos” mas que sublinha o tom pessoal da edição jornalística, enfatizada na rádio pela postura comunicacional do pivot.
A voz, a palavra dita, a entoação conferida e os elementos musicais funcionam como um todo que reforça um estilo, mais próximo da estética, ultrapassando o carácter meramente informativo do noticiário radiofónico.
Paulo Alves Guerra é um exemplo. Sena Santos, Fernando Alves e Maria Flor Pedroso são outros. A lista não fica certamente por aqui.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Rádios locais e globalização
A revista Media XXI nº 84 trás uma interessante entrevista a Dennis McQuail. O investigador traça uma perspectiva dos meios de comunicação social no início do século XXI que merece uma leitura atenta do artigo.
Destaco a passagem em que fala dos media regionais:
"(…) a globalização dos media tende a que estes dêem mais enfoque a notícias globais e internacionais, gerais, inserindo-se no fundo numa cultura global. Isso enfraquece os media nacionais, mais do que os regionais. A globalização não pisa os campos dos media regionais e não satisfaz as necessidades de notícias localizadas e detalhadas que estes sustentam”.
Este é um excelente motivo para se falar da função que as rádios locais portuguesas podem desempenhar no cenário radiofónico nacional. Quando se fala em espírito das rádios locais – um termo difuso – normalmente quer-se designar um sentimento que varreu o país na década de 80 quando foi invadido por um sem-número de pequenas emissoras piratas.
Tal como sucedera com as rádios Livres, que tinham mudado o cenário e o discurso da comunicação social duas décadas antes em países como a França ou Itália, as rádios- piratas trouxeram um discurso informativo diferente, agora centralizado, na abordagem às questões públicas locais. Aliás, as (poucas) referências históricas sobre o movimento das rádios-piratas em Portugal, mostra-nos um conjunto de exemplos que ilustram a importância que a informação local significou para o aparecimento daquelas emissoras, apoiadas, directa e indirectamente, pelas autarquias, empresas, associações locais e sobretudo pelas populações desejosas que estavam de ver os seus problemas, questões ou projectos retratados no espaço mediático.
A informação local é a mais-valia das rádios locais. Recorde-se Chantler e Harris, (1997) quando referem que “num mercado competitivo, a informação é uma das poucas coisas que faz o som da rádio local distinto […]”.Umberto Eco atribuíra à informação uma das principais transformações provocadas pelo surgimento das rádios independentes.
É interessante o que Bernardo Díaz Nosty (1997) diz acerca dos media locais e regionais, incluindo naturalmente as rádios locais. Nosty defende que se tratam de meios especializados geograficamente, ou seja que devem apostar em estratégias que reforcem essa especificidade. Só assim, sublinha Nosty, os media locais desenvolverão a função para a qual foram criados, incrementando valores de cidadania e democracia.
No registo da globalização, a vantagem discursiva das rádios locais portuguesas situa-se ao nível dos contextos alternativos que podem disponibilizar para os seus ouvintes.
A abertura em Portugal do sector radiofónico às emissoras locais está, contudo, implicado numa complexa legislação, que nem sempre tem tomado em linha de conta as especificidades destas emissoras locais, criando dispositivos que na prática, impedem que as emissoras locais – pelo menos algumas delas – não consigam desempenhar as funções para as quais foram originalmente criadas.
Hoje há pelo país um conjunto significativo de rádios locais que possuem redacções com apenas um jornalista. E esse está lá porque a lei a isso obriga. Em determinados concelhos do país há duas ou três rádios locais, quando dificilmente haveria espaço para uma. O resultado, em muitos casos e para cumprir a lei, passa por divulgar o press-release que chegou da câmara local, ou por simplesmente ler num dos três noticiários que a legislação impõe, o artigo do jornal da terra.
Há, por outro lado, rádios locais que aproveitam os recursos que entretanto conseguiram para se expandir geograficamente, abdicando, uma vez mais, das suas funções enquanto emissora local.
Neste cenário, os temas e as vozes são as mesmas das emissoras nacionais. As populações locais viram-se privadas de uma importante caixa de ressonância.
No limite é a democracia que perde.
Destaco a passagem em que fala dos media regionais:
"(…) a globalização dos media tende a que estes dêem mais enfoque a notícias globais e internacionais, gerais, inserindo-se no fundo numa cultura global. Isso enfraquece os media nacionais, mais do que os regionais. A globalização não pisa os campos dos media regionais e não satisfaz as necessidades de notícias localizadas e detalhadas que estes sustentam”.
Este é um excelente motivo para se falar da função que as rádios locais portuguesas podem desempenhar no cenário radiofónico nacional. Quando se fala em espírito das rádios locais – um termo difuso – normalmente quer-se designar um sentimento que varreu o país na década de 80 quando foi invadido por um sem-número de pequenas emissoras piratas.
Tal como sucedera com as rádios Livres, que tinham mudado o cenário e o discurso da comunicação social duas décadas antes em países como a França ou Itália, as rádios- piratas trouxeram um discurso informativo diferente, agora centralizado, na abordagem às questões públicas locais. Aliás, as (poucas) referências históricas sobre o movimento das rádios-piratas em Portugal, mostra-nos um conjunto de exemplos que ilustram a importância que a informação local significou para o aparecimento daquelas emissoras, apoiadas, directa e indirectamente, pelas autarquias, empresas, associações locais e sobretudo pelas populações desejosas que estavam de ver os seus problemas, questões ou projectos retratados no espaço mediático.
A informação local é a mais-valia das rádios locais. Recorde-se Chantler e Harris, (1997) quando referem que “num mercado competitivo, a informação é uma das poucas coisas que faz o som da rádio local distinto […]”.Umberto Eco atribuíra à informação uma das principais transformações provocadas pelo surgimento das rádios independentes.
É interessante o que Bernardo Díaz Nosty (1997) diz acerca dos media locais e regionais, incluindo naturalmente as rádios locais. Nosty defende que se tratam de meios especializados geograficamente, ou seja que devem apostar em estratégias que reforcem essa especificidade. Só assim, sublinha Nosty, os media locais desenvolverão a função para a qual foram criados, incrementando valores de cidadania e democracia.
No registo da globalização, a vantagem discursiva das rádios locais portuguesas situa-se ao nível dos contextos alternativos que podem disponibilizar para os seus ouvintes.
A abertura em Portugal do sector radiofónico às emissoras locais está, contudo, implicado numa complexa legislação, que nem sempre tem tomado em linha de conta as especificidades destas emissoras locais, criando dispositivos que na prática, impedem que as emissoras locais – pelo menos algumas delas – não consigam desempenhar as funções para as quais foram originalmente criadas.
Hoje há pelo país um conjunto significativo de rádios locais que possuem redacções com apenas um jornalista. E esse está lá porque a lei a isso obriga. Em determinados concelhos do país há duas ou três rádios locais, quando dificilmente haveria espaço para uma. O resultado, em muitos casos e para cumprir a lei, passa por divulgar o press-release que chegou da câmara local, ou por simplesmente ler num dos três noticiários que a legislação impõe, o artigo do jornal da terra.
Há, por outro lado, rádios locais que aproveitam os recursos que entretanto conseguiram para se expandir geograficamente, abdicando, uma vez mais, das suas funções enquanto emissora local.
Neste cenário, os temas e as vozes são as mesmas das emissoras nacionais. As populações locais viram-se privadas de uma importante caixa de ressonância.
No limite é a democracia que perde.
terça-feira, janeiro 03, 2006
Soares à TSF
Mário Soares criticou hoje na TSF a cobertura que a comunicação social tem feito à pré-campanha para as presidenciais.
Não são novos os reparos que o candidato fez aos media, mas aqui ficam algumas ideias deixadas no final desta manhã numa entrevista à TSF.
Soares disse que os media estão a apoiar a candidatura de Cavaco Silva, referindo que tal não se deve aos jornalistas, mas sim à excessiva concentração das empresas de comunicação social, algo que o ex-presidente da República considera "perigosa".
Soares referiu que não fala contra os jornalistas, mas sim a favor deles e que aponta estas críticas à comunicação social por se tratar de uma "constatação didáctica".
Soares voltou a afirmar que quer mais debates, "na televisão ou na rádio" e que agora há outro motivo, pois há mais um candidato que não teve a mesma oportunidade dos outros.
Não são novos os reparos que o candidato fez aos media, mas aqui ficam algumas ideias deixadas no final desta manhã numa entrevista à TSF.
Soares disse que os media estão a apoiar a candidatura de Cavaco Silva, referindo que tal não se deve aos jornalistas, mas sim à excessiva concentração das empresas de comunicação social, algo que o ex-presidente da República considera "perigosa".
Soares referiu que não fala contra os jornalistas, mas sim a favor deles e que aponta estas críticas à comunicação social por se tratar de uma "constatação didáctica".
Soares voltou a afirmar que quer mais debates, "na televisão ou na rádio" e que agora há outro motivo, pois há mais um candidato que não teve a mesma oportunidade dos outros.
Morreu Cáceres Monteiro
Deixou-nos hoje o jornalista Cáceres Monteiro. Enquanto estudante de jornalismo no início dos anos 90, recordo os frequentes exemplos dados pelos professores acerca do projecto editorial da revista Visão, na altura acabada de sair.
O Sindicato dos Jornalistas tem disponível um perfil do jornalista.
O Sindicato dos Jornalistas tem disponível um perfil do jornalista.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Podcast chega à igreja
Mais um sinal dos tempos. A onda do podcasting parece que vai chegar à igreja, de acordo com a informação disponível no directório Podbrasil. Aqui fica um excerto.
"(...) em janeiro do ano que vem as Irmãs Paulinas vão lançar o primeiro podcast católico do Brasil. O conteúdo será o mesmo do programa “Bíblia, Deus com a Gente” que já é exibido em várias rádios do País. Haverá ainda assuntos de interesse dos fiéis brasileiros e da congregação, que tem uma atuação forte na área de comunicação voltada aos adeptos da maior religião do mundo."
"(...) em janeiro do ano que vem as Irmãs Paulinas vão lançar o primeiro podcast católico do Brasil. O conteúdo será o mesmo do programa “Bíblia, Deus com a Gente” que já é exibido em várias rádios do País. Haverá ainda assuntos de interesse dos fiéis brasileiros e da congregação, que tem uma atuação forte na área de comunicação voltada aos adeptos da maior religião do mundo."
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