quarta-feira, abril 04, 2007

Audiências de rádio


A Marktest analisou durante o mês de Março
, a propósito dos 82 anos de emissões regulares em Portugal, a audiência da rádio portuguesa. Sublinho algumas ideias retiradas dos quatro artigos disponibilizados:

1- Os portugueses ouvem mais rádio em comparação com 1994, altura em que surgiu o Bareme Rádio.
A diferença não é muito significativa, ( é de apenas 0,3). Há 13 anos a audiência acumulada de véspera situava-se nos 56,1 e em 2006 foi de 56,3.

2 - Já me parece mais significativo o facto de se ouvir cada vez mais rádio no carro e menos em casa. Do mesmo modo, a escuta de rádio na Internet está igualmente a crescer, embora represente uma pequena parcela da escuta global de rádio em Portugal. Mas regista-se a tendência.

3 - O tempo médio de escuta diária de rádio é de três horas, mas quando é feita no trabalho é muito superior, mais de seis horas.

4 - Para a Markest, o facto do tempo médio de escuta de rádio ser manter nas 3 horas desde 1997, é sinónimo da forte relação entre a rádio e os ouvintes.

Os quatro artigos:

Os Portugueses estão a mudar os seus hábitos de audiência de Rádio

Os Portugueses e a Rádio – evolução e alteração de comportamentos

Portugueses ouvem mais rádio no carro


4,7 milhões de Portugueses ouvem mais de 3 horas de rádio todos os dias



terça-feira, abril 03, 2007

M80 já emite

Ainda não ouvi, mas segundo o Diário Digital a rádio M80, a nova estação da Media Capital Rádios, destinada aos ouvintes com idade entre os 35 e os 55 anos, começou esta segunda-feira a emitir para Lisboa e Porto. Na capital, a M80 pode ser ouvida na frequência 96,6 (substitui a Best Rock FM) e no Porto a frequência é 89,5.

segunda-feira, abril 02, 2007

RUC de parabéns

Soube via Rádio Critica do Francisco Mateus: A Rádio Universitária de Coimbra comemora 21 anos e tem um vasto programa para assinalar a data.

Parabéns.

quarta-feira, março 28, 2007

Rádio cor-de-rosa

A rádio portuguesa tem escapado à onda rosa (sem conotação política) da comunicação social. Não se encontram muitos espaços de mexericos e pseudo-notícias sobre pseudo-figuras-públicas.

Só agora ouvi o espaço de Cláudio Ramos nas tardes do Rádio Clube. Ali há um pouco de tudo daquilo que o género tem para oferecer.

Nota negativa para o Rádio Clube.

terça-feira, março 27, 2007

Ainda o relatório do provedor do ouvinte

Com um atraso significativo do blogueiro, mas vale a pena espreitar a análise de Adelino Gomes aos relatórios dos provedores da RDP e RTP.

Sobre José Nuno Martins:

"Nuno Martins mostra-se mais acutilante e menos optimista. Refere que "certos" dos seus "interlocutores internos" pareceram não ter entendido o seu papel e critica-lhes "a atitude demasiado defensiva" enquanto programadores.
Em concreto, e para além das críticas já referidas ao Desporto e à Antena 3, queixa-se do horário atribuído ao seu programa nas antenas 1, 2 e 3, por nunca ter sido "proposto ao maior número de ouvintes de cada emissora"; e acusa a Direcção de Programas de não assumir nenhuma das suas recomendações - nem quanto às escolhas musicais, que entende deverem passar a ser exclusivamente centradas na música portuguesa, na Antena 1, nem quanto à procura de novos públicos e à regeneração dos novos profissionais, na Antena 2.
Os "substantes índices de profundidade e de fundamentação" das críticas dos ouvintes tornam difícil "ignorá-las tão reiterada e persistentemente", observa o provedor, que não esquece o caso do programa Ritornello, cujo realizador, Jorge Rodrigues, entrou em confronto público com a direcção do canal cultural da RDP, originando "elevado fluxo de correspondência, muitas vezes apresentada em termos despropositados e também de modo "induzido"".
Nota também, de forma seca, que os responsáveis do Desporto não adoptaram os "modelos de solução" que apresentou para o problema dos relatos simultâneos de futebol e que a empresa não encetou "qualquer acção de formação" que combatesse o "mau uso ou uso indevido da língua portuguesa por apresentadores e locutores, jornalistas e comentadores das várias estações do serviço público".

Do que os portugueses gostam e não gostam na televisão e rádio públicas, no Público, via Clube de Jornalistas



terça-feira, março 20, 2007

Jornalismo e Democracia na JJ


O número 29 da revista JJ, do Clube de Jornalistas, referente aos meses Janeiro/Março, tem como tema de capa "Jornalismo e Democracia". Trata-se de uma abordagem que é feita a propósito do Seminário Internacional de Jornalismo e Actos de Democracia que decorreu em Lisboa no passado mês de Novembro.

A revista apresenta entrevistas com alguns dos congressistas daquele encontro que decorreu na Escola Superior de Comunicação Social. São os casos de Doris Graber, Kees Brants e James Stanyer.

No campo da rádio é publicado um artigo do qual sou autor e que resulta da comunicação que apresentei no referido Seminário. O texto publicado na JJ tem por título "A cobertura radiofónica da campanha presidencial de 2006".

Sopcom discute Comunicação e Cidadania


"Comunicação e Cidadania" é o tema do V Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM) que decorrerá entre os dias 6 e 8 de Setembro, na Universidade do Minho (UM). Nesses dias, serão discutidas temáticas de campos diversos como os da Internet, jornalismo, publicidade, relações públicas ou educação para os media.
As inscrições decorrem até ao próximo dia 30 de Junho.
Segundo a organização "O congresso reunirá centenas de académicos, investigadores, formadores e profissionais do campo da comunicação. Muitos dos investigadores são oriundos de (ou mantêm ainda as ligações a) empresas do campo da comunicação e dos media.".



quarta-feira, março 14, 2007

A M80 e a preferência dos holandeses pela rádio

Na newsletter de Março do Obercom sublinho duas notícias sobre rádio:

A primeira dá conta do lançamento da M80, uma rádio do grupo Média Capital Rádios que deverá preencher o espaço musical deixado vago pela mudança de programação do Rádio Clube Português, ou seja uma rádio virada para os êxitos músicais de outros tempos.
A notícia não explica qual a frequência que vai utilizar.

A segunda notícia revela que na Holanda, a rádio é o meio de comunicação preferido.

sexta-feira, março 09, 2007

O provedor do ouvinte sobre o provedor do ouvinte

Já está disponível o relatório de actividade do primeiro provedor do Ouvinte português, José Nuno Martins.

É um extenso documento que se refere à actividade desenvolvida em 2006 e no qual JNM reflecte sobre um conjunto alargado de questões relacionadas com a sua experiência. O ombudsman aborda matérias como o conceito do serviço público de radiodifusão, a relação dos ouvintes com a rádio e as funções de um provedor de Rádio. Pontos que antecedem a reflexão de José Nuno Martins sobre o seu exercício em concreto.

Detive-me na componente Jornalismo/Informação.

Algumas ideias:
- Na totalidade das estações do universo RDP, o provedor recebeu 69 queixas referentes à informação o que representa 10,4% da totalidade de queixas recebidas (661).

- Das queixas recebidas e que dizem respeito à Informação, 44 demonstraram uma critica negativa, 18 neutral e apenas 7 positiva.

- Os critérios jornalísticos utilizados pelos jornalistas, o programa Antena Aberta e o programa Contraditório foram os aspectos mais apontados pelos ouvintes, sendo que o provedor sublinha ainda o facto de terem aparecido outros comentários genéricos referentes à informação da RDP.

José Nuno Martins admite que, tendo em conta práticas de outros provedores de rádio no estrangeiro, esperaria mais queixas em matéria de informação. Não foi o que se verificou no caso português.

JNM considera haver uma "relativa pacificação do Ouvinte em relação à prática do Jornalismo radiofónico no Serviço Público, designadamente quando cotejamos o volume de correspondência que se exprime de modo muito mais expressivo relativamente à PROGRAMAÇÃO de uma única Estação – a ANTENA 1, com o conjunto das Mensagens que dizem respeito a assuntos do JORNALISMO e da INFORMAÇÃO afinal relacionados com TODAS as Estações do Grupo RDP." (p.45)

Em matéria de jornalismo e informação, o provedor conclui:

"foram para mim bem claros o exercício de reflexão apropriado acerca de procedimentos menos correctos dos Jornalistas e o esforço de rigor que a estrutura mantém patente no relativamente baixo volume de críticas expressas e, finalmente a atitude cooperante assumida pelo Director
de Informação nas suas relações com o Provedor. Relatório de Actividade 2006
102 Entendi dever considerar como SINAL DE EXCELÊNCIA do Serviço Público de
Radiodifusão, um Programa de JORNALISMO E INFORMAÇÃO apresentado na ANTENA 1 –
COREIA DO NORTE – UM SEGREDO DE ESTADO, de Rita Colaço." (pp.101-102)


O relatório completo está aqui.

segunda-feira, março 05, 2007

As rádios comunitárias no Brasil

- Beatriz Brandão Polivanov, na sua comunicação “A busca pela legalização: conflitos e negociações entre o Ministério das Comunicações e as rádios Comunitárias”, apresentada na Universidade Fernando Pessoa, enquadra aquelas emissoras no registo daquilo a que Hall chama de “novo local”. Um localismo que emerge da globalização e que com ela se confronta na tentativa de criar mecanismos de sobrevivência identitária.

- A autora propõe uma reflexão acerca da negociação entre os proprietários das rádios comunitárias e o governo brasileiro, tendo em conta o processo de legalização daquelas emissoras.

- Polivanov coloca como hipótese de trabalho a seguinte questão: Em que medida a aceitação e reconhecimento das rádios comunitárias se enquadra no multiculturalismo e aceitação da diferença?

- Existirão actualmente cerca de 8 mil rádios comunitárias no Brasil, contudo 90 por cento são ilegais. A luta pela sua legalização tem envolvido uma série de questões alvo de negociação, que a autora problematiza no texto.

- A programação comunitária, gestão colectiva, interactividade, valorização cultural local, cidadania, democratização, serviço à comunidade e pluralismo na programação são algumas das características que definem uma rádio comunitária.

- De acordo com Beatriz Polivanov, a realidade é, no entanto, outra. Muitos dos projectos de rádios comunitárias resultam da iniciativa de indivíduos com ambições políticas que criam aquelas emissoras para se promoverem. Segundo a autora, existirão perto de duas mil rádios de políticos e cerca de quatro mil de carácter religioso.

- A autora conclui que as rádios comunitárias no Brasil representam propostas de “diferença”, mas reconhece a existência de “restrições que acabam por marcar a contenção da diferença”. Termina Polivanov: “inúmeras delas [rádios] se dizem comunitárias mas não o são de fato”.

domingo, março 04, 2007

Informação e rádios locais

Anoto algumas ideias da comunicação que apresentei na segunda edição das Jornadas Internacionais de Jornalismo da Universidade Fernando Pessoa e cujo título é “As Rádios Locais em Portugal – da proximidade à diminuição da oferta informativa local”.

- O quadro teórico seguido no texto enquadra as rádios livres no contexto da comunicação alternativa, na tentativa de fazer emergir novas vozes para o espaço radiofónico. Neste contexto teórico, Umberto Eco enquadra as rádios livres numa nova era da liberdade de expressão.

- Historicamente, a informação foi um campo de afirmação das rádios locais por possibilitarem o tratamento de temas que a rádio estatizada não abordava.

- Quando se fala em informação local sugere-se a observação do real baseada nas especificidades locais.

Elsa Moreno Moreno (2002) enfatiza o papel das rádios locais no sentido de potenciar a cidadania. Bernardo Díaz Nosty (1997) sublinha a necessidade das rádios locais se ajustarem ao seu ambiente sob pena de estarem a cavar a sua autodestruição. E Chantler e Harris (1997) sugerem que as notícias são dos poucos conteúdos que tornam o som de uma rádio local distinto das demais.

- Fará, neste quadro teórico, todo o sentido que as rádios locais portuguesas apostem na informação local como sinónimo da sua afirmação.

- Os quase vinte anos de emissões legalizadas das rádios locais portuguesas demonstram, contudo, outra realidade, olhando, por exemplo para a Grande Lisboa: mudança de propriedade de rádios locais e transformação em emissoras musicais com pouca ou nenhuma informação local; deslocação dos estúdios e redacção para fora dos concelhos aos quais estão atribuídas as frequências; afastamento físico da realidade local.

- O artigo conclui que os novos projectos de rádios locais estão vocacionados para o entretenimento, reduzindo redacções e espaços para a informação local. Há menos vozes e menos temas locais diminuindo a representatividade dos cidadãos no espaço público mediático.


No próximo post anotarei algumas ideias da comunicação de Beatriz Brandão Polivanov, com o título “A busca pela legalização: conflitos e negociações entre o Ministério das Comunicações e as rádios Comunitárias”

A Rádio musical e a Internet

A segunda edição das Jornadas Internacionais de Jornalismo decorreu na última sexta-feira, dia 2 de Março, na Universidade Fernando Pessoa, no Porto.
O tema do encontro, que reuniu investigadores, professores, alunos e profissionais da comunicação, foi “Porquê estudar o Jornalismo?”.
Do programa destaco a sessão que juntou Felipe Pena, da Universidade Federal Fluminense, Barbie Zelizer, University of Pennsylvania e Brian McNair, University of Strathclyde.
Rogério Santos construiu, no seu blogue, um texto sobre a intervenção de Barbie Zelizer.

No campo da rádio, foram apresentadas três comunicações nas sessões de tema livre, uma delas de minha autoria e que tem por título “As Rádios Locais em Portugal – Da proximidade à diminuição da oferta informativa local”.
Beatriz Brandão Polivanov, da Universidade Fluminense do Rio de Janeiro, apresentou a comunicação com o título “A busca pela legalização: conflitos e negociações entre o Ministério das Comunicações e as rádios Comunitárias” e João Paulo Meneses apresentou o texto intitulado “Internet: Potencialidades e ameaças para a rádio musical”.

Outros compromissos na Invicta impediram-me de assistir à apresentação de JPM, mas da leitura da comunicação disponível nas Actas das Jornadas detecto os seguintes pontos principais do seu texto:

- Meneses parte do princípio de que o conceito de rádio, tal como o conhecemos actualmente, está a mudar devido às transformações impostas pela emergência da Internet.

- Neste particular, JPM considera que a rádio está a passar por um segundo choque, depois da televisão ter provocado o primeiro.

- João Paulo Meneses reflecte sobre as vantagens e desvantagens da Internet para o meio rádio, equacionando possibilidades de convergência, em especial com a rádio musical.

- A análise enquadra-se num registo normativo que considera a rádio tradicional como um meio em declínio (audiências a descer, programação desadequada) e vê a Internet como uma plataforma apetecível para o relançamento, já não de uma rádio hertziana, mas de uma nova comunicação sonora (chame-se rádio, para simplificar) caracterizada pela produção individual, pela escolha individualizada e pela multiplicidade de serviços que acrescenta às mensagens sonoras.

- Com um enfoque especial nos mais jovens, o autor recorre a exemplos e a estudos que demonstram as virtualidades da Internet e de como esta pode significar, mais do que uma ameaça para a rádio, uma real possibilidade de convergência.

- João Paulo Meneses conclui que o futuro da rádio musical passa pela convergência musical e por melhores conteúdos.


Nos próximos posts voltarei ao meu texto e ao trabalho de Beatriz Polivanov.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Escuta de rádio na Internet está a crescer

A Marktest está a assinalar os 82 anos de emissões regulares de rádio em Portugal e iniciou a publicação na sua newsletter de uma série de artigos relacionados com o meio radiofónico.

O primeiro artigo analisa a evolução da escuta de rádio através da Internet.


Apesar de reconhecer que a principal forma de escuta de rádio em Portugal é ainda através do FM, o estudo da Marktest sublinha a tendência de crescimento do número de indíviduos que ouvem rádio recorrendo à Internet.

O estudo mostra ainda que quem ouve rádio pela Internet o faz, preferencialmente, em casa.

Parabéns à TSF

A TSF assinala hoje 19 anos de existência. Interessante a ideia de colocar em emissão sons antigos da estação.

Parabéns!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Página 1 já disponível

A Renascença disponibiliza a partir de hoje o Página 1. Tratam-se de notícias disponíveis em PDF a partir do site da RR. O Página 1 tem oito páginas e é actualizado duas vezes ao dia: 12h30 e 17h30.

É a parte visível da rádio em mudança, motivada pelas novas tecnologias de informação.

Lembro uma frase de Jesús Saiz Olmo (2005: 17) que caracteriza assim o futuro jornalista da rádio:

"(...) elabora un contenido que sirve para una locucion clásica, redacta una pieza dirigida a un PAD y además, realiza ora, que no tiene sentido difundir para la gran mayoria, pero que puede interesar a un segmento concreto de la audiencia y, probablemente, vaya destinada a un servicio de pago. El mismo redactor desarrollará las tres piezas utilizando, según convenga, textos imágenes y sonidos: un periodista multimedia".

Mais sobre o Página 1 no DN .

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Renascença em PDF

Em relação à Renascença parece-me que a "Boa Onda da Rádio" está a significar uma empenhada aposta num novo conceito de rádio, virada para um conjunto de serviços disponíveis em diferentes suportes.
A Renascença já nos tinha dado a possibilidade de VER reportagens no seu site. Agora anuncia que vai possibilitar em breve notícias num formato PDF para que possam ser impressas e lidas.

(viaJornalismo e Comunicação).

domingo, fevereiro 11, 2007

Leitura

A newsletter do Obercom sugere um texto no qual é feita uma análise ao sector da rádio em Itália e na Europa. Chama-se L'evoluzione della Rádio.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A informação no Rádio Clube

O formato informativo do Rádio Clube aponta para um grande programa de informação matinal, relegando para segundo plano os noticiários.

Tudo gira em torno do tema que o Rádio Clube elegeu naquele dia. Os noticiários abrem invariavelmente com esse tema. Primeiro com uma breve enunciação. Depois com o seu desenvolvimento, aproveitando os comentários produzidos pelos seus próprios comentadores.
As restantes notícias acabam por não ter um grande grau de aprofundamento no Minuto-a-Minuto.

As manhãs do Rádio Clube são sedutoras para o ouvinte. Há uma constante procura pela atenção de quem escuta. À hora certa, João Adelino Faria anuncia o tema principal. Não desenvolve. Entra um separador. Depois são lidos os outros temas da actualidade utilizando um formato pouco frequente em Portugal: João Adelino Faria lê pequenas frases e outro jornalista acrescenta algo mais. A ideia é conceder mais ritmo à leitura dos títulos, que só uma voz não possibilita. Por isso, é também utilizada uma trilha sonora rápida.

Depois João Adelino Faria anuncia as temperaturas. O trânsito em directo. Em Lisboa. No Porto. Voltamos às temperaturas (com outra voz). Três minutos depois voltamos ao noticiário. Agora sim com desenvolvimento.

O Rádio Clube tem um formato interessante por apontar para um conceito de rádio explicativa. Explora o tema principal com comentadores. Há debate e muita opinião, mas tal como já tinha verificado anteriormente, a aposta não vai para os noticiários.
São, quanto a mim, mais pobres se comparados com a Antena 1 e TSF. Os da Renascença têm muitas notícias mas há menos desenvolvimento.

No Rádio Clube escasseiam os directos nos noticiários (para não dizer que não os há) e há poucas vozes. São raros os temas (exceptuando o tema do dia) em que há desenvolvimento por uma segunda voz, para além do pivot.
Tudo gira em torno do tema do dia e isso enfraquece, não só os noticiários, mas também os jornais temáticos.

Nestes primeiros dias, parece-me que o Rádio Clube tem ganho a aposta de diariamente ter a sua própria agenda. Já quanto a marcar a agenda dos outros media é outra conversa.
Há, da parte do Rádio Clube, uma aposta na reportagem com passagem de excertos durante a manhã, o único período do dia que, quanto a mim, trouxe alguma novidade em termos informativos. A tarde e a noite, por viverem apenas dos noticiários, não são alternativa.
João Adelino Faria abusa das «notas de rodapé»: "Estamos todos hoje com muito humor" ou "Está frio na minha terra". Cansa.

Não gosto da trilha sonora para a informação. É televisiva, onde é fundamental fazer “um bom filme”. Na rádio não.
É só uma questão de gosto pessoal!!!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Vozes

No Rádio Clube, gostei de voltar a ouvir o Anibal Rebelo. A Elisabete Pato. Ainda não ouvi a Cátia.

E onde pára a Mariana Marques Vidal? Não conheço pessoalmente, mas a sua voz prendeu-me várias vezes ao RCP.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

... foi desta

A nova programação do Rádio Clube arrancou hoje.
Tenho estado a ouvir desde as 9h30 da manhã. Num primeiro dia noto uma manhã dinâmica, com debate, pontos de vista (embora com as vozes de sempre) e opinião.
O tema do dia no Rádio Clube não surpreende, a um dia do início da campanha para o referendo ao aborto. Trataram o tema com a realização de um inquérito aos deputados e com isso quiseram marcar a agenda. A reportagem “Uma viagem a Badajoz para abortar” serviu de fio condutor a uma série de debates.

À hora dos fóruns (TSF e Antena 1) o Rádio Clube promoveu um debate com partidários do Sim e do Não (aqui não houve novidade: o debate foi entre políticos, como quase sempre). O fórum da TSF foi também dedicado ao aborto. Na Antena Aberta (Antena 1) falou-se de ambiente e de portagens à entrada das grandes cidades.
E na Renascença? A boa onda da rádio !!!

Algumas “brancas” (momentos sem som na emissão), registos magnéticos que não entraram com o nível de som adequado, separadores que não ouvimos denunciaram alguma necessidade de afinar a máquina. Normal para um primeiro dia. Mas a “branca” que antecedeu a entrada de Fernando Correia em antena foi um bocadinho longa…

Pelo dia fora: Os Xutos e Pontapés. A crítica televisiva. O programa da tarde “Janela Aberta”. A Banda Sonora, programa no qual figuras públicas escolhem e comentam temas musicais. E claro “O Lugar Cativo” de Fernando Correia.

Os noticiários parecem não ser o ponto forte da nova programação. Os títulos são pouco dinâmicos. Não ouvi directos. São de curta duração, se comparados com os da Antena 1 e da TSF. São uma espécie do “resto da actualidade”, sendo que o principal são os temas abordados nos debates da rádio. Gostei mais dos da tarde.

Só não gostei das frequentes defesas em causa própria.
Maria João Avillez sobre o inquérito aos deputados: “foi um scoop . Ninguém se lembrou disto”. Ainda Avillez, mas agora sobre a votação dos juízes do Tribunal Constitucional, referiu que não viu ser dada grande amplitude noticiosa ao facto do resultado da votação ter sido pela margem miníma.
Respondeu João Adelino Faria: “Ainda cá não estávamos”.

Menos positivo: a conversa entre João Adelino Faria e Nuno Costa Santos a chegar ao meio-dia. A ideia é criar um espaço de humor em que NCS comenta as notícias da agenda do dia do Rádio Clube. João Adelino Faria participa nas graçolas sobre os temas que antes noticiou.

Foi só o primeiro dia.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

É desta...

A nova programação do Rádio Clube arranca no dia 29. Um dia antes do início da campanha para o referendo. Altura boa, portanto, para apostar forte na informação.

No DN escreve-se que se trata da primeira rádio de informação generalista.
Com a junção destes dois conceitos (informação e generalista) quer dizer-se exactamente o quê? É assim tão inédito no contexto português ? Não percebo porquê?

domingo, janeiro 21, 2007

A auto-regulação segundo Fidalgo

Numa entrevista ao DN, Joaquim Fidalgo fala dos provedores dos media, em especial daqueles que exercem essa função nos jornais. É uma entrevista interessante na qual o professor da Universidade do Minho se debruça sobre vários assuntos, incluindo o recente caso que envolve uma jornalista do Público.

sábado, janeiro 20, 2007

Novidades do Rádio Clube

No Público deste Sábado:

Pacheco Pereira, Filomena Mónica, Dias Loureiro e Vital Moreira no RCP

José Pacheco Pereira, Maria Filomena Mónica, Dias Loureiro e Vital Moreira são quatro dos cinco comentadores do Programa da Manhã do novo Rádio Clube Português, cujas emissões arrancam dia 29. A cada um caberá a missão de falar sobre um tema à sua escolha com o locutor João Adelino Faria na rubrica Rede de Influência. O quinto nome será conhecido na próxima semana. Diariamente, o programa contará também com um espaço de 30 minutos para analisar o tema do dia feito por um jornalista de um grupo fixo que inclui o director adjunto do PÚBLICO, Manuel Carvalho, Inês Serra Lopes, Maria João Avillez, Nuno Rogeiro e Mário Ramires. Estes irão debater o tema com um convidado, também jornalista, em que se contam, por exemplo, Teresa de Sousa (PÚBLICO) e Carlos Rosado Carvalho. Este modelo é uma espécie de transposição para a rádio do programa Edição da Noite que João Adelino Faria fazia na SIC Notícias.


Para quem queria propor uma agenda diferente não está nada mal tendo em conta os nomes anunciados. Gente que não aparece nos media !!!!

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Duas visões ...

Duas notícias sobre as declarações de Maria José Morgado numa conferência promovida pelo PS para debater o referendo ao aborto.

A primeira é a da Rádio Renascença. Principais enfoques: aborto ilegal potencia corrupção. A lei não é uma varinha mágica que tudo vá resolver.

A segunda é a da TSF. Principal enfoque: Maria José Morgado defende o voto no "Sim".

A da Renascença ...

Clínicas em Portugal são slot machines

O aborto ilegal potencia a corrupção e há clínicas em Portugal que são autênticas “máquinas de fazer dinheiro”, referiu Maria José Morgado durante uma conferência promovida pelo Grupo Parlamentar do PS.

A Procuradora Geral Adjunta deixou ainda acusações aos médicos e reconheceu que os problemas que estão na base do aborto vão subsistir mesmo com uma eventual alteração da lei.

Maria José Morgado defendeu hoje que o aborto ilegal é um "negócio de dinheiro sujo" que potencia a corrupção, comparando algumas clínicas que realizam abortos em Portugal a slot machines.

"Há clínicas em Portugal que são «slot machines» de ganhar dinheiro", afirmou Maria José Morgado, numa conferência na Assembleia da República.

No entanto, alertou Maria José Morgado, "a lei não é uma varinha mágica", sublinhando que os problemas sociais na base do aborto vão subsistir.

"Mas é desejável que existam regras, maior controlo, a clandestinidade é o vale-tudo", afirmou Morgado.

A Procuradora-Geral Adjunta considerou a lei actual "injusta, excessiva e que não corresponde à censurabilidade social" da prática de aborto.

... E a da TSF

Aborto ilegal é «excessivo» e potencia a corrupção

A Maria José Morgado defendeu, esta quarta-feira, o «sim» no referendo ao aborto, porque a actual lei é «injusta e excessiva», embora considere que a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez não deveria ser «relativa».

Convidada no debate promovido pelo PS sobre o referendo ao aborto, no Parlamento, a Procuradora-Geral Adjunta disse que a «criminalização do aborto manter-se-á para além das 10 semanas», sendo assim uma «descriminalização relativa e limitada a um período temporal».

Para Maria José Morgado, a alteração da lei, que será referenciada a 11 de Fevereiro, é uma necessidade social, moral e jurídica.

«Esta duplicidade na unidade significa que a mulher é portadora do bem jurídico tutelado», embora seja «ela própria titular de direitos fundamentais protegidos da constituição e que têm eficácia directa» independentemente de qualquer outra norma da constituição, justificou, apresentando argumentos jurídicos.

Maria José Morgado defende ainda que o voto «sim» no referendo será também um voto na luta contra a corrupção, tendo em conta que «o aborto ilegal é um negócio que produz dinheiro sujo», não tributado e «que circula em canais clandestino».

sábado, janeiro 13, 2007

Para contrariar...


A Tivoli Audio propõe um regresso ao passado para redescobrir o prazer de ouvir rádio, contrariando a tendência do digital.
Em 2000 criou o Tivoli Audio Model One. Um receptor de rádio AM/FM com um altifalante de um lado, um botão de sintonia analógica do outro, um comutador AM/FM/AUX e outro de volume ao centro.
Hoje há já modelos para todos os gostos.
Lê-se na Dia D, a revista de economia do Público:
"Há modelos criados a pensar no ipod, com um berço específico; aparelhos que integram um relógio (analógico, claro!) (...)".
A ideia é voltar a ter prazer na escuta radiofónica, que o digital ainda não proporciona: cortes na transmissão via Internet, dificuldade de captação nos portáteis etc.

Anuncia a revista que o último modelo deve chegar a Portugal no próximo mês. Custará 990 euros !

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Rádios na net

Um trabalho interessante do El Mundo sobre as rádios na Internet. O texto faz uma abordagem à realidade espanhola e tem por título Las Ventajas de emitir desde la red - Las radios de Internet.

Obrigado ao Ricardo Batista pela dica.

sábado, janeiro 06, 2007

Fernando Correia II

O Rádio Clube não perdeu tempo. Fernando Correia saiu da TSF na quarta-feira e hoje já o Público notícia a sua contratação para a rádio de Luís Osório.

O jornalista, que começou a fazer rádio em 1956, acaba assim por voltar aos estúdios da Sampaio e Pina, de onde saiu em 1987 - na altura para ajudar a fundar a TSF, na equipa de Emídio Rangel. Fernando Correia esteve aos microfones do RCP entre 1974 e 1979, ano em que a estação deu lugar à Rádio Comercial.
(...)
O jornalista não adiantou qual é o novo desafio que o RCP lhe propôs - "A Bancada Central acabou. Não é isso que eu vou fazer", afirmou.


A noticia do Público adianta ainda que o novo projecto do Rádio Clube avança no dia 15 de Janeiro.

Num país de futebol ... uma rádio de futebol

A edição alargada de Bola Branca, na Renascença, que foi para o ar na sexta feira depois das 22h30 teve quase meia hora de duração. Jesualdo, mais Jesualdo, depois o Benfica no Dubai, ainda a Taça de Portugal etc, etc. Houve tempo para tudo do mundo da bola.

Do Dakar que começava no dia seguinte. Em Portugal. Com o maior número de participantes nacionais. Dois minutos !!!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

RDP África com mais duas frequências

A RDP África vai passar a emitir também para Coimbra e Faro em virtude da atribuição, por parte do Governo, de duas frequências regionais. As outras rádios não gostaram. Ficam aqui os argumentos estampados no Diário de Notícias:


Os operadores de rádios privadas estão contra o despacho governamental, de 28 de Novembro de 2006, que atribuiu à RDP África duas novas frequências regionais em Faro e Coimbra.

José Faustino, da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), considera que "neste momento era preferível não atribuir frequências, pelo menos até se mexer na Lei da Rádio ou fazer alterações".
A mesma opinião tem José Fragoso, director da TSF, uma vez que não percebe "porque é que a RDP há-de ter mais frequências e ainda por cima por um decisão administrativa".

José Luís Ramos Pinheiro, administrador do Grupo Renascença, levanta várias questões em torno desta decisão: "Será mais uma linha de estatização de que o Governo tem dado provas?", "deve-se a razões de serviço público?" ou "será que o Governo anda a confundir serviço público com serviço prestado pelo Estado?"

A atribuição das licenças à RDP África, para passar a emitir a partir de Faro e Coimbra, deveu-se a "uma cobertura limitada a Lisboa e à pretensão de alargar o serviço para que seja prestado por todo o País", justificou ao DN o ministro da tutela, Augusto Santos Silva.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Uma mão cheia de questões para 2007

Pergunta UM - O Rádio Clube vai ser de facto uma rádio generalista, ou Luís Osório não quis dizer que se trata de uma rádio informativa que vai concorrer directamente com a TSF?

Pergunta DOIS - Que rádio local vai deixar de o ser em 2007? Em 2006 foi a vez da Rádio Mais (Amadora) e da Rádio Ocidente (Sintra). Pelo menos estas. Na Grande Lisboa ainda há meia dúzia delas que se mantêm fiéis ao princípio. 2007 trará mais baixas?

Pergunta TRÊS - Haverá efeito de contágio na questão dos provedores? Darão as rádios privadas algum passo no sentido de criar provedores do ouvinte?

Pergunta QUATRO - E o DAB deixará de estar confinado à RDP ou alguém virá assumir que o sistema não tem vantagens suficientes para o FM português?

Pergunta CINCO – Como vai a Renascença tratar o tema da Interrupção Voluntária da Gravidez durante a campanha para o respectivo referendo?

terça-feira, janeiro 02, 2007

Doutoramento sobre auto-regulação no jornalismo

Joaquim Fidalgo, professor na Universidade do Minho e ex-provedor do Leitor do Público, vai defender naquela instituição, no próximo dia 5 de Janeiro, a sua tese de doutoramento cujo título é «O lugar da ética e da auto-regulação na identidade profissional dos jornalistas».

Embora não se focalizando em concreto na rádio, Joaquim Fidalgo aborda a figura do provedor e equaciona a auto-regulação com a emergência de novas realidades motivadas pelo uso das novas tecnologias de informação no campo do jornalismo (blogues, podcasting etc).

Num texto que recebi de Luís Santos (a quem agradeço) pode ler-se o seguinte:

"O trabalho toma como ponto de partida o estudo de uma das figuras da auto-regulação do jornalismo, o Provedor do Leitor, avançando depois para a tentativa de inscrever este objecto de estudo em contextos mais latos que ajudem a compreendê-lo, não apenas em si mesmo, mas na sua relação mais global com as exigências do processo de informação mediática nas sociedades contemporâneas e com o papel específico que nele desempenham os jornalistas. Assim, o provedor é analisado enquanto “caso exemplar” entre os mecanismos de auto-regulação dos media – ou seja, os processos voluntários de escrutínio e controlo da conduta dos meios de comunicação social.
(...)
Tendo em conta o contexto actual do jornalismo – que se vê perante a necessidade de equacionar a sua relação com a auto-edição (por exemplo, os blogs, podcasts ou videocasts), com a edição colaborativa (wikis) e com a produção alternativa de informação (os espaços do chamado ‘jornalismo cidadão’) – o autor sugere uma reflexão aprofundada sobre o que é mais característico e diferenciador da actividade jornalística e da sua particular incidência social, emergindo neste contexto a centralidade de uma particular exigência ética e deontológica, ligada menos ao “quem faz o quê, onde e quando”, e mais ao “como” se trabalha a informação da actualidade, “porquê” e “para quê”."
(...)
"O Júri da prova será composto pelos Doutores Aníbal Augusto Alves (Universidade do Minho), Moisés de Lemos Martins (Universidade do Minho), Manuel Pinto (Universidade do Minho), Helena Sousa (Universidade do Minho), Xosé Lopez Garcia (Universidade de Santiago de Compostela) e Estrela Serrano (Escola Superior de Comunicação Social)".

Boa sorte para Joaquim Fidalgo.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

2007 segundo a Renascença e 2006 segundo a Cadena Ser

Dois trabalhos para ouvir (e ver) no site da Renascença que perspectivam como vai ser 2007. Aqui e aqui.

E como foi 2006 no site da Cadena Ser. Resumen del Año

Um Bom Ano para todos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A campanha presidencial na rádio e na TV

O Diário de Notícias publica hoje um texto com as principais conclusões da Tese de Mestrado da jornalista Sandra Sá Couto. A investigadora analisou os noticiários das 20h00 das televisões RTP, TVI e SIC durante a última campanha eleitoral para a eleição do Presidente da República.

São interessantes as conclusões no que diz respeito à cobertura feita pela televisão, na medida em que algumas delas coincidem com um estudo que realizei e do qual resultou uma comunicação que apresentei no II Seminário Internacional de Jornalismo e Actos de Democracia que decorreu em Novembro, em Lisboa.

Analisei os noticiários das 9 horas das rádios Renascença, TSF e Antena 1 nos últimos dez dias de campanha. O meu trabalho não tem, como é óbvio, a dimensão de uma tese de mestrado, mas mesmo assim é interessante verificar que alguns dos resultados obtidos em relação à televisão também ocorreram na rádio.

Por exemplo:

O candidato Mário Soares foi aquele que mereceu mais tempo para a cobertura dos seus actos de campanha. Sucedeu na Televisão, conforme é dito no texto do DN, e na Rádio: 21,20% do tempo dedicado pelas três rádios à campanha eleitoral foi ocupado para noticiar informações sobre o candidato apoiado pelo Partido Socialista.

Sandra Sá Couto concluiu, entretanto, que foi com o candidato Cavaco Silva que os jornalistas das televisões preferiram abrir os noticiários das 20h. No caso da rádio é diferente, pois raramente RR, TSF ou Antena 1 abriram os noticiários das 9 com informações sobre a campanha. Contudo, no espaço dedicado à campanha no interior do noticiário, foi uma vez mais Mário Soares que mais vezes teve honras de abertura.

Outra semelhança tem a ver com o nível de mediação. Quer na televisão, quer na rádio o tempo dedicado para a emissão da voz dos candidatos é inferior à dos jornalistas. Há, porém, um dado que diverge de acordo com a notícia do DN. Se na televisão é frequente passar nas reportagens excertos de apoiantes, na rádio isso é praticamente inexistente. Excepção do candidato Mário Soares, cujos soundbites rivalizam com o dos apoiantes. Isto tem a ver com facto da rádio se ter “colado” ao discurso produzido nos comícios e de a partir de determinada altura o candidato apoiado pelo PS ter tido a seu lado elementos do Governo. Os jornalistas da rádio optaram por passar os excertos dos ministros em detrimento dos do candidato.

Outra semelhança tem a ver com o conteúdo das peças. Tal como na televisão, na rádio os jornalistas privilegiaram a estratégia e as críticas entre candidatos.

Por fim, também na rádio, Garcia Pereira foi o candidato menos noticiado.

terça-feira, dezembro 19, 2006

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Outros tempos ...

Chegou-me às mãos (Obrigado Sarah) uma das edições do dia 2 de Maio de 1945 do britânico Daily Mail. O jornal fala da morte de Hitler e o que salta à vista são as frequentes referências à forma como a rádio deu a conhecer ao mundo aquele facto, demonstrando que se tratava, na época, do principal meio de comunicação de massas.

Num artigo intitulado "Wagnerian concert of Death - 90 minutes of radio suspense" é feito o relato de como a rádio alemã deu a notícia ao Mundo.

"While the world waited in suspense, the solemn music of Wagner rolled out from the last stations of the Reich". A Rádio alemã esteve das 21 às 22h25 a adiar a notícia, lê-se no Daily Mail. Entre os frequentes avisos, "Achtung, achtung !", a rádio ia passando Wagner.

Depois noticiou: "(...) our Führer has fallen this afternoon in his command post in the Reich Chancellery fighting to his last breath against Bolshevism".

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Que papel para a rádio informativa ?

A opinião é unânime: "É na televisão que as pessoas têm o seu primeiro contacto com a informação, porque lêem poucos jornais". A conclusão é dos próprios directores da área informativa da RTP e da SIC.

Se é assim, que papel cabe à rádio informativa, tendo em conta que:

“La rádio será, pues, la primeira en suministrar la «primera notícia» de un acontecimento y ésta es una de las principales características del periodismo radiofónico” (Prado, 1985: 23).

“Rádio news is everywhere – in the car, at home, in offices, on the street, in restaurants and stores – everywhere” (Bartlett, 1995:30).

Conceitos de rádio desactualizados ?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Mais sobre o novo RCP

A conta gotas vamos conhecendo mais alguns pormenores acerca do projecto do novo Rádio Clube.

No programa Clube de Jornalistas, Luís Osório, director da estação, para além de ter adiantado o nome do pivot das manhãs informativas, João Adelino Faria, que será também director-adjunto, anunciou que já foi contratado outro jornalista para as noites, que Osório pretende que sejam "um espaço nobre e de culto na rádio em Portugal".

Outra informação que me parece relevante é o facto do Rádio Clube passar a desdobrar as suas emissões em programas locais a emitir, entre as 12 e as 17h, em cada uma das emissoras locais pertencentes ao RCP.

De acordo com o jornal Público, as manhãs informativas do Rádio Clube vão estender-se até às 12h, quando o mais comum é terminarem depois do noticiário das 10h.

Julgo, contudo, que o mais importante é verificar o que o Rádio Clube fará na prática com tantas ideias e em relação a um aspecto em particular: as potencialidades do meio Rádio para marcar a agenda do dia.

Ribeiro Cardoso, o pivot deste programa do Clube de Jornalistas, introduziu o tema: As rádios abrem noticiários com as manchetes dos jornais. Osório concordou: "A rádio deixou de ter notícias próprias. A agenda da rádio é a agenda das agendas".

É injusto generalizar, mas em boa parte isso sucede e, por isso, a verdadeira pedrada no charco na informação radiofónica em Portugal, julgo, deverá passar por inverter esse cenário.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

João Adelino Faria no RCP

A informação está no site do Clube de Jornalistas. A tal figura de referência do jornalismo português a contratar para as manhãs do Rádio Clube é João Adelino Faria.

O programa do Clube de Jornalistas de hoje é dedicado à importância da informação na rádio. Foi na gravação do programa que Luís Osório revelou que JAF seria o pivot das manhãs do Rádio Clube. O programa começa, mais ou menos, às 23h30.

Leituras

Duas comunicações sobre podcasting apresentadas no III Congresso Online do Observatorio para la Cibersociedad que terminou no passado dia 3 de Dezembro.


Podcasting: origem, tendências e influência em uma comunicação mais livre da autoria de José António Gelado, considerado o primeiro podcaster espanhol.

Podcasting:uma nova forma de transmitir a informação da autoria de Joan Frígola Reig.

terça-feira, dezembro 05, 2006

RTP cria conteúdos para cegos

É uma iniciativa que se saúda. O site da RTP passou a incluir uma versão áudio de alguns dos seus conteúdos para pessoas com necessidades especiais.

A notícia vem na newsletter do Meios e Publicidade:
De acordo com as informações avançadas pelo operador de serviço público, o serviço ontem estreado, e que não requer qualquer tipo de instalação, “consiste na vocalização dos conteúdos apresentados no normal formato de texto, referindo-se portanto a notícias, programações de televisão e rádio e outros conteúdos“.

Os conteúdos estão aqui.

domingo, dezembro 03, 2006

O primeiro ano

Assinalo hoje o primeiro ano de vida deste blogue. Agradeço a todos os que por aqui têm passado.

sábado, dezembro 02, 2006

A Renascença, o aborto e o jornalismo

Seria de esperar que um tema como o referendo ao aborto suscitasse uma série de debates paralelos relativamente à matéria principal. E um desses debates será (e já está a ser) a forma como os media fazem a sua cobertura noticiosa.

A Rádio Renascença optou por assumir publicamente a sua posição que é próxima à da Igreja Católica, o que naturalmente (digo eu) não surpreende. A posição tomada numa nota que está disponível no site da emissora suscitou algumas reacções que julgo poderem dividir-se em duas visões:

A primeira tem a ver com o tornar claro aos olhos da opinião pública as mensagens difundidas, neste caso, pela Rádio Renascença. Ou seja, se a emissora assume uma determinada posição numa questão, então as mensagens por ela difundidas passam a ser melhor percepcionadas pelos ouvintes em face desse posicionamento. E quem não gosta muda de canal.

A segunda tem mais a ver com a preservação de um conjunto de valores (alguns deles considerados sagrados) da classe jornalística. Quer isto significar que os meios de comunicação social existem para informar e não para tomar posições acerca das matérias.

A Renascença quer estar nos dois lados da questão. Ou seja, por um lado assume-se como defensora do Não, mas por outro refere que Nos seus espaços informativos, a Renascença actuará com a objectividade própria dos meios de comunicação social. Saberá, por isso, ouvindo as diversas partes, distinguir factos e propaganda; notícia e opinião.

Será isto possível?

A cobertura que a RR tem feito ao acontecimento em termos informativos sugere-me três tendências:
1 – o tratamento seguindo uma perspectiva religiosa do tema divulgando com frequência a posição da Igreja Católica. Dois exemplos:
Primeiro , Segundo .
2- reforço da perspectiva do Não, por exemplo no dia da aprovação da proposta de referendo no parlamento, no noticiário das 18h ouviram-se declarações de deputados do PS que votaram contra e de seguida a RR deu conta de uma nota de D. José Policarpo;
3- posição favorável ao Não manifestada, em espaços de opinião, por jornalistas com responsabilidades editoriais. Por exemplo a opinião da editora de política, Angela Silva.

Deve-se, contudo, fazer notar que a cobertura noticiosa que a Renascença fez no passado dia 29 durante o noticiário das 20h, em que acompanhou a comunicação do Presidente da República, em nada ficou a dever à da TSF e Antena 1. Directo da comunicação de Cavaco Silva e depois uma ronda pelas principais reacções, do Sim ao Não e da esquerda à direita.

Para acompanhar esta matéria aqui, aqui e aqui .

domingo, novembro 26, 2006

Jornalistas portugueses no podcasting

Para além de Sena Santos, há mais jornalistas no universo do podcasting nacional. Paulo Nuno Vicente e Rita Colaço, jornalistas da Antena 1, editam desde o início do mês o Pó de FM

Escrevem os autores na apresentação do podcast:
"(...)o que fica no ouvido depois de assentar o pó das notícias. Podcast dos jornalistas da Antena 1, Paulo Nuno Vicente e Rita Colaço. A rádio que vive na margem dos dias".

Quem conhece mais podcasts criados por jornalistas portugueses ?

quarta-feira, novembro 22, 2006

Rádio Clube comemora 75 anos

O Rádio Clube Português completa hoje 75 anos de vida. A emissora está a realizar uma longa emissão comemorativa da data.

Numa primeira audição, nas primeiras horas da manhã, retive as seguintes notas divulgadas pelo director da estação, Luís Osório sobre o novo formato do Rádio Clube que estará no ar, segundo Osório, a partir de Janeiro.

O director começou por reforçar a ideia de que o Rádio Clube será uma rádio "generalista, mas com muita informação". A estação terá a partir do início do próximo ano, "um grande programa da manhã" que Osório classificou como sendo "um programa jornalístico, com debate e polémica".

No decorrer do programa comemorativo dos 75 anos de vida do RCP, o director da estação não quis, contudo, avançar com o nome de quem vai ser o coordenador das manhãs da estação. "Será uma figura de referência no jornalismo".

Luís Osório manifestou ainda a intenção de fazer uma rádio que crie a sua própria agenda, afastada da agenda mediática que propõe sistematicamente os mesmos temas.

A emissão comemorativa inclui uma série de depoimentos de personalidades nacionais, como Cavaco Silva ou Jorge Sampaio e entrevistas a antigos profissionais da estação. Recupera sons históricos que, só por essa razão, vale a pena sintonizar a estação durante o dia de hoje.

O Público e o DN publicam hoje textos sobre os 75 anos do Rádio Clube.

Incontornável é também a leitura do livro de Rogério Santos, "As Vozes da Rádio", onde o autor aborda os pioneiros da radiodifusão portuguesa. A obra possui um interessante capítulo sobre o Rádio Clube Português.

sábado, novembro 18, 2006

Colóquio do IREN

Paula Cordeiro faz um resumo do que se discutiu no último colóquio do Internacional Radio Research Network (IREN) que se realizou em Bruxelas entre os dias 8 e 10 de Novembro.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Seminário de Jornalismo e actos de democracia

Decorreu no início da semana o II seminário Internacional de Jornalismo e Actos de Democracia, promovido pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo.

Das inúmeras comunicações ali apresentadas retiro a conclusão (talvez arriscada dada a diversidade de perspectivas ali postas a discussão) de um aligeiramento do tratamento jornalístico de actos de democracia como campanhas eleitorais, congressos partidários ou fins de mandato, próximo do registo do entretenimento, enfatizando o espectáculo e a dramatização do discurso.

Os campos da mediatização da política ali analisados situaram-se sobretudo na imprensa e na televisão. A rádio, de que se fala neste blogue, foi pouco abordada. Eu apresentei uma comunicação com o título Os sons da campanha presidencial de 2006 – Uma análise ao discurso jornalístico da cobertura radiofónica cujas ideias principais colocarei num dos próximos posts.

Sugiro ainda a leitura do artigo de Mágda Rodrigues Cunha intitulado Campanhas políticas e tecnologias digitais publicado na revista Comunicação e Cultura nº2 da Universidade Católica e que foi apresentada numa das sessões do seminário. A autora refere-se com frequência ao papel da rádio na comunicação política.

Dada a escassez de rádio no encontro, o blogueiro fica-se por aqui, mas sugere o blogue Indústrias Culturais, no qual Rogério Santos (que apresentou uma excelente comunicação sobre a cobertura de congressos partidários) disponibiliza uma série de vídeos sobre o seminário.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Mega FM Sintra já emite

Segundo o Meios e Publicidade, a Mega FM Sintra já iniciou as suas emissões. A rádio pode ser ouvida em 88.0.

Lê-se na notícia:
De acordo com o grupo, esta emissora conta com “200 mil potenciais jovens ouvintes”, sendo que a emissão da Mega FM Sintra vai ter “uma importante componente local, focando o património, a vida, os locais e os ambientes” da região.

sábado, novembro 04, 2006

O ensino do jornalismo visto pelos estudantes

O ensino do jornalismo e o acesso à profissão são temas recorrentes e que têm estado na agenda de professores, estudantes e jornalistas. No início, a questão centralizava-se em saber qual a melhor formação para os jornalistas: A tarimba ? ou a formação superior ? Agora questionam-se sobretudo duas coisas: que cursos superiores de jornalismo? e que oferta de emprego para as centenas de jovens que anualmente ingressam nos cerca de 30 cursos existentes em Portugal ?

Perto de uma centena de estudantes de jornalismo e comunicação estão reunidos em Leiria para discutir estas e outras questões relacionadas com a sua formação e futuro profissional.

No painel “O ensino da comunicação em Portugal: Que cursos? Que profissionais? Que futuro?”, no qual participei, retive as seguintes notas que emergiram do profícuo debate ali produzido.

Os alunos de jornalismo e comunicação manifestaram a sua preocupação com a aplicação do processo de Bolonha que inevitavelmente trará consequências para a sua formação. Questionaram, sobretudo, se o sistema que os co-responsabilizará no desenho do seu currículo formativo é o mais adequado. Fará sentido que o aluno tenha uma formação geral principal na área da comunicação e outra, de menor relevância, noutra área científica oferecida pela instituição de ensino? Questionou uma estudante da Universidade do Algarve.

Das várias questões levantadas pelos estudantes destaco estas:
Qual a importância de possuir um curso superior de comunicação para o exercício do jornalismo? Qual a razão para a desadequação dos cursos face à realidade, tendo em conta o grande peso da teoria quando comparada com a prática? E por fim, qual a área da comunicação com mais oferta de emprego?

Mas a principal inquietação dos estudantes teve a ver com os estágios, nomeadamente a forma como os alunos são recebidos nas redacções ou gabinetes de comunicação, o aproveitamento que é feito do “trabalho gratuito” e a falta de formação dos jornalistas ou profissionais da comunicação para acolher e perceber a especificidade de um estágio curricular. Foi até proposta a criação de um ranking público de empresas como forma de clarificar quais os melhores e os piores locais de estágio.

O encontro decorre até domingo na Escola Superior de Educação de Leiria.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Sena Santos

Aqui há semanas Eduardo Prado Coelho escrevia no Público como considerava importante o regresso de Sena Santos à rádio. "A uma qualquer rádio", escreveu Prado Coelho.

Sena Santos regressou, anunciou o blogue Chão de Papel. Regressou a uma qualquer "rádio". À nova rádio (será ?) Sena Santos pode ser ouvido em podcast.

Assim vai o Mundo são crónicas nas quais Sena Santos nos diz a actualidade num estilo inconfundível. A não perder.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Mais ouvintes para a rádio ...

Continuam os altos e baixos dos números da rádio portuguesa. A Marktest anuncia que entre Julho e Setembro de 2006, a rádio ganhou 13 mil ouvintes em relação ao período homólogo de 2005.

Entre as mais ouvidas não há grandes novidades: o grupo Renascença assume-se como o líder com a RFM e o Canal 1 nos dois primeiros lugares.

O Público e o Meios e Publicidade têm os detalhes.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Podcomer nomeado para BOB

O blogue do podcast Podcomer de Andréia Alonso está entre os nomeados para o Best of the Blogs Awards promovido anualmente pela rádio Deutche Welle. A notícia vem hoje no Público.

O blogue serve de suporte ao Podcast que foi um dos primeiros a aparecer no cenário português e até à data, o único de culinária. Andréia Alonso esteve num encontro de podcasting realizado na Escola Superior de Educação de Portalegre. Parte da sua intevenção pode ser ouvida aqui.

Para além deste blogue, está também nomeado o Diário de um Quiosque de Pedro Silva.

Os resultados serão divulgados no dia 11 de Novembro, mas desde já os parabéns para ambos os autores.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Leituras

O artigo sobre podcasts na educação que resulta da comunicação apresentada por Adelina Moura e Ana Amélia Carvalho no 3º Encontro de Weblogs que recentemente decorreu no Porto. O texto está publicado na revista Prisma.com e tem por título: Podcast: Potencialidades na Educação.

O artigo que Paula Cordeiro assina na revista Media XXI. O texto não está online, mas a autora colocou-o no blogue Netfm. O artigo faz referência ao surgimento da rádio Quimica FM.

O artigo do Correio da Manhã em que se fala dos provedores da rádio e da televisão pública e das remotas possibilidades do sector privado vir a adoptar ombudsmen num futuro próximo.
Privadas: estações de TV e Rádio descartam cargo
Não aos provedores

sexta-feira, outubro 13, 2006

Mega Sintra

Interessantes os comentários ao post em que falo da nova Rádio da Renascença, a Mega Sintra. Parece-me interessante sublinhar que ainda há quem queira defender a sua rádio local. Julgava que isso já tinha acabado !!!
De facto também tenho dúvidas acerca do conceito a seguir: a programação da actual Mega com informação local fará mesmo sentido tendo em conta o público a que se destina ?

Para ouvir, em breve...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Também eu lá estarei a ouvir

Passou-me ao lado durante a leitura rápida dos jornais da manhã, mas o blogue Jornalismo e Comunicação deu a correcta atenção ao artigo desta segunda-feira de Eduardo Prado Coelho, no Público.
Escreve o professor universitário a propósito de Sena Santos:

Passaram já alguns anos, Sena Santos desapareceu de circulação e a verdade é que muitos já nem se lembram dele. (...) Creio que é altura de termos de novo Sena Santos no programa da manhã de uma qualquer rádio - eu lá estarei a ouvir.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Act. - Cinco novidades e duas confirmações... e uma nova rádio no ar dentro de três semanas

O final de Setembro e o início de Outubro têm trazido novidades para a rádio portuguesa.

Novidade Um - A renovação da Rádio Renascença com o objectivo de captar novos ouvintes na faixa etária entre os 35 e os 54 anos. Daquilo que já ouvi, noto alterações na programação musical que me parece mais próxima de outras rádios e no excesso de personalização da locução (própria das rádios dirigidas a um público mais jovem). Se é audiências que a RR quer, pode ser que cumpra os objectivos, pois a aposta é num formato padronizado. Esbatem-se as diferenças entre rádios. Cada vez mais.

Novidade Dois - A TSF apresentou a nova grelha de programação. Mais comentário (embora com as vozes de sempre), um novo programa de entrevistas e um outro com o título sugestivo: "Mais cedo ou mais tarde - poderia ser notícia" com apresentação de João Paulo Menezes. Já ouvi e achei interessante. A renovação do discurso é, do meu ponto de vista, sempre positivo. Na verdade JPM leva à antena temas e vozes que nunca seriam notícia. É bom que apareçam.
Já agora João Paulo, o Rádio.com volta ou não volta ?

Novidade Três (ou a confirmação UM) - O Rádio Clube Português vai ser uma rádio de informação. A partir de Janeiro. O projecto, conta o JN, será apresentado no dia 22 de Novembro. O mesmo jornal adianta que já estão a ser contratados jornalistas. Já se esperava. Vamos ver no que dá, mas para quem gosta de informação na rádio, a notícia é positiva.

Novidade Quatro (ou a confirmação Dois) - Sintra perdeu mesmo a sua rádio local. De acordo com o Meios e Publicidade, a Rádio Ocidente “vai ser uma rádio rejuvenescida e inserida no projecto da Mega FM”. O que é que isto quer dizer ?
Act. Quer dizer, segundo o Jornal Público e o Diário Digital, que se trata da Rádio Mega Sintra e que deverá estar no ar dentro de três semanas. Terá uma vertente de informação local virada para o concelho de Sintra.


Novidade Cinco - A Rádio Renascença está a ponderar a criação de um quarto canal destinado a um público sénior.

segunda-feira, outubro 02, 2006

As rádios piratas na imprensa nacional III


Depois de muita discussão, avanços e recuos, a lei que legaliza a radiodifusão local foi finalmente aprovada. Mas, as emissoras locais não começaram a emitir sem uma nova polémica. É que, enquanto decorresse o concurso público para a atribuição de frequências, as rádios piratas teriam de deixar de emitir. Alegava o governo que a medida servia, essencialmente, para não perturbar o processo de avaliação das candidaturas.

A medida foi recebida com insatisfação pelos responsáveis das rádios que se queixavam dos prejuízos decorrentes de uma pausa, que verdadeiramente, ninguém saberia quanto tempo iria durar. As rádios tiveram mesmo que suspender as emissões no dia 24 de Dezembro de 1988.

O artigo do Diário de Lisboa de Março de 1989 noticia o regresso das rádios locais, agora devidamente enquadradas na lei.

O «presente de Natal» foi o seu encerramento; o «ovo da Páscoa» traz dentro a reabertura. As «ondas» de Lisboa vão ficar mais alegres com o regresso das «Rádios Locais». A «Correio-da-Manhã-Rádio» já está a emitir. Na próxima semana chegarão a TSF e a«Rádiogeste».

Com a legalização das emissoras locais, o país conheceu um cenário radiofónico assimétrico. No litoral faltaram frequências para o número de candidaturas e no interior, emissoras houve que nunca chegaram a emitir por falta de condições. Algumas dessas frequências continuam ainda hoje por ocupar.

quinta-feira, setembro 28, 2006

O provedor do ouvinte no CJ

Algumas ideias do provedor do ouvinte deixadas ontem no programa Clube de Jornalistas.

- 1/4 das queixas recebidas dizem respeito à Antena 1.
- O horário do programa "Em Nome do Ouvinte", que vai para o ar ao Sábado na Antena 1 depois da uma da tarde, não é do agrado de José Nuno Martins.
- José Nuno Martins considerou grave o facto de 5% das queixas recebidas terem a ver com o uso da língua portuguesa
- O Provedor entende que existe na Antena 1 um excesso de desporto e em particular de futebol.
- 13% das queixas recebidas reportam-se às escolhas musicais da RDP.
- A maior parte das queixas recebidas não se referem a questões do foro ético ou deontológico dos jornalistas, mas sim a modelos de programação da rádio pública.
- José Nuno Martins considera que os profissionais de rádio estão pouco habituados à crítica aludindo ao facto de haver mais contribuições académicas e discussão pública sobre a televisão do que sobre a rádio.
- José Nuno Martins considerou, por fim, que a adopção do modelo de dois provedores para a rádio (um para o jornalismo e outro para a programação) não é o adequado e só contribuiria para "defender os interesses corporativos dos jornalsitas".

A propósito deste último ponto, já aqui defendi precisamente o contrário.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Mais um relato a partir do estúdio ?

Quem ouviu o relato do Spartak de Moscovo- Sporting na TSF ter-se-á apercebido do pouco ritmo, do pouco entusiasmo, da pouca emoção da narração. Os golos foram gritados cinco ou seis segundos depois de acontecerem!!!

Mais um relato via televsão? Se assim foi, gostaria de ter recebido essa informação. Não a ouvi na antena da rádio.

segunda-feira, setembro 25, 2006

A renovação da Renascença

O Público e o Correio da Manhã publicam hoje notícias que dão conta da renovação da Rádio Renascença.

O Correio da Manhã escreve que:
A nova onda, que estará no ar a partir de amanhã, define-se em poucas palavras: nova sonoridade e mais e melhor Informação, enquadrando-se, por exemplo, neste vector o debate que reunirá Jorge Sampaio, D. José Policarpo e uma terceira figura, ligada ao PSD

No Público (só para assinantes) pode ler-se: A Rádio Renascença estreia hoje uma nova filosofia de sonoridades - como jingles, separadores, genéricos de programas - e algumas pequenas rubricas de humor ao longo do dia, integradas no processo de reestruturação da emissão.

Uma escuta rápida da RR já permitiu ouvir hoje os novos sons da Renascença.

Apontamentos sobre o provedor do ouvinte (algumas notas prematuras)

O programa Em nome do Ouvinte do provedor da rádio pública portuguesa vai já na sua terceira edição e, embora reconheça ser prematuro, deixo aqui algumas notas que me parecem constituir-se como uma tendência da acção de José Nuno Martins:

1º O programa está, quanto a mim, bem elaborado: a alternância de vozes (a feminina é excepcional) e a introdução de jingles empresta um ritmo interessante ao espaço radiofónico com pouco mais de 15 minutos.

2º Em cada programa, José Nuno Martins analisa duas queixas (na última edição analisou apenas uma) e fá-lo com o recurso a uma série de instrumentos próprios da figura do provedor.
Expõe o caso, recorrendo à carta ou mail do ouvinte, utilizando para tal um dos colaboradores do programa. Recupera sons que estão na base da queixa, enquadrando os ouvintes no tema em análise. Ouve os responsáveis pela estação visados na queixa, mas julgo que seria importante ouvir também os autores das peças. Por exemplo, no último programa JNM fala da «incauta repórter» e da «inocência que a repórter revelou». Seria interessante saber a opinião da repórter no caso em apreço, até pelo facto de se tratar de um directo.
E por fim, decide, por vezes recorrendo à teoria, como sucedeu no programa inaugural ou à legislação, no caso da edição do último fim-de-semana.
É igualmente frequente, os provedores recorrerem a peritos em determinadas matérias de forma a sustentarem a sua decisão ou a instrumentos do foro deontológico da profissão de jornalista ou do órgão de comunicação social.

3º Interessante é a tentativa que é feita no sentido de passar “de viva voz” no programa a queixa dos ouvintes. Potencia a rádio enquanto meio de comunicação social, mas o risco é grande pois tal prática ainda só foi conseguida no primeiro programa. Nos restantes, José Nuno Martins limitou-se a dizer que não foi possível recolher as ditas declarações. A exposição é maior se se ouvir a voz do que simplesmente escrever uma carta. Os ouvintes “queixosos” percebem isso.

4º Das cinco queixas já analisadas no programa, três dizem respeito ao conteúdo radiofónico (duas jornalísticas e outra de programação), uma às condições técnicas (recepção de sinal) e uma última relacionada com o próprio provedor enquanto profissional de rádio. É uma tendência que me parece ir ao encontro da acção de outros provedores de rádio. A estas acrescento outro tema recorrente noutros ombudsmen: o uso da língua.

5º O Provedor adoptou um sistema misto de acção: Programa radiofónico e resposta aos ouvintes via mail ou correspondência. Acresce ainda a possibilidade que nos dá de ouvir o programa em arquivo ou subscrevê-lo no formato podcast através da página do provedor. Provavelmente ainda é cedo para isso, mas a criação de um blogue seria extremamente interessante. Neste capítulo, José Nuno Martins e o seu gabinete, têm estado a fazer um excelente trabalho. Outros ombudsmen de rádio não nos facultam todas estas formas complementares à versão hertziana.

6º Julgo que, nesta fase embrionária do programa, José Nuno Martins tem conseguido ser um mediador entre os ouvintes e a Rádio, pedagógico e crítico apontando erros e práticas que considera incorrectas nos profissionais da estação, por vezes de forma bastante directa como neste exemplo em que se refere à Antena 2: «E também existem razões de sobra para que alguns ouvintes se manifestem cansados com os tiques de algumas figuras de antena ou com as cliques lisboetas dos amigos repetidamente trazidos às emissões nacionais da Antena 2».

domingo, setembro 24, 2006

A rádio e a Internet

Consulta obrigatória: As rádios portuguesas e o desafio do (on) line. Trata-se de um estudo do Obercom realizado por Gustavo Cardoso, Rita Espanha e Sandra Amaral que analisa a forma e o conteúdo das páginas da rádio portuguesa na Internet.

O estudo insere-se num trabalho mais vasto que pretende analisar o “O Impacto da Internet nos Mass Media Portugueses”. Neste working Report, os investigadores concluiram que:

- existe hoje uma cultura organizacional favorável ao uso da Internet no contexto radiofónico português.
- A rádio é hoje o media que em Portugal melhor explorou as potencialidades da Internet.
- A rádio é um exemplo de como o surgir de uma nova tecnologia, neste caso a Internet (mas também o telemóvel e os sms), pode ser apropriado com o intuito de rejuvenescer um media ao mesmo tempo que potencia algumas das suas características mais singulares.

Um documento a importante a não perder.

quinta-feira, setembro 21, 2006

As rádios piratas na imprensa nacional II


O aparecimento das rádios piratas em Portugal pode ser dividido em dois períodos distintos. O primeiro, situado entre 1977 e 1984, caracteriza-se pelo surgimento de pequenas emissoras sem grande expressão e com o objectivo principal de marcar um território. Afirmavam-se como uma nova forma de expressão.
Imperava o gosto pela rádio, sem outras ambições (com raras excepções) e com projectos de “vão de escada”. O Jornal “O Ponto”, em 1981, reproduz um diálogo curioso que, inadvertidamente, saiu pelo microfone e que demonstra a forma como as rádios emitiam.
Voz de mulher – Vai apagar o lume
Voz de homem (que conduzia o programa) – Agora não, estou no ar.
No segundo período, que situaria entre 1985 e 1989, encontramos já emissoras com outras pretensões, muitas delas com investimentos consideráveis, como foram os casos do Correio da Manhã Rádio ou da Rádio Geste.

A Revista do Expresso fez, em 1987, uma viagem ao mundo das rádios livres e encontrou 419 emissoras. No artigo, assinado por Fernanda Barão, traça-se o seguinte cenário em relação aos que, na altura, davam voz aos programas das rádios piratas:
“(…) do padeiro ao barman, do polícia ao magistrado, do militar ao funcionário municipal, do teólogo ao filósofo, passando pelo químico, pelo fotógrafo, pelo cabeleireiro”.

terça-feira, setembro 19, 2006

As rádios piratas na imprensa nacional


Da Europa chegavam notícias que davam conta da velocidade com que as rádios livres se expandiam em países como a Itália ou França. Em Portugal, desde o final dos anos 70, que alguns pioneiros tinham começado a emitir programas de rádio de cobertura local.
A Rádio Juventude, surgida em 1977 na Grande Lisboa, terá sido a primeira rádio pirata portuguesa. Apesar da enorme simpatia com que boa parte da população, associações locais e alguns autarcas viam o surgimento do fenómeno, a verdade é que o processo que conduziu à legalização das rádios locais em Portugal foi demorado e complexo.

A isso faz referência este artigo publicado no Jornal de Notícias em 1983. As intenções de descentralização do discurso radiofónico contrastavam com as dificuldades sentidas no plano legal para a implementação destas pequenas emissoras.

Nesta altura, discutia-se também o conceito que deveria enquadrar as rádios que começavam a aparecer um pouco por todo o país.
No artigo do JN pode ler-se: “(…) nem todas as rádios livres se consideram estritamente «locais». Há quem tenha um entendimento diferente do fenómeno Rádio (livre?), quem sonhe (?) com a liberalização das ondas do espectro radioeléctrico para instalar não um posto emissor, mas uma cadeia de emissores, numa dada região do território nacional”.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Revisão da matéria !!!

No regresso à blogosfera sublinho três notas que me parecem importantes:

1ª - A questão que João Paulo Meneses levanta no seu blogue sobre os relatos de futebol feitos a partir do estúdio . São os constrangimentos financeiros a ditar as regras. Depois da imprensa, que também faz "reportagens" a partir da Lusa, agora a rádio. Perdem os relatos, naquilo que possuem de espontâneo e emoção, mas pior é o facto do ouvinte não ser previamente informado do facto.

2º - O interessante post que Luís Santos colocou no blogue Atrium com o sugestivo e tranquilizador título "O fim da rádio não é para já". De facto tenho a ideia que a rádio deve ser o meio de comunicação ao qual fizeram mais funerais !!! A avaliar pelo texto a que Luís Santos se refere ainda não é desta. E ainda bem. A não perder. Aqui .

3º Por fim, saúdo o início do programa do provedor de rádio "Em Nome do Ouvinte". Na primeira edição, que foi para o ar no dia 9 de Setembro José Nuno Martins apresentou o programa e as funções do Provedor. Fez referência ao facto de já ter recebido 160 queixas e destas escolheu duas para comentar no programa de estreia.

A primeira decisão do provedor da rádio portuguesa teve como enfoque a reportagem "A Guerra pela Paz" da autoria de Paulo Nuno Vicente sobre o hezbollah. Uma ouvinte considerou que a Antena 1 tem tido, no conflito Israelo-libanês, uma atitude parcial, a favor da posição libanesa. O provedor lembrou-nos excertos da reportagem, citou a teoria (Eduardo Meditsch e Walter Benjamin), ouviu o director de informação e decidiu a favor do trabalho jornalístico. Interessante foi o facto do provedor ter recorrido ao som da própria ouvinte que expôs a queixa. No meio radiofónico o som é fundamental por isso, pareceu-me interessante ouvir a própria ouvinte em vez de ser um jornalista a ler a queixa que chegou por escrito.

O provedor respondeu, por fim, aos ouvintes que questionaram as suas intervenções enquanto participante do programa "Artistas da Bola". Este Sábado há mais.

quarta-feira, agosto 16, 2006

segunda-feira, agosto 14, 2006

As normas do provedor de rádio

No site da RDP já estão disponíveis as normas para a elaboração de textos a dirigir ao provedor de rádio.

Ou seja, para que o Ouvinte veja a sua mensagem tratada (porventura, até apresentada no Programa do Provedor do Ouvinte ), será obrigatório preencher os campos de identificação, tanto em mensagens enviadas por Fax como por Correio Postal, indicando o Nome, o Telefone, o Endereço de Fax / Correio Postal, tal como é identicamente exigido no contacto por e-mail.

Outras normas: o provedor não aceitará textos manuscritos com mais de uma página, nem mails com mais de 2200 caracteres.

Pede-se, por isso, poder de síntese aos ouvintes da rádio pública ! E alguma paciência mais, uma vez que o provedor ainda não tem reunidas as "condições logísticas para tratar todas as mensagens recebidas".

No mesmo site, é dito, contudo, que a estreia do programa do Provedor do Ouvinte deverá ter lugar no dia 9 de Setembro depois da uma da tarde.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Audiências de rádio

Vale a pena passar por um conjunto de textos acerca da mediação de audiências de rádio. Todos eles críticos face ao modelo ainda adoptado em Portugal e que, de facto, levanta algumas questões.

Maria Fernanda Lima, do blogue A Nossa Rádio , deixou um comentário ao post anterior (também pode ser lido no seu blogue) no qual questiona a validade dos actuais estudos de audiência.
Vai no mesmo sentido o post de Jorge Guimarães Silva.
João Paulo Meneses questiona a ausência de reflexo da cobertura do Mundial de futebol em particular na Antena 1 e considera que é preciso alterar o método.
Rogério Santos parte do post de Maria Fernanda Lima e sublinha as limitações inerentes ao método actualmente utilizado pela Marktest, que não analisa o universo representado pelos ouvintes com telemóvel ou com outras redes fixas de telefone.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Portugueses ouvem menos rádio

De acordo com o Bareme Rádio da Marktest, os portugueses estão a ouvir menos rádio. Segundo o estudo a Audiência Acumulada de Véspera no segundo trimestre de 2006 caiu 6,1% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Onde não há novidades é em relação à rádio mais ouvida em Portugal que continua a ser a RFM com 12,7% de AAV, apesar da queda de 2,3% em relação ao mesmo período de 2005. No segundo posto continua a Renascença (9,6%), depois a Comercial (7,6%), a Cidade FM (5,2%), a TSF (4,8%)e a Antena 1 com 4,5% de AAV. De referir ainda o Rádio Clube Português que registou a maior quebra (36,1%) - apesar das alterações verificadas na sua programação - em relação ao mesmo período do ano passado, situando-se agora nos 2,3% de AAV.

Regista-se, claro está, a quebra de ouvintes na rádio em Portugal.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Os públicos na rádio, segundo o Obercom

Chegou-me ao mail a newsletter de Agosto do Obercom. É feita uma referência ao estudo daquele Observatório intitulado “Públicos e Consumos Media: Imprensa e Rádio – Working Report”.

Os dados referentes à rádio podem ser consultados aqui.

sexta-feira, julho 28, 2006

Programas de antena aberta, uma vez mais

A revista Visão publica na edição desta semana um interessante artigo sobre os programas de antena aberta da Rádio portuguesa. No texto, assinado por Paulo Pena, são referidas várias "estórias" dos bastidores deste tipo de programas.

Visões, várias, de apresentadores, directores e participantes nos programas. A peça tem como título "A Voz do Povo" e no superlead pode ler-se: "Os fóruns da rádio e da televisão estão cheios de cidadãos com opinião. A Visão foi conhecer os bastidores destes «programas de cidadania»".

Merece também uma atenção o artigo de opinião de José Carlos de Vasconcelos, na mesma revista. O texto não é sobre estes programas, mas o autor refere-se a eles por terem sido palco para uma série de opiniões sobre as notícias que davam conta da reforma que Manuel Alegre recebe da RDP.

Diz José Carlos de Vasconcelos:

"Alegre foi o «bombo da festa» em numerosas intervenções nos habituais «fóruns» radiofónicos da TSF e da Antena 1 (um tipo de programa, (...) com muito de positivo, mas também algo de negativo, misturando num formato que creio necessitar de ajustamentos, em especial para não haver opiniões emitidas a partir de pressupostos errados e para proteger a honra de «inocentes»)".

Os programas de antena aberta serão, provavelmente, daqueles que mais complexidade encerram na rádio moderna, pelo menos naquelas emissoras que ainda cultivam o discurso e a palavra. O desafio é encontrar o equilíbrio entre um espaço que possibilite o acesso dos ouvintes ao debate, contribuindo com opiniões válidas, e o controlo do próprio programa mantendo a elevação do discurso e garantindo o rigor possível na discussão.

O blogue NetFM fez recentemente alusão a um fórum sem moderador (!!!) Seria, do meu ponto de vista, pior a emenda ...
Também neste blogue já se escreveu sobre o assunto. Relembro esta experiência.

segunda-feira, julho 24, 2006

quinta-feira, julho 20, 2006

O jornalismo hoje, segundo o Obercom

A Newsletter do Obercom (renovada e muito mais atractiva) destaca o estudo "Jornalismo Hoje. Análise de 14 redacções de Jornais, Rádio e Televisão". Sob a coordenação científica de Gustavo Cardoso, com este trabalho pretende-se "compreender as transformações suscitadas na actividade regular dos media após a integração e utilização da internet pelos jornalistas nas redacções de rádio, televisão e jornais generalistas e desportivos. Foram inquiridos neste estudo 340 jornalistas durante o ano de 2005".

Através dos dados divulgados na newsletter, verifica-se que 44,74% dos jornalistas de rádio das redacções da TSF, RDP e Rádio Renascença consideram que "face ao jornalismo praticado há cinco anos, o jornalismo actual está "Um pouco melhor". Curiosamnete, a mesma percentagem de profissionais considera que está "Um pouco pior".
Na totalidade dos três meios de comunicação, verifica-se que a maior parte dos jornalistas respondentes (43,31%) considera que o jornalismo está "Um pouco pior".
Os mais cépticos são mesmo os da rádio. Os mais optismistas são os da televisão.

51,35% dos jornalistas das emissoras estudadas, consideram ainda que "Com a Internet, o número de peças de minha autoria utilizadas" manteve-se, enquanto que 48,65% acha que aumentou.

sexta-feira, julho 14, 2006

Uma carta ao provedor do ouvinte

Julgo ser interessante acompanhar a actividade do primeiro provedor do ouvinte em Portugal. Não sei se é a primeira carta que lhe é dirigida, mas aqui está um exemplo daquilo que José Nuno Martins irá receber no seu mail nos próximos tempos.

Vamos aguardar pela resposta.

Uma nota: Esta carta chegou até ao provedor ? É que no site da RDP ainda não está disponível a prometida informação que lhe permitirá o envio das suas mensagens de críticas, dúvidas, sugestões ou de satisfação. Estava prometido para o início de Julho.

(via A Nossa Rádio)

quinta-feira, julho 13, 2006

Rádios locais no CJ e no CM

Não é muito comum, mas ontem as rádios locais estiveram, em dois momentos, em discussão nos media nacionais. No programa Clube de Jornalistas e no Correio da Manhã que publicou uma notícia com base em declarações de José Faustino, presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão.

A perspectiva de Faustino é a de que as rádios locais enfrentam hoje problemas económicos graves que colocam em causa a autonomia destas estações radiofónicas.
Lê-se no Correio da Manhã:
O dirigente afirma que, “desde o licenciamento das rádios locais, há 20 anos, apenas foram criadas situações desfavoráveis”. Segundo Faustino, a taxa da Entidade Reguladora para a Comunicação Social é uma delas: “É um mau precedente. A lei já prevê que recebam um valor por serviço prestado. Portanto, não se percebe o porquê de pagar uma taxa de regulação quando não se recebe nada em contrapartida.


Para José Faustino, o novo Estatuto dos Jornalistas vai colocar ainda mais problemas às emissoras locais nomeadamente por prever que os jornalistas devem ter formação superior. Esta ideia foi aliás referida também por Faustino no programa Clube de Jornalistas.

Não concordo com a posição do presidente da APR, e muito menos com os argumentos, em particular quando afirma que "Quem está fora, não vai para o Interior com os ordenados que se pagam.”

Não é essa a realidade que conheço. No interior também há cursos superiores de comunicação social e por isso há licenciados dispostos a trabalhar. Os ordenados pagos a jornalistas nas rádios locais do interior são semelhantes aos que são pagos em rádios (ainda locais) do litoral.

No programa Clube de Jornalistas, António Faustino, jornalista da Rádio NO AR, de Viseu, deixou a ideia de que existem muitas rádios locais em Portugal. Demasiadas acrescento eu, tendo em conta o mercado publicitário existente e os objectivos das rádios locais que muitas delas, aliás, não cumprem. As condições para a perda de autonomia das Rádios Locais são, em primeiro lugar estas, e não outras.

domingo, julho 09, 2006

Leituras

Sobre a rádio portuguesa sugiro dois artigos publicados recentemente no livro coordenado por Gustavo Cardoso e Rita Espanha (Edição Campo das Letras).

O primeiro chama-se "A rádio porta-estandarte: a TSF e o pós-referendo em Timor Leste", e é da autoria de Luís Proença.

O segundo tem por título "Time-setting: estudo de caso sobre a TSF Rádio-Notícias" de Artur Cassiano.

Tratam-se de dois excelentes contributos que nos ajudam a perceber como a rádio portuguesa, em particular a TSF, faz a cobertura noticiosa dos acontecimentos, seja em espaços regulares de informação ou através da abertura da emissão aos chamados "especiais".

terça-feira, julho 04, 2006

O Mundial na Bandeirantes

É curioso constatar o tipo de comentários dos ouvintes brasileiros em relação à cobertura do Mundial de Futebol realizada pela Rádio Bandeirantes.
Enquanto que por cá se fala do exagero dos jornalistas no tratamento da selecção portuguesa, querendo isto significar, uma fronteira ténue entre jornalista e adepto, no Brasil, pelo menos de acordo com as críticas que chegaram à provedora do ouvinte, as questões têm mais a ver com a emissão online ou a passagem em excesso de anúncios publicitários ou "comerciais".

sexta-feira, junho 30, 2006

Provedor de rádio já tem espaço no site da RDP

Já aqui fiz referência à inexistência de informações sobre o provedor do ouvinte da rádio pública portuguesa. Parecia-me estranho que depois de ter tomado posse, com alguma visibilidade mediática, ter ficado um vazio sobre questões fundamentais como por exemplo o que deve um ouvinte fazer para contactar com José Nuno Martins.

Pois bem, o ombudsman da rádio pública portuguesa tem finalmente um espaço no site da RDP. Contém informações sobre José Nuno Martins, o estatuto do provedor, o programa a emitir e os propósitos do provedor.

Pena é que ainda não seja possível aos ouvintes colocar questões a José Nuno Martins. Também no site podemos ficar a saber que: Logo que estejamos em condições logísticas para tratar todas as mensagens recebidas indicaremos nas emissões do Serviço Público de Rádio e nesta Página, os modos de contacto - Fax ou Correio Postal – sendo também então activado o modelo de contacto por e-mail.

Ficamos a aguardar