terça-feira, outubro 02, 2007

TSF com nova grelha

Foram apresentadas as novidades da nova grelha da TSF.

O que há de novo:
Humor - com espaços a cargo de Ana Bola e Maria Rueff (ainda não ouvi) e o Tubo de Ensaio de Bruno Nogueira ( Já ouvi. Na TSF prefiro espaços de humor de critica da actualidade. Daquilo que ouvi - ainda é prematuro, claro - não me parece ser essa a linha).

Desporto - a novidade parece ser só o formato. Trata-se de Jogo Jogado, um espaço onde "só se falará de futebol". A ideia é juntar três comentadores que vão falar de tácticas e das opções dos treinadores !!

Entrevista e debate - José Fragoso e João Marcelino vão conduzir um programa semanal com os protagonistas da actualidade. Será ao domingo.

Há ainda um programa sobre novas tecnologias intitulado Mundo Digital.

sexta-feira, setembro 28, 2007

O provedor e a Antena Aberta

O provedor do ouvinte concluiu uma série de programas nos quais analisou o programa “Antena Aberta” emitido diariamente na Antena 1.

Trata-se de um espaço no qual os ouvintes participam em directo dando a sua opinião acerca de um tema proposto pela emissora. O programa é conduzido por um jornalista.

José Nuno Martins conclui que a existência de um programa com tais características não é consentâneo com os propósitos de uma rádio de serviço público.

E porquê?

Para JNM no programa Antena Aberta “pontificam a imprecisão e também o excesso, como aconteceu, de modo grave, na emissão de 4 de Julho”.

O provedor lembra que recebeu várias queixas de ouvintes referindo-se à existência de tais imprecisões e insultos.

JNM baseia-se naquilo que considera ser o carácter pouco jornalístico do programa, uma vez que a recolha das opiniões dos ouvintes não resulta de uma pesquisa e o moderador nem sempre consegue impedir a utilização por parte dos participantes de termos e expressões menos próprias. Por outro lado, a participação é feita em directo, ou seja, sem a possibilidade de filtrar as intervenções. (Ver a experiência da NPR).

A linguagem utilizada, o grau de impreparação dos ouvintes para comentar alguns temas e a impossibilidade de verificar a identificação dos participantes são outros factores negativos atribuídos a este género de programas.

Para o provedor, a Antena Aberta resume-se a uma “sequência de opiniões avulsas de pessoas comuns, expostas de modo relativamente caótico, sumariamente pontuadas por intervenções esparsas de dois, três ou mais Especialistas convocados pela Produção”.

E por isso, quem trabalha na Rádio Pública deve “preservar a correcção formal em todos os momentos de uma emissão” e ter em conta “sempre a coerência das formulações estéticas, o equilíbrio dos conteúdos, a adequação da linguagem radiofónica e também o uso adequado da própria língua portuguesa, como aspectos que não podem ser esquecidos nem iludidos por quem trabalha na Rádio”.

Conclui JNM: “o todo caótico não me parece consentâneo com os planos de credibilidade, idoneidade e fiabilidade que devem caracterizar os Programas da Rádio Pública”.

O programa Antena Aberta, por ser feito em directo e permitir a participação dos ouvintes sem que exista uma prévia filtragem das intervenções, encerra vários riscos. Alguns deles enunciados por José Nuno Martins.

Considero, contudo, que os programas com estas características são um importante instrumento para contribuir para a diversidade e pluralidade do discurso radiofónico. E, por esta razão, uma relevante competência do Serviço Público.

Ainda para mais se lembrarmos que no cenário radiofóncio nacional não existem muitos espaços com aquelas características. Recordemos Andrew Crisell (1994) que classificou este tipo de programas em três categorias: Exibicionista, confessional e expressivo.

Ora, em muitos espaços radiofónicos nacionais, a participação dos ouvintes resume-se à transmissão da sua voz através da rádio. Pedem discos, contam anedotas (exibicionista) ou falam dos seus problemas pessoais (confessional). Raramente são colocados perante o desafio de se posicionarem em relação a um assunto público (expressivo).

Por outro lado, uma análise mais atenta aos espaços informativos, em particular os noticiários das rádios portuguesas (incluindo a pública) verifica-se que a palavra dos cidadãos, mesmo quando o tema lhes diz particular interesse, raramente é emitida, preferindo-se as fontes oficiais, aliás uma tendência do jornalismo em geral e não apenas da rádio. Por exemplo, numa notícia sobre um qualquer protesto de professores, ouviremos a posição do governo e dos sindicatos. Ponto final.

A presença dos cidadãos e das suas opiniões no debate público, que nos dias de hoje se faz num cenário mediático, é importante. Cabe aos media assegurar, com regras e rigor, instrumentos no sentido de que essa participação se efective. Um desafio também para a rádio pública.

Os problemas de mau uso da Língua Portuguesa, a falta de educação (expressão minha) de alguns participantes ou a impreparação para alguns temas, são situações lamentáveis, mas não devem obstruir o principal objectivo de um programa como a Antena Aberta.



O último programa do provedor dedicado à Antena Aberta pode ser ouvido aqui

Act: Manuel Pinto, no Jornalismo e Comunicação, também comenta a posição do provedor. Para ler aqui.

quarta-feira, setembro 26, 2007

O milagre e a Carlsberg

1 - Bengalas - Há bengalas e bengalas, mas algumas, pela insistência, já chateiam um bocadinho.
Falar de milagre, quando o Fátima jogou com o FC Porto (e acabou por ganhar); falar de "estudantes" e da "lição bem estudada" quando joga a Académica. E o que dizer dos "velhos do Restelo" quando algo corre mal com o Belenenses ?!

2 - Carlsberg - O jornalismo (e os jornalistas) são excelentes veículos de publicidade. As empresas agradecem. Por estes dias tem-se ouvido falar muito em Taça da Liga - Carlsberg Cup. E de há muito que se fala em Liga BWin. Perder-se-ia rigor informativo se se falasse apenas em Taça da Liga e em Primeira Liga de futebol ?
Com excepção do ciclismo, onde o nome da maior parte das equipas é o da empresa patrocinadora (ex. Bom Petisco Tavira) noutros casos a opção deveria passar por não referir a marca comercial.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Mourinho e também Scolari

Quem ainda duvidasse do peso do futebol na agenda mediática portuguesa certamente que a "Operação Mourinho - Scolari" contribui para os esclarecer.

Primeiro Mourinho e depois Scolari preencheram a maior parte do tempo dos principais noticiários da TSF, Antena 1 e Rádio Clube. A Renascença, apesar de não ter ignorado o assunto, longe disso, foi mais contida.

A manhã começou com a notícia que já não era novidade em Inglaterra. Como durante a manhã não houve desenvolvimentos sobre o tema “Mourinho”, as rádios foram a reboque da imprensa e das televisões inglesas. E também da CNN.

Ficou demostrada a dimensão mundial do evento.

Para além das constantes notícias em forma de revista de imprensa internacional, recorreu-se à história (Mourinho ganhador. Mourinho arrogante. Mourinho conflituoso) e à Futurologia (Mourinho no Real Madrid. Mourinho na selecção. Mourinho de férias!). E construíram-se cenários: Mourinho foi despedido. Mourinho despediu-se.

Não havia factos, mas havia que preencher os noticiários. E houve opinião. Muita opinião. Demasiada opinião.

Os programas com participação dos ouvintes acentuaram ainda mais o carácter de tema do dia. A Antena Aberta e Fórum TSF convidaram os ouvintes a falar do assunto. Alguns recusaram-se. “Há mais com que o país se deve preocupar”, disseram.

Mas o tema do dia foi mesmo “Mourinho”. Em exclusivo. Até à chegada, por volta das 11h30, da notícia do castigo a Scolari.


segunda-feira, setembro 10, 2007

Mudanças no Rádio Clube

Artur Cassiano é o novo director de informação do Rádio Clube. Luís Osório manter-se-á como director da estação.

Via Meios e Publicidade.

quinta-feira, setembro 06, 2007

O Rádio Clube quer mais 100 mil ouvintes

O Rádio Clube e Luís Osório voltam a colocar a fasquia alta. Segundo o Meios e Publicidade, o director da estação afirma que pretende conquistar num ano, até Setembro de 2008, mais 100 mil ouvintes.

Diz Osório: "No mínimo dos mínimos queremos ser ouvidos por 220 mil ouvintes todos os dias".

Para atingir a meta, o Rádio Clube aposta em nomes conhecidos do grande público, como Maria João Avillez e Ana Sousa Dias, e na ideia de uma rádio de proximidade com uma forte aposta na informação local.

De acordo com o Meios e Publicidade, estão a ser equacionados "dois ou três nomes" para o cargo de director de informação, que é actualmente ocupado por Luís Osório. João Adelino Faria manter-se-á como sub-director de informação. No desporto, a aposta vai para o acompanhamento dos três grandes na liga portuguesa de futebol e na Liga dos Campeões, bem como dos jogos da selecção nacional.

Congresso SOPCOM

Decorre até Sábado na Universidade do Minho o 5º SOPCOM.
Eis a lista de comunicações sobre rádio:

A Rádio na Internet em Portugal: A Ausência de Participação num Meio em Mudança
Pedro Portela, Universidade do Minho

Jornalismo Público: possibilidades e limites de atuação em uma rádio educativa
Tacyana Karinna Arce Rodrigués, Centro Universitário de Belo Horizonte e Universidade Federal de Minas Gerais

A publicidade radiofónica como elemento de resgate da cidadania
Luciana Panke, Universidade Federal do Paraná

Rádio-Escola: a comunicação como prática educativa
Alessandra Oliveira Araújo, Universidade Federal do Ceará

Radio: nuevas experiencias para la educación en comunicación audiovisual
Juan José Perona Páez, Mariluz Barbeito Veloso, Anna Fajula Payet, Universidade Autónoma de Barcelona

Edição online da RTP – Rádio e Televisão de Portugal: um serviço público digital ou o público à espera do serviço?
Ricardo Nunes, Escola Superior de Educação de Setúbal

Resultados de pesquisa da rede digital de comunicação e intercâmbio – RedeIFES uma infovia para rádio e televisão pública
Carlos Alberto Martins da Rocha e João Somma Neto, Universidade Federal do Paraná


O Congresso pode ser acompanhado na Internet. Está também disponível um blogue com diversas informações sobre o encontro.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Sons búlgaros


O tempo era de descanso mas, mesmo assim, deu para escutar alguma coisa (pelo menos o que era perceptível) da rádio que se faz na Bulgária.
A passagem para um regime democrático e a recente adesão à União Europeia provocaram mudanças no país e no cenário mediático búlgaro. Prova disso é o aparecimento da FM+, a primeira rádio privada da Bulgária, criada em 1992.

A Radio Nacional da Bulgária continua a ser uma das mais populares do país onde existem diversas estações privadas, algumas delas com apostas em determinados géneros musicais como é o caso da Jazz FM ou da Classic FM.
Os hits da pop britânica e norte-americana prevalencem na maior parte das estações, muitas delas bastante recentes, como é o caso da Radio Fresh.

Sobre os noticiários é que não há nada a dizer. O búlgaro é, para o blogueiro, imperceptível.

segunda-feira, setembro 03, 2007

A Antena 1 sabe

Três notas breves para assinalar o regresso, depois de um período de férias. Todas da rádio que se ouviu neste 3 de Setembro.

A primeira - o uso e abuso que a Antena 1 faz da expressão "A Antena 1 sabe..." nos noticiários da estação. A propósito do assalto à dependência do BPI em Viseu, soube-se que eram três e não dois os assaltantes. Soube-se porque a Rádio no Ar de Viseu sabia, a TSF sabia e provavelmente outras rádios também sabiam, mas a Antena 1 não abdicou de referir que "A Antena 1 sabe que são três ...". A expressão dá a entender aos ouvintes que se trata de uma informação em exclusivo, (ou em primeira-mão) o que não correspondeu, pelo menos neste caso, à realidade. A Antena 1 fá-lo com frequência.

Segunda - O triunfo da rádios locais. Foi curioso verificar que TSF e Antena 1 colocaram no ar intervenções do mesmo repórter da Rádio no Ar de Viseu que acompanhava o caso do assalto à dependência do BPI.
A TSF recorreu ainda à Rádio Jornal do Fundão para obter as declarações de Marques Mendes a propósito de outro tema.

Terceira - Apreciei ouvir o Jornal de Desporto da Antena 1 às 18h e picos. Abrir com o Marítimo, mesmo num jornal temático, é coisa que vê (ouve) pouco. Raramente se escapa ao triângulo dos três grandes.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Prisa compra no Chile

A Prisa acaba de adquirir uma das mais importantes estações de rádio do Chile. O grupo, que detém várias emissoras também em Portugal, alarga assim a sua rede da qual já fazem parte cerca de 1200 rádios.

(ViaMeios e Publicidade)

quinta-feira, julho 12, 2007

Não gosta da sua voz ?

É um artigo interessante. E , por estes dias, muito útil para os jornalistas da imprensa que fazem podcasts. Bem sei que na realidade portuguesa estes casos não são frequentes. O podcast não pegou, pelo menos ainda. Em Portugal, que jornais disponibilizam os seus conteúdos em podcast? O Expresso e ...
Fica, de qualquer forma, o artigo de Al Tompkins disponível no Poynter Online.

quarta-feira, julho 11, 2007

Outros relatos

Já com as folhas amareladas encontrei no fundo do baú um suplemento do Jornal "A Bola" intitulado "Os dias da Rádio". A edição é de 1994 e contém uma série de textos e testemunhos sobre o jornalismo desportivo na rádio portuguesa.

O texto assinado por Aurélio Márcio recorda nomes como Desidério Amaro "que trouxe o toque brasileiro à rádio portuguesa", Domingos Lança Moreira que "quase fez interromper as relações diplomáticas entre Portugal e Espanha com os relatos do hóquei em patins". Aurélio Márcio fala ainda de "um miúdo sensacional" referindo-se a Carlos Cruz, e do "trio da modernidade": Ribeiro Cristóvão, Fernando Correia e Jorge Perestrelo.

Na foto: Lança Moreira. ("A Bola", 1 Maio, 1994)

No suplemento de 16 páginas, há ainda espaço para o aparecimento da TSF, para Alves dos Santos - "o comentarista que o país inteiro consagrou", frase que se ouvia na Reanscença -, Artur Agostinho e David Borges, entre outros.

Na foto: Artur Agostinho em entrevista. ("A Bola", 1 Maio, 1994)

Então, também se falava na morte da rádio, em particular do desparecimento dos relatos de futebol: a ameaça vinha dos "automóveis com TV e piloto automático...".

sexta-feira, julho 06, 2007

A rádio é uma carabina. A TV uma caçadeira

Sobre a escolha do media por parte dos candidatos às presidenciais de 2008 nos EUA, o DN escreve o seguinte:

Rudolph Giuliani não tem anúncios na televisão, apostando a toda a força na rádio. Os anúncios nas estações de rádio por todo o país são acompanhados de entrevistas também a programas de rádio. Ken Glodstein, que chefia o projecto publicidade na Universidade do Wisconsin reconhece que " a rádio é uma carabina e é muito mais eficiente, enquanto a televisão é uma caçadeira".

A rádio foi o primeiro meio de comunicação social a possibilitar que os eleitores ouvissem a voz de quem iam votar. Foi com a rádio, segundo alguns autores, que nasceu a política da imagem e se começou a personalizar mediaticamente os candidatos.

Na eleição de 1924, nos EUA, Calvin Coolidge percebeu que apostar na rádio seria uma estratégia acertada. Percebeu as potencialidades do meio e como poderiam esconder a falta de atributos noutros campos.

Diria Coolidge: "I can't make an engaging, rousing or oratorial speech... but I have a good radio voice, and now I can get my message across without acquainting the public with my lack of oratorial ability". (Crook, 1998)

quinta-feira, julho 05, 2007

Paulo Alves Guerra

Os últimos programas do provedor do Ouvinte da RDP foram dedicados ao “Império dos Sentidos”, o programa da manhã da Antena 2.

A série de programas foi motivada, segundo o provedor, por um alargado rol de queixas dos ouvintes perante duas situações: o formato do programa e o desempenho do seu apresentador, o jornalista Paulo Alves Guerra.

Paulo Alves Guerra é um dos jornalistas da rádio portuguesa que deixa marcas. Os noticiários que editava na TSF eram diferentes. A começar pela duração. Mas eram diferentes também, porque Alves Guerra personalizava os noticiários: uso de uma trilha sonora diferente para a leitura dos títulos, que eram em si mesmo mais extensos, o próprio alinhamento privilegiava temas ligados à cultura e aos espectáculos.

Recordo a notícia de um “acontecimento” vamos dizer, diferente, sobre um escritor que tinha deixado os seus manuscritos num taxi. Nunca ninguém soube quem era tal escritor !!! Ou, ainda, a leitura de notícias com a ajuda de um barítono.

Nisto, há, naturalmente, quem goste e quem não goste.

Da audição do programa do provedor do ouvinte percebo que um dos aspectos que mais incomoda os ouvintes da Antena 2 é o estilo de apresentação de Paulo Alves Guerra. O discurso pleno de interjeições, pausado, quiça em demasia, não parece ser do agrado dos ouvintes das manhãs do segundo canal da rádio pública, ainda para mais quando Paulo Alves Guerra utiliza um tom e um ritmo próprios de uma rádio de palavra, como é o caso da TSF, mas que não é caso da Antena 2.

O “Império dos Sentidos” com Paulo Alves Guerra tornou a manhã da Antena 2 mais informativa e menos musical, pelo menos a avaliar pelas críticas dos ouvintes.

O provedor do Ouvinte deverá terminar esta semana a apreciação a este caso.

A acompanhar, portanto.


Uma nota final: De acordo com José Nuno Martins, Paulo Alves Guerra foi contactado para comentar as críticas ao programa, mas recusou falar sobre o assunto. É pena.

quarta-feira, julho 04, 2007

A rádio vai morrer? II

É um post de 26 de Junho colocado por Luís Santos no seu blogue Atrium, mas só agora dei por ele. Merece-me relevância a propósito de mais um funeral feito à rádio.

Luís Santos refere-se a um estudo que vem demonstrar que afinal os mais jovens continuam a ser atraídos pela escuta radiofónica.

P.S. - As notícias sobre a morte da rádio surgem com tal frequência que decidi criar uma etiqueta onde agrupar, a partir de agora, esses textos. Assim fica tudo organizadinho !