terça-feira, abril 21, 2009

Camilo

Na Antena Aberta desta manhã ouviram-se comentários de Camilo Lourenço. No Rádio Clube durante a semana ouve-se Camilo Lourenço. Para além da rádio, ouve-se na RTP Camilo Lourenço.

Têm razão os que defendem que o pluralismo nos media deve ser visto para além das questões políticas, alargando-se o conceito a outras esferas da vida pública.

sábado, abril 18, 2009

Do silêncio, do jornalismo e da rádio

Do congresso da SOPCOM/LUSOCOM que decorreu na semana passada destaco três comunicações das várias a que assisti.

Gostei da perspectiva levantada por Manuel Pinto no texto Do Silêncio e do Silenciamento no Jornalismo. O autor propõe uma análise do jornalismo, não a partir da enunciação que este faz da realidade, mas do silêncio e do silenciamento que acaba acontecer como resultado do facto do jornalismo olhar para determinados acontecimentos e não outros.

Apesar de ser um trabalho ainda em progresso, como o autor fez questão de sublinhar, Manuel Pinto apresentou algumas ideias muito interessantes acerca desta perspectiva. Por exemplo, quando defendeu que o jornalismo, contra aquilo que se poderia esperar, é promotor de silêncios. O campo académico, referiu Manuel Pinto, também se deixou ir pelo mesmo caminho na medida em que tende a estudar o que é dito e não o que fica por dizer.
Ora é essa a proposta de Manuel Pinto: estudar o que não é dito.

Também na rádio, o silêncio tem um papel que passa ao lado da maior parte dos estudos. Na realidade toma-se o meio radiofónico como um dispositivo comunicacional sonoro, esquecendo-se que da sua linguagem faz também parte o silêncio.

Como lembra Armand Balsebre (2004), o silêncio é um dos elementos expressivos da rádio, mas o problema é que raramente é visto como fazendo parte da sua linguagem, desde logo porque a ausência de som numa emissão de rádio é vista como um acto negativo.

Tito Cardoso e Cunha (2005) reforça esta mesma ideia sublinhando que nas sociedades mediadas tecnologicamente, o silêncio é olhado como a negação da linguagem e da enunciação.

Na verdade, a meu ver, o silêncio faz parte da própria construção da realidade feita pelos próprios media, na medida em que tanto se constrói dizendo como não dizendo. O não dito nos media, e em particular no jornalismo, representa uma categoria de edição. Escolhe-se para dizer o que se considera mais importante ao mesmo tempo que se escolhe para não dizer o que se considera menos relevante.

Não tão distante da comunicação de Manuel Pinto, a proposta de José Luís Garcia e Sara Meireles Graça O jornalismo e os jornalistas no contexto das tendências recentes do capitalismo jornalístico vê o jornalismo como prática distinta e que deve, nesse sentido, ser distinguida da comunicação, da informação e dos media. “Jornalismo é outra palavra para democracia”, defendem os autores.

Para Garcia e Graça passámos de um capitalismo jornalístico para um capitalismo informacional transição na qual as novas tecnologias têm um papel relevante.
Falar-se em “Marca”, dizem os autores, confunde com jornalismo a informação distribuída nas várias plataformas. As notícias são, deste modo, seleccionadas em função de uma lógica de convergência e em alinhamento com os valores do mercado.

O texto de Luís Garcia e Sara Meireles Graça convoca, a meu ver, formas de jornalismo que devem (deveriam?) assumir-se como alavancas de uma percepção do mundo capaz de escapar aos valores do mercado. O serviço público seria uma dessas alternativas.
Será isso possível?
Nem a propósito e estabelecendo a ponte coma rádio: No último programa do provedor do Ouvinte, Paulo Sérgio, subdirector da RDP para o Desporto admitiu a necessidade da Antena 1, perante as recorrentes queixas dos ouvintes em relação ao excesso de futebol na emissora pública, ter de responder também à concorrência.

Por fim, sublinho a comunicação de Rogério Santos, A Relação das Tecnologias de Informação e dos Media nos Últimos 40 Anos, a única que pude assistir e que teve a rádio como objecto principal. Santos apresentou algumas das linhas que vão conduzir o seu trabalho de estudo sobre o papel da tecnologia nos próprios media.
A linha de investigação do autor parte de vários conceitos, dos quais destaco a remediação, que significa que os novos media tornam melhores e rectificam os media precedentes.
O autor deixou no seu blogue algumas referências a essa comunicação que vale a pena consultar.

quinta-feira, abril 16, 2009

Audiências


Não há grandes novidades em relação às audiências de rádio, agora disponibilizadas pelo Bareme da Marktest e referentes ao primeiro trimestre de 2009.

O grupo Renascença continua líder, seguindo-se a Media Capital.
Em relação às rádios com maior aposta na informação também não há novidades. A Renascença é a mais ouvida, seguindo-se a Antena 1 que parece consolidar-se na segunda posição remetendo a TSF para terceiro. A rádio informativa foi, aliás, uma das que desceu comparativamente ao mesmo período de 2008.
O Rádio Clube continua abaixo dos 2 por cento de audiência.

segunda-feira, abril 13, 2009

A rádio no SOPCOM

Entre os dias 14 e 18 de Abril decorre em Lisboa o VI SOPCOM/VIII LUSOCOM na Universidade Lusófona em Lisboa.

Há várias comunicações que têm a rádio como tema principal. Tentarei dar conta de algumas delas nos próximos dias.

O evento pode ser seguido através do site, do blogue e do twitter.

domingo, abril 05, 2009

NPR com mais audiência

A National Public Radio (NPR) obteve no último ano a maior audiência de sempre, apesar da crise e da ameaça das novas tecnologias.
Os números atingidos pela rádio pública norte-americana revelam o interesse que os ouvintes demonstraram no acompanhamento da eleição presidencial do último ano.

News organizations expect a bump in interest when big stories break, and NPR — like others — saw a spike during last year's presidential election that helped drive the news audience to a record 21 million listeners per week. But NPR President and CEO Vivian Schiller says last year's 9 percent increase is part of a long-term steady trend up."

A propósito desta notícia, a provedora do ouvinte, Alicia C. Shepard reflecte sobre a forma como a NPR deve dar notícias sobre a própria rádio. Para ler: How Should NPR Cover Itself?

terça-feira, março 31, 2009

Jornalismo de Ciência e Ambiente


O jornalismo de Ciência e de Ambiente vai estar amanhã em debate na Universidade do Minho. A iniciativa é do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e da Associação de Repórteres de Ciência e Ambiente.

Também se falará de rádio com José Pedro Frazão, editor da Rádio Renascença.

Via Jornalismo e Comunicação.

segunda-feira, março 30, 2009

A Antena 1 e a saúde offline

Uma nota positiva, e quanto a mim merecida, para a secção de saúde da Antena 1 e em particular para Jorge Correia. É na rádio pública que encontro maior cobertura noticiosa de assuntos de saúde fora do âmbito das políticas do governo para o sector.
Hoje de manhã ouviu-se um estudo, realizado em Portugal, sobre a relação entre o vírus herpes e o linfoma.

Uma nota negativa: estranhamente não encontro essa notícia no menu que o site da Antena 1 disponibiliza. Aliás, nem essa nem muitas outras que ouvimos nos noticiários da rádio.

Assim cai por terra a proposta da rádio pública para que possamos fazer o nosso próprio noticiário. No online é importante disponibilizar as ferramentas, mas também os conteúdos.

Act: 15h06. Agora a peça já lá está.

quarta-feira, março 25, 2009

Rádio no Twitter II

Depois da TSF e do Rádio Clube, há mais rádio no twitter:

94FM e a rádio pública: Antena 1; 2 e 3.

E ainda a Renascença e a
RFM que criaram contas, mas que não são actualizadas.

Se o número de rádios é ainda reduzido, a quantidade de jornalistas de rádio presentes no twitter é significativo, incluindo aqueles que utilizam esta plataforma para a divulgação dos programas que têm em antena.

Alguns exemplos: José Pedro Frazão; Carlos Vaz Marques; João Paulo Meneses; Nuno Domingues.
Há efectivamente um gosto especial pelo twitter que não encontramos nos blogues e muito menos nos podcasts.

Alguém um dia há-de estudar isto.

sábado, março 21, 2009

O anúncio da Antena 1

Já foi tudo dito sobre o anúncio da Antena 1. Apenas registo o meu acordo com a posição dos provedores da RDP e da RTP e congratulo-me por este caso demonstrar a utilidade das suas funções.

Sobre o anúncio em si, a intenção até pode ter sido a melhor, mas que caiu mal, caiu.

terça-feira, março 17, 2009

Museu da rádio

Já dei uma volta pelo Museu Virtual da Rádio. É interessante e vale a pena uma visita. Mas como tem sido assinalado noutros blogues, falta o Museu em espaço real.

domingo, março 08, 2009

Moçambique

Uma excelente janela que Rui Tukayana nos abriu sobre Moçambique. As reportagens passaram na rádio na semana passada. Quem não ouviu pode escutá-las no site da TSF. E como a rádio já não é só som, vale a pena espreitar as fotos.

quarta-feira, março 04, 2009

Noticiário à la carte na rádio pública

O site da RTP, no qual está a página da rádio pública, foi remodelado. É agora possível encontrar, de forma mais organizada e atractiva do ponto de vista gráfico, os sons da rádio.

Há uma inovação que é a possibilidade de o utilizador fazer o seu próprio noticiário, escolhendo os temas que considera mais interessantes e assim criar uma espécie de playlist de notícias.

A experimentar.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O provedor da RDP em 2008

Já está disponível o relatório de actividade de 2008 do Provedor do Ouvinte da RDP. Do documento sublinho as considerações feitas a propósito da informação.

Adelino Gomes recebeu 116 mensagens que abordam questões relacionadas com a informação. A Antena 1, tal como já sucedera com o seu antecessor, foi a estação mais visada pelos ouvintes, seguindo-se a Antena 2.

Apesar de no total ter recebido menos queixas dos ouvintes, a área da informação registou uma subida de 10 por cento em relação ao ano anterior.

A maior parte das mensagens recebidas pelo Provedor em relação à informação teve a ver com o alinhamento e critérios jornalísticos utilizados. Este item recebeu sobretudo queixas negativas. O mesmo sucedeu com a qualidade da informação.
"O alinhamento dos noticiários e a qualidade da informação em geral estão no centro de quase metade das mensagens recebidas nesta área temática" (p.42).

O programa Antena Aberta recebeu várias mensagens “a maioria com apreciações negativas mas mais de um terço com elogios” (p.42). Este programa, com a participação dos ouvintes, volta a estar no centro da actuação do provedor, tal como já tinha sucedido com José Nuno Martins. Adelino Gomes, nas suas reflexões finais dedica-lhe algum espaço e recorda a interpelação feita por um elemento do Conselho de Opinião da RDP:


“O mesmo conselheiro quis saber de mim se iria defender ou não o fim de programas do género da Antena Aberta, sobre o qual teceu considerações frontalmente desfavoráveis. Aproveitei esta questão polémica para lhe responder que, pelo contrário, considerava este tipo de programa como o perfeito exemplo de empowerment da cidadania propiciado pela rádio e cuja manutenção (com as ressalvas óbvias em relação a vulnerabilidades conhecidas mas evitáveis do modelo) eu defenderia com grande convicção” (p.69).


O programa Contraditório recebeu mais mensagens negativas do que positivas enquanto que o Conselho Superior recebeu “mais elogios do que manifestações de desagrado”.
O programa de informação local “Portugal em Directo” só recebeu mensagens positivas.


Leitura: Relatório do Provedor do Ouvinte.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Outros sons nas notícias

Os noticiários da rádio são normalmente espaços muito fechados em termos de agenda. Há pouco tempo para dizer as coisas e o que se diz segue, por regra, os grandes temas da actualidade.

Por isso, é sempre de elogiar quando há tentativas das redacções para introduzir novas temáticas que nos forneçam uma visão mais alargada e diversificada do país e do mundo. A opção da actual equipa da manhã da Antena 1 de fazer uma ronda por dois correspondentes internacionais que relatam o que é notícia nos respectivos países parece-me acertada.

Mas queria sublinhar o trabalho do jornalista Rui Miguel Silva naquilo a que a TSF chamou de Dodge Journey. Trata-se de uma iniciativa à qual já aqui me referi por pretender potenciar a presença da rádio na Internet. O repórter percorre o país à descoberta de "estórias" que normalmente não são "estória" na rádio e vai actualizando um blogue. Pontualmente, essas notícias chegam à rádio e aos noticiários. E resulta bem. Há novos protagonistas, novas vozes, temas diferentes e isso é bom. Hoje, e só ouvi na TSF, Rui Miguel Silva puxou por uma "estória" que conta que o Carnaval da Mealhada vai ter de pagar pela primeira vez, em 30 anos de existência,impostos.

terça-feira, janeiro 27, 2009

RDP emite em DRM

Com o DAB em estado "moribundo", a RDP iniciou emissões experimentais em DRM (Digital Radio Mondiale), um sistema que permite digitalizar a emissão em Onda Média e Onda Curta. Nesse sentido acrescentará às emissões uma clara melhoria da qualidade sonora.
As experiências circunscrevem-se às emissões da RDP Internacional.

Lê-se na notícia do Meios&Publicidade:

A partir de 31 de Janeiro a RDP Internacional vai iniciar um período de emissões experimentais usando o sistema DRM. (Digital Radio Mondiale). As emissões, em colaboração com a Deustche Welle, cobrem o período das 9h30 às 11h, na frequência de 9815 kHz

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Graça Franco assume direcção de informação na Renascença

O novo ano trouxe uma nova directora na Renascença. Graça Franco substitui Sarsfield Cabral na direcção de informação da emissora católica.

A nova directora disse em entrevista ao Correio da Manhã que irá proceder a alterações tanto na redacção como na linha editorial da emissora. Eunice Lourenço continuará a ser a chefe de redacção.

Entretanto, Sarsfield Cabral passa a assegurar um novo espaço de opinião no Página 1, o jornal em pdf da Renascença. Sarsfield Cabral foi director de informação da Renascença entre 2003 e 2008 período durante o qual a emissora católica passou por modificações ao nível da informação marcadas, sobretudo, por uma aposta clara na presença na Internet.