terça-feira, junho 30, 2009

Três momentos das notícias em rr.pt

Primeiro momento – Antes da “Boa Onda da Rádio”. As notícias da Renascença têm presença na net recorrendo ao texto, a algumas fotos e sons. O site é aproveitado para propor dossiers temáticos, como é o caso daquele que aparece na imagem, sobre a morte do Papa João Paulo II.
















Um segundo momento marca uma viragem significativa no que diz respeito à política informativa da estação. A “Boa Onda da Rádio” representou uma clara aposta no online e menor investimento no campo da informação na emissão tradicional. Nesta fase, a RR foi pioneira na introdução de algumas funcionalidades aplicadas às notícias disponibilizadas em sites da rádio. O uso do vídeo, com produção própria, passou a ser mais frequente bem como a utilização da infografia animada. Foi também nesta fase que a componente multimédia no seio da redacção da RR cresceu mais e foi lançado outro projecto inédito em Portugal: o jornal em pdf “Página Um”.













Por fim, um terceiro momento que teve início recentemente com a reformulação do site da Renascença. Diria que se trata de um aperfeiçoamento da “Boa Onda da Rádio” no qual é visível uma ainda maior aposta no vídeo e a reformulação de espaços de Opinião, por exemplo.
Registo o passo dado pela RR em matéria de interacção com os utilizadores.
Já é possível comentar as notícias e, em alguns textos disponibilizados no site, os utilizadores podem contactar com os jornalistas de forma personalizada. Não sucede em todos e em particular (o que me parece pouco coerente) não acontece em relação à opinião, justamente o campo mais susceptível de gerar debate.
Curioso é verificar que remodelação após remodelação dos sites, as rádios continuam sem aderir à “moda” do Jornalismo do Cidadão, precisamente uma das bandeiras de outros media com presença na net.


sexta-feira, junho 26, 2009

Jackson

Invariavelmente, os noticiários da manhã das rádios abriram e destacaram a morte de Michael Jackson. O acontecimento proporcionou momentos diferentes nos noticários da rádio: uma natural maior presença da música, menor diversidade temática (Jackson eclipsou o resto da actualidade), maior presença do comentário (o recurso a críticos de música foi utilizado pela Antena 1, TSF e RR).

Globalmente, o acontecimento foi tratado do mesmo modo: a notícia do sucedido(Jackson morreu); a vida polémica (acusação de pedofilia); o sucesso comercial (milhões de discos vendidos) e as reacções à morte.

Nos sites, o tema merece igualmente atenção nesta manhã. Mais pobre o tratamento no Rádio Clube (destaque na home e ligação para três vídeos do You Tube) e na Antena 1 (notícia da Lusa e som da rádio). Mais rico na TSF (Texto, foto, sons do jornalista autor da peça e de críticos embora já tudo tenha sido emitido na rádio, vídeo do You Tube) e na RR (sons da rádio, vídeo do You Tube, e texto mais atractivo com o destaque de citações que é agora prática da RR desde a recente refornulação do site).

Interessante o recurso ao You Tube como solução de última hora nos sites. O acontecimento proporcionava isso.

terça-feira, junho 23, 2009

As notícias na rádio portuguesa

Defendi no dia 22 de Junho a minha tese de doutoramento. O trabalho tem por título "A Informação Radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. A Internet como cenário emergente" e nele analiso as notícias na rádio procurando a sua compreensão a partir de dois quadros teóricos de referência.

Por um lado, a questão das notícias enquanto construção social da realidade e por outro relacionando esta construção com a expressividade sonora da rádio.
Ou seja, a hipótese colocada foi a de que a rádio, com as suas características enquanto meio de comunicação social, nos dá uma determinada percepção do Mundo, uma vez que as suas especificidades condicionam as opções editoriais dos jornalistas em relação à cobertura temática, à presença de protagonistas e a estratégias de valorização da informação.

O meu estudo passou pela análise de conteúdo das peças jornalísticas emitidas nos noticiários das 9 horas das três principais rádios de informação em Portugal: TSF, Antena 1 e RR e são estes alguns dos dados apurados:

a)Predomínio dos temas de política nas três emissoras estudadas;
b) Predomínio do recurso aos protagonistas com voz nas notícias oriundos do mundo da política e do sindicalismo;
c)Tratamento da informação na rádio portuguesa de acordo com a visão da esfera de decisão. Reduzida presença dos cidadãos nas notícias e circunscrita ao desempenho dos papéis de “vítima” ou “testemunha”.
d)Organização da redacção e rotinas produtivas dos jornalistas orientadas em função do acompanhamento do “dia noticioso” e determinadas pelas características do meio rádio;
e)Contexto de concorrência entre rádios, com expressão prática na uniformização dos principais temas difundidos pelas três emissoras.


No meu estudo tentei igualmente perceber qual a relação entre as notícias emitidas nos noticiários da rádio dita tradicional e as que são disponibilizadas nos sites da Antena 1, TSF e RR.
Em relação a esta matéria, destaco os seguintes aspectos:


a)Os sites dependem da matéria noticiosa inicialmente difundida nos noticiários da rádio, em particular no que diz respeito aos temas abordados e aos protagonistas das notícias;
b)Os sites apresentam, no entanto, um tratamento das notícias distinto daquele que é feito na rádio. Ou seja, apesar dos temas e dos protagonistas das notícias serem os mesmos da rádio, os sites apresentam a informação recorrendo a recursos expressivos (fotografia, vídeos, hiperligações, etc) que não fazem parte da rádio tradicional (que vive só do som).
c)Dinamismo dos sites das rádios TSF, RR e Antena 1 consubstanciado na reformulação das páginas e introdução de novas ferramentas. (ex: entre 2006 e 2008, RR e TSF reformularam os seus sites. Já em 2009 Antena 1 e RR levaram a cabo profundas modificações)

Outras teses de doutoramento sobre a rádio portuguesa.

quinta-feira, junho 18, 2009

A propósito do Irão...

... o renovado site da Renascença disponibiliza alguns trabalhos sobre o Irão da autoria do jornalista José Pedro Frazão. Aqui e também aqui

terça-feira, junho 16, 2009

Os Filhos da Solidão

Mesmo sem o prémio era já uma reportagem a não perder. Os Filhos da Solidão, de Ana Catarina Santos e Mésicles Helin é um excelente trabalho jornalístico de rádio, daqueles que apetece ouvir e voltar a ouvir.

Com este trabalho, Ana Catarina Santos sublinha, a meu ver, um estilo próprio que aplica muito bem nos seus trabalhos de reportagem na rádio. Gosto de escutar, de vez em quando, uma outra reportagem, também premiada, da mesma autora, sobre o ensino recorrente numa localidade do interior do Alentejo. Já lá vão uns anitos... mas é interessante observar os sons, a locução e a ilustração que os testemunhos emprestam ao trabalho.

Parabéns aos autores.

A reportagem agora premiada pela AMI está aqui: Os Filhos da Solidão

segunda-feira, junho 15, 2009

RR com novo site

A Renascença renovou o site.
É preciso navegar mais para perceber melhor as diferenças, mas há claras modificações ao nível do grafismo e do multimédia, campo no qual, aliás, a RR tinha já uma presença forte se comparada com outros sítios de rádios informativas.

O que há de novo segundo a própria Renascença.

Hei-de voltar ao tema.

quinta-feira, junho 11, 2009

Novo site da Europa-Lisboa

A Rádio Europa Lisboa renovou o seu site.
Quem o visita encontra um sítio que não vai ao encontro daquilo que tem sido o modelo seguido por outras rádios portuguesas. O site está diferente e a meu ver não potencia a presença da rádio na net. Predomina a palavra escrita, não encontramos sons, vídeos, imagens...

O site da Europa Lisboa é sobretudo de promoção da própria rádio e dos programas que nela passam. Há alguns podcasts e ligações várias. por exemplo para blogues.

Como este é um blogue que pretende olhar sobretudo para a vertente informativa da rádio (e do seu prolongamento nos sites) destaco dois aspectos que me parecem relevantes e pouco comuns nos sites das rádios portuguesa no que à informação diz respeito. O primeiro é a existência de e-mails dos próprios jornalistas permitindo deste modo que os possamos contactar directamente e não para um mail geral da redacção ou da direcção. O seu aspecto parece-me verdadeiramente excepcional: a Rádio Europa disponibiliza o seu Estatuto Editorial.

quarta-feira, junho 03, 2009

Reestruturação na TSF

De acordo com o Meios e Publicidade aproxima-se um período de reestruturação na TSF que pode implicar a redução de postos de trabalho.

terça-feira, junho 02, 2009

O tempo da notícia

Tivesse o segundo caso de gripe A em Portugal sido confirmado há três ou quatro semanas e não haveria noticiário que não abrisse com o tema, fórum que não discutisse o que o vírus anda a fazer, especialistas que não interviessem com prós e contras.

Assim, a divulgação da confirmação pela ministra, ontem, mereceu a presença da notícia, provavelmente mais adequada, no meio/fim dos noticiários. É certo que o dia foi fértil: Qimonda, General Motors e especialmente o avião desaparecido entre o Rio de Janeiro e Paris (aliás, terá sido a azáfama informativa que fez com que a TSF passasse a manhã a dizer que o avião tinha desaparecido e que era esperado no Rio de Janeiro. A correcção veio às 14h).

Mas é interessante ver como as notícias, independentemente da sua importância, têm sobretudo um tempo.

quinta-feira, maio 28, 2009

A campanha lá fora

Aqui ficam três propostas de como as rádios, através do online, estão a acompanhar os primeiros dias de campanha.

Na France Info um dos destaques de hoje foi para uma sondagem que dá ao PS francês 20% das intenções de voto: Le PS sous la barre des 20% dans les intentions de votes. C’est le résultat d’un sondage Tns-Sofres-Logica pour France Info. Pour Emmanuel Rivière, directeur du département stratégie d’opinions TNS-Sofrès, à dix jours du scrutin européen, le PS ne parvient pas à se faire reconnaître comme le principal parti d’opposition.

No site da RTVE recupero um tema abordado no início da campanha e que também por cá se falou: Por quê no interesan las elecciones europeas?

A resposta à pergunta da rádio espanhola pode estar no vídeo que a RTBF (Bélgica) disponibiliza online: Comment faire campagne pour des matières européennes difficiles ?

terça-feira, maio 26, 2009

As europeias na rr.pt

Um útil trabalho da Renascença sobre a União Europeia e o que está em causa nestas eleições. É um conjunto de trabalhos em vários suportes que merecem ser vistos. Pela quantidade de informação útil e pela reduzida utilização nos sites das rádios nacionais, destaco justamente a infografia que a emissora católica preparou.

segunda-feira, maio 25, 2009

A campanha na rádio (e online)

Começou hoje a Campanha para as Eleições Europeias. Do ponto de vista da rádio é, a meu ver, um dos momentos mais interessantes no que diz respeito ao aproveitamento das potencialidades sonoras da informação radiofónica. Durante as próximas duas semanas vamos certamente ouvir uma série de reportagens que para além do conteúdo informativo dito pela palavra, vão encher os espaços noticiosos com sons de ambiente, músicas, etc.

As campanhas políticas, enquanto terrenos férteis em termos informativos, mobilizam as redacções e modificam grelhas de programação.
Neste primeiro dia de campanha as quatro principais rádios de informação portuguesas já nos propuseram vários momentos.

Para além das notícias nos noticiários regulares da estação, a TSF dedicou hoje o Fórum ao tema com a presença de Miguel Portas (BE) em estúdio para responder às questões colocadas pelos ouvintes e cibernautas. A TSF tem também um Jornal de Campanha (julgo que às 19 horas, pois não encontro referência no site)

A Antena 1, pela voz de Maria Flor Pedroso, emitiu às 10 horas a primeira edição do Jornal de Campanha que tem nova edição às 17h30. No online, a Antena 1 disponibiliza várias informações em Política 2009.

A aposta da Renascença nesta matéria vai, tal como noutros temas da actualidade, para o seu site. A emissora católica propõe-se a colocar diariamente online um vídeo com as linhas principais dos candidatos. O primeiro é de Ilda Figueiredo.

Também o Rádio Clube dedicou parte do "Minuto-a-Minuto" à campanha para as europeias, nomeadamente com o editorial de Nuno Domingues e a opinião de Adão e Silva e Pedro Marques Lopes.

terça-feira, maio 19, 2009

APR discute Rádios de Proximidade

A Associação Portuguesa de Radiodifusão vai iniciar uma série de encontros para discutir as Rádios de Proximidade. O primeiro tem lugar no dia 26 no Funchal.
Seguem-se os seguintes: Porto Santo (16 de Junho), Porto (23 de Junho), Lisboa (25 de Junho), Fundão (30 de Junho) e Faro (2 de Julho).

Via Meios e Publicidade.

quinta-feira, maio 14, 2009

Jornalismo: o acesso democrático à profissão (II)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo está a publicar um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.


Uma das particularidades do fenómeno das rádios locais em Portugal reside no facto destas pequenas emissoras terem dado a possibilidade de fazer rádio a pessoas das mais variadas origens profissionais.

Em 1987 o Jornal Expresso publicava uma reportagem sobre as rádios locais portuguesas. Numa das passagens do texto, esta origem diversificada de quem fazia rádio nas emissoras locais fica bem clara.

Lê-se no Expresso: “Do padeiro ao barman, do polícia ao magistrado, do militar ao funcionário municipal, do teólogo ao filósofo, passando pelo químico, pelo fotógrafo, pelo cabeleireiro. E por aqui nos ficamos.”

Não se tratou, efectivamente, de uma originalidade portuguesa. Noutras latitudes, por exemplo em Espanha, as rádios livres tiveram também o contributo de pessoas oriundas de várias profissões. Pela Europa fora as rádios livres foram aproveitadas para que grupos sociais e políticos, considerados minoritários, se expressassem através de um meio de comunicação.

Para além da origem profissional, um dos aspectos mais importantes e que, a meu ver, caracterizou a génese das rádios locais em Portugal foi a juventude de quem nelas participava.

Com a rádio centralizada em Lisboa, as emissoras locais representaram um palco importante para que muitos jovens dessem aí os primeiros passos no jornalismo radiofónico.

Para muitos, as emissoras locais representaram uma escola prática de jornalismo e indiciaram a descentralização das possibilidades de emprego na área da comunicação social.

Segundo o jornal Expresso, a média de idades dos “trabalhadores” das rádios piratas no final da década de 80 era de 17 anos, e poucos ultrapassavam os 20 anos de idade.
Ainda segundo o mesmo periódico, as idades daqueles que estiveram na origem da iniciativa oscilavam entre os 9 e os 86 anos, mas os que a passaram à prática – leia-se, faziam programas – tinham entre 21 e 65 anos.

Se olharmos hoje para as principais redacções da rádio portuguesa encontramos um conjunto assinalável de profissionais que iniciaram a sua actividade em pequenas emissoras espalhadas pelo país.
E isso deve-se às rádios locais.

segunda-feira, maio 11, 2009

Fórum TSF também online

Só hoje dei por isso (por aquilo que percebo é uma iniciativa recente), o Fórum TSF alargou-se à Internet permitindo aos cibernautas a colocação de comentários sobre o tema que está em debate na antena.

Tanto quanto me recordo, é a segunda vez que a TSF tem esta iniciativa. Há vários anos atrás era também possível participar no programa através da Internet.

Agora a TSF volta a apostar neste modelo e assim alarga o leque de participações no debate o que, havendo moderação de comentários, me parece uma boa ideia, ainda que a leitura dos comentários em antena quebre, a meu ver, a dinâmica do programa.

Com esta forma de participação nos conteúdos da rádio através da net, a TSF dá um passo importante no sentido de potenciar a interactividade entre os utilizadores/ouvintes e a rádio. É que, estranhamente, apesar de historicamente a rádio ser um meio que procura potenciar a interacção com os seus ouvintes, a sua presença na Internet, que permite outras formas de participação, tem sido subaproveitada pelas rádios, pelo menos as de informação. Por exemplo, das principais emissoras,só o Rádio Clube permite comentários às notícias.

quinta-feira, maio 07, 2009

Cacofonias

Desde que o novo vírus da gripe passou a ser designado de A que ouvir notícias na rádio sobre a dita cuja tem sido uma experiência "cacofónica". Não soa bem e de vez em quando os jornalistas lá se referem à "gripe mexicana" e, agora menos frequente, à "gripe suína".

A questão também merece comentários noutras latitudes.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a Provedora da National Public Radio já se pronunciou sobre o assunto partindo de uma queixa apresentada por uma ouvinte.

Para ler aqui.

terça-feira, abril 28, 2009

Novo site da Antena 1

Depois de ter introduzido no início do ano novas funcionalidades, a Antena 1 apresenta-se agora com um site totalmente renovado.

sexta-feira, abril 24, 2009

20 anos de rádios locais - Liberdade e radiodifusão local (I)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo inicia hoje um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.
O 25 de Abril de 1974 é o mote para o primeiro texto.



A conquista da liberdade em Portugal foi a pedra de toque para as transformações ocorridas nos vários campos da sociedade portuguesa, e a rádio não é excepção.
O movimento das rádios locais em Portugal está intimamente relacionado com o próprio 25 de Abril, desde logo por ter criado as necessárias condições políticas para que centenas de rádios piratas aparecessem um pouco por todo o país. De facto, as rádios piratas apareceram num período pós-revolucionário quando a sede de liberdade de expressão ainda estava bem viva.
Do que se conhece, a primeira rádio pirata portuguesa apareceu na Grande Lisboa em 1977: a Rádio Juventude. Foi a primeira experiência de centenas que se seguiriam nos dez anos seguintes.
O sentimento de liberdade adquirido com o 25 de Abril foi fundamental na motivação sentida pelos impulsionadores das rádios piratas portuguesas que viam agora a oportunidade para transportar para Portugal as inúmeras experiências que chegavam da Europa, em particular de Itália e França, onde as rádios Livres começavam a adquirir uma importância que já não podia ser menosprezada pelo poder político.
É bom notar que não foi só em Portugal que a conquista da liberdade representou a alavanca para o aparecimento de rádios locais. O caso espanhol é, nesse sentido, semelhante ao português. Como nota Emili Prado (1982) a queda de Franco foi fundamental para a emergência deste tipo de emissoras em Espanha e acabou com a rádio que tinha por objectivo “entreter e embrutecer”.
A conquista da liberdade criou, por isso, o contexto para o florescimento das rádios locais em Portugal. Por outro lado, o movimento das rádios locais tinha na sua genética um profundo desejo, pelo menos no início, de conceder às regiões e às populações locais espaço nos meios de comunicação social.
O carácter revolucionário e de desejo de corte com o cenário de então da rádio em Portugal, demasiado centralizado em Lisboa, pode também ser visto à luz de um certo sentimento de liberdade que invadiu os impulsionadores das rádios locais portuguesas.
Rádio Delírio, Rádio Caos ou Rádio Livre são algumas das designações adoptadas pelas emissoras piratas numa clara associação do fenómeno a um desejo de agitação no sector.
De forma mais óbvia, o 25 de Abril foi associado ao movimento quando a Rádio Livre Internacional escolheu a data em 1983 para iniciar as suas emissões piratas com um debate sobre as rádios livres em França e na Polónia (Jornal Sete, 1983).

quinta-feira, abril 23, 2009

Sena Santos

Francisco Sena Santos foi outro dos entrevistados do espaço da Antena 1 "Jornalismo depois de Abril".

Trata-se de um nome incontornável do jornalismo radiofónico no pós 1974 e por isso é fundamental ouvi-lo nesta entrevista.

Sena Santos diz sobre o jornalismo: "Há reacções por tudo e por nada e começa a faltar tempo para ouvir as pessoas".

Para ouvir aqui .

quarta-feira, abril 22, 2009

A moda Gil

Registo como positiva a cobertura que tem sido dada ao tenista português Frederico Gil, não apenas agora como no torneio de Miami. Mas não nos enganemos, trata-se de uma moda que tem um nome. O interesse é pelo desportista e não pela modalidade.
Como todas as modas, esta também passará e em breve o ténis ocupará o lugar que tem tido no jornalismo desportivo português: na prateleira ao lado do atletismo, do andebol, do basquetebol etc.
Em breve, os jornais de "desporto" da rádio voltarão a dedicar 99% do seu espaço ao futebol e, dentro deste, aos três clubes do costume.