terça-feira, setembro 01, 2009

A gripe A e a II guerra mundial

Duas boas iniciativas da rádio de hoje:

A Conferência Internacional «Gripe A: Informar para Agir» que a TSF promove em conjunto com a Direcção Geral de Saúde. Emissão de "serviço público" como Manuel Vilas-Boas fez questão de iniciar a sua intervenção no noticiário das 10 da manhã.

E o destaque que a Renascença está a dar à efeméride que assinala os 70 anos do início da II Guerra Mundial. No site da emissora católica estão dois trabalhos ( texto e em vídeo) que interessa ver e que pretendem lançar um olhar sobre a rádio naquele conflito.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Super FM regressa em Setembro

Segundo a Meios e Publicidade, a Super FM iniciará as suas emissões a partir do próximo mês, utilizando a frequência de 104.8, antes atribuída à ECO FM, uma rádio local de Alcochete.
Sobre a Super FM já aqui escrevi.

sexta-feira, julho 31, 2009

quinta-feira, julho 30, 2009

Os novos tempos da informação !!!

Ora aqui está alguém que não usa as palavras "notícias" nem "jornalismo" e que se informa através do twitter!!!!

O editor da Wired, Chris Anderson, em entrevista.

quarta-feira, julho 29, 2009

Vítor Moura dirige Rádio Clube

Há mais novidades no Rádio Clube: Vítor Moura, que apresentava o Grande Jornal à hora do almoço, passa a assumir a direcção da estação e Miguel Gil, administrador da Media Capital, nega que o Rádio Clube vá mudar o seu formato, passando a dar mais peso aos conteúdos musicais.

terça-feira, julho 28, 2009

NPR com novo site

A National Public Radio renovou o seu site.

Está mais atraente do ponto de vista gráfico, mais moderno e de fácil consulta.

Quero assinalar duas opções da NPR que me parecem acertadas e que não vejo na maior parte dos sites de rádios de informação em Portugal.

Em primeiro lugar uma aposta na interactividade com os cibernautas permitindo, por exemplo, que as notícias possam ser comentadas.

Em segundo lugar, uma visão que, se considerarmos as visões mais apaixonadas sobre a relação entre rádio e Internet, me parece arrojada. A NPR não faz vídeos só porque sim. A aposta da emissora é no som, mesmo no site, e isso parece-me relevante. Não que o vídeo não seja importante, mas é melhor não o fazer do que fazê-lo só porque está na moda.

Para ler sobre as alterações no site da NPR:

Vivian Schiller à Newsweek: Radio is our core, our heart and soul. It's where most of our audience is. But we have to make sure that we serve the audience wherever they want it. Of course, there's traditional radio with massive, massive audience. But where else is audio listening going? We need to own that space. We're the No. 1 most downloaded podcast in news and information.

Nota da NPR: On the new site, you should find it easier to combine listening and reading, to follow breaking news, to comment on our work and share it, and easier to find programming from your NPR station.

segunda-feira, julho 27, 2009

Osório sai do Rádio Clube

Luís Osório deixa o Rádio Clube.

Não se pode dizer que seja uma medida inesperada. As audiências do Rádio Clube nunca foram as desejadas (e prometidas por Osório) e mais grave ainda, a rádio esteve sempre inconstante no que diz respeito à definição de uma programação.

Com excepção das manhãs informativas, a programação do Rádio Clube andou desde 2007 sempre à procura do melhor modelo.

Dois anos e meio mostraram que o projecto não era assim tão sólido como se poderia pensar motivando a saída de várias apostas da estação (Adelino Faria, Ana Sousa Dias, Artur Cassiano são alguns exemplos).

Aguardemos, pois, por mais desenvolvimentos.

A saída de Osório no Público.

Ecos da Super (IV)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo está a publicar um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social aprovou a alteração da denominação da Rádio Eco, que agora passa a chamar-se Super FM.

Já há algum tempo que não dava por uma notícia destas que significa o fim de mais uma rádio local na Grande Lisboa.

Esta alteração representa o regresso às proximidades de Lisboa de uma rádio que originalmente começou por emitir nos anos 90 no Montijo e que assentava numa programação de música Rock. Passou depois por algumas mudanças que implicaram a sua ida para o Algarve, depois para o Barreiro (embora com estúdios nas Amoreiras, em Lisboa).

Agora regressa a Lisboa ocupando uma frequência (a única existente) no concelho de Alcochete.

O que mais me interessa neste caso, como noutros, é o caminho (inevitável ?!!) que as rádios locais portuguesas estão a tomar, desvirtuando-se de forma clara dos seus princípios: proximidade com as comunidades onde estão inseridas.

De facto, ninguém acredita que a Super FM, com uma programação estereotipada e assente em êxitos músicais, vá ter como preocupação "a produção e difusão de uma programação destinada especificamente à audiência do espaço geográfico a que corresponde a licença ou autorização"(lei da Rádio, artº 9, ponto 2).

É que, utilizando a única frequência de Alcochete, a Super FM será necessariamente classificada como rádio generalista local (Lei da Rádio, artº 27) e assim obrigada a difundir serviços noticiosos respeitantes à sua área geográfica (lei da rádio, artº 39).
Aguardemos, pois!

É claro que este é mais um exemplo de como o conceito de rádios locais em Portugal faliu. Se é verdade que a Super FM, regressando à Grande Lisboa, será obrigada por lei a cumprir disposições que nada têm a ver com os seus objectivos e que deste modo se perde um meio de comunicação local, não é menos verdade que a situação da Rádio Eco era insustentável há pelo menos cinco ou seis anos e que este cenário (ou outro ainda pior) seria inevitável.

Na Margem Sul do Tejo, para além de Alcochete, também Palmela, Barreiro, Almada e Moita deixaram de ter rádios locais pois nas suas frequências estão a ser emitidas rádios com outros objectivos.

Na mesma área geográfica restam: Rádio Popular FM (Montijo); Rádio Baia e RDS (Seixal) e Rádio Santiago (Sesimbra). A Pal FM (em Palmela) emite durante algumas horas a Rádio SIM (da Renascença).

quinta-feira, julho 23, 2009

E quando a marca nos troca as voltas...

Do ponto de vista das notícias que passam na rádio, um dos aspectos que acho mais interessantes na relação entre a rádio e a sua presença na net, é a questão relacionada com "o que é notícia?"

Em tempos, um professor meu dizia que a rádio não tem faits-divers. O que pretendia dizer é que o tempo em rádio é escasso e que por essa razão, a tendência era para condensar a informação em 10 ou 15 minutos e que por isso as "coisas menores", "o engraçadito" não cabiam na rádio. Até porque a rádio não tem imagem e muitos desses "happenings" vivem, sabemos bem, da força da sua imagem.

E com a net?

A imagem passou a fazer parte do universo expressivo dos jornalistas das empresas radiofónicas. Que implicações tem isso? Muitas, uma delas é que passámos a ver coisas nos sites das rádios que não esperamos escutar na rádio.

Por exemplo, uma notícia sobre um cowboy nú que quer ganhar Nova Iorque.

Relevante? Duvido. A TSF, como os apaniguados da convergência gostam de sublinhar, é uma marca e como tal transmite-nos uma determinada imagem. E esta notícia, como outras que surgem no espaço de vídeo do site da TSF, dificilmente entraria num noticiário da rádio.

segunda-feira, julho 20, 2009

Doutoramentos sobre a rádio portuguesa

Lista de teses de doutoramento sobre a rádio portuguesa:


ALVES, Teresa (2017) Os sons da Lusofonia: contextos multiculturais do serviço público de rádio em Portugal e no Brasil. Universidade do Minho.

LEITE, Renato (2017. Antecedentes da Lealdade no Sector da Radiodifusão. ISEG. 

WEIGELT, Diego (2016) A rádio e os jovens na cultura contemporânea: usos e hábitos em Portugal e Brasil. UNL.

Carvalho, Paulo Cezar Lepetri (2015)  “A Radiodifusão no Brasil e em Portugal e a invasão dos brasucas: uma nova linguagem”.  Universidade do Minho.

DAVID, Maria Inês Pereira Torcato (2015) "On and off air: an ethnographic exploration of minority radio in Portugal". Universidade Nova de Lisboa

GUIMARÃES, Valquíria (2015) "A Contribuição da Rádio para o desenvolvimento da Cidadania: um estudo comparado da atuação de rádios do Brasil e de Portugal (2011-2012)". UNL.

PORTELA, Pedro (2015) "A Voz do Utilizador na Mediamorfose da Rádio: A Interactividade e os Consumos Radiofónicos no início do século XXI". Universidade do Minho.

SANTOS, Susana (2012) "O processo de liberalização das emissões de rádio em Portugal entre estado, igreja católica e mercado". ISCTE.

REIS, Isabel (2011) "O Áudio no Jornalismo Radiofónico na Internet". Universidade do Minho.

SANTOS, Sílvio (2011) "Serviço Público de Radiodifusão em Portugal: do controlo ideológico ao fim da representatividade social". Universidade de Coimbra.

MOURA, Fernando (2010) A Construção da Identidade de uma comunidade imigrante portuguesa na Argentina (Escobar) e a comunicação social". Universidade Nova de Lisboa.

RIBEIRO, Nelson (2009) "Radio broadcasting in Portugal during War II". Universidade de Lincoln.

BONIXE, Luís (2009) "A Informação Radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. A Internet como cenário emergente". Universidade Nova de Lisboa.

MENEZES, João Paulo (2008) “O consumo activo dos novos utilizadores na Internet: ameaças e oportunidades para a rádio musical (digitalizada)”. Universidad de Vigo.

CORDEIRO, Paula (2007) "Estratégias de programação na rádio em Portugal: o caso da RFM na transição para o digital". Universidade Nova de Lisboa.

REIS, Filipe (2006) "Comunidades radiofónicas: um estudo etnográfico sobre a radiodifusão local em Portugal". ISCTE.

MELO, Rui de. "O Digital Audio Broadcasting e as implicações nos conteúdos radiofónicos". Universidad Pontificia de Salamanca. Publicado pela Universidade Fernando Pessoa sob o título "A Rádio e a Sociedade de Informação" (2001).

MEDITSCH, Eduardo (1996) "A especificidade do rádio informativo: um estudo da construção, discurso e objectivação da informação jornalística no rádio, a partir de emissoras especializadas de Portugal e do Brasil em meados da década de 90". Universidade Nova de Lisboa - Publicada pela Minerva (1998) sob o título "A Rádio na Era da Informação".

Tese de doutoramento em rádo

Nelson Ribeiro defendeu no dia 16 na Universidade de Lincoln a sua tese de doutoramento intitulada "Radio broadcasting in Portugal during War II".

O autor, que é o director de programas da Renascença, explica aqui quais são os principais objectivos do seu trabalho.

Via Indústrias Culturais.

quarta-feira, julho 15, 2009

A voz da economia

Os jornais radiofónicos de economia (e suas variações: negócios, financeiros, etc) são em regra pouco atractivos do ponto de vista da expressividade radiofónica. Raramente há sons de protagonistas, os géneros utilizados são quase sempre os mesmos e as notícias resumem-se, em muitos casos, a informações das empresas e dos grandes negócios.

Aliás, é estranho que, tendo a temática "economia" cada vez mais peso nas notícias, o número de jornalistas da rádio portuguesa ocupados em exclusivo dessa área seja, por vezes, resídual.

É preciso ir um pouco mais longe.

Lembrei-me disto depois de ouvir esta manhã o Negócios e Empresas da TSF. Não sei se foi um acaso, ou se a agenda do dia o proporcionou,mas as notícias foram complementadas com sons dos protagonistas e houve peças com desenvolvimento dado por um segundo jornalista, aproveitando o "jogo de vozes" que a rádio pode proporcionar.

O conteúdo até pode ser o mesmo mas assim, em rádio, funciona muito melhor.

sábado, julho 11, 2009

Sobre o jornalismo radiofónico

Algumas leituras:


- BOURGADE, Frédéric (2006), L’Info Rádio … Recto Verso, Paris: L’ Harmattan

- CEBRIÁN HERREROS, Mariano (1992), Generos Informativos Audiovisuales, Madrid: Editorial Ciencia.

- CROOK, Tim (1998), International Radio Journalism, Routledge: New York.

- FAUS BELAU, Angel (1981), La Radio – Introduccion a un Medio Desconocido, Madrid: Editorial Latina.

- GOLDING, Peter & ELLIOT, Phillip (1979), Making the News, London: Longman.

- MARTINEZ-COSTA, Maria del Pilar (2002), “El proceso de escritura de la información radiofónica”, in MARTINEZ-COSTA, Maria del Pilar (coord.), Información Radiofónica, Barcelona: Ariel, pp. 97-120.

- MERAYO PÉREZ, Arturo(2002), “La Construcción del relato informativo radiofónico”, in MARTINEZ-COSTA, Maria del Pilar (coord.), Información Radiofónica, Barcelona: Ariel, pp. 59-96.

- SOENGAS, Xosé (2003), Informativos Radiofónicos, Madrid: Cátedra.

- STEPHENS, Mitchell (1980), Broadcast News - Radio Journalism and an Introduction to television, New York: Holt, Rinehart and Winston.

- VILLAFAÑÉ, J. et al. (1987), Fabricar Noticias – las rutinas productivas en radio y televisión, Barcelona: Editorial Mitre.

E sobre o caso português:

- CASSIANO, Artur (2005), “Time-Setting: Estudo de Caso sobre a TSF Rádio-Notícias”, in CARDOSO, Gustavo e ESPANHA, Rita (Orgs.), Comunicação e Jornalismo na Era da Informação, Lisboa: Campo das Letras, pp. 273-302.

- GONÇALVES, Rui Fernando Mendes (1999), Jornalismo e Valores. O Projecto Informativo TSF-Rádio Jornal (1988-1993), Lisboa: Edinova.

- MEDITSCH, Eduardo (1999), A Rádio na Era da Informação, Coimbra: Minerva.

- MENESES, João Paulo (2003), Tudo o Que se Passa na TSF, Porto: Jornal de Notícias.

- PROENÇA, Luís (2005), “A rádio porta-estandarte: a TSF e o pós-referendo em Timor Leste”, in CARDOSO, Gustavo e ESPANHA, Rita (Orgs.), Comunicação e Jornalismo na Era da Informação, Lisboa: Campo das Letras, pp. 237-271.

terça-feira, julho 07, 2009

Rádios livres – a tipologia de Cazenave (III)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo está a publicar um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.

A Europa viu nascer um sem-número de rádios piratas a partir da década de 60, cenário que se prolongou nos anos seguintes. Em Itália, Espanha, Portugal (já no final dos anos 70) e em França, o fenómeno atingiu um nível que deve ser assinalado porquanto acarretou consequências ao nível social, cultural e político.
O entusiasmo verificado impede o rigor na determinação do número de rádios livres surgidas na Europa. Uma certa anarquia do movimento impossibilita uma caracterização concreta dos vários projectos criados.

François Cazenave, no seu livro Les Radios Libres, de 1984, propõe uma tipologia a partir do caso francês, mas que, com as devidas adaptações, pode enquadrar também os vários cenários europeus.

Cazenave sublinhou o carácter de passa-palavra (porte-parole) das rádios livres. E, com base nesse pressuposto, determinou a seguinte tipologia das rádios livres francesas:

- Rádios passa-palavra das lutas sociais: aquelas que apareceram ligadas a grupos com determinados interesses, desde a luta dos homossexuais, dos emigrantes ou dos ecologistas.

- Rádios passa-palavra de lutas políticas: Foram as que apareceram em maior número em França. Cazenave adverte que se tratam de estações que podem ter uma vida efémera e que isso torna difícil determinar com exactidão o seu número, a sua audiência e a duração das suas emissões. O exemplo dado pelo autor é o da Rádio Sorbonne que foi criada por estudantes universitários em Maio de 1968 e que servia para difundir a voz dos alunos. O autor enquadra ainda nesta categoria as rádios livres ligadas a grupos de ecologistas, que utilizam o meio radiofónico para mobilizar militantes, por exemplo na luta contra a proliferação de centrais nucleares. A rádio mais conhecida e que se pode enquadrar nesta classificação é a Rádio- Verte-Fessenheim, na Álsácia francesa. Em França surgiram ainda rádios eleitorais, que apareceram em 1979 aquando das eleições para o Parlamento Europeu. Esta emissora servia para que os pequenos partidos se pudessem expressar. Não faltam ainda rádios ligadas ao partido socialista, ao comunista e a uma ala apelidada de “giscardienne”.

- Rádio pela rádio. Esta terceira categoria engloba, segundo o autor, todas as emissoras que se dedicam quase em exclusivo a passar música. Aparentemente, nada move os criadores destas rádios a não ser o prazer de fazer mais uma rádio. O conteúdo da sua programação é ocupado 100% por música. Seja ela jazz, pop ou outro estilo musical qualquer. O que interessa verdadeiramente é passar música.

terça-feira, junho 30, 2009

Três momentos das notícias em rr.pt

Primeiro momento – Antes da “Boa Onda da Rádio”. As notícias da Renascença têm presença na net recorrendo ao texto, a algumas fotos e sons. O site é aproveitado para propor dossiers temáticos, como é o caso daquele que aparece na imagem, sobre a morte do Papa João Paulo II.
















Um segundo momento marca uma viragem significativa no que diz respeito à política informativa da estação. A “Boa Onda da Rádio” representou uma clara aposta no online e menor investimento no campo da informação na emissão tradicional. Nesta fase, a RR foi pioneira na introdução de algumas funcionalidades aplicadas às notícias disponibilizadas em sites da rádio. O uso do vídeo, com produção própria, passou a ser mais frequente bem como a utilização da infografia animada. Foi também nesta fase que a componente multimédia no seio da redacção da RR cresceu mais e foi lançado outro projecto inédito em Portugal: o jornal em pdf “Página Um”.













Por fim, um terceiro momento que teve início recentemente com a reformulação do site da Renascença. Diria que se trata de um aperfeiçoamento da “Boa Onda da Rádio” no qual é visível uma ainda maior aposta no vídeo e a reformulação de espaços de Opinião, por exemplo.
Registo o passo dado pela RR em matéria de interacção com os utilizadores.
Já é possível comentar as notícias e, em alguns textos disponibilizados no site, os utilizadores podem contactar com os jornalistas de forma personalizada. Não sucede em todos e em particular (o que me parece pouco coerente) não acontece em relação à opinião, justamente o campo mais susceptível de gerar debate.
Curioso é verificar que remodelação após remodelação dos sites, as rádios continuam sem aderir à “moda” do Jornalismo do Cidadão, precisamente uma das bandeiras de outros media com presença na net.


sexta-feira, junho 26, 2009

Jackson

Invariavelmente, os noticiários da manhã das rádios abriram e destacaram a morte de Michael Jackson. O acontecimento proporcionou momentos diferentes nos noticários da rádio: uma natural maior presença da música, menor diversidade temática (Jackson eclipsou o resto da actualidade), maior presença do comentário (o recurso a críticos de música foi utilizado pela Antena 1, TSF e RR).

Globalmente, o acontecimento foi tratado do mesmo modo: a notícia do sucedido(Jackson morreu); a vida polémica (acusação de pedofilia); o sucesso comercial (milhões de discos vendidos) e as reacções à morte.

Nos sites, o tema merece igualmente atenção nesta manhã. Mais pobre o tratamento no Rádio Clube (destaque na home e ligação para três vídeos do You Tube) e na Antena 1 (notícia da Lusa e som da rádio). Mais rico na TSF (Texto, foto, sons do jornalista autor da peça e de críticos embora já tudo tenha sido emitido na rádio, vídeo do You Tube) e na RR (sons da rádio, vídeo do You Tube, e texto mais atractivo com o destaque de citações que é agora prática da RR desde a recente refornulação do site).

Interessante o recurso ao You Tube como solução de última hora nos sites. O acontecimento proporcionava isso.

terça-feira, junho 23, 2009

As notícias na rádio portuguesa

Defendi no dia 22 de Junho a minha tese de doutoramento. O trabalho tem por título "A Informação Radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. A Internet como cenário emergente" e nele analiso as notícias na rádio procurando a sua compreensão a partir de dois quadros teóricos de referência.

Por um lado, a questão das notícias enquanto construção social da realidade e por outro relacionando esta construção com a expressividade sonora da rádio.
Ou seja, a hipótese colocada foi a de que a rádio, com as suas características enquanto meio de comunicação social, nos dá uma determinada percepção do Mundo, uma vez que as suas especificidades condicionam as opções editoriais dos jornalistas em relação à cobertura temática, à presença de protagonistas e a estratégias de valorização da informação.

O meu estudo passou pela análise de conteúdo das peças jornalísticas emitidas nos noticiários das 9 horas das três principais rádios de informação em Portugal: TSF, Antena 1 e RR e são estes alguns dos dados apurados:

a)Predomínio dos temas de política nas três emissoras estudadas;
b) Predomínio do recurso aos protagonistas com voz nas notícias oriundos do mundo da política e do sindicalismo;
c)Tratamento da informação na rádio portuguesa de acordo com a visão da esfera de decisão. Reduzida presença dos cidadãos nas notícias e circunscrita ao desempenho dos papéis de “vítima” ou “testemunha”.
d)Organização da redacção e rotinas produtivas dos jornalistas orientadas em função do acompanhamento do “dia noticioso” e determinadas pelas características do meio rádio;
e)Contexto de concorrência entre rádios, com expressão prática na uniformização dos principais temas difundidos pelas três emissoras.


No meu estudo tentei igualmente perceber qual a relação entre as notícias emitidas nos noticiários da rádio dita tradicional e as que são disponibilizadas nos sites da Antena 1, TSF e RR.
Em relação a esta matéria, destaco os seguintes aspectos:


a)Os sites dependem da matéria noticiosa inicialmente difundida nos noticiários da rádio, em particular no que diz respeito aos temas abordados e aos protagonistas das notícias;
b)Os sites apresentam, no entanto, um tratamento das notícias distinto daquele que é feito na rádio. Ou seja, apesar dos temas e dos protagonistas das notícias serem os mesmos da rádio, os sites apresentam a informação recorrendo a recursos expressivos (fotografia, vídeos, hiperligações, etc) que não fazem parte da rádio tradicional (que vive só do som).
c)Dinamismo dos sites das rádios TSF, RR e Antena 1 consubstanciado na reformulação das páginas e introdução de novas ferramentas. (ex: entre 2006 e 2008, RR e TSF reformularam os seus sites. Já em 2009 Antena 1 e RR levaram a cabo profundas modificações)

Outras teses de doutoramento sobre a rádio portuguesa.

quinta-feira, junho 18, 2009

A propósito do Irão...

... o renovado site da Renascença disponibiliza alguns trabalhos sobre o Irão da autoria do jornalista José Pedro Frazão. Aqui e também aqui

terça-feira, junho 16, 2009

Os Filhos da Solidão

Mesmo sem o prémio era já uma reportagem a não perder. Os Filhos da Solidão, de Ana Catarina Santos e Mésicles Helin é um excelente trabalho jornalístico de rádio, daqueles que apetece ouvir e voltar a ouvir.

Com este trabalho, Ana Catarina Santos sublinha, a meu ver, um estilo próprio que aplica muito bem nos seus trabalhos de reportagem na rádio. Gosto de escutar, de vez em quando, uma outra reportagem, também premiada, da mesma autora, sobre o ensino recorrente numa localidade do interior do Alentejo. Já lá vão uns anitos... mas é interessante observar os sons, a locução e a ilustração que os testemunhos emprestam ao trabalho.

Parabéns aos autores.

A reportagem agora premiada pela AMI está aqui: Os Filhos da Solidão

segunda-feira, junho 15, 2009

RR com novo site

A Renascença renovou o site.
É preciso navegar mais para perceber melhor as diferenças, mas há claras modificações ao nível do grafismo e do multimédia, campo no qual, aliás, a RR tinha já uma presença forte se comparada com outros sítios de rádios informativas.

O que há de novo segundo a própria Renascença.

Hei-de voltar ao tema.

quinta-feira, junho 11, 2009

Novo site da Europa-Lisboa

A Rádio Europa Lisboa renovou o seu site.
Quem o visita encontra um sítio que não vai ao encontro daquilo que tem sido o modelo seguido por outras rádios portuguesas. O site está diferente e a meu ver não potencia a presença da rádio na net. Predomina a palavra escrita, não encontramos sons, vídeos, imagens...

O site da Europa Lisboa é sobretudo de promoção da própria rádio e dos programas que nela passam. Há alguns podcasts e ligações várias. por exemplo para blogues.

Como este é um blogue que pretende olhar sobretudo para a vertente informativa da rádio (e do seu prolongamento nos sites) destaco dois aspectos que me parecem relevantes e pouco comuns nos sites das rádios portuguesa no que à informação diz respeito. O primeiro é a existência de e-mails dos próprios jornalistas permitindo deste modo que os possamos contactar directamente e não para um mail geral da redacção ou da direcção. O seu aspecto parece-me verdadeiramente excepcional: a Rádio Europa disponibiliza o seu Estatuto Editorial.

quarta-feira, junho 03, 2009

Reestruturação na TSF

De acordo com o Meios e Publicidade aproxima-se um período de reestruturação na TSF que pode implicar a redução de postos de trabalho.

terça-feira, junho 02, 2009

O tempo da notícia

Tivesse o segundo caso de gripe A em Portugal sido confirmado há três ou quatro semanas e não haveria noticiário que não abrisse com o tema, fórum que não discutisse o que o vírus anda a fazer, especialistas que não interviessem com prós e contras.

Assim, a divulgação da confirmação pela ministra, ontem, mereceu a presença da notícia, provavelmente mais adequada, no meio/fim dos noticiários. É certo que o dia foi fértil: Qimonda, General Motors e especialmente o avião desaparecido entre o Rio de Janeiro e Paris (aliás, terá sido a azáfama informativa que fez com que a TSF passasse a manhã a dizer que o avião tinha desaparecido e que era esperado no Rio de Janeiro. A correcção veio às 14h).

Mas é interessante ver como as notícias, independentemente da sua importância, têm sobretudo um tempo.

quinta-feira, maio 28, 2009

A campanha lá fora

Aqui ficam três propostas de como as rádios, através do online, estão a acompanhar os primeiros dias de campanha.

Na France Info um dos destaques de hoje foi para uma sondagem que dá ao PS francês 20% das intenções de voto: Le PS sous la barre des 20% dans les intentions de votes. C’est le résultat d’un sondage Tns-Sofres-Logica pour France Info. Pour Emmanuel Rivière, directeur du département stratégie d’opinions TNS-Sofrès, à dix jours du scrutin européen, le PS ne parvient pas à se faire reconnaître comme le principal parti d’opposition.

No site da RTVE recupero um tema abordado no início da campanha e que também por cá se falou: Por quê no interesan las elecciones europeas?

A resposta à pergunta da rádio espanhola pode estar no vídeo que a RTBF (Bélgica) disponibiliza online: Comment faire campagne pour des matières européennes difficiles ?

terça-feira, maio 26, 2009

As europeias na rr.pt

Um útil trabalho da Renascença sobre a União Europeia e o que está em causa nestas eleições. É um conjunto de trabalhos em vários suportes que merecem ser vistos. Pela quantidade de informação útil e pela reduzida utilização nos sites das rádios nacionais, destaco justamente a infografia que a emissora católica preparou.

segunda-feira, maio 25, 2009

A campanha na rádio (e online)

Começou hoje a Campanha para as Eleições Europeias. Do ponto de vista da rádio é, a meu ver, um dos momentos mais interessantes no que diz respeito ao aproveitamento das potencialidades sonoras da informação radiofónica. Durante as próximas duas semanas vamos certamente ouvir uma série de reportagens que para além do conteúdo informativo dito pela palavra, vão encher os espaços noticiosos com sons de ambiente, músicas, etc.

As campanhas políticas, enquanto terrenos férteis em termos informativos, mobilizam as redacções e modificam grelhas de programação.
Neste primeiro dia de campanha as quatro principais rádios de informação portuguesas já nos propuseram vários momentos.

Para além das notícias nos noticiários regulares da estação, a TSF dedicou hoje o Fórum ao tema com a presença de Miguel Portas (BE) em estúdio para responder às questões colocadas pelos ouvintes e cibernautas. A TSF tem também um Jornal de Campanha (julgo que às 19 horas, pois não encontro referência no site)

A Antena 1, pela voz de Maria Flor Pedroso, emitiu às 10 horas a primeira edição do Jornal de Campanha que tem nova edição às 17h30. No online, a Antena 1 disponibiliza várias informações em Política 2009.

A aposta da Renascença nesta matéria vai, tal como noutros temas da actualidade, para o seu site. A emissora católica propõe-se a colocar diariamente online um vídeo com as linhas principais dos candidatos. O primeiro é de Ilda Figueiredo.

Também o Rádio Clube dedicou parte do "Minuto-a-Minuto" à campanha para as europeias, nomeadamente com o editorial de Nuno Domingues e a opinião de Adão e Silva e Pedro Marques Lopes.

terça-feira, maio 19, 2009

APR discute Rádios de Proximidade

A Associação Portuguesa de Radiodifusão vai iniciar uma série de encontros para discutir as Rádios de Proximidade. O primeiro tem lugar no dia 26 no Funchal.
Seguem-se os seguintes: Porto Santo (16 de Junho), Porto (23 de Junho), Lisboa (25 de Junho), Fundão (30 de Junho) e Faro (2 de Julho).

Via Meios e Publicidade.

quinta-feira, maio 14, 2009

Jornalismo: o acesso democrático à profissão (II)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo está a publicar um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.


Uma das particularidades do fenómeno das rádios locais em Portugal reside no facto destas pequenas emissoras terem dado a possibilidade de fazer rádio a pessoas das mais variadas origens profissionais.

Em 1987 o Jornal Expresso publicava uma reportagem sobre as rádios locais portuguesas. Numa das passagens do texto, esta origem diversificada de quem fazia rádio nas emissoras locais fica bem clara.

Lê-se no Expresso: “Do padeiro ao barman, do polícia ao magistrado, do militar ao funcionário municipal, do teólogo ao filósofo, passando pelo químico, pelo fotógrafo, pelo cabeleireiro. E por aqui nos ficamos.”

Não se tratou, efectivamente, de uma originalidade portuguesa. Noutras latitudes, por exemplo em Espanha, as rádios livres tiveram também o contributo de pessoas oriundas de várias profissões. Pela Europa fora as rádios livres foram aproveitadas para que grupos sociais e políticos, considerados minoritários, se expressassem através de um meio de comunicação.

Para além da origem profissional, um dos aspectos mais importantes e que, a meu ver, caracterizou a génese das rádios locais em Portugal foi a juventude de quem nelas participava.

Com a rádio centralizada em Lisboa, as emissoras locais representaram um palco importante para que muitos jovens dessem aí os primeiros passos no jornalismo radiofónico.

Para muitos, as emissoras locais representaram uma escola prática de jornalismo e indiciaram a descentralização das possibilidades de emprego na área da comunicação social.

Segundo o jornal Expresso, a média de idades dos “trabalhadores” das rádios piratas no final da década de 80 era de 17 anos, e poucos ultrapassavam os 20 anos de idade.
Ainda segundo o mesmo periódico, as idades daqueles que estiveram na origem da iniciativa oscilavam entre os 9 e os 86 anos, mas os que a passaram à prática – leia-se, faziam programas – tinham entre 21 e 65 anos.

Se olharmos hoje para as principais redacções da rádio portuguesa encontramos um conjunto assinalável de profissionais que iniciaram a sua actividade em pequenas emissoras espalhadas pelo país.
E isso deve-se às rádios locais.

segunda-feira, maio 11, 2009

Fórum TSF também online

Só hoje dei por isso (por aquilo que percebo é uma iniciativa recente), o Fórum TSF alargou-se à Internet permitindo aos cibernautas a colocação de comentários sobre o tema que está em debate na antena.

Tanto quanto me recordo, é a segunda vez que a TSF tem esta iniciativa. Há vários anos atrás era também possível participar no programa através da Internet.

Agora a TSF volta a apostar neste modelo e assim alarga o leque de participações no debate o que, havendo moderação de comentários, me parece uma boa ideia, ainda que a leitura dos comentários em antena quebre, a meu ver, a dinâmica do programa.

Com esta forma de participação nos conteúdos da rádio através da net, a TSF dá um passo importante no sentido de potenciar a interactividade entre os utilizadores/ouvintes e a rádio. É que, estranhamente, apesar de historicamente a rádio ser um meio que procura potenciar a interacção com os seus ouvintes, a sua presença na Internet, que permite outras formas de participação, tem sido subaproveitada pelas rádios, pelo menos as de informação. Por exemplo, das principais emissoras,só o Rádio Clube permite comentários às notícias.

quinta-feira, maio 07, 2009

Cacofonias

Desde que o novo vírus da gripe passou a ser designado de A que ouvir notícias na rádio sobre a dita cuja tem sido uma experiência "cacofónica". Não soa bem e de vez em quando os jornalistas lá se referem à "gripe mexicana" e, agora menos frequente, à "gripe suína".

A questão também merece comentários noutras latitudes.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a Provedora da National Public Radio já se pronunciou sobre o assunto partindo de uma queixa apresentada por uma ouvinte.

Para ler aqui.

terça-feira, abril 28, 2009

Novo site da Antena 1

Depois de ter introduzido no início do ano novas funcionalidades, a Antena 1 apresenta-se agora com um site totalmente renovado.

sexta-feira, abril 24, 2009

20 anos de rádios locais - Liberdade e radiodifusão local (I)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo inicia hoje um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.
O 25 de Abril de 1974 é o mote para o primeiro texto.



A conquista da liberdade em Portugal foi a pedra de toque para as transformações ocorridas nos vários campos da sociedade portuguesa, e a rádio não é excepção.
O movimento das rádios locais em Portugal está intimamente relacionado com o próprio 25 de Abril, desde logo por ter criado as necessárias condições políticas para que centenas de rádios piratas aparecessem um pouco por todo o país. De facto, as rádios piratas apareceram num período pós-revolucionário quando a sede de liberdade de expressão ainda estava bem viva.
Do que se conhece, a primeira rádio pirata portuguesa apareceu na Grande Lisboa em 1977: a Rádio Juventude. Foi a primeira experiência de centenas que se seguiriam nos dez anos seguintes.
O sentimento de liberdade adquirido com o 25 de Abril foi fundamental na motivação sentida pelos impulsionadores das rádios piratas portuguesas que viam agora a oportunidade para transportar para Portugal as inúmeras experiências que chegavam da Europa, em particular de Itália e França, onde as rádios Livres começavam a adquirir uma importância que já não podia ser menosprezada pelo poder político.
É bom notar que não foi só em Portugal que a conquista da liberdade representou a alavanca para o aparecimento de rádios locais. O caso espanhol é, nesse sentido, semelhante ao português. Como nota Emili Prado (1982) a queda de Franco foi fundamental para a emergência deste tipo de emissoras em Espanha e acabou com a rádio que tinha por objectivo “entreter e embrutecer”.
A conquista da liberdade criou, por isso, o contexto para o florescimento das rádios locais em Portugal. Por outro lado, o movimento das rádios locais tinha na sua genética um profundo desejo, pelo menos no início, de conceder às regiões e às populações locais espaço nos meios de comunicação social.
O carácter revolucionário e de desejo de corte com o cenário de então da rádio em Portugal, demasiado centralizado em Lisboa, pode também ser visto à luz de um certo sentimento de liberdade que invadiu os impulsionadores das rádios locais portuguesas.
Rádio Delírio, Rádio Caos ou Rádio Livre são algumas das designações adoptadas pelas emissoras piratas numa clara associação do fenómeno a um desejo de agitação no sector.
De forma mais óbvia, o 25 de Abril foi associado ao movimento quando a Rádio Livre Internacional escolheu a data em 1983 para iniciar as suas emissões piratas com um debate sobre as rádios livres em França e na Polónia (Jornal Sete, 1983).

quinta-feira, abril 23, 2009

Sena Santos

Francisco Sena Santos foi outro dos entrevistados do espaço da Antena 1 "Jornalismo depois de Abril".

Trata-se de um nome incontornável do jornalismo radiofónico no pós 1974 e por isso é fundamental ouvi-lo nesta entrevista.

Sena Santos diz sobre o jornalismo: "Há reacções por tudo e por nada e começa a faltar tempo para ouvir as pessoas".

Para ouvir aqui .

quarta-feira, abril 22, 2009

A moda Gil

Registo como positiva a cobertura que tem sido dada ao tenista português Frederico Gil, não apenas agora como no torneio de Miami. Mas não nos enganemos, trata-se de uma moda que tem um nome. O interesse é pelo desportista e não pela modalidade.
Como todas as modas, esta também passará e em breve o ténis ocupará o lugar que tem tido no jornalismo desportivo português: na prateleira ao lado do atletismo, do andebol, do basquetebol etc.
Em breve, os jornais de "desporto" da rádio voltarão a dedicar 99% do seu espaço ao futebol e, dentro deste, aos três clubes do costume.

terça-feira, abril 21, 2009

TSF lidera no online

O site da TSF foi, entre os sítios online de rádios , o mais visitado no mês de Março segundo dados do Netscope agora conhecidos.

Circunscrevendo este post apenas às rádios com maior aposta na informação, temos que o site da Renascença é o segundo mais visitado e o do Rádio Clube o terceiro.

Há que referir que a Antena 1, por estar no site da RTP, acaba por sair prejudicada neste tipo de avaliação, pois os dados dizem respeito a visitas no site do audiovisual público no seu conjunto (rádio e televisão).

Para a história do jornalismo

Vale a pena ouvir a entrevista a Emídio Rangel que a Antena 1 passou ontem no âmbito de um novo espaço destinado a percorrer os caminhos do jornalismo português nos últimos 35 anos. O espaço pretende assinalar mais um aniversário do 25 de Abril de 1974.

Emídio Rangel é uma figura central no jornalismo português e em particular no jornalismo radiofónico, cenário no qual emerge, como é natural, a criação da TSF.

Rangel fala na entrevista do período anterior à liberalização do sector da rádio, que permitiria o surgimento da TSF, do que representou para o jornalismo português o início das suas emissões, da mudança do “tempo noticioso” em função do aparecimento de uma rádio em directo, da SIC e também da Zon.

Para escutar aqui.

Camilo

Na Antena Aberta desta manhã ouviram-se comentários de Camilo Lourenço. No Rádio Clube durante a semana ouve-se Camilo Lourenço. Para além da rádio, ouve-se na RTP Camilo Lourenço.

Têm razão os que defendem que o pluralismo nos media deve ser visto para além das questões políticas, alargando-se o conceito a outras esferas da vida pública.

sábado, abril 18, 2009

Do silêncio, do jornalismo e da rádio

Do congresso da SOPCOM/LUSOCOM que decorreu na semana passada destaco três comunicações das várias a que assisti.

Gostei da perspectiva levantada por Manuel Pinto no texto Do Silêncio e do Silenciamento no Jornalismo. O autor propõe uma análise do jornalismo, não a partir da enunciação que este faz da realidade, mas do silêncio e do silenciamento que acaba acontecer como resultado do facto do jornalismo olhar para determinados acontecimentos e não outros.

Apesar de ser um trabalho ainda em progresso, como o autor fez questão de sublinhar, Manuel Pinto apresentou algumas ideias muito interessantes acerca desta perspectiva. Por exemplo, quando defendeu que o jornalismo, contra aquilo que se poderia esperar, é promotor de silêncios. O campo académico, referiu Manuel Pinto, também se deixou ir pelo mesmo caminho na medida em que tende a estudar o que é dito e não o que fica por dizer.
Ora é essa a proposta de Manuel Pinto: estudar o que não é dito.

Também na rádio, o silêncio tem um papel que passa ao lado da maior parte dos estudos. Na realidade toma-se o meio radiofónico como um dispositivo comunicacional sonoro, esquecendo-se que da sua linguagem faz também parte o silêncio.

Como lembra Armand Balsebre (2004), o silêncio é um dos elementos expressivos da rádio, mas o problema é que raramente é visto como fazendo parte da sua linguagem, desde logo porque a ausência de som numa emissão de rádio é vista como um acto negativo.

Tito Cardoso e Cunha (2005) reforça esta mesma ideia sublinhando que nas sociedades mediadas tecnologicamente, o silêncio é olhado como a negação da linguagem e da enunciação.

Na verdade, a meu ver, o silêncio faz parte da própria construção da realidade feita pelos próprios media, na medida em que tanto se constrói dizendo como não dizendo. O não dito nos media, e em particular no jornalismo, representa uma categoria de edição. Escolhe-se para dizer o que se considera mais importante ao mesmo tempo que se escolhe para não dizer o que se considera menos relevante.

Não tão distante da comunicação de Manuel Pinto, a proposta de José Luís Garcia e Sara Meireles Graça O jornalismo e os jornalistas no contexto das tendências recentes do capitalismo jornalístico vê o jornalismo como prática distinta e que deve, nesse sentido, ser distinguida da comunicação, da informação e dos media. “Jornalismo é outra palavra para democracia”, defendem os autores.

Para Garcia e Graça passámos de um capitalismo jornalístico para um capitalismo informacional transição na qual as novas tecnologias têm um papel relevante.
Falar-se em “Marca”, dizem os autores, confunde com jornalismo a informação distribuída nas várias plataformas. As notícias são, deste modo, seleccionadas em função de uma lógica de convergência e em alinhamento com os valores do mercado.

O texto de Luís Garcia e Sara Meireles Graça convoca, a meu ver, formas de jornalismo que devem (deveriam?) assumir-se como alavancas de uma percepção do mundo capaz de escapar aos valores do mercado. O serviço público seria uma dessas alternativas.
Será isso possível?
Nem a propósito e estabelecendo a ponte coma rádio: No último programa do provedor do Ouvinte, Paulo Sérgio, subdirector da RDP para o Desporto admitiu a necessidade da Antena 1, perante as recorrentes queixas dos ouvintes em relação ao excesso de futebol na emissora pública, ter de responder também à concorrência.

Por fim, sublinho a comunicação de Rogério Santos, A Relação das Tecnologias de Informação e dos Media nos Últimos 40 Anos, a única que pude assistir e que teve a rádio como objecto principal. Santos apresentou algumas das linhas que vão conduzir o seu trabalho de estudo sobre o papel da tecnologia nos próprios media.
A linha de investigação do autor parte de vários conceitos, dos quais destaco a remediação, que significa que os novos media tornam melhores e rectificam os media precedentes.
O autor deixou no seu blogue algumas referências a essa comunicação que vale a pena consultar.

quinta-feira, abril 16, 2009

Audiências


Não há grandes novidades em relação às audiências de rádio, agora disponibilizadas pelo Bareme da Marktest e referentes ao primeiro trimestre de 2009.

O grupo Renascença continua líder, seguindo-se a Media Capital.
Em relação às rádios com maior aposta na informação também não há novidades. A Renascença é a mais ouvida, seguindo-se a Antena 1 que parece consolidar-se na segunda posição remetendo a TSF para terceiro. A rádio informativa foi, aliás, uma das que desceu comparativamente ao mesmo período de 2008.
O Rádio Clube continua abaixo dos 2 por cento de audiência.

segunda-feira, abril 13, 2009

A rádio no SOPCOM

Entre os dias 14 e 18 de Abril decorre em Lisboa o VI SOPCOM/VIII LUSOCOM na Universidade Lusófona em Lisboa.

Há várias comunicações que têm a rádio como tema principal. Tentarei dar conta de algumas delas nos próximos dias.

O evento pode ser seguido através do site, do blogue e do twitter.

domingo, abril 05, 2009

NPR com mais audiência

A National Public Radio (NPR) obteve no último ano a maior audiência de sempre, apesar da crise e da ameaça das novas tecnologias.
Os números atingidos pela rádio pública norte-americana revelam o interesse que os ouvintes demonstraram no acompanhamento da eleição presidencial do último ano.

News organizations expect a bump in interest when big stories break, and NPR — like others — saw a spike during last year's presidential election that helped drive the news audience to a record 21 million listeners per week. But NPR President and CEO Vivian Schiller says last year's 9 percent increase is part of a long-term steady trend up."

A propósito desta notícia, a provedora do ouvinte, Alicia C. Shepard reflecte sobre a forma como a NPR deve dar notícias sobre a própria rádio. Para ler: How Should NPR Cover Itself?

terça-feira, março 31, 2009

Jornalismo de Ciência e Ambiente


O jornalismo de Ciência e de Ambiente vai estar amanhã em debate na Universidade do Minho. A iniciativa é do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e da Associação de Repórteres de Ciência e Ambiente.

Também se falará de rádio com José Pedro Frazão, editor da Rádio Renascença.

Via Jornalismo e Comunicação.

segunda-feira, março 30, 2009

A Antena 1 e a saúde offline

Uma nota positiva, e quanto a mim merecida, para a secção de saúde da Antena 1 e em particular para Jorge Correia. É na rádio pública que encontro maior cobertura noticiosa de assuntos de saúde fora do âmbito das políticas do governo para o sector.
Hoje de manhã ouviu-se um estudo, realizado em Portugal, sobre a relação entre o vírus herpes e o linfoma.

Uma nota negativa: estranhamente não encontro essa notícia no menu que o site da Antena 1 disponibiliza. Aliás, nem essa nem muitas outras que ouvimos nos noticiários da rádio.

Assim cai por terra a proposta da rádio pública para que possamos fazer o nosso próprio noticiário. No online é importante disponibilizar as ferramentas, mas também os conteúdos.

Act: 15h06. Agora a peça já lá está.

quarta-feira, março 25, 2009

Rádio no Twitter II

Depois da TSF e do Rádio Clube, há mais rádio no twitter:

94FM e a rádio pública: Antena 1; 2 e 3.

E ainda a Renascença e a
RFM que criaram contas, mas que não são actualizadas.

Se o número de rádios é ainda reduzido, a quantidade de jornalistas de rádio presentes no twitter é significativo, incluindo aqueles que utilizam esta plataforma para a divulgação dos programas que têm em antena.

Alguns exemplos: José Pedro Frazão; Carlos Vaz Marques; João Paulo Meneses; Nuno Domingues.
Há efectivamente um gosto especial pelo twitter que não encontramos nos blogues e muito menos nos podcasts.

Alguém um dia há-de estudar isto.

sábado, março 21, 2009

O anúncio da Antena 1

Já foi tudo dito sobre o anúncio da Antena 1. Apenas registo o meu acordo com a posição dos provedores da RDP e da RTP e congratulo-me por este caso demonstrar a utilidade das suas funções.

Sobre o anúncio em si, a intenção até pode ter sido a melhor, mas que caiu mal, caiu.

terça-feira, março 17, 2009

Museu da rádio

Já dei uma volta pelo Museu Virtual da Rádio. É interessante e vale a pena uma visita. Mas como tem sido assinalado noutros blogues, falta o Museu em espaço real.

domingo, março 08, 2009

Moçambique

Uma excelente janela que Rui Tukayana nos abriu sobre Moçambique. As reportagens passaram na rádio na semana passada. Quem não ouviu pode escutá-las no site da TSF. E como a rádio já não é só som, vale a pena espreitar as fotos.

quarta-feira, março 04, 2009

Noticiário à la carte na rádio pública

O site da RTP, no qual está a página da rádio pública, foi remodelado. É agora possível encontrar, de forma mais organizada e atractiva do ponto de vista gráfico, os sons da rádio.

Há uma inovação que é a possibilidade de o utilizador fazer o seu próprio noticiário, escolhendo os temas que considera mais interessantes e assim criar uma espécie de playlist de notícias.

A experimentar.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O provedor da RDP em 2008

Já está disponível o relatório de actividade de 2008 do Provedor do Ouvinte da RDP. Do documento sublinho as considerações feitas a propósito da informação.

Adelino Gomes recebeu 116 mensagens que abordam questões relacionadas com a informação. A Antena 1, tal como já sucedera com o seu antecessor, foi a estação mais visada pelos ouvintes, seguindo-se a Antena 2.

Apesar de no total ter recebido menos queixas dos ouvintes, a área da informação registou uma subida de 10 por cento em relação ao ano anterior.

A maior parte das mensagens recebidas pelo Provedor em relação à informação teve a ver com o alinhamento e critérios jornalísticos utilizados. Este item recebeu sobretudo queixas negativas. O mesmo sucedeu com a qualidade da informação.
"O alinhamento dos noticiários e a qualidade da informação em geral estão no centro de quase metade das mensagens recebidas nesta área temática" (p.42).

O programa Antena Aberta recebeu várias mensagens “a maioria com apreciações negativas mas mais de um terço com elogios” (p.42). Este programa, com a participação dos ouvintes, volta a estar no centro da actuação do provedor, tal como já tinha sucedido com José Nuno Martins. Adelino Gomes, nas suas reflexões finais dedica-lhe algum espaço e recorda a interpelação feita por um elemento do Conselho de Opinião da RDP:


“O mesmo conselheiro quis saber de mim se iria defender ou não o fim de programas do género da Antena Aberta, sobre o qual teceu considerações frontalmente desfavoráveis. Aproveitei esta questão polémica para lhe responder que, pelo contrário, considerava este tipo de programa como o perfeito exemplo de empowerment da cidadania propiciado pela rádio e cuja manutenção (com as ressalvas óbvias em relação a vulnerabilidades conhecidas mas evitáveis do modelo) eu defenderia com grande convicção” (p.69).


O programa Contraditório recebeu mais mensagens negativas do que positivas enquanto que o Conselho Superior recebeu “mais elogios do que manifestações de desagrado”.
O programa de informação local “Portugal em Directo” só recebeu mensagens positivas.


Leitura: Relatório do Provedor do Ouvinte.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Outros sons nas notícias

Os noticiários da rádio são normalmente espaços muito fechados em termos de agenda. Há pouco tempo para dizer as coisas e o que se diz segue, por regra, os grandes temas da actualidade.

Por isso, é sempre de elogiar quando há tentativas das redacções para introduzir novas temáticas que nos forneçam uma visão mais alargada e diversificada do país e do mundo. A opção da actual equipa da manhã da Antena 1 de fazer uma ronda por dois correspondentes internacionais que relatam o que é notícia nos respectivos países parece-me acertada.

Mas queria sublinhar o trabalho do jornalista Rui Miguel Silva naquilo a que a TSF chamou de Dodge Journey. Trata-se de uma iniciativa à qual já aqui me referi por pretender potenciar a presença da rádio na Internet. O repórter percorre o país à descoberta de "estórias" que normalmente não são "estória" na rádio e vai actualizando um blogue. Pontualmente, essas notícias chegam à rádio e aos noticiários. E resulta bem. Há novos protagonistas, novas vozes, temas diferentes e isso é bom. Hoje, e só ouvi na TSF, Rui Miguel Silva puxou por uma "estória" que conta que o Carnaval da Mealhada vai ter de pagar pela primeira vez, em 30 anos de existência,impostos.

terça-feira, janeiro 27, 2009

RDP emite em DRM

Com o DAB em estado "moribundo", a RDP iniciou emissões experimentais em DRM (Digital Radio Mondiale), um sistema que permite digitalizar a emissão em Onda Média e Onda Curta. Nesse sentido acrescentará às emissões uma clara melhoria da qualidade sonora.
As experiências circunscrevem-se às emissões da RDP Internacional.

Lê-se na notícia do Meios&Publicidade:

A partir de 31 de Janeiro a RDP Internacional vai iniciar um período de emissões experimentais usando o sistema DRM. (Digital Radio Mondiale). As emissões, em colaboração com a Deustche Welle, cobrem o período das 9h30 às 11h, na frequência de 9815 kHz

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Graça Franco assume direcção de informação na Renascença

O novo ano trouxe uma nova directora na Renascença. Graça Franco substitui Sarsfield Cabral na direcção de informação da emissora católica.

A nova directora disse em entrevista ao Correio da Manhã que irá proceder a alterações tanto na redacção como na linha editorial da emissora. Eunice Lourenço continuará a ser a chefe de redacção.

Entretanto, Sarsfield Cabral passa a assegurar um novo espaço de opinião no Página 1, o jornal em pdf da Renascença. Sarsfield Cabral foi director de informação da Renascença entre 2003 e 2008 período durante o qual a emissora católica passou por modificações ao nível da informação marcadas, sobretudo, por uma aposta clara na presença na Internet.

terça-feira, dezembro 30, 2008

domingo, dezembro 14, 2008

Congresso de ciberjornalismo III - As notícias dos sites da rádio

No congresso apresentei a comunicação com o título “As notícias dos sites das rádios portuguesas - contributos para a sua compreensão” com a qual pretendi lançar um olhar sobre a relação entre a rádio dita tradicional e a sua presença na Internet, partindo do campo específico das notícias.

Analisei as notícias disponibilizadas nos sites das três principais rádios de informação portuguesas (Antena 1, RR e TSF) procurando identificar a relação com as notícias emitidas nos noticiários daquelas estações.

Eis algumas conclusões:

1º - Os sites dependem quase em exclusivo das notícias que a rádio tradicional difunde. Essa dependência verifica-se ao nível dos temas das notícias e das manchetes utilizadas no online. No período analisado, todos os temas de manchete do site da TSF foram igualmente temas de abertura nos noticiários da rádio. Na Renascença, essa correspondência situa-se acima dos 90 por cento.

2º Um olhar para a utilização dos recursos expressivos proporcionados pela Internet, permite observar o fraco uso nas notícias de recursos tais como o vídeo e até de hiperligações. Os sites das rádios RR e TSF utilizam sobretudo fotografia e ligações para notícias relacionadas. A Antena 1 é, neste aspecto menos interessante, uma vez que se limita a colocar online os sons que emitiu na rádio, sem qualquer modificação.

3º A análise ocorreu no chamado período da Manhã 1 da rádio, ou seja, consistiu na comparação das notícias dos sites com as dos noticiários da rádio hertziana entre as 7 e as 10 da manhã. Foi possível verificar o dinamismo evidenciado no que diz respeito à actualização. Em média, de 30 em 30 minutos, foram colocadas nos sites da RR e da TSF pelo menos uma notícia. É preciso notar, no entanto, que no mesmo período do dia, a rádio produz muitas notícias e como existe uma quase total dependência daquilo que é difundido na emissão hertziana, é normal que quem está responsável pela actualização do site tenha muito material disponível.

4º O mesmo já não se pode dizer da actualização das notícias, pois elas surgem no site na sua forma final, não sofrendo, na maior parte dos casos, qualquer modificação.

5º A Internet apresneta-se actualmente como um cenário emergente para o jornalismo radiofónico português. O estado actual é de complementaridade. A rádio hertziana tem as notícias (fruto de estruturas redactoriais mais compostas) e os sites acrescentam-lhes recursos que não fazem parte da expressividade radiofónica como sejam a fotografias, vídeos, infografia etc. Essa complementaridade verifica-se também ao nível da oferta de novos produtos como é o caso do Página UM (jornal em pdf da Renascença) ou da emissão de relatos de futebol online (caso da Antena 1).
Um dado que parece ir ao encontro de outros estudos sobre ciberjornalismo tem a ver com o fraco aproveitamento da interactividade. As notícias dos sites da RR, TSF e Antena 1 não permitem ao utilizador fazer comentários ou contactar com os jornalistas autores das peças.

Congresso de ciberjornalismo II - A rádio

Não se falou muito, mas assinalo alguns aspectos que me parecem importantes.

Na comunicação apresentada por Pedro Caeiro, editor multimédia da Renascença, foi feito um percurso da presença da emissora católica na Web, destacando o processo claramente evolutivo desde o seu início até hoje. Se a página da RFM complementa o carácter de entretenimento da estação, já a Renascença faz uma clara aposta no domínio da informação e do uso das ferramentas online, com particular destaque para a infografia e vídeo. Neste último aspecto, Caeiro referiu que no próximo ano o site avançará com a webtv. O Página Um, jornal em pdf da RR, parece também ter sido uma boa aposta da estação pois segundo os dados anunciados no congresso já tem 66 mil assinantes.

Fernando Zamith apresentou os dados da sua investigação sobre o aproveitamento das potencialidades pelos ciberjornais portugueses. Os dados, referentes a 2008, colocam a TSF como o site de rádios que melhor uso faz das potencialidades online e na 3ª posição no total dos ciberjornais portugueses. A Renascença surge em sexto lugar e o Rádio Clube na 14º. Quanto ao aproveitamento de cada potencialidade em particular, os dados apresentados revelaram que a RR é o site português que melhor aproveitamento faz da multimedialidade (uso de vários recursos multimédia: vídeo, áudio etc) e que é o segundo (atrás do jornal Académico Jornalismo Porto Net) no que diz respeito à hipertextualidade.

Uma nota final para o site da Renascença que teve trabalhos nomeados para várias categorias dos prémios de Ciberjornalismo, atribuídos por um júri do congresso, no entanto, acabaria por não vencer nenhum deles.

sábado, dezembro 13, 2008

Congresso de ciberjornalismo I

Os últimos dois dias foram passados no Porto, no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, promovido pela Universidade do Porto.

Das várias e interessantes sessões e comunicações apresentadas destacaria três eixos que me parecem ter sido transversais às várias intervenções:

1ª O jornalista do futuro. Que profissional e perfil serão necessários para enfrentar todos os desafios que se vão colocar (e já se colocam) aos jornalistas. As intervenções nesta matéria andaram entre a polivalência (o jornalista capaz de dominar todas as técnicas próprias do ambiente do ciberjornalismo) e a especialização (domínio especifico de algumas dessas técnicas – vídeo, infografia – mas não todas). Anexadas a estas duas perspectivas, emerge a questão da própria formação dos jornalistas não apenas em ambiente académico, mas também profissional.
Por outro lado, a questão da polivalência questiona a própria função dos jornalistas que entre tantas ferramentas que necessitam dominar, lhes restará pouco tempo para fazer aquilo que é realmente a sua função: informar.
Bem a propósito, Mark Deuze, falava na sua intervenção (videoconferência) que o poder cultural do jornalismo e dos jornalistas nas sociedades está a diminuir, transferindo-se para dois outros campos: o das audiências (que agora também são produtores) e o dos empregadores dos media. Deuze concluiu que provavelmente continuaremos a precisar de jornalistas, mas não do actual tipo de jornalistas, aludindo à necessidade de uma nova cultura profissional.

2º O jornalismo do futuro. Está inerente à questão anterior. A tecnologia tem mostrado ser demasiado rápida em função do aproveitamento que dela se consegue fazer. O surgimento de novas ferramentas coloca ao jornalismo (e às empresas de media) frequentes questões. Disso falou a professora e investigadora brasileira Beth Saad Corrêa que colocou o jornalismo num contexto de uma parafernália de funcionalidades. O ciberjopnalismo Web 2.0 convoca também um jornalista com um perfil distinto daquele que conhecemos. Saad Corrêa propõe o “jornalista estrategista” que vai para além da simples produção de texto e que é capaz de usar e gerenciar todas as ferramentas disponíveis no contexto da Web 2.0.
Por outro lado, num tal cenário é importante não perder de vista as próprias empresas, o ensino do jornalismo e sobretudo o utilizador dos novos media na medida em que num tal contexto revela-se muito importante a adopção de estratégias tendentes à aproximação dos cibernautas.

3º A convergência. Foi o tema transversal a praticamente todas as intervenções. Convergência na narrativa, no perfil do jornalista e nas organizações jornalísticas. Para Ramón Salaverria a convergência é um processo inevitável. Aquele que é considerado um dos mais prestigiados investigadores nesta matéria sublinhou que essa convergência passa pelo multimédia em vez do many media, que é o cenário actual, ou seja a junção dos vários media e não a criação de um verdadeiro novo conceito. Aliás, Mário Táscon sublinharia na sua intervenção que a internet é muito mais do que a soma das suas partes aludindo à precaução que é preciso ter com os modelos híbridos.
A convergência tem subjacente um novo conceito e cultura para os media bem como para os seus profissionais o que passa, uma vez mais, pela formação, pela colocação em prática de novas narrativas e práticas discursivas que resultam do uso de uma nova linguagem. Tascón apresentou, ainda que sucintamente, um novo modelo de organização da redacção que se caracteriza pela sua estruturação em rede, na qual todos os seus elementos estão em condições de comunicar uns com os outros.
Aliás, no plano da organização jornalística, o termo comunicação parece ser a chave para a convergência. Salaverria sublinhou que o mais importante não é que as redacções se reúnam, mas sim que comuniquem entre si.
A ideia de convergência convoca ainda a dimensão da narrativa. Ou seja, se os jornalistas têm hoje ao seu dispor um conjunto de ferramentas várias (hipertextuais, multimédia, interactivas etc) e partindo do pressuposto que as sabem usar, como se deve contar uma estória? Neste campo foram enunciadas várias experiências levadas a cabo pelos vários meios de comunicação social e que demonstram alguma actividade neste domínio, mesmo no contexto português, quanto ao uso de vídeo, áudio, infografia etc.


Mais sobre o congresso aqui.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Doutoramento em rádio

João Paulo Menezes defende no dia 11, na Universidade de Vigo, a sua tese de doutoramento com o título “O consumo activo dos novos utilizadores na Internet: ameaças e oportunidades para a rádio musical (digitalizada)”.

A investigação de JPM junta-se a outras teses de doutoramento sobre a rádio portuguesa e das quais destaco as seguintes:

MEDITSCH, Eduardo (1996) "A especificidade do rádio informativo: um estudo da construção, discurso e objectivação da informação jornalística no rádio, a partir de emissoras especializadas de Portugal e do Brasil em meados da década de 90". Universidade Nova de Lisboa - Publicada pela Minerva (1998) sob o título A Rádio na Era da Informação.

MELO, Rui de. "O Digital Audio Broadcasting e as implicações nos conteúdos radiofónicos". Universidad Pontificia de Salamanca. Publicado pela Universidade Fernando Pessoa sob o título A Rádio e a Sociedade de Informação (2001).

REIS, Filipe (2006) "Comunidades radiofónicas: um estudo etnográfico sobre a radiodifusão local em Portugal". ISCTE.

CORDEIRO, Paula (2007) "Estratégias de programação na rádio em Portugal: o caso da RFM na transição para o digital". Universidade Nova de Lisboa.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Dodge Journey

Um repórter pelo país.
Um projecto interessante e um exemplo mais de como a rádio informativa pode potenciar a sua presença na Internet.
Ontem passou um mês desde o início do trabalho levado a cabo pelo jornalista Rui Miguel Silva.
Para seguir aqui.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Rádio e Jornalismo

O Rádio e Jornalismo assinala hoje três anos de existência.
Obrigado aos que por aqui têm passado.

sexta-feira, novembro 28, 2008

O que mudou nas rádios locais…

… é o tema de uma tese de mestrado defendida em Outubro na Universidade da Beira Interior por Daniela Silva.

A autora começa por criar um breve contexto histórico das rádios locais em Portugal, sublinhando os aspectos que marcaram o seu aparecimento e analisando as transformações ocorridas no plano legislativo.

Partindo do pressuposto de que em 19 anos de existência de rádios locais em Portugal, o cenário destas emissoras se modificou, Daniela Silva procura na sua investigação perceber o que realmente mudou e quais as razões para isso.

A investigadora realizou entrevistas a duas personalidades que estiveram ligadas à radiodifusão local portuguesa (António Colaço e José Faustino) e analisa as respostas ao inquérito que submeteu às rádios locais.

Daniela Silva divide a sua investigação em seis grandes itens: Propriedade e Direcção, Recursos Humanos, Condições Técnicas, Audiência, Publicidade e Programação:

Da leitura da sua tese pode-se concluir que as principais transformações ocorridas nas rádios locais portuguesas situam-se ao nível da tecnologia, com destaque para a presença na Internet. Segundo os respondentes, quase todas as rádios estão presentes na rede global, sendo que no “Centro como no Sul, as respostas afirmativas atingiram os 100%”.
No entanto, as potencialidades da Internet parecem não ser totalmente aproveitadas pelas emissoras locais, por exemplo no que diz respeito à disponibilização de programas em podcast. Um dado que a Entidade Reguladora da Comunicação no seu relatório referente a 2007, também tinha notado.

Há, no entanto, um dado que me surpreende e que tem a ver com a informação: Segundo Daniela Silva, há hoje mais espaço para a informação nas rádios locais, do que há 20 anos. Acredito que sim, mas seria curioso saber que informação: local, nacional …

A investigadora conclui:

“Traçando o perfil das rádios locais actuais, ou seja, das rádios locais 20 anos depois da legalização, podemos dizer que a rádio de âmbito local, pertence a uma cooperativa, não está ligada a grupos media e tem na sua direcção entre quatro a sete pessoas. Remunera, em média, dois jornalistas, dois comerciais, dois técnicos e um director. Continua a existir algum voluntariado e, por isso mesmo, colaboradores não remunerados. As rádios empregam jornalistas com e sem formação académica. As instalações das rádios são instalações próprias e nelas existe, em média, um estúdio. A recolha de som é feita com Mini-disc e Gravador MP3. As rádios locais têm sítio na Internet e emissão Online, com o objectivo de chegar ao maior número de pessoas possível e de conquistar mais anunciantes. O Podcast é ainda muito raro.(…)“

Os meus parabéns à nova mestre e agradeço a Daniela Silva ter-me enviado a sua tese.

Leitura: SILVA, Daniela (2008). As Rádios Locais: o que mudou desde 1989?, Tese de Mestrado. Universidade da Beira Interior.
Orientação: João Canavilhas.

terça-feira, novembro 18, 2008

A Irmandade do Éter

Um novo blogue sobre rádio.
A Irmandade do Éter junta sete apaixonados pela rádio, entre eles o meu amigo Francisco Mateus.

Felicidades para a nova aventura.

segunda-feira, novembro 17, 2008

A nova lei da rádio e a informação local

O ministro Augusto Santos Silva anunciou durante o XI Congresso de Radiodifusão algumas das medidas que pretende implementar em sede de revisão da Lei da Rádio.
Julgo que as principais alterações se podem resumir do seguinte modo:

- Facilitar processos de cooperação entre as rádios
- Abrir caminho a uma maior concentração no sector da radiodifusão local
- Acabar com a obrigação das rádios locais emitirem pelo menos três noticiários diários sobre a sua área de cobertura
- Facilitar a constituição de cadeias de rádio
- Proceder a alterações ao nível das regras para classificação de rádio temática.

É curioso notar que a tendência seja agora a de facilitar aquilo que em tempos era visto como algo prejudicial para o desenvolvimento da radiodifusão local portuguesa, nomeadamente no que diz respeito à concentração e à existência de cadeias de rádio, dois cenários que sempre foram alvo de medidas legislativas apertadas por se considerar que poderiam pôr em causa os princípios das rádios locais.

É certo que aquilo que se lê na comunicação social é muito pouco para se ter uma opinião mais sustentada sobre as propostas para uma nova lei da Rádio, mas há alguns dados que merecem reflexão.
Por exemplo o que significará na prática dizer que “o caminho de desenvolvimento do meio rádio português passa por alguma concentração”?

Duas outras medidas sugerem-me alguma perplexidade se se tiver em conta que as rádios locais devem servir para a reprodução dos discursos locais (foi para isso que foram criadas, certo?).
Refiro-me, em concreto, a dois aspectos: o fim da obrigatoriedade de emissão de três noticiários com informação local e a alteração das regras para a definição de rádios temáticas.

Daquilo que conheço, quando as rádios locais não forem obrigadas a fazer noticiários com informação local, simplesmente deixarão de emitir qualquer noticiário.
Tem razão Eduardo Meditsch quando afirma que as rádios emitem informação actualmente por dois motivos: “força do hábito ou de lei” (Meditsch, 1999:21).
Não havendo a lei…
É preciso também perceber o que significa dizer que as rádios locais passarão a ser obrigadas apenas a fazer a “cobertura informativa, em moldes que serão estabelecidos pela rádio e cujo cumprimento será fiscalizado pelo regulador.”
Passam a ter que fazer a cobertura jornalística de cerimónias, de grandes acontecimentos locais (normalmente promovidos pelas autarquias)? A ter um programa de informação? Diário? Semanal? Se a informação não for diária, haverá rádio local neste país que queira ter jornalistas nos seus quadros?

Já quanto às mudanças das regras para a classificação de rádio temática, acredito que quando todas as emissoras puderem ser assim classificadas, a tendência será para optarem pela classificação de temáticas musicais, tal como hoje sucede com aquelas que decidiram especializar-se num tipo de programação.
Num tal quadro, onde fica a informação local?

Acredito que estas medidas estejam ainda a ser alvo de reflexão por parte dos intervenientes, por isso, é de aguardar por mais desenvolvimentos. De qualquer forma, e num quadro que tende para a uniformização da oferta da rádio em Portugal, a informação, e em particular a local, poderá apresentar-se como um elemento diferenciador, desde que claro, seja feita por jornalistas e não por outras figuras, como o tal “radialista”.

Já me parece muito positivo que o Governo tenha a intenção de, finalmente, estabelecer níveis que diferenciem as rádios locais. Tratar por igual uma rádio da Grande Lisboa e outra do interior alentejano, por exemplo, parece-me absurdo.

As propostas para a nova Lei da Rádio aqui.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Sugestões

Para ouvir (e ver) mais logo no Rádio Clube. Até pode ser interessante.

Para os que se interessam por rádio e comunicação política. Um chat sobre a cobertura da NPR das eleições norte-americanas

Para o fim-de-semana.
O encontro de blogues na Universidade Católica, em Lisboa
E o Congresso de Radiodifusão, em Vila Real.

terça-feira, novembro 04, 2008

segunda-feira, novembro 03, 2008

Nas eleições americanas, em inglês

Tenho apreciado muito as reportagens na rádio a propósito das eleições nos Estados Unidos. Têm-nos trazido uma América interessante. Acompanho, em especial, os trabalhos da Antena 1 e da TSF. Só não entendo porque é que a TSF persiste em não dobrar um único som, seja longo, curto...

quarta-feira, outubro 29, 2008

Rádio Europa vai fechar

É pelo menos essa a ideia da Rádio França Internacional (RFI) que segundo o Expresso Online pretende encerrar a sua filial em Lisboa, a Rádio Europa, antiga Rádio Paris-Lisboa.
A decisão de encerrar justifica-se pela reorientação "estratégica" da emissora.

Lê-se na notícia do Expresso:

A ideia de fechar a Rádio Europa já é antiga e recolheu, designadamente, há cerca de um ano, o parecer favorável da Embaixada da França em Portugal, que considera a emissora "sem interesse", segundo disse ao Expresso uma fonte diplomática francesa.
A representação francesa em Portugal justificou, então, o seu parecer com as "audiências muito fracas" e a "inviabilidade financeira" da antiga Rádio Paris-Lisboa.
Antonieta Lopes da Costa, directora da Rádio Europa, disse ao Expresso não ter ainda "conhecimento oficial" da venda ou encerramento da estação emissora, mas admitiu que a decisão do Conselho de Administração da RFI seja a venda.
"Suspeito que a decisão seja a de vender a Rádio Europa, mas ainda não tive nenhuma reunião com a administração da RFI sobre o assunto", disse Antonieta Lopes da Costa.
A Rádio Europa, onde trabalham 16 pessoas, utiliza a frequência 90.4FM e identifica-se como uma estação que "aposta numa informação credível e rigorosa sobre a actualidade e está atenta aos novos desafios que se colocam aos cidadãos europeus do século XXI".


Act.(3 de Novembro 08) No blogue Jazza-me muito... é dito que a Rádio Europa-Lisboa não vai encerrar.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Sinal dos tempos...

... este fim-de-semana as televisões encheram-se de imagens produzidas pela rádio.
A TSF, para além de conseguir para a rádio uma entrevista com o primeiro-ministro, conseguiu também potenciar a conversa, a Internet e, no fundo, a rádio.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Novo site da Antena 1

A Antena 1 vai renovar o site em Novembro. É uma boa notícia, pois, entre a concorrência, o sítio da Antena 1 é de longe o menos interessante, pelo menos no que à informação diz respeito.

Via Meios&Publicidade.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Acerca dos noticiários da rádio

Um excelente texto da provedora do ouvinte da NPR.
A propósito da cobertura da campanha eleitoral para as presidênciais norte-americanas, Alicia C. Shepard escreve um interessante texto sobre a importância dos noticiários da rádio, do som e da inclusão de declarações de protagonistas nas notícias, do tempo na rádio e da dificuldade de (lá como cá) encontrar o equilibrio no que diz respeito à cobertura de candidatos quando em campanha.

Para ler: Balancing the newscasts

quinta-feira, outubro 16, 2008

Sobre uma "nova rádio"

A sessão que juntou os responsáveis pelo multimédia da RDP, TSF, RR e Média Capital foi muito interessante e dela retiro a ideia de que em matéria de futuro da rádio há mais interrogações do que propriamente certezas.

Ou melhor, uma das certezas parece agora assentar em discursos mais cautelosos sobre a já há muito anunciada "morte da rádio". Com efeito, já ninguém arrisca dizer que a rádio vai morrer, mas sim que a emergência das novas tecnologias está a questionar a rádio tal como hoje a conhecemos. O discurso, pelo menos daqueles que participaram na sessão, aponta para o cenário de uma rádio que viverá de multiplas plataformas onde convive o som, o vídeo, o texto, a fotografia etc. Num tal cenário, a rádio proporciona informação personalizada e serve de palco para redes sociais.

Já sobre o caminho para lá chegar é que voltamos a encontrar algum desencontro nos discursos. Por exemplo, Carlos Marques, da Media Capital, considera que o futuro da rádio passa por um cenário a que chamou de "digi-media". Trata-se de um cenário onde convive a distribuição multiplataforma: FM+digital+net+mobile+cabo. A rádio disponibilizará serviços e conteúdos multimédia e proporcionará dinâmicas de envolvimento com o ouvinte. O que distingue, segundo percebi, o discurso de Carlos Marques dos restantes é naquilo que deve ser o eixo fundamental dessa "nova rádio". Para o director multimédia da Média Capital Rádios, esse eixo é o som. É em volta dele que todas as outras ferramentas devem crescer e desenvolver-se.

Fiquei com a ideia que para Pedro Leal, da Renascença, a rádio do futuro passa por um cenário semelhante, mas a aposta é sobretudo ao nível da imagem e muito em particular do vídeo, como aliás, já hoje acontece no site da RR.

Rui Pêgo, da RDP, considerou menos relevante discutir se tudo isto de que falamos (som e imagem e texto e fotografia etc) ainda é rádio. Julgo que este é o principal aspecto: saber se ainda é rádio. Por vezes é bom regressar à origem dos conceitos para percebermos o que está a montante.

Rádio é som. E isto, parecendo uma evidência, não é irrelevante porquanto a rádio é o que é precisamente porque se baseia numa comunicação sonora. Se ouvimos rádio enquanto conduzimos é porque precisamos de uma forma de comunicação que não requeira o nosso olhar. Se ouvimos rádio de manhã para saber as últimas é porque a rádio, enquanto meio sonoro, é o único que nos pode facultar de forma rápida e imediata essas informações e nós podemos consumi-las partilhando a sua escuta com uma série de outras actividades.

A net convoca a totalidade da nossa atenção e exige-nos uma resposta. E nós respondemos, caso contrário não é net. A rádio guia o nosso quotidiano e para isso ela tem que estar ao nosso lado sem nos impossibilitar de viver esse quotidiano.

Independentemente do conjunto de ferramentas e serviços que a rádio do futuro nos proporcionará, o ser humano continuará, seguramente, a necessitar de saber do mundo no momento em que o vive.

A Internet é, garantidamente, uma excelente oportunidade para renovar a rádio.

domingo, outubro 12, 2008

Nova lei da rádio para o ano, garante Santos Silva

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, garantiu que o Governo irá apresentar no próximo ano à Assembleia da República a nova lei da rádio.

Santos Silva não adiantou os contornos do novo articulado no qual o governo está actualmente a trabalhar, mas sublinhou que a actual lei não foi um impedimento para que o sector progrida apesar da legislação obsoleta.

O ministro falava por ocasião da inauguração das novas instalações da Rádio Vouzela, que não conheço, mas que a avaliar pela notícia do DN fez um forte investimento e está claramente acima da média das rádios locais portuguesas.

Lê-se no DN:

"a rádio passou a dispor de cinco estúdios, para a informação, produção, emissão e entrevistas. Dispõe ainda de um pequeno auditório com capacidade para 70 pessoas e espaços para a administração", frisou o director. Com o aumento do número de estúdios, a VFM "adquiriu novo material informático, novas mesas de mistura e um PA para rentabilizar o auditório com a realização de pequenos concertos e espectáculos"

Notícias do DN e do Público.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Regresso da reportagem TSF

A reportagem TSF regressa hoje.
O trabalho é de Maria Augusta Casaca e tem por título "Doce amargo sal".
O regresso deste espaço da TSF traz uma novidade que comprova uma vez mais a tendência para a complementaridade entre a rádio hertziana e o site da estação. Para além de poder ouvir a reportagem pode-se aceder a uma galeria de fotos.
A reportagem passa na rádio às 19h15.

terça-feira, outubro 07, 2008

Conferência da ERC

A Entidade Reguladora da Comunicação organiza nos próximos dias 16 e 17, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a II Conferência "Por Uma Cultura de Regulação". Do programa destaco, naturalmente, um dos momentos dedicados à rádio:

Às 16h45 decorre a sessão "Impacto Regulatório das Novas Lógicas de Produção Radiofónica. Convergência e web2" com as participações de James Cridland, Head of Future Media and Technology da BBC Audio and Music; Rui Pêgo, Director de Programas da RDP; Arsénio Reis, Director Multimédia da Controlinveste (TSF); Pedro Leal, Responsável pelos Conteúdos Online da R.Renascença e Carlos Marques, Director Multimédia da Media Capital Rádios.
Os comentários estarão a cargo de Francisco José Oliveira, Vice-Presidente da APR.

O programa completo está aqui.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Vozes

Aqui há tempos, alguém me chamava a atenção para o facto de já não haver personalidades no jornalismo radiofónico. Referia-se às vozes.
E perguntava: quem hoje liga a rádio para ouvir as notícias só porque são ditas por um jornalista em concreto? Ninguém. Respondia.
Sena Santos foi o último que chamava ouvintes para a sua rádio. Ouviam-se as notícias de manhã na TSF porque estava lá o Sena. E depois na Antena 1.

Era por causa do estilo, claro está, mas também da informação, obviamente. E era também pela manutenção da mesma voz durante anos. As rádios (informativas) fidelizavam os ouvintes.

Hoje os tempos são outros. As manhãs, período nobre da rádio, e das notícias, conhecem pivots de forma rotativa. Pedro Pinheiro, depois Helena Vieira, depois Pedro Pinheiro e depois... Na Renascença era o Arsénio Reis, depois o José Pedro Frazão. A Antena 1 depois de Sena Santos, José Guerreiro, que era dos que mais tempo ficou, prolongando o estilo do seu mestre.
Agora Eduarda Maio. Ouvi hoje pela primeira vez.
Começou um novo ciclo nas manhãs da rádio pública.
Tenho que ouvir mais vezes.

terça-feira, setembro 23, 2008

José Nuno Martins e a rádio pública

À revista JJ do Clube de Jornalistas o antigo provedor do Ouvinte da RDP, José Nuno Martins, faz um balanço da actividade que desempenhou durante dois anos.

Aqui ficam algumas passagens:

Sobre a Informação: "(...) É pena que não haja um jornalismo mais cosmopolita que além de falar do país pequenino que nós somos, e da pequenina política e da pequena saúde, da pequena justiça de todos os dias e do pequeno futebol ou do grande futebol, não saiba apresentar mais do mundo. Do grande mundo, do vasto mundo. O jornalista também precisa de nos levar a regiões que não conhecemos e de que ouvimos cada vez menos".

Sobre a Antena Aberta: "(...) A Antena Aberta é um meio caótico do ponto de vista conceptual e do ponto de vista funcional. Todos os meios caóticos são pouco tratáveis em televisão e em rádio. Há um depuramento que se exige dos profissionais e dos jornalistas. Um depuramento estético também. Isto não é abrir o microfone e digam para aí o que quiserem. Situações que são de impulso e de primarismo, de falta de preparação específica."

Sobre a Antena 2: "(...) Há um erro interpretativo acerca dos desígnios que são atribuídos pelos ouvintes à Antena 2. Há uma carga tradicional na Antena 2, houve uma evolução de públicos. Eu acho que houve impulsos demasiados quando o novo director tomou conta dos destinos da Antena 2. Há deficites grandes na programação da Antena 2 que se prendem, por exemplo, com a divulgação científica, divulgação de experiências de teatro radiofónico, de radioarte. Tudo são coisas desgarradas não há conceptualização nenhuma a esse nível. O que houve foi a vontade de alterar modelos, paradigmas de programação da própria estação. E com isso o que é resulta? Perdeu-se o público."

Sobre a Antena 3: "(...) Isto é, alguma vez você ouviu falar, por exemplo, sobre fiscalidade? Alguma vez ouviu falar sobre o dia cívico? Alguma vez ouviu questionar a ida de soldados portugueses, gente de 19 anos, para a Bósnia, para o Afeganistão? Faz sentido um país aflito estar a gastar o dinheiro que está a gastar? Isto é uma coisa que merece ser discutida ou não? Faz parte ou não, deve fazer parte ou não?
Eu não estou a dizer que se fale de educação sexual só por se falar, só para encher tempo, porque isso afastaria os ouvintes. O que é preciso é descobrir fórmulas que sejam suficientemente cativantes, muito sustentáveis numa programação musical muito específica, em que obviamente a nova música popular portuguesa tem que ter um desempenho muito grande e deixou de o ter também nesse plano. Acabaram com a “Quinta da 3” e não se vê que tenham feito propostas alternativas a isso."

Sobre o seu desempenho: "(...) eu tenho dúvidas de ter sido o provedor de que as pessoas estavam à espera. O que eu não tenho dúvidas é que fui o provedor que fui capaz de ser. Esforcei-me muito, trabalhei muito. Isto foi muito violento. Foi realmente muito violento. Não é que eu não tenha tido na vida momentos e fases em que não tenha trabalhado ainda mais, mas eu não imaginava que isto fosse tão violento. Se calhar porque não fui ambicioso aqui na constituição… "

segunda-feira, setembro 22, 2008

Acerto...

... no regresso das emissões no Rádio e Jornalismo sublinho a rentrée das rádios portuguesas, criando em alguns casos novos programas e noutros mantendo antigas apostas.

O dia de hoje assinalou a nova grelha da TSF que foi explicada recentemente por Paulo Baldaia, o seu director, ao Diário de Notícias. À primeira audição registo como positiva a manutenção da Reportagem TSF, que passa agora para a 5ª feira, em vez de sexta-feira, quando a TSF passará a emitir um novo programa chamado "Governo Sombra", curiosamente à mesma hora a Antena 1 emite o programa de debate e análise política "Contraditório". Num registo de informação útil, parece-me também positivo a continuação e o alargamento de pequenos espaços onde se pretende abordar a saúde (Clínica Geral) ou fiscalidade (Conselho Fiscal).
De negativo: lamento a saída de Denise e Maria Delfina e a não existência, no espaço nocturno, de um programa de análise da actualidade do dia. Negativo também o alargamentodo programa "A Idade da Inocência".

O arranque da nova programação do Rádio Clube aconteceu já há uns dias atrás e vem explicada em entrevista de Luís Osório ao Correio da Manhã. Destaco duas situações e ambas positivas: a parceria do Rádio Clube com o CM, que à semelhança de idêntico cenário entre TSF e DN, avançou com um programa de grande entrevista que é emitida na rádio e publicada na imprensa. Registo ainda as alterações (inevitáveis) no programa Janela Aberta. Dentro do estilo de uma espécie de informação e entretenimento que o Rádio Clube insiste em manter nas tardes, o par Teresa Gonçalves e Aurélio Gomes parece-me o mais adequado.

Na tentativa de acertar com a actualidade radiofónica nacional, registo ainda como muito positiva a série de programas levada a cabo pelo novo provedor do Ouvinte da RDP. O último desta série será dedicado a um "balanço das críticas dos seus convidados, a quem perguntou também o que faz mais falta na Rádio pública de hoje".


A série de programas pode ser escutada aqui.