Agrada-me o programa do provedor do Ouvinte da RDP.
Em comparação com o seu antecessor, José Nuno Martins, Adelino Gomes tem trazido à antena mais temas relacionados com o jornalismo radiofónico e isso, confesso, agrada-me bastante, sobretudo porque contribui para a abordagem de questões jornalísticas no contexto da rádio, que em Portugal pouca atenção têm merecido, até dos próprios jornalistas.
Há, no entanto, um aspecto que gostaria de ver alterado e que tem a ver com a disponibilização do programa do provedor na Internet. Com efeito, este só pode ser escutado via online depois de passar em todas as estações do universo da rádio pública. Ou seja, à terça-feira.
Não entendo.
A Internet é um canal do serviço público de rádio, tal como os restantes. Não é o outro canal. Se o programa está gravado porque não colocá-lo de imediato no site?
Não podemos negligenciar o facto de haver muitos ouvintes (certamente a maioria) que ouve a rádio pública pela via, digamos, tradicional, mas também não nos podemos esquecer que há cada vez mais ouvintes que escutam os programas através da net.
Disponibilizar o programa do Ouvinte no site, sem ter de esperar pela sua difusão em todos os canais da rádio seria, a meu ver, responder a um direito que todos os "ciber-ouvintes" têm de escutar a rádio pública quando e onde desejam, afinal duas vantagens da rádio online.
Aliás, a Internet parece de algum modo secundarizada neste aspecto. Se consultarmos o horário do programa na página do provedor não encontramos qualquer referência ao dia em que o espaço é disponibilizado online.
Vem tudo isto a propósito da intenção deste blogueiro em querer hoje deixar o link para o último programa do provedor, no qual Adelino Gomes abordou o tratamento jornalístico dado aos partidos nas últimas eleições, e não conseguir encontrar o dito programa. É que vale mesmo a pena ouvir.
terça-feira, novembro 03, 2009
segunda-feira, novembro 02, 2009
António Sérgio II
António Sérgio não era só um excelente autor de programas de rádio, nem uma voz única. António Sérgio era crítico da própria rádio. Era um observador atento do meio. Era um apaixonado pela rádio.
Do baú, encontrei esta entrevista dada à revista Única, em 2005.
Retiro alguns excertos:
"A rádio foi praticamente o único universo que conheci. (...) O meu pai foi convidado para fundar a Rádio Clube de Bié e, por causa dele, a minha mãe tornou-se locutora. Cresci nesse ambiente. Todo o meu tempo livre era passado ali."
"Mas há qualquer coisa de mágico neste meio. É tão mágico que até é um bocadinho trágico. Quando entro no programa, à meia noite, e me ligo à mesa através dos head-phones, entro na máquina e integro-me nela."
"Quando percebi o marasmo radiofónico que era Portugal, comecei a fazer tudo o que não se fazia em rádio em termos de divulgação musical(...)"
"Repare que são anos e anos a ouvir música e a estar sempre à procura de música nova. Portanto continuo à procura de alguma coisa que ainda me faça sentir um «clic»".
Do baú, encontrei esta entrevista dada à revista Única, em 2005.
Retiro alguns excertos:
"A rádio foi praticamente o único universo que conheci. (...) O meu pai foi convidado para fundar a Rádio Clube de Bié e, por causa dele, a minha mãe tornou-se locutora. Cresci nesse ambiente. Todo o meu tempo livre era passado ali."
"Mas há qualquer coisa de mágico neste meio. É tão mágico que até é um bocadinho trágico. Quando entro no programa, à meia noite, e me ligo à mesa através dos head-phones, entro na máquina e integro-me nela."
"Quando percebi o marasmo radiofónico que era Portugal, comecei a fazer tudo o que não se fazia em rádio em termos de divulgação musical(...)"
"Repare que são anos e anos a ouvir música e a estar sempre à procura de música nova. Portanto continuo à procura de alguma coisa que ainda me faça sentir um «clic»".
domingo, novembro 01, 2009
António Sérgio
É uma notícia que deixa todos os amantes da rádio muito tristes. António Sérgio fica na história da rádio como uma das melhores vozes de sempre. Aquelas noites à escuta da Hora do Lobo eram magníficas.
Tinha 59 anos.
Para ler mais aqui.
Tinha 59 anos.
Para ler mais aqui.
sexta-feira, outubro 30, 2009
Sugestão ou edição?
O que devem ser os espaços da rádio geralmente chamados de "revista de imprensa"?
A questão surge-me em boa parte devido às capas do "24 Horas" cujos temas terão certamente interesse para alguns, mas que estão claramente desadequados à linha editorial das principais emissoras de informação portuguesas.
Por exemplo, ouvir na Antena 1 ou TSF os amores e desamores das figuras públicas não se enquadra editorialmente naquelas emissoras. Nestas situações, a rádio serve unicamente para amplificar acontecimentos de interesse público pouco relevante. E fá-lo apenas porque vem estampado num jornal de cobertura nacional. Sem outra razão!!!
Este tipo de manchetes são lidas porque se encara as "revistas de imprensa" na rádio como um mero espaço de sugestão. E já agora de publicidade aos jornais.
A meu ver, as revistas de imprensa devem ser, à luz dos restantes momentos informativos da rádio, espaços editados e não apenas de exposição sem filtro das capas dos jornais.
Aliás, bem vistas as coisas, verificamos que a própria escolha dos jornais representa já uma acção do jornalista, uma vez que há jornais que são sempre lidos e outros que nunca o são.
Ou seja, se já existe edição ao nível da escolha dos jornais, não vejo razão para que as redacções não optem também por fazer essa selecção ao nível do conteúdo e, se preciso for, não incluir na revista de imprensa num determinado dia o jornal X ou Y, simplesmente porque os temas que escolheu para capa não têm interesse editorial.
A questão surge-me em boa parte devido às capas do "24 Horas" cujos temas terão certamente interesse para alguns, mas que estão claramente desadequados à linha editorial das principais emissoras de informação portuguesas.
Por exemplo, ouvir na Antena 1 ou TSF os amores e desamores das figuras públicas não se enquadra editorialmente naquelas emissoras. Nestas situações, a rádio serve unicamente para amplificar acontecimentos de interesse público pouco relevante. E fá-lo apenas porque vem estampado num jornal de cobertura nacional. Sem outra razão!!!
Este tipo de manchetes são lidas porque se encara as "revistas de imprensa" na rádio como um mero espaço de sugestão. E já agora de publicidade aos jornais.
A meu ver, as revistas de imprensa devem ser, à luz dos restantes momentos informativos da rádio, espaços editados e não apenas de exposição sem filtro das capas dos jornais.
Aliás, bem vistas as coisas, verificamos que a própria escolha dos jornais representa já uma acção do jornalista, uma vez que há jornais que são sempre lidos e outros que nunca o são.
Ou seja, se já existe edição ao nível da escolha dos jornais, não vejo razão para que as redacções não optem também por fazer essa selecção ao nível do conteúdo e, se preciso for, não incluir na revista de imprensa num determinado dia o jornal X ou Y, simplesmente porque os temas que escolheu para capa não têm interesse editorial.
terça-feira, outubro 27, 2009
Um site para as rádios inglesas
No Reino Unido estuda-se a criação de um único site que disponibilize todas as rádios. O objectivo é fazer com que a rádio não perca o comboio das novas tecnologias:
There is a sense of urgency to the project because of the pace of technological change. The senior most figure in British radio has told The Independent that British radio “faces a real threat” of being “left behind” in a future media world where consumers obtain their music from free and legal websites.
There is a sense of urgency to the project because of the pace of technological change. The senior most figure in British radio has told The Independent that British radio “faces a real threat” of being “left behind” in a future media world where consumers obtain their music from free and legal websites.
segunda-feira, outubro 26, 2009
A função social das rádios locais
O programa "Bom Dia Tio João" completa 20 anos de existência na RBA, Bragança. Pode-se discutir o estilo, mas não se discutirá, certamente, a proximidade e interacção com os ouvintes.
Para ler aqui.
Para ler aqui.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Audiências e investimento na rádio
Audiência acumulada de véspera das rádios portuguesas com mais informação sem grandes novidades. Já o investimento publicitário no meio rádio foi um dos que mais subiu em Setembro, quando comparado com o mês anterior.
sábado, outubro 17, 2009
Petição pela Noar
Já aqui tinha abordado o facto da Rádio Noar estar sem emitir noticiários aos fins-de-semana devido à redução de jornalistas. Agora circula pela net uma petição contestando a medida da administração da rádio que pertence ao grupo Lena também proprietário do jornal "i" e do Jornal do Centro de Viseu.
Lê-se na petição:
Desde o dia 26-09-2009 a Rádio NOAR, a emitir a partir da cidade de Viseu em 106.4 Fm ou www.radionoar.pt, deixou de informar os seus ouvintes aos fins-de-semana e feriados. É claro que, com a compra da Rádio NOAR pelo grupo Lena/Sojormedia, também proprietário do Jornal “i”, poucos, ou talvez ninguém, esperariam que tal fosse fosse acontecer.
(...)
Não vamos deixar morrer as notícias NOAR aos fins-de-semana e feriados! Só pedimos, como viseenses, que o grupo Lena/Sojormedia, proprietário da Rádio NOAR, não deixe morrer um projecto noticioso que muito orgulha a região de Viseu. Antes disso, que o faça crescer.
Lê-se na petição:
Desde o dia 26-09-2009 a Rádio NOAR, a emitir a partir da cidade de Viseu em 106.4 Fm ou www.radionoar.pt, deixou de informar os seus ouvintes aos fins-de-semana e feriados. É claro que, com a compra da Rádio NOAR pelo grupo Lena/Sojormedia, também proprietário do Jornal “i”, poucos, ou talvez ninguém, esperariam que tal fosse fosse acontecer.
(...)
Não vamos deixar morrer as notícias NOAR aos fins-de-semana e feriados! Só pedimos, como viseenses, que o grupo Lena/Sojormedia, proprietário da Rádio NOAR, não deixe morrer um projecto noticioso que muito orgulha a região de Viseu. Antes disso, que o faça crescer.
sexta-feira, outubro 16, 2009
NPR criou um guia para o uso das redes sociais
A National Public Radio acaba de disponibilizar um guia para os seus jornalistas sobre o uso das redes sociais.
As NPR grows to serve the audience well beyond the radio, social media is becoming an increasingly important aspect of our interaction and our transparency with our audience and with a variety of communities. Properly used, social networking sites can also be very valuable newsgathering and reporting tools and can speed research and extend a reporter's contacts, and we encourage our journalists to take advantage of them.
E por cá, porque é que ainda ninguém fez nada parecido? Os jornalistas da rádio portuguesa também andam nas redes sociais.
As NPR grows to serve the audience well beyond the radio, social media is becoming an increasingly important aspect of our interaction and our transparency with our audience and with a variety of communities. Properly used, social networking sites can also be very valuable newsgathering and reporting tools and can speed research and extend a reporter's contacts, and we encourage our journalists to take advantage of them.
E por cá, porque é que ainda ninguém fez nada parecido? Os jornalistas da rádio portuguesa também andam nas redes sociais.
sexta-feira, outubro 09, 2009
Entre a ameaça e a esperança
Dois textos (um deles uma notícia). O primeiro fala de 10 Hopeful Thoughts about the Future of Journalism o outro da ameaça que os novos meios representam para os media tradicionais e para os jornalistas que , diz a notícia, tendem a desaparecer.
A nova grelha do Rádio Clube
Da nova grelha do Rádio Clube, que arranca na próxima segunda-feira, sublinho a redução de duração do programa Minuto-a-Minuto, que era justamente a principal aposta informativa da estação. O programa passará a terminar às 10 horas da manhã, coincidindo, afinal de contas, com o que é feito nas outras rádios.
Temo que a medida prejudique aquele espaço que por várias vezes aqui elogiei, tratando-se, a meu ver, de um dos momentos mais apetecíveis da rádio portuguesa no que à informação diz respeito. Veremos, como funciona.
As horas até aqui ocupadas pelo Minuto-a-Minuto serão destinadas a um espaço musical, procurando responder a uma das principais críticas que eram feitas ao Rádio Clube: a de quase não passar música.
Vítor Moura, o director da estação, garantiu ao Meios e Publicidade que a nova grelha não implicará modificações no que respeita à principal aposta da estação, ou seja continuará a ser uma "rádio de palavra, muito focada na informação".
O Público também escreve sobre o assunto.
Temo que a medida prejudique aquele espaço que por várias vezes aqui elogiei, tratando-se, a meu ver, de um dos momentos mais apetecíveis da rádio portuguesa no que à informação diz respeito. Veremos, como funciona.
As horas até aqui ocupadas pelo Minuto-a-Minuto serão destinadas a um espaço musical, procurando responder a uma das principais críticas que eram feitas ao Rádio Clube: a de quase não passar música.
Vítor Moura, o director da estação, garantiu ao Meios e Publicidade que a nova grelha não implicará modificações no que respeita à principal aposta da estação, ou seja continuará a ser uma "rádio de palavra, muito focada na informação".
O Público também escreve sobre o assunto.
quarta-feira, outubro 07, 2009
Ouvir e pensar a rádio
"A Rádio ouvida e pensada" é o título de livro de Vítor Soares que agora está disponível. Trata-se de um conjunto de textos nos quais o autor reflecte sobre o meio radiofónico.
domingo, outubro 04, 2009
Como re-inventar a rádio de informação
1 News is content (topical content with the power to connect with the listener)
2 Consider how news can contribute to your station’s success
3 Use news to get your station noticed
4 Define a unique brief for your news team
5 Resource to best deliver the news brief
6 Topical content can make money
7 Cultivate all rounders
8 Include journalists in station wide decisions
9 Invest in news but expect to return a profit
10 Give your news and topical content the big sell
O texto completo está aqui .
2 Consider how news can contribute to your station’s success
3 Use news to get your station noticed
4 Define a unique brief for your news team
5 Resource to best deliver the news brief
6 Topical content can make money
7 Cultivate all rounders
8 Include journalists in station wide decisions
9 Invest in news but expect to return a profit
10 Give your news and topical content the big sell
O texto completo está aqui .
quarta-feira, setembro 30, 2009
Rádio Noar sem emissões ao fim-de-semana
A Rádio Noar, de Viseu, deixou de emitir aos fins-de-semana. A notícia vem no Diário de Notícias e dá conta de que tal se deveu ao despedimento de dois jornalistas. O jornal fala também de críticas feitas à rádio pelo presidente da câmara.
A notícia está aqui.
A notícia está aqui.
segunda-feira, setembro 28, 2009
As imagens da rádio na noite eleitoral
Destaco duas iniciativas levadas a cabo pela rádio na cobertura da noite eleitoral e ambas nos sites das emissoras.
A Antena 1, em conjunto com a RTP, voltou a apostar no Mobile Journalism (Mojo), desta vez envolvendo um maior número de recursos, depois de uma primeira experiência realizada nas europeias pelos jornalistas Rita Colaço e Paulo Nuno Vicente.

A Antena 1 faz um balanço extremamente positivo da iniciativa revelando que a página foi visitada por mais de um milhão e meio de visitantes.
Por outro lado, merece referência a iniciativa da Renascença que, prosseguindo o seu objectivo de transformar o site numa webtv, resolveu fazer um directo "televisivo" da noite eleitoral.

São duas boas iniciativas que podem apontar caminhos para algumas ferramentas e práticas que o jornalismo virá, eventualmente, a utilizar com maior frequência numa plataforma online.
É claro que nesta fase estamos apenas a falar de experiências interessantes, pois há que aperfeiçoar métodos.
Por exemplo, no site da Renascença o que se viu foi verdadeiramente um directo de um programa de rádio. Ou seja, as câmaras estavam lá, mas os protagonistas (jornalistas e convidados em estúdio) fizeram de conta que elas efectivamente não estavam presentes (jornalistas que passam à frente da câmara, convidados que se despedem dos jornalistas em frente à câmara, etc). Mas valeu pela iniciativa.
No caso do mobile journalism da Antena 1 os problemas tiveram mais a ver com a qualidade (ou falta dela) de algumas imagens e sons. Questões que, julgo eu, de momento a tecnologia disponível não resolve.
Valeram as experiências
A Antena 1, em conjunto com a RTP, voltou a apostar no Mobile Journalism (Mojo), desta vez envolvendo um maior número de recursos, depois de uma primeira experiência realizada nas europeias pelos jornalistas Rita Colaço e Paulo Nuno Vicente.
A Antena 1 faz um balanço extremamente positivo da iniciativa revelando que a página foi visitada por mais de um milhão e meio de visitantes.
Por outro lado, merece referência a iniciativa da Renascença que, prosseguindo o seu objectivo de transformar o site numa webtv, resolveu fazer um directo "televisivo" da noite eleitoral.
São duas boas iniciativas que podem apontar caminhos para algumas ferramentas e práticas que o jornalismo virá, eventualmente, a utilizar com maior frequência numa plataforma online.
É claro que nesta fase estamos apenas a falar de experiências interessantes, pois há que aperfeiçoar métodos.
Por exemplo, no site da Renascença o que se viu foi verdadeiramente um directo de um programa de rádio. Ou seja, as câmaras estavam lá, mas os protagonistas (jornalistas e convidados em estúdio) fizeram de conta que elas efectivamente não estavam presentes (jornalistas que passam à frente da câmara, convidados que se despedem dos jornalistas em frente à câmara, etc). Mas valeu pela iniciativa.
No caso do mobile journalism da Antena 1 os problemas tiveram mais a ver com a qualidade (ou falta dela) de algumas imagens e sons. Questões que, julgo eu, de momento a tecnologia disponível não resolve.
Valeram as experiências
sexta-feira, setembro 25, 2009
Coisas interessantes da campanha na rádio
Na rádio:
Os Jornais de Campanha da Antena 1 com Maria Flôr Pedroso.
Os Fóruns da TSF com os líderes dos principais partidos.
O Bloco de Notas da Renascença.
Nos sites:
A visão histórica dos resultados das legislativas desde 1975 que a RTP/RDP disponibiliza.
A ideia do MOJO (Mobile Journalism) experimentada nas Europeias e agora levada novamente à prática.
A cobertura multiplataforma da Antena 1 (rádio hertziana, site, MOJO, Twitter, blogues)
A reiterada aposta numa linguagem multimédia nas peças da Renascença (presença de texto, som, fotografia e vídeo).
A campanha em imagens da Renascença.
Os Jornais de Campanha da Antena 1 com Maria Flôr Pedroso.
Os Fóruns da TSF com os líderes dos principais partidos.
O Bloco de Notas da Renascença.
Nos sites:
A visão histórica dos resultados das legislativas desde 1975 que a RTP/RDP disponibiliza.
A ideia do MOJO (Mobile Journalism) experimentada nas Europeias e agora levada novamente à prática.
A cobertura multiplataforma da Antena 1 (rádio hertziana, site, MOJO, Twitter, blogues)
A reiterada aposta numa linguagem multimédia nas peças da Renascença (presença de texto, som, fotografia e vídeo).
A campanha em imagens da Renascença.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Pequenos e grandes
A questão volta sempre à ordem do dia em altura de campanha eleitoral. Que cobertura noticiosa é (deve) dada aos chamados pequenos partidos?
Um olhar pela rádio, constatamos duas situações: a primeira que os pequenos partidos são tratados sobretudo com o recurso à entrevista, que tem fundamentalmente o objectivo de dar a conhecer as principais ideias sobre alguns temas. A segunda, que os pequenos partidos aparecem nas notícias apenas quando quebram a rotina.
Em relação a este segundo aspecto, vale a pena recordar o que nos dizem Harvey Molotoch e Marilyn Lester sobre o acesso aos media. Os autores estabelecem três níveis de acesso aos meios de comunicação social.
Recordo dois deles:
“Habitual” quando as práticas de um indivíduo, ou grupo, que ocupa determinada posição coincidem com a produção dos media, conduzindo a que as suas práticas sejam frequentemente noticiadas e “Disruptivo”, quando indivíduos ou grupos para verem as suas realizações nos media, necessitam de perturbar a ordem gerando a surpresa, agitação ou choque.
Ou seja, ou os pequenos partidos irrompem com acções sensacionais, inéditas ou pouco esperadas ou não são notícia. Deste ponto de vista, há que admitir alguma razão aos partidos com menor expressão quando se queixam do tratamento que os media lhes dão, pois na realidade a presença de noticias sobre os seus actos de campanha nos principais espaços informativos da rádio é pouco menos que nula.
Aliás, não deixa de ser curioso verificar que uma das poucas vezes que um pequeno partido (neste caso movimento) apareceu nos principais noticiários da rádio portuguesa foi justamente a propósito das várias acções de contestação levadas a cabo pelo MMS devido, no entendimento do movimento, à falta de equidade no tratamento noticioso.
Tudo o resto que se tem ouvido é atirado, normalmente, para os tais espaços de entrevista (que é pela sua natureza, pontual) ou para os jornais de campanha da rádio, emitidos fora do horário nobre.
Há aqui uma certa, e inevitável, comparação (provocatória, admito). É que, o jornalismo político (pelo menos aquele que se faz em altura de campanha) está mais parecido com o “jornalismo de futebol”. No mundo da bola, por mais que um pequeno clube tenha bons jogadores, ganhe jogos, etc, só será notícia se jogar contra um grande ou se houver salários em atraso. Já no caso dos grandes clubes, bastará um treino bem “esgalhado” para abrir noticiários.
O problema é que o jogo da política não é o mesmo do futebol e deste ponto de vista seria preciso que o jornalismo procurasse uma intervenção mais abrangente e plural, começando, por exemplo, pela multiplicidade de plataformas de que dispõe para o fazer.
Se olharmos para os sites das rádios portuguesas não nos restarão dúvidas de que a diferença, em relação à rádio, do tratamento noticioso nesta matéria se resume à diversidade do uso de ferramentas expressivas que, naturalmente, não existem na rádio dita tradicional (vídeos, fotos, infografias, etc).
O conteúdo dos sites é, com honrosas e raras excepções, o mesmo da rádio e por isso quem aparece nas notícias da versão digital já apareceu ou vai aparecer na hertziana e ainda por cima a dizer as mesmas coisas.
Um olhar pela rádio, constatamos duas situações: a primeira que os pequenos partidos são tratados sobretudo com o recurso à entrevista, que tem fundamentalmente o objectivo de dar a conhecer as principais ideias sobre alguns temas. A segunda, que os pequenos partidos aparecem nas notícias apenas quando quebram a rotina.
Em relação a este segundo aspecto, vale a pena recordar o que nos dizem Harvey Molotoch e Marilyn Lester sobre o acesso aos media. Os autores estabelecem três níveis de acesso aos meios de comunicação social.
Recordo dois deles:
“Habitual” quando as práticas de um indivíduo, ou grupo, que ocupa determinada posição coincidem com a produção dos media, conduzindo a que as suas práticas sejam frequentemente noticiadas e “Disruptivo”, quando indivíduos ou grupos para verem as suas realizações nos media, necessitam de perturbar a ordem gerando a surpresa, agitação ou choque.
Ou seja, ou os pequenos partidos irrompem com acções sensacionais, inéditas ou pouco esperadas ou não são notícia. Deste ponto de vista, há que admitir alguma razão aos partidos com menor expressão quando se queixam do tratamento que os media lhes dão, pois na realidade a presença de noticias sobre os seus actos de campanha nos principais espaços informativos da rádio é pouco menos que nula.
Aliás, não deixa de ser curioso verificar que uma das poucas vezes que um pequeno partido (neste caso movimento) apareceu nos principais noticiários da rádio portuguesa foi justamente a propósito das várias acções de contestação levadas a cabo pelo MMS devido, no entendimento do movimento, à falta de equidade no tratamento noticioso.
Tudo o resto que se tem ouvido é atirado, normalmente, para os tais espaços de entrevista (que é pela sua natureza, pontual) ou para os jornais de campanha da rádio, emitidos fora do horário nobre.
Há aqui uma certa, e inevitável, comparação (provocatória, admito). É que, o jornalismo político (pelo menos aquele que se faz em altura de campanha) está mais parecido com o “jornalismo de futebol”. No mundo da bola, por mais que um pequeno clube tenha bons jogadores, ganhe jogos, etc, só será notícia se jogar contra um grande ou se houver salários em atraso. Já no caso dos grandes clubes, bastará um treino bem “esgalhado” para abrir noticiários.
O problema é que o jogo da política não é o mesmo do futebol e deste ponto de vista seria preciso que o jornalismo procurasse uma intervenção mais abrangente e plural, começando, por exemplo, pela multiplicidade de plataformas de que dispõe para o fazer.
Se olharmos para os sites das rádios portuguesas não nos restarão dúvidas de que a diferença, em relação à rádio, do tratamento noticioso nesta matéria se resume à diversidade do uso de ferramentas expressivas que, naturalmente, não existem na rádio dita tradicional (vídeos, fotos, infografias, etc).
O conteúdo dos sites é, com honrosas e raras excepções, o mesmo da rádio e por isso quem aparece nas notícias da versão digital já apareceu ou vai aparecer na hertziana e ainda por cima a dizer as mesmas coisas.
terça-feira, setembro 22, 2009
Super FM já emite
A Super FM começou ontem a emitir em 104.8, regressando assim à Grande Lisboa.
E sobre as notícias (ouvi a síntese das 12h25)? Não sendo o objectivo da rádio, seria de esperar (e confirmou-se) peças curtas, sobre a agenda do dia, sem grandes novidades e sem informação local. Mas não será para ouvir notícias que se sintoniza a Super.
Uma visita ao site permite tirar duas (precipitadas) conclusões: que a aposta nas redes sociais é um forte investimento da rádio e que este é apenas um projecto de um futuro site a sério.
Mais sobre a Super FM . E também aqui.
E sobre as notícias (ouvi a síntese das 12h25)? Não sendo o objectivo da rádio, seria de esperar (e confirmou-se) peças curtas, sobre a agenda do dia, sem grandes novidades e sem informação local. Mas não será para ouvir notícias que se sintoniza a Super.
Uma visita ao site permite tirar duas (precipitadas) conclusões: que a aposta nas redes sociais é um forte investimento da rádio e que este é apenas um projecto de um futuro site a sério.
Mais sobre a Super FM . E também aqui.
domingo, setembro 20, 2009
Mais um prémio para o jornalismo radiofónico
A reportagem radiofónica recebeu mais um prémio. Desta vez foi o trabalho de José Milheiro intitulado "Ideias de futuro".
Registo o facto da reportagem de rádio continuar a ser o principal veiculo de promoção do jornalismo radiofónico com a obtenção de vários prémios. Neste campo, a TSF tem-se destacado, mas é também justo sublinhar o esforço que a Antena 1 tem feito nos últimos tempos para a realização de mais trabalhos de fundo.
A reportagem agora premiada pode ser escutada aqui.
Registo o facto da reportagem de rádio continuar a ser o principal veiculo de promoção do jornalismo radiofónico com a obtenção de vários prémios. Neste campo, a TSF tem-se destacado, mas é também justo sublinhar o esforço que a Antena 1 tem feito nos últimos tempos para a realização de mais trabalhos de fundo.
A reportagem agora premiada pode ser escutada aqui.
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