domingo, junho 24, 2012

Rádió


Depois de duas sessões sobre jornalismo radiofónico que conduzi no King Sigismund College, em Budapeste, foi interessante verificar como a rádio, tal como cá, é na Hungria um meio praticamente esquecido pela investigação académica. Escasseiam as teses, as conferências e investigadores que se interessam pelo tema.
Relativamente ao cenário radiofónico húngaro, merece destaque o peso da rádio pública (Magyar Rádió) consubstanciado quer nas audiências, quer na rede de estações que detém. Um pouco por todo os país proliferam diversas estações locais e outras rádios temáticas dedicadas aos vários estilos musicais. De sublinhar é a quantidade de rádios comunitárias existentes no país (cenário que não encontramos em Portugal).
Dois alunos de Comunicação do Sigismund College prepararam este curto texto sobre a origem das rádio comunitárias na Hungria:
Community radio is a little more than two decades old in Hungary. It started in the city Kaposvár in 1991 with the radio ZÖM (trans. great mass) and with TILOS (trans. Forbidden), which was in the capital city Budapest. The TILOS (as the name says) was a pirate radio lead by its dreamer and creator Vladimir Németh. In those times most of the emcees acted like teachers, placed themselves above the audience. The goal of TILOS was to counteract this mentality by bringing the listeners into the creation of the radio program.
NMHH (National Broadcasting Authority, similar to FCC in the USA) made a rule about the transceiver’s radius, which can be maximum 1km. Another important fact, that these radios are working by non-profit system so they are organized by volunteers. This type of radio started to spread only in 2002. At this time TILOS was already ten years old. There is a media law which says: if there are two commercial radios in an area, the third one (if there is a free frequency) has to be a nonprofit radio. According to NMHH in 2008 there were 69 community radios in Hungary.
One of the biggest and most successful community radios is Rádió Mi (can be translated as Radio We or Radio Us) in Szeged. Szeged is the third biggest city in Hungary with the population of 170.000. Rádió Mi started seven years ago in a garage with nonprofessional equipment, but the enthusiasm and the proficiency soon paid off. Nowadays they meet their audience on monthly basis, where they continue their cultural and social critical discussions in live. These meetings are attended by 50-150 listeners every month. The radio cooperates with the Science University of Szeged.
Translated and summarised by : Gergely Aradi and Csaba Nagy

Nova Provedora da rádio pública


Paula Cordeiro será a nova Provedora do Ouvinte da rádio pública depois do seu nome ter merecido aprovação do Conselho de Opinião (11 votos a favor, 9 contra e 2 abstenções). A escolha recai assim sobre alguém com um perfil distinto dos seus antecessores (José Nuno Martins, Adelino Gomes e Mário Figueiredo), com longas carreiras profissionais na rádio. Paula Cordeiro é investigadora na área da rádio e professora no ISCSP. É autora do livro A rádio e as indústrias culturais. Estratégias de programação na transição para o digital.

quinta-feira, maio 03, 2012

Um dia com os média na RR

Das várias iniciativas para assinalar o dia da Liberdade de Imprensa e de Expressão, sublinho a que a Renascença levou a cabo no seu site, abrindo um espaço para que os ouvintes coloquem questões sobre o processo noticioso. E houve respostas. Boa ideia.

segunda-feira, abril 23, 2012

Jornalismo de proximidade e participação

Foi muito interessante o Encontro sobre média proximidade e participação que decorreu no final da semana passada na Universidade da Beira Interior.
A ideia foi juntar jornalistas, académicos e estudantes para discutir os conceitos e as práticas do jornalismo de proximidade e a participação dos cidadãos. O interesse residiu, para começar, na reflexão produzida sobre as próprias ideias de proximidade (o que significa o termo quando aplicado ao jornalismo?) e participação (questão complexa que remete para diversas formas e levanta uma outra problemática: até onde deve ir essa participação dos cidadãos?)

A comunicação que apresentei "Internet e participação – o renascimento da rádio local como espaço de debate público" pretendeu cruzar três aspectos: os princípios fundadores da ideia de rádio local, a tradição da rádio enquanto promotora de participação e a migração para a Internet aí adquirindo novas formas de interacção e participação. Em que medida, novas ferramentas para a participação dos cidadãos nos conteúdos disponibilizados pelas rádios locais portuguesas nos seus sites estão de facto a ser utilizadas para a promoção do debate sobre as matérias noticiosas de interesse local?

Sobre isto, três notas:
1ª as rádios locais continuam, tal como as emissoras nacionais, a privilegiar a participação em programas emitidos na rádio tradicional;
2º em ambiente online, a participação está a ser canalizada para as redes sociais, em particular o Facebook. Nos sites, as ferramentas para essa participação são quase inexistentes.
3º a participação dos cidadãos quer no site quer nas redes sociais das rádios locais é sobretudo ao nível da função fática. O debate argumentativo, fundamentado... é praticamente inexistente.

segunda-feira, abril 09, 2012

Ordem de Mérito para a RR

A Renascença recebe a Ordem de Mérito do Presidente da República.
A propósito dos 75 anos de vida da emissora, amanhã a programação é especial.
Para acompanhar.

quarta-feira, março 28, 2012

Um livro sobre rádios locais

A Associação de Rádios de Inspiração Cristã (ARIC) tem desenvolvido um importante papel na radiodifusão portuguesa. J. Sousa Queiroz fez um levantamento muito interessante de documentos, testemunhos e reuniu tudo no livro "20 Anos ao serviço das Rádios Locais - Aric 1991-2011, contributos para a história".

Efectivamente, é de sublinhar o assinalável trabalho de reunião de documentação que está compilada nos anexos do livro e que podem ser um auxílio muito importante para futuras investigações. Não há sobre as rádios locais portuguesas muitas publicações e também por isso esta merece uma leitura atenta.
O prefácio é de Alberto Arons de Carvalho.

Leitura: QUEIROZ, Sousa, J. (2011) 20 Anos ao serviço das Rádios Locais - Aric 19991-2011, ARIC.

terça-feira, março 06, 2012

Novo livro sobre a rádio em Portugal

Uma rádio em profunda mudança, de tal modo que é já com dificuldade que reconhecemos o mesmo meio sobre o qual Bertold Brecht teorizou nos anos 30 do século passado. João Paulo Meneses é o autor de
"Estudos sobre a rádio - passado, presente e futuro" um livro que fala de uma rádio em crise, mesmo antes da Internet, e que procura a sua reivenção (ou substituição) através das várias plataformas e instrumentos digitais.

O livro reúne textos do autor, também jornalista da TSF e professor de comunicação, nos quais se encontram reflexões sobre a rádio generalista (ou a sua inexistência), o podcasting, o papel que a rádio (ainda) tem no consumo de música e a relação entre os jovens e o meio radiofónico...

É mais um livro sobre rádio em 2012 (a juntar ao de Magalhães Crespo) e que vale a pena ler.


Leitura: Meneses, João Paulo (2012). "Estudos sobre a rádio - passado, presente e futuro". Porto: Mais Leituras.


Consultar livros sobre a rádio portuguesa.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Colóquio sobre rádio na Católica

A Universidade Católica Portuguesa organiza no dia 28 de Fevereiro um colóquio subordinado ao tema "O Meio Rádio e os 75 Anos da Rádio Renascença". Do programa destaco a intervenção de James Curran às 14h30.

14h15 – Sessão de Abertura
Prof. Doutor Manuel Braga da Cruz, Reitor da UCP
Cónego João Aguiar, Presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença
Prof.ª Doutora Isabel Capeloa Gil, Directora da Faculdade de Ciências Humanas

14h30 – Rethinking the Impact of the Internet in the Digital Era
James Curran, Goldsmiths College, University of London

15h30 – Entre o Analógico e o Digital | Moderação: Rita Figueiras, FCH/CECC
Da Tradição à Modernidade Radiofónica (1961-1969)
Rogério Santos, FCH/CECC
A Rádio Renascença na Transição de Regime: do 25 de Abril ao 25 de Novembro
Nelson Ribeiro, FCH/CECC
With or without you: Rádio e Música
Paula Cordeiro, ISCSP
Éter, web e redes: os Desafios da Informação na Rádio Multiplataforma
Luís Bonixe, IPP

16h50 – Intervalo
17h00 –A Renascença e a Rádio vistas por antigos profissionais do Grupo r/com.
Mesa Redonda | Moderador: José Luís Ramos Pinheiro, Administrador Grupo R/Com. Participantes: João Amaral, Diretor da Leya; Eduardo Oliveira e Silva, Diretor do Centro de Formação da RTP; Fernando Ilharco, Professor da FCH/UCP; Ângela Silva, jornalista do Expresso.

O colóquio vai decorrer na Sala de Exposições (Ed. da Biblioteca) e no final está previsto o lançamento do livro "Os Meus 31 Anos na Rádio Renascença" da autoria de Fernando Magalhães Crespo, com apresentação da obra pelo Reitor da UCP, Prof. Doutor Manuel Braga da Cruz.

TSF extingue delegações de Évora e Faro

Lê-se no Público que a TSF está a proceder a uma reorganização financeira e que por via disso vai extinguir as delegações de Évora e Faro. Se assim for, há aqui perdas que se devem lamentar. Em primeiro lugar, duas regiões do país que perdem (ainda mais!) expressão mediática e em segundo, (se não for encontrada uma boa solução para os profissionais) dois jornalistas que nos têm dado bons momentos de rádio. Um deles está aqui.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

A rádio na frequência da web

A rádio na frequência da web é o título do nº 20 da revista Comunicação e Sociedade do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. O número foi coordenado por Madalena Oliveira e Pedro Portela e o índice pode ser consultado aqui.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Dia Mundial da Rádio

Três sons que marcaram a história da rádio:

A Guerra dos Mundos de  Orson Wells, o encerramento da Rádio Alice, um dos símbolos da liberalização do sector radiofónico na Europa e a leitura do comunicado do MFA aos microfones do Rádio Clube Português.

O dia mundial da rádio é assinalado em Portugal no Atmosphere Lounge em Lisboa.
Programa:
16h30 apresentação do documentário de Rádio Energia 2.0: a Rádio Energia 20 anos depois
17h00 a investigação sobre radiodifusão em Portugal
18h00 a rádio como meio social
19h00 tertúlia rádio - passado e presente
19h45 DJ Battle e cocktail

terça-feira, janeiro 24, 2012

A rádio pública, de novo

Escreve o PÚBLICO: Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1.

Uma rádio pública credível e séria aos olhos dos seus ouvintes dispensa casos como este. Contra ela pendem sempre inúmeras suspeições, e situações como esta não ajudam a clarificar o seu papel insubstituível.

Entre aqueles que nada têm a comentar e os que dizem que já tudo estava decidido há muito tempo o que ficará neste caso, temo, é uma vez mais a ideia generalizada de uma rádio instrumentalizada pelo poder.

Mesmo que assim não seja, a rádio pública voltará a sofrer com isso.

A esperança é que o que aí vem (debates, inquéritos, etc.) nos possa dar alguma luz sobre o que realmente se passou neste caso!

Para já, Raquel Freire despediu-se assim do espaço "Este Tempo".

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Em dois lugares ao mesmo tempo

Os novos caminhos da rádio também passam por isto. Hoje a TSF fez dois directos em simultâneo. Depois das 10 da manhã, nas ondas da rádio escutou-se o Fórum dedicado a Guimarães Capital Europeia da Cultura, enquanto que na Internet era transmitido o debate quinzenal na Assembleia da República.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Radio Evolution na JJ

O nº 48 da revista JJ do Clube de Jornalistas publica um artigo (pp. 6-11) que assino sobre o congresso ECREA "Radio Evolution", realizado em Braga no passado mês de Setembro.