segunda-feira, maio 06, 2013

Som, rádio e infância





Este programa foi realizado no âmbito da iniciativa SeteDias com os Média que decorre entre os dias 3 e 9 de maio de 2013.

O objetivo do programa foi estimular a aproximação de crianças em idade pré-escolar com a rádio. Dar a conhecer a importância do som na nossa vida, e em particular no quotidiano das crianças. Promover a rádio enquanto meio de comunicação e contribuir para entender o seu modo de funcionamento. Estimular o processo criativo das crianças utilizando o som.

Desenvolvimento da atividade:
O programa foi gravado com 26 crianças entre os 3 e os 6 anos de idade da sala B do Jardim-de-Infância do Atalaião, Portalegre, no estúdio de rádio da Escola Superior de Educação de Portalegre.
Pretendia-se que as crianças se deslocassem aos estúdios para aí tomarem contacto com todo o cenário que envolve a produção de um programa de rádio.
As crianças foram divididas em 4 grupos. Cada grupo entrou para o estúdio acompanhado pela educadora da sala, pelo professor de rádio e por um aluno de Jornalismo e Comunicação da ESEP. Sempre com os microfones abertos, as crianças foram estimuladas a conversar sobre a rádio: o que é?, o que ouvem? Quando ouvem? Desta conversa foram retirados excertos e incluídos no programa. Numa segunda fase, as crianças propuseram conteúdos para o programa: cantaram canções da sua escola, descreveram o jardim-de-infância que frequentam, inventaram histórias, sugeriram músicas para incluir no programa, etc. Nesta fase, o papel da educadora foi fundamental, pois permitiu relembrar às crianças as atividades e a rotina do jardim-de-infância para que assim elas pudessem verbalizar.
No final da gravação, as vozes das crianças foram reproduzidas o que motivou reações de espanto e entusiasmo ao identificarem a sua voz. Era objetivo da iniciativa que apenas as vozes das crianças entrassem no programa.
A edição do programa foi realizada pelo professor de rádio e pelos alunos de Jornalismo e Comunicação da ESEP.

Ficha Técnica:
Vozes - Crianças da sala B do Jardim-de-Infância do Atalaião, Portalegre. Afonso  Santos; Afonso  Rosa; Afonso  Lopes; Carlos  Gouveia; Daniel Ferreira; Daniela Ferreira; Diogo Ceia; Dinis Freire; Diana Lopes; Duarte Barroqueiro; Francisco  Gargaté; Francisco  Silva; Gabriel Alferes; Gabriela dos Santos; João Salgueiro; Leonor  Baptista; Leonor  Magno; Leonor  Póvoas; Madalena  Gouveia; Madalena  Mirão; Maria Paixão; Pedro Rolo; Rafael Carvalho; Rita Lopez; Rodrigo Guerra e Sara Grave.
Ana Borges (Educadora de Infância) e Isabel Alfaia (Assistente operacional).

Edição - Alunos de Jornalismo e Comunicação da ESEP: Ana Catarina Silva, Carina Coelho, Francisca Cabedo, Daniela Senra e Tiago Silva.

Agradecimentos: Amélia Marchão, Alexandre Espinho, Carlos Silva, Cristina Santos, Jorge Santos, Maria Sousa, Mariana Gameiro e Sónia Pacheco.

Coordenação: Luís Bonixe

sábado, abril 20, 2013

Jornalismo e jornalistas das rádios locais portuguesas



Partilho um resumo dos dados recolhidos a partir de um inquérito a jornalistas de rádios locais portuguesas cujos resultados foram apresentados no encontro realizado em Portalegre no dia 18 de abril.
Segundo o inquérito, o jornalista das rádios locais portuguesas tem menos de 40 anos de idade, possui formação superior na área das ciências da comunicação e a maior parte dos inquiridos trabalha na mesma rádio há menos de 5 anos. O vencimento de 46 por cento dos respondentes situa-se entre o ordenado mínimo nacional e os 650 €, mas apesar disso os jornalistas inquiridos veem a sua atividade como uma “realização pessoal” e um “emprego desejado”.
Os jornalistas inquiridos revelaram ainda um sentido crítico relativamente à política editorial da sua rádio considerando que deveria haver sobretudo mais espaço para reportagem, para debate e para noticiários.
Se nos primeiros anos da radiodifusão local em Portugal, a insuficiência de recursos materiais era uma realidade, atualmente o cenário parece ter sofrido algumas alterações. Os inquiridos consideraram que o que mais afeta a sua atividade não é a falta de meios técnicos, mas a escassez de recursos humanos. Das rádios que aceitaram responder a este inquérito, a maior redação tem 4 jornalistas e a menor apenas 1.
Sobre a Internet, a esmagadora maioria dos inquiridos considera “muito importante” que as rádios locais estejam online. A rede global é para os jornalistas das emissoras locais a principal fonte de informação e a sua consulta uma atividade “muito frequente”.
Para o inquérito foram contactadas 30 rádios locais portuguesas. 19 acederam positivamente, tendo sido inquiridos 28 jornalistas que exercem atividade nos distritos de Évora, Beja, Porto, Braga, Viseu, Castelo Branco, Portalegre; Santarém e Setúbal.

Inquéritos aplicados pelos alunos do curso de jornalismo e Comunicação da ESEP: Ana Cristina Gargaté, Alexandre Espinho, Andreia Coelho, Andreia Claro, Ana Catarina, Carina Coelho, Catarina Martins, Daniela Senra, Daniela Sequeira, Dulce Batista, Francisca de Cabedo, Jaime Janeiro, Jorge Grenho, Jorge Relvas, Maria Sousa, Mariana Gameiro, Patrícia Pinto, Rui Alves, Tiago Silva.  Coordenação: Luís Bonixe

sábado, fevereiro 16, 2013

Criado grupo de investigadores de rádio



Com o objetivo de promover o desenvolvimento dos estudos de rádio em Portugal, um grupo de investigadores de vários centros de pesquisa em comunicação (de Braga, Coimbra e Lisboa), criou esta sexta-feira uma rede de Estudos de Rádio. Reunidos na Universidade Nova de Lisboa, simbolicamente na semana em que se assinalou o Dia Mundial da Rádio, os fundadores deste grupo pretendem dinamizar os estudos sobre meios sonoros e os novos modelos de produção radiofónica.
A reunião desta sexta-feira, dia 15 de fevereiro, teve o intuito de mobilizar os investigadores que têm desenvolvido algum trabalho científico nesta área para a criação de uma rede nacional que possa constituir-se como interlocutora de outros grupos similares de âmbito internacional. O programa de ações a médio prazo incluirá a organização regular de eventos científicos, a publicação de uma série de livros e o desenvolvimento de projetos de investigação que fomentem a cooperação entre grupos nacionais e internacionais.
Esta reunião de reflexão contou com a participação de Adelino Gomes, convidado para emprestar a sua experiência profissional neste meio à definição de linhas estratégicas de investigação. Um novo encontro ficou já agendado para o final de setembro. Até lá, o grupo conta lançar uma plataforma online para publicar notícias, criar redes de contacto e divulgar a produção bibliográfica dos investigadores portugueses. 

Para ver o vídeo com Madalena Oliveira  (via Indústrias Culturais)

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

sábado, dezembro 08, 2012

Informação radiofónica portuguesa em livro

Acaba de ser lançado pela Livros Horizonte o meu livro "A Informação Radiofónica - rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa". O livro integra-se na coleção promovida pelo CIMJ "Média e Jornalismo" e resulta da minha tese de doutoramento.




A lista de livros sobre a rádio portuguesa já está atualizada aqui.

Excelência em ciberjornalismo para a Renascença

A Renascença venceu pelo segundo ano consecutivo o Prémio de Excelência geral em Ciberjornalismo atribuído pelo Observatório de Ciberjornalismo. O prémio foi atribuído no decorrer do III Congresso Internacional de Ciberjornalismo que decorreu na Universidade do Porto nos dias 6 e 7.


terça-feira, dezembro 04, 2012

Leituras

A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, da Universidade Federal de Santa Catarina, acaba de disponibilizar o número dedicado à investigação sobre os média portugueses.

O índice da edição está disponível aqui

Contribuo com o artigo As rádios locais em Portugal – da génese do movimento à legalização

Comunicações sobre rádio

Lista de comunicações sobre rádio a apresentar no IV Seminário Internacional de Media, Jornalismo e Democracia, organizado pelo CIMJ, que decorre dias 6 e 7  na Unv. Nova de Lisboa.

Dia 6
- M.S.Sapna (Dept of Communication & Journalism, University of Mysore, Mysore, India): 
Role and Development of Community Radio in India
- Nelson Ribeiro (Universidade Católica Portuguesa): Defender a Democracia elogiando a Ditadura: A Linha editorial do Serviço Português da BBC durante a IIª Guerra Mundial
 - Maria Inácia Rezola (Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL; Escola Superior de Comunicação Social): Media, Jornalismo e Democracia: a Emissora Nacional no processo revolucionário português (1974-1975)
- Luís Bonixe (Escola Superior de Educação de Portalegre/CIMJ): 
Rádios locais e democracia – da hipótese do pluralismo à uniformização do discurso

Dia 7
Diego Weigelt e Brenda Parmeggiani (FCSH/UNL): 
O rádio nos novos meios de comunicação: A nova forma de ouvir dos jovens

 O programa completo está aqui.

domingo, novembro 11, 2012

Um prémio justo para Luís Filipe Costa

Luís Filipe Costa é um nome incontornável no jornalismo radiofónico português. A Sociedade Portuguesa de Autores decidiu, justamente, atribuir-lhe o prémio Igrejas Caeiro que pretende distinguir a carreira na rádio.

Luís Filipe Costa é responsável por aquilo que hoje, com toda a naturalidade, concebemos como informação radiofónica. Nos anos 60 liderou uma equipa de jornalistas no Rádio Clube Português tornando os noticiários curtos, concisos e criando um estilo que rompia, à época, com o que se fazia na rádio em Portugal. Mas, se os noticiários do RCP acabaram por criar um novo estilo na informação radiofónica portuguesa, aparecem com outros objetivos, como referiu numa entrevista que me concedeu em 2008, Luís Filipe Costa, na altura para a realização da minha tese de doutoramento:


"Os noticiários do Rádio Clube Português aparecem não como uma resposta àquele monolitismo e cinzentismo da Emissora [Nacional]. Aparecem dentro de um esquema habitual de uma rádio comercial. O que se pensou foi em arranjar uma fórmula diferente que proporcionasse mais ouvintes ao Rádio Clube. E havendo mais ouvintes, havia mais publicidade. Não havia nada de política metida naquilo" (Luís Filipe Costa, em entrevista 2008).

Os noticiários do RCP representam um corte na história do jornalismo radiofónico português, não apenas por aquilo que transmitiam aos seus ouvintes, mas porque foram motivo para que as outras estações reagissem e procurassem inovar também na produção de notícias. Na Emissora Nacional, a informação começou a ganhar mais importância (Cristo, 2005:38) e na Renascença tornou-se óbvio que seria preciso também investir nesta área:

"O objetivo era estar no ar com uma oferta global na qual se incluíam os noticiários que pudessem disputar audiência e publicidade ao Rádio Clube Português. Como é óbvio se a Renascença não tivesse noticiários havia uma faixa de ouvintes que se deslocava para o RCP" (Entrevista a João Alferes Gonçalves, 2008).


A importância de Luís Filipe Costa para o jornalismo radiofónico português fica bem ilustrada nas palavras de João Paulo Guerra, um dos jornalistas que com ele trabalhou no RCP:

"Toda a gente que trabalha hoje na rádio aprendeu com o Luís Filipe Costa, mesmo que não saiba quem ele é. Podem não ter aprendido directamente, mas aprenderam com alguém que aprendeu com ele" (João Paulo Guerra em entrevista, 2008).

Prémio merecido, portanto!

segunda-feira, outubro 22, 2012

Acerca das audiências de rádio e o mito da queda



Nos últimos dez anos (2002-2011) a audiência de rádio em Portugal manteve-se estável embora sejam de registar várias oscilações ao longo do período analisado pela Marktest e divulgado no anuário 2010-11 do Obercom.
Atingiu a maior percentagem no triénio 2003-2005 (na casa dos 58%), desceu até aos 54,6% em 2007 para voltar a subir em 2011 para os 57,1% de audiência acumulada de véspera. Se acrescentarmos os anos de 2000 e 2001 em que a AAV na rádio portuguesa registou os valores de 56,1%, chegamos à conclusão que a escuta de rádio em Portugal está longe de estar a decair.
A estabilidade das audiências da rádio é também a tendência nos Estados Unidos, como revela o relatório de 2012 do Pew Research Center’s Project for Excellence in Journalism: “Traditional radio is by no means a thing of the past. The vast majority of Americans still report listening to AM/FM weekly, and the bulk of audio revenue remains tied to that traditional platform”.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Rádios locais em doutoramento

Actualizo a lista de teses de doutoramento sobre a rádio portuguesa com a inclusão da tese defendida em Setembro no ISCTE por Susana Santos intitulada "O processo de liberalização das emissões de rádio em Portugal entre Estado, Igreja Católica e mercado".

quarta-feira, outubro 17, 2012

Rádio e Convergência II

Há no III Congresso Internacional de Ciberjornalismo, universidade do Porto 6 e 7 de dezembro, um painel  preenchido com comunicações dedicadas à rádio.

DIA 7
Convergência e conteúdos I (07/Dez, 10h, Anf. Nobre)

·         “As notícias nos sites de rádio: contributos para a identidade da notícia ciber-radiofónica”, Isabel Reis
·         “O que está na rádio que não é rádio – um estudo sobre os formatos não sonoros nos sites de emissoras de informação portuguesas”, Luís Bonixe
·         “O rádio nos novos meios de comunicação: uma nova forma de ouvir”, Diego Weigelt e Brenda Parmeggiani.


terça-feira, outubro 16, 2012

Rádio e convergência no Brasil

O Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom disponibiliza o e-book O Rádio Brasileiro na Era da Convergência no qual reúne textos de vários autores brasileiros sobre o futuro da rádio naquele país.

quinta-feira, setembro 20, 2012

A vida difícil do provedor do ouvinte da rádio pública


Ao ler a entrevista de Mário Figueiredo, ex-provedor do ouvinte da rádio pública, à revista JJ fica-se com a certeza que muito há a mudar no modo como esta figura é vista dentro da empresa pública de rádio, em particular pelas administrações.
Depois de Adelino Gomes, e em particular José Nuno Martins, ex-provedores do ouvinte, terem tecido fortes críticas à administração da rádio pública, agora é Mário Figueiredo que segue no mesmo caminho.
Mário Figueiredo não tem dúvidas que os casos do fim das emissões em Onda Curta (em que assumiu uma posição totalmente contra) e da extinção da rubrica “Este Tempo” afetaram o seu relacionamento com a administração da rádio pública. Aliás, tal como os seus antecessores, em particular José Nuno Martins, Mário Figueiredo sai em clara discordância com a administração da RTP: “quando o presidente do Conselho de Administração, para justificar a não renovação, me disse discordar de mandatos de provedor superiores a dois anos e alegou que as nossas relações “eram insustentáveis”, estive para lhe perguntar: “Mas que tipo de relações, se não houve relações nenhumas”.
Para Mário Figueiredo a utilidade do Provedor acaba por ficar comprometida: “(…) se a opinião do provedor, que tem de ser justificada e abalizada, oficialmente não tem efeito nenhum junto de quem tem a decisão máxima, é de questionar a existência desta figura”. Tal como José Nuno Martins e Adelino Gomes, também Mário Figueiredo se ficou por apenas um mandato.
Na entrevista concedida à revista JJ, Mário Figueiredo retoma ainda outras críticas enunciadas pelos seus antecessores. Uma delas tem a ver com o programa “Em Nome do Ouvinte” que a seu ver deveria ter outro tipo de tratamento nas antenas da rádio pública para que não fosse escutado apenas por “acaso ou por militância”.

quarta-feira, setembro 12, 2012

Radio Evolution

Já está disponível o e-book que reúne as comunicações apresentadas no Congresso Radio Evolution que decorreu em Braga em setembro de 2011 organizado conjuntamente pelo ECREA e pela Universidade do Minho.

Escrevem no prefácio Madalena Oliveira, Pedro Portela e Luís António Santos, os editores, o seguinte:

"The evolution of radio in the age of Internet is however more than a question of visibility. It involves a
reflection on the way people use media in general and radio in particular, on the expectations of the public and on the challenges multimedia structures represent. This means the evolution of radio is a subject that has to be discussed from diverse points of view".

O download é gratuito aqui.

terça-feira, julho 24, 2012

quinta-feira, julho 19, 2012

Pluralismo nas rádios locais




Não era difícil de perceber que a atual Lei da rádio não augurava nada de bom para o jornalismo radiofónico, em particular nas emissoras locais.

Assim que se retiraram as limitações impostas pela anterior lei no que diz respeito à classificação de rádios  temáticas, era evidente que as empresas de radiodifusão local procurariam mudar a sua classificação para temática musical. Ora, como só estão obrigadas a emitir blocos de informação as rádios locais generalistas ou temáticas informativas, o cenário da informação nas emissoras locais ficou naturalmente mais pobre.

Não era nada que não se previsse, pois já  a anterior lei da rádio tinha aberto essa possibilidade, mas com uma restrição: só poderia mudar de classificação para temática musical, uma rádio localizada num concelho onde a outra emissora se mantivesse generalista. Assim, assegurava-se que pelo menos uma delas teria informação jornalística. A atual lei anulou esta restrição.

Numa tentativa de minimizar os prejuízos, a ERC propõe uma diretiva sobre a promoção da diversidade informativa nas rádios. O projeto da diretiva pode ser consultado aqui e estará em discussão pública até 30 setembro.