A informação radiofónica está a passar por profundas mudanças por via da sua migração para a Internet. Alteram-se rotinas, conteúdos e perfis. Ou pelo menos, é isto que se espera que aconteça.
Em Estrasburgo profissionais, investigadores e professores de jornalismo radiofónico reuniram-se durante dois dias (20 e 21 de março) para discutir estas questões, no Colóquio “Informação e Radiojornalismo na era digital” promovido pelo Group de Recherche et d’Etudes sur la Radio (GRER).
Do vasto leque de comunicações apresentadas, sublinho a divulgação dos resultados de um inquérito realizado pelo GRER a jornalistas de rádio em França, Bélgica, Canadá e Madagáscar. O inquérito pretendia, justamente, perceber de que modo estão os jornalistas a encarar a mudança das suas rotinas e práticas profissionais para a Internet. Os resultados são reveladores de que, apesar da capacidade de transformação que a Internet potencia, na realidade encontram-se vários constrangimentos que impedem essas transformações, pelo menos de modo rápido.
O inquérito revelou que a maior parte dos jornalistas da rádio não tem qualquer participação na gestão da componente online da sua rádio. Por outro lado, os jornalistas inquiridos (67%) entendem que escrever para rádio e para a Internet é a mesma coisa. Entre as vantagens de estar presente na Internet encontradas pelos jornalistas respondentes, sublinham-se a rapidez, a autonomia e a qualidade do trabalho, mas é curioso verificar que os jornalistas responderam que as principais vantagens são para as entidades empregadores e menos para os profissionais. Por outro lado, os jornalistas da rádio entendem que a principal desvantagem desta relação entre rádio e Internet é o facto de ser pedido aos jornalistas que possuam capacidades e competências técnicas e tecnológicas que muitos não possuem.
Resultados que acabam por reforçar as conclusões de outras comunicações apresentadas, uma das quais por Josep Marti Marti e Sílvia Espinosa-Mirabet cujo trabalho de investigação pretendeu conhecer as novas práticas jornalísticas no contexto da digitalização, tendo como estudo de caso as rádios na Catalunha. Para os autores, os jornalistas mantêm, no essencial, as mesmas rotinas profissionais que possuíam antes do digital. Ou seja, concluem os autores: a digitalização não provocou grandes mudanças estruturais na produção noticiosa.
II
Um dos temas mais abordados no colóquio foi o das rádios comunitárias.
Sobre isso, o que sublinho é a enorme amplitude do conceito. Em Portugal não existem rádios comunitárias, mas bem que poderiam existir se as nossas locais fossem encaradas como na Colômbia. Erica Guevara explicou que por lá as rádios comunitárias têm uma implantação local, emitem normalmente 24 horas por dia (embora nem todas), têm publicidade e informação. Em França, o conceito é o de rádios associativas e muitas delas têm igualmente jornalistas profissionais, muito diferente daquilo que se passa na Indonésia. Iman Abdurrahman explicou que as rádios comunitárias atravessam tempos muito difíceis, pois muitas delas não têm autorização para emitir. Estão, por isso, ilegais e os motivos para isso são vários. Retive este: as ondas das rádios poderiam interferir com o tráfego aéreo! Na Indonésia, uma das preocupações das rádios comunitários é a luta contra a corrupção, tema que ocupa espaço em muitas emissoras do género.
Outras temáticas do congresso versaram sobre os novos modelos de participação na rádio decorrentes da criação de sites e da presença nas redes sociais, em particular o Facebook. Este foi, alias, tema da minha comunicação (análise das ferramentas online para participação na TSF, Antena 1 e RR entre 2009 e 2013). Webrádios, redes sociais, plataformas móveis e rádios universitárias foram outros temas abordados nas comunicações apresentadas de autores franceses, belgas, brasileiros, portugueses, espanhóis, ingleses, entre outros.
segunda-feira, março 24, 2014
sábado, dezembro 28, 2013
A interacção verbal na rádio em livro
Neste livro, a autora analisa as interacções verbais entre ouvintes e locutores de cinco programas de phone-in da rádio portuguesa - Boa Noite, Clube da Madrugada, Bancada Central, Tempo de Antena e Estação de Serviço -.
Escreve a autora: "O desenho das relações interactivas e interlocutivas em emissões radiofónicas esboça um retrato de comunicação triangular: o locutor de rádio, gestor das trocas, os ouvintes que telefonam e o auditório (...) Tanto os locutores de rádio como os ouvintes que telefonam para as emissões que analisámos realizam um repertório de práticas discursivas específicas deste contexto institucional e desempenham, no e através do discurso interactivo, papéis instanciados em vozes autorizadas e ratificadas interaccionalmente" (p. 236)
É um contributo importante para o estudo da rádio e das suas potencialidades comunicativas enquanto meio de interacção.
Escreve a autora: "O desenho das relações interactivas e interlocutivas em emissões radiofónicas esboça um retrato de comunicação triangular: o locutor de rádio, gestor das trocas, os ouvintes que telefonam e o auditório (...) Tanto os locutores de rádio como os ouvintes que telefonam para as emissões que analisámos realizam um repertório de práticas discursivas específicas deste contexto institucional e desempenham, no e através do discurso interactivo, papéis instanciados em vozes autorizadas e ratificadas interaccionalmente" (p. 236)
É um contributo importante para o estudo da rádio e das suas potencialidades comunicativas enquanto meio de interacção.
Leitura: ALMEIDA, Carla Aurélia (2012) "A Construção da Ordem Interaccional na Rádio - contributo para uma análise linguística do discurso em interacções verbais". Porto: Edições Afrontamento.
sexta-feira, novembro 15, 2013
Emissão para surdos na rádio pública
A Antena 1 assinalou hoje o dia da Língua Gestual Portuguesa
(LGP) com a tradução de parte do programa da manhã. Tratou-se da segunda
experiência do género feita pelas rádios portuguesas. Em 2005, a TSF,
aproveitando a Feira das Capacidades, emitiu 14 horas em direto com tradução
para LGP. A emissão incluiu a tradução dos conteúdos informativos (noticiários,
Fórum TSF, o relato de futebol Sporting-Newcastle), mas excluiu os temas
musicais. A tradução da emissão da rádio pôde ser acompanhada através de um
site criado para o efeito.
A experiência levada a cabo esta manhã pela rádio pública
foi diferente. Desde logo, a duração da emissão com pouco mais de uma hora
(estava previsto começar às 9 da manhã, mas problemas técnicos atrasaram o
início. Terminou às 11h). Incluiu a tradução para LGP dos noticiários, das
informações de trânsito, intervenções do locutor, entrevistas realizadas em
estúdio, reportagem em direto. Ao contrário da TSF, na Antena 1 a música foi
também traduzida para LGP. A emissão com a tradução para LGP foi acompanhada
através da RTPPlay.
Não se conhecem muitas experiências do género e, também por
isso, a Antena 1 (até por ser a rádio pública e como tal com responsabilidades
acrescidas ao nível da inclusão) está de parabéns, tal como a TSF esteve há 8
anos. Para a rádio, são caminhos que se abrem num novo contexto mediático. A
comunidade surda deixou esta manhã o desafio: “foi uma iniciativa importante,
mas era bom que não fosse apenas hoje, mas todos os dias”.
Outras leituras:
segunda-feira, outubro 07, 2013
quinta-feira, maio 23, 2013
Livros sobre a rádio portuguesa
Assinalo mais duas publicações sobre a rádio portuguesa:
- O ebook "Os Media de Serviço Público" da autoria de Sílvio Correia Santos que pode ser descarregado aqui
e "Os Media na Guerra Colonial - a manipulação da Emissora Nacional como altifalante do regime" da autoria de Carolina Ferreira (edições Minerva).
A lista de livros sobre a rádio em Portugal pode ser consultada aqui.
- O ebook "Os Media de Serviço Público" da autoria de Sílvio Correia Santos que pode ser descarregado aqui
e "Os Media na Guerra Colonial - a manipulação da Emissora Nacional como altifalante do regime" da autoria de Carolina Ferreira (edições Minerva).
A lista de livros sobre a rádio em Portugal pode ser consultada aqui.
segunda-feira, maio 06, 2013
Som, rádio e infância
Este programa foi realizado no âmbito da iniciativa SeteDias com os Média que decorre
entre os dias 3 e 9 de maio de 2013.
O objetivo do programa foi estimular a aproximação de
crianças em idade pré-escolar com a rádio. Dar a conhecer a importância do som
na nossa vida, e em particular no quotidiano das crianças. Promover a rádio
enquanto meio de comunicação e contribuir para entender o seu modo de
funcionamento. Estimular o processo criativo das crianças utilizando o som.
Desenvolvimento da atividade:
O programa foi gravado com 26 crianças entre os 3 e os 6
anos de idade da sala B do Jardim-de-Infância do Atalaião, Portalegre, no
estúdio de rádio da Escola Superior de Educação de Portalegre.
Pretendia-se que as crianças se deslocassem aos estúdios
para aí tomarem contacto com todo o cenário que envolve a produção de um
programa de rádio.
As crianças foram divididas em 4 grupos. Cada grupo entrou
para o estúdio acompanhado pela educadora da sala, pelo professor de rádio e
por um aluno de Jornalismo e Comunicação da ESEP. Sempre com os microfones
abertos, as crianças foram estimuladas a conversar sobre a rádio: o que é?, o
que ouvem? Quando ouvem? Desta conversa foram retirados excertos e incluídos no
programa. Numa segunda fase, as crianças propuseram conteúdos para o programa:
cantaram canções da sua escola, descreveram o jardim-de-infância que
frequentam, inventaram histórias, sugeriram músicas para incluir no programa,
etc. Nesta fase, o papel da educadora foi fundamental, pois permitiu relembrar
às crianças as atividades e a rotina do jardim-de-infância para que assim elas
pudessem verbalizar.
No final da gravação, as vozes das crianças foram
reproduzidas o que motivou reações de espanto e entusiasmo ao identificarem a
sua voz. Era objetivo da iniciativa que apenas as vozes das crianças entrassem
no programa.
A edição do programa foi realizada pelo professor de rádio e
pelos alunos de Jornalismo e Comunicação da ESEP.
Ficha Técnica:
Vozes - Crianças da sala B do Jardim-de-Infância do
Atalaião, Portalegre. Afonso Santos;
Afonso Rosa; Afonso Lopes; Carlos
Gouveia; Daniel Ferreira; Daniela Ferreira; Diogo Ceia; Dinis Freire;
Diana Lopes; Duarte Barroqueiro; Francisco
Gargaté; Francisco Silva; Gabriel
Alferes; Gabriela dos Santos; João Salgueiro; Leonor Baptista; Leonor Magno; Leonor
Póvoas; Madalena Gouveia;
Madalena Mirão; Maria Paixão; Pedro
Rolo; Rafael Carvalho; Rita Lopez; Rodrigo Guerra e Sara Grave.
Ana Borges (Educadora de Infância) e Isabel Alfaia
(Assistente operacional).
Edição - Alunos de Jornalismo e Comunicação da ESEP: Ana
Catarina Silva, Carina Coelho, Francisca Cabedo, Daniela Senra e Tiago Silva.
Agradecimentos: Amélia Marchão, Alexandre Espinho, Carlos
Silva, Cristina Santos, Jorge Santos, Maria Sousa, Mariana Gameiro e Sónia
Pacheco.
Coordenação: Luís Bonixe
sábado, abril 20, 2013
Jornalismo e jornalistas das rádios locais portuguesas
Partilho um resumo dos dados recolhidos a partir de um inquérito
a jornalistas de rádios locais portuguesas cujos resultados foram apresentados
no encontro realizado em Portalegre no dia 18 de abril.
Segundo o inquérito, o jornalista das rádios locais
portuguesas tem menos de 40 anos de idade, possui formação superior na área
das ciências da comunicação e a maior parte dos inquiridos trabalha na mesma
rádio há menos de 5 anos. O vencimento de 46 por cento dos respondentes situa-se
entre o ordenado mínimo nacional e os 650 €, mas apesar disso os jornalistas
inquiridos veem a sua atividade como uma “realização pessoal” e um “emprego
desejado”.
Os jornalistas inquiridos revelaram ainda um sentido crítico
relativamente à política editorial da sua rádio considerando que deveria haver sobretudo
mais espaço para reportagem, para debate e para noticiários.
Se nos primeiros anos da radiodifusão local em Portugal, a insuficiência
de recursos materiais era uma realidade, atualmente o cenário parece ter
sofrido algumas alterações. Os inquiridos consideraram que o que mais afeta a
sua atividade não é a falta de meios técnicos, mas a escassez de recursos
humanos. Das rádios que aceitaram responder a este inquérito, a maior redação
tem 4 jornalistas e a menor apenas 1.
Sobre a Internet, a esmagadora maioria dos inquiridos considera
“muito importante” que as rádios locais estejam online. A rede global é para os
jornalistas das emissoras locais a principal fonte de informação e a sua
consulta uma atividade “muito frequente”.
Para o inquérito foram contactadas 30 rádios locais
portuguesas. 19 acederam positivamente, tendo sido inquiridos 28 jornalistas
que exercem atividade nos distritos de Évora, Beja, Porto, Braga, Viseu, Castelo
Branco, Portalegre; Santarém e Setúbal.
Inquéritos aplicados pelos alunos do curso de jornalismo e
Comunicação da ESEP: Ana Cristina Gargaté, Alexandre Espinho, Andreia Coelho,
Andreia Claro, Ana Catarina, Carina Coelho, Catarina Martins, Daniela Senra,
Daniela Sequeira, Dulce Batista, Francisca de Cabedo, Jaime Janeiro, Jorge
Grenho, Jorge Relvas, Maria Sousa, Mariana Gameiro, Patrícia Pinto, Rui
Alves, Tiago Silva. Coordenação: Luís
Bonixe
sábado, fevereiro 16, 2013
Criado grupo de investigadores de rádio
Com o objetivo de promover o desenvolvimento dos estudos de
rádio em Portugal, um grupo de investigadores de vários centros de pesquisa em
comunicação (de Braga, Coimbra e Lisboa), criou esta sexta-feira uma rede de
Estudos de Rádio. Reunidos na Universidade Nova de Lisboa, simbolicamente na
semana em que se assinalou o Dia Mundial da Rádio, os fundadores deste grupo
pretendem dinamizar os estudos sobre meios sonoros e os novos modelos de
produção radiofónica.
A reunião desta sexta-feira, dia 15 de fevereiro, teve o
intuito de mobilizar os investigadores que têm desenvolvido algum trabalho
científico nesta área para a criação de uma rede nacional que possa
constituir-se como interlocutora de outros grupos similares de âmbito
internacional. O programa de ações a médio prazo incluirá a organização regular
de eventos científicos, a publicação de uma série de livros e o desenvolvimento
de projetos de investigação que fomentem a cooperação entre grupos nacionais e
internacionais.
Esta reunião de reflexão contou com a participação de
Adelino Gomes, convidado para emprestar a sua experiência profissional neste
meio à definição de linhas estratégicas de investigação. Um novo encontro ficou
já agendado para o final de setembro. Até lá, o grupo conta lançar uma
plataforma online para publicar notícias, criar redes de contacto e divulgar a
produção bibliográfica dos investigadores portugueses.
Para ver o vídeo com Madalena Oliveira (via Indústrias Culturais)
segunda-feira, fevereiro 04, 2013
Número especial sobre webrádio
A revista Prisma acaba de lançar o seu número 17, dedicado à webrádio.
Para ler aqui.
Para ler aqui.
quarta-feira, janeiro 30, 2013
Radiojornalismo no Brasil
Está disponível para download gratuito o e-book de Debora Cristina López intitulado "Radiojornalismo hipermidiático: tendências e perspectivas do jornalismo de rádio all news brasileiro em um contexto de convergência tecnológica".
sábado, dezembro 08, 2012
Informação radiofónica portuguesa em livro
Acaba de ser lançado pela Livros Horizonte o meu livro "A Informação Radiofónica - rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa". O livro integra-se na coleção promovida pelo CIMJ "Média e Jornalismo" e resulta da minha tese de doutoramento.
A lista de livros sobre a rádio portuguesa já está atualizada aqui.
A lista de livros sobre a rádio portuguesa já está atualizada aqui.
Excelência em ciberjornalismo para a Renascença
A Renascença venceu pelo segundo ano consecutivo o Prémio de Excelência geral em Ciberjornalismo atribuído pelo Observatório de Ciberjornalismo. O prémio foi atribuído no decorrer do III Congresso Internacional de Ciberjornalismo que decorreu na Universidade do Porto nos dias 6 e 7.
terça-feira, dezembro 04, 2012
Leituras
A revista Estudos em Jornalismo e Mídia, da Universidade Federal de Santa Catarina, acaba de disponibilizar o número dedicado à investigação sobre os média portugueses.
O índice da edição está disponível aqui
Contribuo com o artigo As rádios locais em Portugal – da génese do movimento à legalização
O índice da edição está disponível aqui
Contribuo com o artigo As rádios locais em Portugal – da génese do movimento à legalização
Comunicações sobre rádio
Lista de comunicações sobre rádio a apresentar no IV Seminário Internacional de Media, Jornalismo e Democracia, organizado pelo CIMJ, que decorre dias 6 e 7 na Unv. Nova de Lisboa.
Dia 6
- M.S.Sapna (Dept of
Communication & Journalism, University of Mysore, Mysore, India):
Role and Development of Community Radio in
India
- Nelson Ribeiro (Universidade Católica Portuguesa): Defender a Democracia elogiando a Ditadura: A Linha editorial do
Serviço Português da BBC durante a IIª Guerra Mundial
- Maria Inácia Rezola (Instituto de
História Contemporânea da FCSH-UNL; Escola Superior de Comunicação Social): Media,
Jornalismo e Democracia: a Emissora Nacional no processo revolucionário
português (1974-1975)
- Luís Bonixe (Escola Superior de Educação de Portalegre/CIMJ):
Rádios locais e democracia – da hipótese do
pluralismo à uniformização do discurso
Dia 7
Diego Weigelt e Brenda Parmeggiani (FCSH/UNL):
O rádio nos novos meios de comunicação: A nova forma de ouvir dos
jovens
O programa completo está aqui.
domingo, novembro 11, 2012
Um prémio justo para Luís Filipe Costa
Luís Filipe Costa é um nome incontornável no jornalismo radiofónico português. A Sociedade Portuguesa de Autores decidiu, justamente, atribuir-lhe o prémio Igrejas Caeiro que pretende distinguir a carreira na rádio.
Luís Filipe Costa é responsável por aquilo que hoje, com toda a naturalidade, concebemos como informação radiofónica. Nos anos 60 liderou uma equipa de jornalistas no Rádio Clube Português tornando os noticiários curtos, concisos e criando um estilo que rompia, à época, com o que se fazia na rádio em Portugal. Mas, se os noticiários do RCP acabaram por criar um novo estilo na informação radiofónica portuguesa, aparecem com outros objetivos, como referiu numa entrevista que me concedeu em 2008, Luís Filipe Costa, na altura para a realização da minha tese de doutoramento:
"Os noticiários do Rádio Clube Português aparecem não como uma resposta àquele monolitismo e cinzentismo da Emissora [Nacional]. Aparecem dentro de um esquema habitual de uma rádio comercial. O que se pensou foi em arranjar uma fórmula diferente que proporcionasse mais ouvintes ao Rádio Clube. E havendo mais ouvintes, havia mais publicidade. Não havia nada de política metida naquilo" (Luís Filipe Costa, em entrevista 2008).
Os noticiários do RCP representam um corte na história do jornalismo radiofónico português, não apenas por aquilo que transmitiam aos seus ouvintes, mas porque foram motivo para que as outras estações reagissem e procurassem inovar também na produção de notícias. Na Emissora Nacional, a informação começou a ganhar mais importância (Cristo, 2005:38) e na Renascença tornou-se óbvio que seria preciso também investir nesta área:
"O objetivo era estar no ar com uma oferta global na qual se incluíam os noticiários que pudessem disputar audiência e publicidade ao Rádio Clube Português. Como é óbvio se a Renascença não tivesse noticiários havia uma faixa de ouvintes que se deslocava para o RCP" (Entrevista a João Alferes Gonçalves, 2008).
A importância de Luís Filipe Costa para o jornalismo radiofónico português fica bem ilustrada nas palavras de João Paulo Guerra, um dos jornalistas que com ele trabalhou no RCP:
"Toda a gente que trabalha hoje na rádio aprendeu com o Luís Filipe Costa, mesmo que não saiba quem ele é. Podem não ter aprendido directamente, mas aprenderam com alguém que aprendeu com ele" (João Paulo Guerra em entrevista, 2008).
Prémio merecido, portanto!
Luís Filipe Costa é responsável por aquilo que hoje, com toda a naturalidade, concebemos como informação radiofónica. Nos anos 60 liderou uma equipa de jornalistas no Rádio Clube Português tornando os noticiários curtos, concisos e criando um estilo que rompia, à época, com o que se fazia na rádio em Portugal. Mas, se os noticiários do RCP acabaram por criar um novo estilo na informação radiofónica portuguesa, aparecem com outros objetivos, como referiu numa entrevista que me concedeu em 2008, Luís Filipe Costa, na altura para a realização da minha tese de doutoramento:
"Os noticiários do Rádio Clube Português aparecem não como uma resposta àquele monolitismo e cinzentismo da Emissora [Nacional]. Aparecem dentro de um esquema habitual de uma rádio comercial. O que se pensou foi em arranjar uma fórmula diferente que proporcionasse mais ouvintes ao Rádio Clube. E havendo mais ouvintes, havia mais publicidade. Não havia nada de política metida naquilo" (Luís Filipe Costa, em entrevista 2008).
Os noticiários do RCP representam um corte na história do jornalismo radiofónico português, não apenas por aquilo que transmitiam aos seus ouvintes, mas porque foram motivo para que as outras estações reagissem e procurassem inovar também na produção de notícias. Na Emissora Nacional, a informação começou a ganhar mais importância (Cristo, 2005:38) e na Renascença tornou-se óbvio que seria preciso também investir nesta área:
"O objetivo era estar no ar com uma oferta global na qual se incluíam os noticiários que pudessem disputar audiência e publicidade ao Rádio Clube Português. Como é óbvio se a Renascença não tivesse noticiários havia uma faixa de ouvintes que se deslocava para o RCP" (Entrevista a João Alferes Gonçalves, 2008).
A importância de Luís Filipe Costa para o jornalismo radiofónico português fica bem ilustrada nas palavras de João Paulo Guerra, um dos jornalistas que com ele trabalhou no RCP:
"Toda a gente que trabalha hoje na rádio aprendeu com o Luís Filipe Costa, mesmo que não saiba quem ele é. Podem não ter aprendido directamente, mas aprenderam com alguém que aprendeu com ele" (João Paulo Guerra em entrevista, 2008).
Prémio merecido, portanto!
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