domingo, junho 24, 2012

Rádió


Depois de duas sessões sobre jornalismo radiofónico que conduzi no King Sigismund College, em Budapeste, foi interessante verificar como a rádio, tal como cá, é na Hungria um meio praticamente esquecido pela investigação académica. Escasseiam as teses, as conferências e investigadores que se interessam pelo tema.
Relativamente ao cenário radiofónico húngaro, merece destaque o peso da rádio pública (Magyar Rádió) consubstanciado quer nas audiências, quer na rede de estações que detém. Um pouco por todo os país proliferam diversas estações locais e outras rádios temáticas dedicadas aos vários estilos musicais. De sublinhar é a quantidade de rádios comunitárias existentes no país (cenário que não encontramos em Portugal).
Dois alunos de Comunicação do Sigismund College prepararam este curto texto sobre a origem das rádio comunitárias na Hungria:
Community radio is a little more than two decades old in Hungary. It started in the city Kaposvár in 1991 with the radio ZÖM (trans. great mass) and with TILOS (trans. Forbidden), which was in the capital city Budapest. The TILOS (as the name says) was a pirate radio lead by its dreamer and creator Vladimir Németh. In those times most of the emcees acted like teachers, placed themselves above the audience. The goal of TILOS was to counteract this mentality by bringing the listeners into the creation of the radio program.
NMHH (National Broadcasting Authority, similar to FCC in the USA) made a rule about the transceiver’s radius, which can be maximum 1km. Another important fact, that these radios are working by non-profit system so they are organized by volunteers. This type of radio started to spread only in 2002. At this time TILOS was already ten years old. There is a media law which says: if there are two commercial radios in an area, the third one (if there is a free frequency) has to be a nonprofit radio. According to NMHH in 2008 there were 69 community radios in Hungary.
One of the biggest and most successful community radios is Rádió Mi (can be translated as Radio We or Radio Us) in Szeged. Szeged is the third biggest city in Hungary with the population of 170.000. Rádió Mi started seven years ago in a garage with nonprofessional equipment, but the enthusiasm and the proficiency soon paid off. Nowadays they meet their audience on monthly basis, where they continue their cultural and social critical discussions in live. These meetings are attended by 50-150 listeners every month. The radio cooperates with the Science University of Szeged.
Translated and summarised by : Gergely Aradi and Csaba Nagy

Nova Provedora da rádio pública


Paula Cordeiro será a nova Provedora do Ouvinte da rádio pública depois do seu nome ter merecido aprovação do Conselho de Opinião (11 votos a favor, 9 contra e 2 abstenções). A escolha recai assim sobre alguém com um perfil distinto dos seus antecessores (José Nuno Martins, Adelino Gomes e Mário Figueiredo), com longas carreiras profissionais na rádio. Paula Cordeiro é investigadora na área da rádio e professora no ISCSP. É autora do livro A rádio e as indústrias culturais. Estratégias de programação na transição para o digital.

quinta-feira, maio 03, 2012

Um dia com os média na RR

Das várias iniciativas para assinalar o dia da Liberdade de Imprensa e de Expressão, sublinho a que a Renascença levou a cabo no seu site, abrindo um espaço para que os ouvintes coloquem questões sobre o processo noticioso. E houve respostas. Boa ideia.

segunda-feira, abril 23, 2012

Jornalismo de proximidade e participação

Foi muito interessante o Encontro sobre média proximidade e participação que decorreu no final da semana passada na Universidade da Beira Interior.
A ideia foi juntar jornalistas, académicos e estudantes para discutir os conceitos e as práticas do jornalismo de proximidade e a participação dos cidadãos. O interesse residiu, para começar, na reflexão produzida sobre as próprias ideias de proximidade (o que significa o termo quando aplicado ao jornalismo?) e participação (questão complexa que remete para diversas formas e levanta uma outra problemática: até onde deve ir essa participação dos cidadãos?)

A comunicação que apresentei "Internet e participação – o renascimento da rádio local como espaço de debate público" pretendeu cruzar três aspectos: os princípios fundadores da ideia de rádio local, a tradição da rádio enquanto promotora de participação e a migração para a Internet aí adquirindo novas formas de interacção e participação. Em que medida, novas ferramentas para a participação dos cidadãos nos conteúdos disponibilizados pelas rádios locais portuguesas nos seus sites estão de facto a ser utilizadas para a promoção do debate sobre as matérias noticiosas de interesse local?

Sobre isto, três notas:
1ª as rádios locais continuam, tal como as emissoras nacionais, a privilegiar a participação em programas emitidos na rádio tradicional;
2º em ambiente online, a participação está a ser canalizada para as redes sociais, em particular o Facebook. Nos sites, as ferramentas para essa participação são quase inexistentes.
3º a participação dos cidadãos quer no site quer nas redes sociais das rádios locais é sobretudo ao nível da função fática. O debate argumentativo, fundamentado... é praticamente inexistente.

segunda-feira, abril 09, 2012

Ordem de Mérito para a RR

A Renascença recebe a Ordem de Mérito do Presidente da República.
A propósito dos 75 anos de vida da emissora, amanhã a programação é especial.
Para acompanhar.

quarta-feira, março 28, 2012

Um livro sobre rádios locais

A Associação de Rádios de Inspiração Cristã (ARIC) tem desenvolvido um importante papel na radiodifusão portuguesa. J. Sousa Queiroz fez um levantamento muito interessante de documentos, testemunhos e reuniu tudo no livro "20 Anos ao serviço das Rádios Locais - Aric 1991-2011, contributos para a história".

Efectivamente, é de sublinhar o assinalável trabalho de reunião de documentação que está compilada nos anexos do livro e que podem ser um auxílio muito importante para futuras investigações. Não há sobre as rádios locais portuguesas muitas publicações e também por isso esta merece uma leitura atenta.
O prefácio é de Alberto Arons de Carvalho.

Leitura: QUEIROZ, Sousa, J. (2011) 20 Anos ao serviço das Rádios Locais - Aric 19991-2011, ARIC.

terça-feira, março 06, 2012

Novo livro sobre a rádio em Portugal

Uma rádio em profunda mudança, de tal modo que é já com dificuldade que reconhecemos o mesmo meio sobre o qual Bertold Brecht teorizou nos anos 30 do século passado. João Paulo Meneses é o autor de
"Estudos sobre a rádio - passado, presente e futuro" um livro que fala de uma rádio em crise, mesmo antes da Internet, e que procura a sua reivenção (ou substituição) através das várias plataformas e instrumentos digitais.

O livro reúne textos do autor, também jornalista da TSF e professor de comunicação, nos quais se encontram reflexões sobre a rádio generalista (ou a sua inexistência), o podcasting, o papel que a rádio (ainda) tem no consumo de música e a relação entre os jovens e o meio radiofónico...

É mais um livro sobre rádio em 2012 (a juntar ao de Magalhães Crespo) e que vale a pena ler.


Leitura: Meneses, João Paulo (2012). "Estudos sobre a rádio - passado, presente e futuro". Porto: Mais Leituras.


Consultar livros sobre a rádio portuguesa.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Colóquio sobre rádio na Católica

A Universidade Católica Portuguesa organiza no dia 28 de Fevereiro um colóquio subordinado ao tema "O Meio Rádio e os 75 Anos da Rádio Renascença". Do programa destaco a intervenção de James Curran às 14h30.

14h15 – Sessão de Abertura
Prof. Doutor Manuel Braga da Cruz, Reitor da UCP
Cónego João Aguiar, Presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença
Prof.ª Doutora Isabel Capeloa Gil, Directora da Faculdade de Ciências Humanas

14h30 – Rethinking the Impact of the Internet in the Digital Era
James Curran, Goldsmiths College, University of London

15h30 – Entre o Analógico e o Digital | Moderação: Rita Figueiras, FCH/CECC
Da Tradição à Modernidade Radiofónica (1961-1969)
Rogério Santos, FCH/CECC
A Rádio Renascença na Transição de Regime: do 25 de Abril ao 25 de Novembro
Nelson Ribeiro, FCH/CECC
With or without you: Rádio e Música
Paula Cordeiro, ISCSP
Éter, web e redes: os Desafios da Informação na Rádio Multiplataforma
Luís Bonixe, IPP

16h50 – Intervalo
17h00 –A Renascença e a Rádio vistas por antigos profissionais do Grupo r/com.
Mesa Redonda | Moderador: José Luís Ramos Pinheiro, Administrador Grupo R/Com. Participantes: João Amaral, Diretor da Leya; Eduardo Oliveira e Silva, Diretor do Centro de Formação da RTP; Fernando Ilharco, Professor da FCH/UCP; Ângela Silva, jornalista do Expresso.

O colóquio vai decorrer na Sala de Exposições (Ed. da Biblioteca) e no final está previsto o lançamento do livro "Os Meus 31 Anos na Rádio Renascença" da autoria de Fernando Magalhães Crespo, com apresentação da obra pelo Reitor da UCP, Prof. Doutor Manuel Braga da Cruz.

TSF extingue delegações de Évora e Faro

Lê-se no Público que a TSF está a proceder a uma reorganização financeira e que por via disso vai extinguir as delegações de Évora e Faro. Se assim for, há aqui perdas que se devem lamentar. Em primeiro lugar, duas regiões do país que perdem (ainda mais!) expressão mediática e em segundo, (se não for encontrada uma boa solução para os profissionais) dois jornalistas que nos têm dado bons momentos de rádio. Um deles está aqui.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

A rádio na frequência da web

A rádio na frequência da web é o título do nº 20 da revista Comunicação e Sociedade do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. O número foi coordenado por Madalena Oliveira e Pedro Portela e o índice pode ser consultado aqui.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Dia Mundial da Rádio

Três sons que marcaram a história da rádio:

A Guerra dos Mundos de  Orson Wells, o encerramento da Rádio Alice, um dos símbolos da liberalização do sector radiofónico na Europa e a leitura do comunicado do MFA aos microfones do Rádio Clube Português.

O dia mundial da rádio é assinalado em Portugal no Atmosphere Lounge em Lisboa.
Programa:
16h30 apresentação do documentário de Rádio Energia 2.0: a Rádio Energia 20 anos depois
17h00 a investigação sobre radiodifusão em Portugal
18h00 a rádio como meio social
19h00 tertúlia rádio - passado e presente
19h45 DJ Battle e cocktail

terça-feira, janeiro 24, 2012

A rádio pública, de novo

Escreve o PÚBLICO: Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1.

Uma rádio pública credível e séria aos olhos dos seus ouvintes dispensa casos como este. Contra ela pendem sempre inúmeras suspeições, e situações como esta não ajudam a clarificar o seu papel insubstituível.

Entre aqueles que nada têm a comentar e os que dizem que já tudo estava decidido há muito tempo o que ficará neste caso, temo, é uma vez mais a ideia generalizada de uma rádio instrumentalizada pelo poder.

Mesmo que assim não seja, a rádio pública voltará a sofrer com isso.

A esperança é que o que aí vem (debates, inquéritos, etc.) nos possa dar alguma luz sobre o que realmente se passou neste caso!

Para já, Raquel Freire despediu-se assim do espaço "Este Tempo".

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Em dois lugares ao mesmo tempo

Os novos caminhos da rádio também passam por isto. Hoje a TSF fez dois directos em simultâneo. Depois das 10 da manhã, nas ondas da rádio escutou-se o Fórum dedicado a Guimarães Capital Europeia da Cultura, enquanto que na Internet era transmitido o debate quinzenal na Assembleia da República.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Radio Evolution na JJ

O nº 48 da revista JJ do Clube de Jornalistas publica um artigo (pp. 6-11) que assino sobre o congresso ECREA "Radio Evolution", realizado em Braga no passado mês de Setembro.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Sonoplastia

Por vezes o trabalho que realizam passa-nos ao lado. Injustamente. Contar a realidade através de sons depende em boa parte daquilo que os sonoplastas fazem. A reportagem da TSF é um excelente exemplo de como a riqueza da linguagem exclusivamente sonora pode ser evidenciada.
Vem isto a propósito de um sublinhado que o João Paulo Meneses, em boa hora, fez em relação a um post meu, relembrando que só em 2011 Luís Borges, sonoplasta da TSF venceu 6 prémios.

Aqui fica a lista e os meus parabéns a Luís Borges e a toda a equipa que com ele trabalha na TSF.

2011
Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha
João Francisco Guerreiro, com sonoplastia de Luís Borges
Missão Haiti

Prémio de Jornalismo Direitos Humanos e Integração – UNESCO
Categoria rádio – menção honrosa
Missão Haiti
João Francisco Guerreiro, com sonoplastia de Luís Borges


Prémio Jornalismo pela Diversidade Cultural - Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural
Menção Honrosa, Categoria rádio
A Vida em Dois Actos
Ana Sofia Freitas, com sonoplastia de Luís Borges


Prémio Gazeta de Rádio – Clube de Jornalistas
A Terra a Quem a Trabalha
Carlos Júlio, com sonoplastia de Luís Borges


Prémio "Galardão da Inclusão» (Centro de Recursos para a Inclusão Social )
Vermelho da Cor do Céu
Ana Catarina Santos e Luís Borges


Prémio Nacional de Jornalismo LPCC/SPMSD 2011 (iniciativa da Liga Portuguesa Contra o Cancro e da Sanofi Pasteur MSD, que distingue o melhor trabalho jornalístico na área da oncologia)
Cristina Lai Men e sonoplastia de Luís Borges
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2086097

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Livros sobre a rádio portuguesa

Lista de publicações sobre a rádio portuguesa (a ordem segue o ano de edição).
Todas as contribuições no sentido de completar esta lista serão muito úteis.

- SANTOS, Rogério (2017) A Emissora Nacional e as mudanças políticas (1968-1975). Edições Minerva.
- SANTOS, Rogério (2017) - Estudos da Rádio em Portugal. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa.
- LEITE, Renato (2017). Estratégias Empresariais da Radiodifusão Pública e Privada. Media XXI. 
- COSTA, Pedro (2017) Teias da Rádio: Ensaios e Reflexões sobre as Políticas do Setor. CS Edições.
- MENESES, João Paulo (2016) Jornalismo Radiofónico. Ebook. Disponível aqui.
- OLIVEIRA, M. PRATA, N. (2015) Rádio em Portugal e no Brasil: Trajetória e Cenários. Ebook. Disponível aqui.
REIS, Ana Isabel (2015). O Áudio nas cibernotícias das rádios. Lisboa: Media XXI.
- SANTOS, Rogério, 2014 - Sempre no Ar, Sempre Consigo (1941-1968). Lisboa: Colibri
- CARVALHEIRO, José Ricardo (2014) As Caixas Mudaram o Mundo? Usos femininos dos media no Estado Novo.
- REIS, Ana Isabel, RIBEIRO, Fábio & PORTELA, Pedro (2014). Das Piratas à Internet: 25 anos de Rádios Locais. Disponível aqui.
- SANTOS, Sílvio Correia (2013). Os média de Serviço Público. ebook disponível aqui.
- FERREIRA, Carolina (2013). Os Media na Guerra Colonial - a manipulação da Emissora Nacional como altifalante do regime. Coimbra: Minerva.
ALMEIDA, Carla Aurélia (2012) "A Construção da Ordem Interaccional na Rádio - contributo para uma análise linguística do discurso em interacções verbais". Porto: Edições Afrontamento.
- BONIXE, Luís (2012). A informação radiofónica - rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte.
- MENESES, João Paulo (2012). Estudos sobre a rádio - passado, presente e futuro. Porto: Mais Leituras.
- CRESPO,  Magalhães (2012). Os meus 31 anos na Rádio Renascença. Lisboa: Principia Editora.
- PORTELA, Pedro (2011) Rádio na Internet em Portugal. Humus
- QUEIROZ, Sousa, J. (2011). 20 Anos ao Serviço das Rádios Locais - ARIC 1991-2011, Contributos para a história. ARIC.
- RIBEIRO, Nelson (2011) BBC Broadcasts to Portugal in World War II: How Radio Was Used As a Weapon of War. London: Winston Books.
- SALA, António(2011). Memórias da vida e da rádio dos afectos. Lisboa: Oficina do Livro
- LEITE, Renato Costa (2010) Estratégias Empresariais da Radiodifusão Pública e Privada. Media XXI.
- CORDEIRO, Paula (2010) A Rádio e as Indústrias Culturais. Lisboa: Livros Horizonte
- ERC (2009) , Caracterização do sector da radiodifusão local.
- SOARES, Vítor (2009), A Rádio, Ouvida e Pensada. Bubok (ebook).
- AA.VV. (2008), Tão Perto do Mundo – 20 Acontecimentos em 20 anos da rádio que mudou a rádio, Lisboa: Prime Book.
- PINTO, Marcos (2007). No ar : 100 histórias da rádio. Parede: Prime Books
- CRISTO, Dina (2005), A Rádio em Portugal e o Declínio do Regime de Salazar e Caetano (1958-1974), Coimbra: Minerva
- RIBEIRO, Nelson (2005), A Emissora Nacional nos Primeiros Anos do Estado Novo 1933-1945, Lisboa: Quimera Editores.
- SANTOS, Rogério (2005), As Vozes da Rádio 1924-1939, Lisboa: Caminho
- SANTOS, Paula B. (2005) Igreja Católica, Estado e Sociedade, 1968-1975: o Caso Rádio Renascença. Lisboa. Imprensa de Ciências Sociais.
- DUARTE, Feliciano Barreiras (2005) — Informação de Proximidade — Jornais e Rádios. Lisboa: Âncora Editora, 
- CORREIA, Fernando (2004) A Rádio não acontece... faz-se. Lisboa: Sete Caminhos.
- SEQUEIRA, Hélder (2003) O Dever da Memória - Uma Rádio no Sanatório da Montanha. Câmara Municipal da Guarda.
- RIBEIRO, Nelson (2002) “A Rádio Renascença e o 25 de Abril”, Universidade Católica. Editora, Lisboa
- MENESES, João Paulo (2003), Tudo o Que se Passa na TSF, Porto: Jornal de Notícias.
- MELO, Rui (2001), A Rádio e a Sociedade de Informação, Porto: Fundação Fernando Pessoa.
- MAIA, Matos (1999) “Aqui Emissora da Liberdade”, Caminho, Lisboa
- CALDAS, A. Pereira (1999). Para a história da Rádio Renascença (1974-1975) — Um barómetro da revolução. Lisboa: Rádio renascença / Grifo - editores e livreiros, Ldª,
- GONÇALVES, Rui F. M. (1999), Jornalismo e Valores. O Projecto Informativo TSF-Rádio Jornal (1988-1993), Lisboa: Edinova.
- MEDITSCH, Eduardo (1999), A Rádio na Era da Informação, Coimbra: Minerva.
- MIGUEL, Aura (1992), Rádio Renascença: os trabalhos e os dias (1933-1948), Lisboa: Imprensa Nacional.
- AA.VV. (1996), Colóquios sobre Rádio, Lisboa: Publicações Dom Quixote.
- MAIA, Matos (1995), Telefonia, Lisboa: Círculo dos Leitores.
- MARCOS, Luís Humberto (1989), Rádios Locais – A lei e a realidade, Porto: Centro de Formação de Jornalistas.
- AA.VV. (1986), 60 Anos de Rádio Em Portugal, Lisboa: Vega.
- NEVES, Moreira das (1980)  Para a História da Rádio Renascença — Monsenhor Lopes da Cruz e a Emissora Católica Portuguesa — Subsídios e Comentários. Lisboa: Rádio Renascença.
- RIBEIRO, Fernando Curado (1964) Rádio: Produção, Realização, Estética. Lisboa: Arcádia.

A lista de Teses de doutoramento sobre a rádio portuguesa pode ser consultada aqui .

Prémio para a reportagem radiofónica

A reportagem radiofónica está uma vez mais de parabéns. Desta vez foi o trabalho de Jorge Correia, da Antena 1, a receber um prémio.
A reportagem chama-se "Anatomia do Erro" e pode ser escutada aqui

Jorge Correia tem feito um trabalho notável de cobertura de assuntos de saúde na rádio pública.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Tese de doutoramento sobre a rádio portuguesa

Isabel Reis defendeu na quarta-feira, dia 7 de Dezembro, a tese de doutoramento com o título “O Áudio no Jornalismo Radiofónico na Internet” na Universidade do Minho.
A autora parte de duas características centrais e definidoras da rádio – o carácter sonoro e temporal da mensagem – e analisa o modo como os sites da TSF, Renascença, RCp e RDP utilizam o áudio nas principais notícias disponibilizadas online.
O estudo representa um importante contributo para se perceber o estado da arte no que diz respeito ao modo como as rádios de informação estão a fazer a migração para as plataformas digitais.
Das conclusões do estudo sublinho as seguintes:
- Apesar do conjunto de elementos expressivos que o ambiente online oferece, os sites das rádios continuam a privilegiar o áudio, tal como sucede na versão hertziana;
- Os áudios colocados nos sites privilegiam a palavra e a declaração, consequência óbvia – acrescento eu – do facto de os sons colocados nos sites já terem sido emitidos na rádio. As rádios online seguem, assim, a discursividade informativa da rádio hertziana;
- Quanto à temporalidade, conclui Isabel Reis que “ a ciber-rádio herda, ainda, a imediatez e a instantaneidade da rádio tradicional (p. 305).

Os meus parabéns à nova doutora que contribui com mais uma investigação sobre a rádio portuguesa no âmbito de uma tese de doutoramento.

terça-feira, novembro 15, 2011

A rádio pública segundo o Grupo de Trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social

Há muito pouco sobre a rádio no Relatório do Grupo de Trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social coordenado pelo professor João Duque.

As referências que são feitas a este sector do audiovisual público, para além de escassas, são pouco concretas.

a) Sabemos que os relatores consideram "desproporcionada a existência de três canais de rádio nacionais do Estado, em pé de igualdade com o mesmo número de canais nacionais privados".

b) Mas que "o Estado deve ser especialmente cuidadoso em alterações no mercado das rádios, atendendo às condições difíceis do mesmo".

c)O relatório não é claro em relação ao futuro dos canais de rádio do serviço público português. Em relação à televisão não restam dúvidas sobre o que, segundo o GT, deveria ser feito, mas quanto à rádio, as referências são pouco claras.
É dito que um dos canais deve apostar na "divulgação da música e da língua portuguesas, promovendo um trabalho que leve às suas raízes" e que outro "deverá fazer ter como alvo principal a música e cultura eruditas, divulgando sistematicamente recitais e concertos de orquestras e músicos portugueses".
Falta um...

d) Deduz-se que a sugestão feita no sentido de reduzir o tempo dos noticiários também se aplique à rádio: "GT propõe que os conteúdos noticiosos do operador de serviço público de rádio e televisão sejam concentrados em noticiários curtos, sejam limitados ao essencial e recuperem o carácter verdadeiramente informativo, libertos da crescente dimensão subjectiva e opinativa no jornalismo (até para fazer diferença face aos operadores privados)."
Esta coisa de reduzir a dimensão subjectiva e opinativa do jornalismo é tarefa para um milhão de doláres! Não sei como se faz, nem sei se é possível fazer! Por outro lado, vejo esta recomendação como uma ingerência clara na liberdade editorial dos jornalistas. É a eles que deve cumprir a tarefa de fazer noticiários, escolher o que lá colocam e definir a sua duração (porquanto é um critério de noticiabilidade).

e) O relatório parece partir do princípio de que a rádio pública não cumpre as suas funções enquanto serviço público e que se limita a uma estratégia concorrencial. Parece-me injusto. Sem querer fazer a defesa incondicional do serviço público de rádio em Portugal, e em particular na informação, parece-me que há espaços e programas que representam uma alternativa e que apenas os podemos ouvir na rádio pública ("Portugal em Directo", é só um exemplo).

f) O relatório estabelece uma comparação entre o número de canais públicos e rádios nacionais privadas. É bom lembrar que no campo da informação, o universo não é assim tão alargado: Para além da rádio pública, existe a Renascença. A Antena 1 tem hoje um papel importantíssimo no domínio da informação. É bom lembrar, certamente que o GT teve isso em conta, que a TSF não é uma rádio nacional.

Finalmente, assusta-me que alguém ainda pense que a comunicação social possa ser um instrumento político:

"Um serviço internacional público de comunicação social deve ter como função despertar e consolidar o interesse por Portugal e pelo universo da língua portuguesa no mundo. Nesse sentido, consideramos que é um instrumento da política externa, devendo depender a definição do contrato-programa e seu financiamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros."


O relatório completo está aqui

segunda-feira, novembro 07, 2011

Vermelho da cor do céu

Ana Catarina Santos começa a distinguir-se no campo da reportagem radiofónica. Se não me falham as contas, recebe o terceiro prémio neste tipo de trabalhos.

"Vermelho da cor do céu" é uma excelente reportagem, comovente e que joga na perfeição com o que de melhor a rádio tem. Sobre este trabalho, escrevi depois de o ter escutado.

Quem não ouviu, tem mesmo que ouvir.

Os meus parabéns aos autores, Ana Catarina Santos e Luís Borges.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Jornalistas da rádio e redes sociais

A Cision e a Canterbury Christ Church University realizaram um inquérito aos jornalistas sobre o modo como percepcionam as redes sociais. Os resultados estão no relatório intitulado Social Journalism Study Perceptions and use of social media among journalists in the UK Report.

Algumas ideias sobre os jornalistas da rádio:

1 - Os jornalistas da rádio são, a par dos que trabalham nas redes sociais, os mais activos no que respeita ao uso do blogue.

2 - 55% dos jornalistas de rádio inquiridos concordam que as redes sociais permitem um maior envolvimento com a audiência;

3 - Entre os inquiridos, são os jornalistas da rádio que vêem como mais positivo o crowdsourcing;

4 - No que respeita à relação entre trabalho e redes sociais, só 20% dos jornalistas da rádio consideram que a produtividade melhorou.

segunda-feira, setembro 26, 2011

RR V+


A Renascença renovou o site .
A principal diferença em relação à versão anterior prende-se com uma maior presença do vídeo. RR V+ é isso mesmo: uma aposta clara da rádio (?!) Católica portuguesa nos conteúdos em vídeo.
O som aparece claramente num segundo plano. A lista de noticiários já emitidos na rádio aparece agora a meio da página e, pelo menos hoje, as notícias são praticamente todas acompanhadas por vídeo ou fotografia. Muitas delas não têm sons.
A possibilidade de partilha de notícias nas redes sociais está também mais acessível para os utilizadores.
No novo site, há uma maior presença de notícias logo na home, ao contrário do que sucedia na versão anterior que privilegiava a programação.
Visualmente, o site é mais atractivo, mas a página é muito "comprida".

sexta-feira, setembro 16, 2011

Radio Evolution II

Armand Balsebre é uma das maiores referências para quem estuda a rádio. No Congresso Radio Evolution que decorreu em Braga de 14 a 16 de Setembro (organização: ECREA/Universidade do Minho) fez a defesa do meio radiofónico sublinhando a importância que o som ainda tem num mundo dominado pela imagem.

E foi muito interessante ouvir dizer que a Internet não é uma ameaça para a rádio, pode isso sim representar uma oportunidade para a qualidade e criatividade sonora. É, afinal isso que Sofia Saldanha, vencedora do prémio Best New Artist Award em 2010, faz. Junta sons, bons sons e com eles conta “estórias” muito boas “estórias”. “The Sleeping Fool” é só uma delas. E premiada ainda por cima.

O Congresso serviu também para perceber que aos investigadores da rádio por esta Europa, e alguns fora dela, interessa a mesma temática: como está a rádio a adaptar-se a um novo ambiente mediático dominado pelas plataformas digitais? Muito bem, disseram uns; muito mal consideraram outros; o possível, asseguraram muitos.

Mas o que se sublinha das muitas comunicações apresentadas é, em primeiro lugar isso mesmo: a quantidade. E muitas delas de autores portugueses. Umas que resultam de teses de mestrado, outras de doutoramento, outras ainda de projectos individuais. A rádio está, também do lado académico, bem viva.

Das rádios comunitárias, às universitárias, passando pelas locais, pelo discurso, pelas narrativas, pelas audiências, pela música (muita música!) e pela informação (pouca!) o congresso serviu também para mostrar como o universo radiofónico é vasto e interessante, quase sempre tendo como pano de fundo o digital e a Internet. E, claro, a ameaça ao meio radiofónico, sempre a ameaça…

Mais sobre o congresso aqui:

O futuro da rádio é digital? Sim, mas não só

Radio Evolution

quarta-feira, setembro 07, 2011

Radio evolution

Decorre na próxima semana, entre 14 e 16 de Setembro, na Universidade do Minho o Congresso Radio Evolution, organizado pelo ECREA.

O programa definitivo já está disponível aqui e dele faz parte um conjunto de sessões com investigadores, professores, profissionais nacionais e estrangeiros que vão abordar diversos assuntos relacionados com a rádio, desde as narrativas e redes sociais, passando pelo jornalismo e pelas audiências.

O programa de comunicações é igualmente interessante e extenso.

Contribuirei com a comunicação: Sharing and retweeting sounds: the relationship between radio journalism and social networks.

terça-feira, agosto 30, 2011

Leituras

A 2ª edição da revista Rádio-Leituras já está disponível.

Mário Figueiredo ameaça demitir-se

Para o Provedor do Ouvinte da RDP a suspensão das emissões da RDP Internacional em onda curta coloca em causa o conceito de serviço público. As declarações estão aqui:

Ser jornalista (da rádio) em Portugal

O livro “Ser Jornalista em Portugal – perfis sociológicos” fornece dados muito interessantes sobre a profissão. A obra, coordenada pelo professor José Rebelo, está dividida em duas grandes partes. A primeira na qual são apresentados dados relativos à profissão e a segunda, mais extensa, onde se expõem várias histórias de vida de jornalistas portugueses.

Relativamente aos dados apresentados e em concreto sobre a rádio, sublinho o seguinte:
A importância das rádios locais no que diz respeito ao acesso à profissão. O período em que a rádio recebeu mais profissionais ocorreu entre 1990 e 1997 quando o número de jornalistas mais que duplicou.
Entre 1997 e 2006 a subida é ligeira para decair ligeiramente nos três anos seguintes. Aliás, a rádio que sempre ocupou o segundo lugar em número de jornalistas, perdeu esse posto para a televisão em 2006 muito à custa, sustenta o estudo, do aparecimento de canais temáticos por cabo (p.51). “O número de profissionais de rádio duplicou, de 1988 a 1994; estabilizou, de 1990 a 1996; entrou em queda, em 2002.” (p.70-71)

É também na rádio que existe o menor número de licenciados e bacharéis, predominando os jornalistas com formação apenas ao nível do secundário. Mas a rádio tem também uma baixa percentagem de desempregados e de profissionais em regime livre.

Leitura: Rebelo, José (coord.) (2011). “Ser Jornalista em Portugal – perfis sociológicos”. Gradiva.

sexta-feira, julho 08, 2011

Small scale radio

O Ofcom disponibiliza um relatório muito interessante sobre o cenário das "small scale radio" no Reino Unido.

Do documento sublinho as seguintes passagens:

The remaining 350 or so stations can be described as small local stations. They fall into two main categories, according to the way they are licensed.
• Around 140 of them are commercial stations, whose primary aim is to make profits for their shareholders, which they do by selling advertising. They are governed by licence conditions which require them to provide a certain amount of local programming. They also use this local programming to differentiate themselves from their commercial competitors that cover larger areas.
(...)
The remaining 200 or so are community stations. This is a relatively new type of station and almost all have been broadcasting for less than five years. These must be not for profit and must be funded by a diversity of funding sources: there is a limit of 50% on the proportion of their funding that can come from on-air advertising and sponsorship, and many receive funding in the form of grants from public and other bodies.

Sobre a Informação:

Micro-local information was considered unique to small-scale services. It was the kind of information that larger, less local, radio stations could not provide, but which kept small-scale listeners informed and up-to-date about what was going on in their local areas.

News – if there was a news event in their area, listeners would tune in to their small-scale station to find out the details about it and if there were any consequences for themselves as a result.
Listeners of GTFM in Pontypridd described how there had been a fire there during the day which has caused massive traffic jams, and the only place where they could find out what had happened was by tuning it to GTFM.

segunda-feira, julho 04, 2011

António Jorge Branco

Morreu um dos maiores responsáveis pelo excelente jornalismo radiofónico que por cá se vai fazendo. António Jorge Branco fica ligado à formação de jornalistas da rádio em Portugal e foi um dos símbolos da TSF.

Para quem estuda a rádio, e em particular o jornalismo radiofónico, esta partida significa também um adeus a histórias riquíssimas e a um conhecimento sobre a rádio que poucos terão.

António Jorge Branco foi autor de vários programas, entre eles o "Dicionário da Rádio" cujo arquivo de programas pode ser escutado aqui.

quinta-feira, junho 16, 2011

Os ciberjornalistas portugueses

Acaba de ser lançado o livro de Hélder Bastos "Ciberjornalistas Portugueses - Práticas, Papéis e Ética".

No blogue do autor pode ler-se o seguinte:
Nesta obra defende-se a tese de que as práticas, os papéis e mesmo os questionamentos de ordem ética dos ciberjornalistas portugueses se encontram limitados devido a um enquadramento histórico, empresarial, profissional e formativo sobremaneira desfavorável.

O livro apresenta os resultados de um inquérito feito a ciberjornalistas portugueses, entre eles os que exercem a sua actividade em duas rádios: TSF e Renascença.

O livro é editado pela Livros Horizonte.

terça-feira, maio 24, 2011

Ainda bem que não há vídeo

Só agora pude escutar o excelente trabalho de reportagem de Ana Catarina Santos, emitida na passada 5ª feira, na TSF (Vantagem da rádio na Internet!).

Ana Catarina Santos tem colocado em prática um estilo próprio que potencia ao máximo os aspectos emocionais do objecto reportado. Tal como em trabalhos anteriores, o resultado final resulta muito positivo.

"Vermelho da Cor do Céu" mostra-nos o mundo de quem não vê e há ali revelações que impressionam pela simplicidade.
- "Sabe qual é a cor dos seus olhos?"
- "Não"
- "Posso dizer-lhe?"

Os trabalhos de reportagem da TSF costumam dar-nos excelentes exemplos da linguagem sonora da rádio. O trabalho de sonoplastia, muitas vezes relegado para segundo plano, é muito bom e isso ajuda a envolver e a transportar o ouvinte para o mundo daquilo que é reportado.

Este trabalho mais recente da Ana Catarina Santos e Luís Borges é mais um contributo para se perceber a riqueza da reportagem radiofónica.

E acho muito bem que desta vez não haja vídeo no site!

Para escutar: aqui

sexta-feira, maio 06, 2011

Relatório intercalar do Provedor do Ouvinte

Disponível o primeiro relatório intercalar de actividade do Provedor do Ouvinte da rádio pública, Mário Figueiredo. Para consultar aqui.

sexta-feira, abril 29, 2011

Sócrates e o Fórum da TSF

José Sócrates esteve no Fórum TSF de ontem. Depois do programa surgiram vários comentários na Internet pelo facto de praticamente todos os ouvintes que participaram terem elogiado o Primeiro-Ministro. Efectivamente, foi impossível não reparar que a José Sócrates não foram colocadas questões, digamos, mais incómodas.
O debate que se seguiu divide-se entre a crítica à TSF e a hipótese de ter sido a máquina socialista a mobilizar-se para participar no programa.

No facebook estão vários comentários e a explicação do director da TSF: Paulo Baldaia

Esta questão volta a trazer o debate, que já não é novo e não se limita ao caso português, sobre este tipo de programas e o modo como funcionam.

Em 2006 quando era provedor da NPR, Jeffrey Dvorkin, partindo de um caso semelhante, abordou o tema e explicou que o programa Talk of the Nation funciona com um ligeiro "atraso" face ao que vai para o ar possibilitando que os editores impeçam que determinadas opiniões cheguem, efectivamente a ser emitidas.

A estratégia pode ser válida quando se trata de evitar que entrem em antena insultos ou expressões menos próprias, mas neste caso do Fórum da TSF talvez não fosse a melhor estratégia a seguir.

terça-feira, abril 26, 2011

Na manhã da rádio...

... um excelente conjunto de pequenas reportagens a partir da aldeia de Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro. Uma excelente viagem até ao país real onde a rádio cada vez menos vai. O trabalho é de Virgílio Castelo e ainda pode ser escutado na página da rádio pública.

segunda-feira, abril 04, 2011

Os provedores e o serviço público de rádio

Na última semana decorreu em Sevilha o I Congreso Internacional de Ética de la Comunicación.

O programa do congresso incluiu um conjunto de comunicações relacionadas com o estudo da rádio. Interessante foram as contribuições e testemunhos da rádio enquanto plataforma para a cidadania e educação.

Contribui com uma comunicação intitulada: "A auto-regulação no serviço público de rádio português - o caso do provedor do ouvinte".

Algumas notas:

Com base na análise dos relatórios elaborados pelos dois primeiros provedores da rádio pública portuguesa (José Nuno Martins e Adelino Gomes) verificámos o seguinte:

- O provedor da rádio pública caracteriza-se por ser um provedor de largo espectro. Significa dizer que quem ocupa o cargo debruça-se sobre uma enorme vastidão de temas (programação, informação, questões técnicas, tecnológicas, etc) e de canais de serviço público, incluindo a Internet. Não se trata, pois, de um provedor apenas para a área do jornalismo ou da programação, por exemplo, como sucede noutros países.

- O conceito de serviço público é central enquanto enquadramento para a análise dos temas. Ou seja, quando o provedor recebe uma queixa dos ouvintes em relação a matérias jornalísticas, na resposta, o provedor não invoca com a mesma frequência argumentos sustentados na ética e deontologia do jornalismo, preferindo recorrer às normas que constam do contrato de concessão do serviço público de rádio.

- A acção do provedor, para além de representar um mecanismo de auto-regulação, contribui para a crítica e doutrina sobre o serviço público de rádio. Não raras vezes, o provedor critica o normativo do contrato de concessão sugerindo alterações e propondo outras normas.

- Num ambiente como o português, onde escasseiam estudos académicos sobre a rádio em geral e sobre o serviço público de radiodifusão em particular, o papel do provedor representa um excelente contributo para a discussão e reflexão destas temáticas contribuindo para a compreensão do papel de uma rádio de serviço público.

terça-feira, março 22, 2011

Artur Agostinho

Uma voz inconfundível da rádio portuguesa que parte.

Das inúmeras referências que hoje são feitas na Internet, escolho esta da Antena 1 que recorda um momento de um relato de futebol, género radiofónico em que Artur Agostinho era mestre.

quinta-feira, março 17, 2011

A rádio portuguesa na net

Um novo livro sobre a rádio portuguesa: "Rádio na Internet em Portugal - A abertura à participação num meio de mudança", de Pedro Portela. Editora Húmus.
Da sinopse retiro o seguinte:

Ao longo deste estudo, procurámos perceber de que modo as rádios em Portugal se estão a integrar na internet. Quisemos ainda olhar o seu nível de entendimento e a implementação das configurações abertas por tecnologias que possibilitam novas abordagens, não só em termos de conteúdos como também, fundamentalmente, de interacção com os ouvintes.

TSF e a Internet

Os alunos do curso de Jornalismo e Comunicação da Escola Superior de Educação de Portalegre, no âmbito das XV Jornadas da Comunicação, atribuíram este ano o Tributo de Jornalismo à TSF.

Na cerimónia de entrega Arsénio Reis, director-adjunto da rádio informativa, sobre a TSF e a Internet considerou que é uma das áreas onde "precisamos apostar mais", mas isso "só será possível quando a Internet nos der o retorno financeiro para essa aposta", o que ainda não sucede.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Aniversário da TSF no Facebook

A TSF comemorou hoje 23 anos de existência e assinalou com uma boa iniciativa. Durante uma hora, os ouvintes colocaram no Facebook questões sobre a TSF ao Director, Paulo Baldaia.

A uma pergunta sobre o futuro da TSF, Baldaia respondeu assim:
A rádio continua a fazer muita falta e tem futuro assegurado. A TSF é uma marca em que as pessoas confiam e que ganha força nas redes sociais e nas novas plataformas. Se queremos sobreviver neste mundo da comunicação, vamos ter de saber ser úteis a quem nos ouve.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Revista Rádio-Leituras

A Revista Rádio-Leituras está a aceitar artigos para a próxima edição.
Os artigos podem ser enviados até 31 de Março de 2011.
Mais detalhes aqui.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

... e menção honrosa para a Renascença

À reportagem de Filomena Barros sobre Casos de Sucessos do Rendimento Social de Inserção emitida no programa Espaço Aberto, na Renascença, foi atribuída uma Menção Honrosa do Prémio Paridade, um prémio da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

Parabéns à autora.

Não deixa de ser curioso que sendo a rádio conotada com informação imediata e em directo, é nos trabalhos de fundo que acaba por ser reconhecida.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Missão Haiti

Um prémio para o bom jornalismo que se faz. Neste caso na rádio.
A reportagem Missão Haiti foi galardoada com o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha.

Parabéns aos autores João Francisco Guerreiro e Luís Borges.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Para quem investiga a rádio

- Chamada de artigos para o nº 20 da revista Comunicação e Sociedade (Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho) até 30 de Abril. Número temático sobre rádio. Para ver aqui.

- Colóquio "Radios libres, 30 ans de FM : la parole libérée ?" promovido pelo Gr0upe de Recherches et d'etudes sur la radio. Call for papers até 22 de Fevereiro. Mais informações aqui.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

A Rede da Rádio

No dia 16, a Antena 1 estreia a Rede da Rádio, da autoria de Madalena Balça. Dela e de todos os que quiserem! O programa está no Facebook e ali convida-se os ciberouvintes a participar no programa.

A Rede da Rádio será construída com recurso à interação permanente com as redes sociais nomeadamente o Facebook, e assumirá um formato onde os seus conteúdos serão ou sugeridos ou produzidos pelos seus ouvintes/amigos.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Cavaco e a rádio de serviço público

Cavaco Silva recusou, ao contrário dos outros candidatos, ser entrevistado na Antena 1. Maria Flor Pedroso, que conduziria a entrevista, colocou a informação no facebook e as reacções estão lá.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Fábricas Fantasma

Para acompanhar ao longo da semana um conjunto de reportagens multimédia no site da RR intituladas Fábricas Fantasma. A primeira é sobre a Fábrica de papel do Caima (1901-2007).

sexta-feira, janeiro 07, 2011

RTP play

A RTP play também para a rádio de serviço público. Melhor arrumação dos sons, um visual mais atractivo. Para conferir aqui.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Nova revista sobre Rádio

O Grupo de Pesquisa Convergência e Jornalismo (ConJor), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Brasil, acaba de disponibilizar o primeiro número da revista Rádio-Leituras.

Na sua primeira edição, a revista de periodicidade semestral apresenta vários textos sobre a rádio no Brasil e em Portugal.

Contribuo com o artigo Legalização, Concentração E Multimédia: Os Desafios Das Rádios Locais Portuguesas

A revista pode ser consultada aqui

sábado, dezembro 18, 2010

Desafios do Jornalismo

O Obercom acaba de disponibilizar um estudo no qual avalia o modo como os jornalistas vêem a sua profissão em diversos domínios tais como o futuro dos média, a formação, a organização das redacções, etc.

Alguns dados revelados pelo inquérito são muito curiosos, por exemplo a maior parte dos inquiridos concorda que as notícias estão cada vez com mais erros factuais (p.30); e que a concorrência e as audiências impõem-se à relevância dos acontecimentos (p.31).

Relativamente à rádio, não parece ficar muito bem em alguns aspectos. Por exemplo, é o meio a quem os jornalistas menos recorrem quando necessitam de informação (a Internet é o mais procurado, o que não surpreende).

Muito interessante é também o facto da maior parte dos jornalistas considerar como positivo a interacção com os utilizadores nas matérias noticiosas.É curioso porque não encontro muitas provas disso nos sites portugueses.

O relatório completo está aqui.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Notas sobre o congresso de ciberjornalismo

Do congresso de Ciberjornalismo que decorreu nos dias 9 e 10 de Dezembro no Porto, retiro algumas notas:

- Conteúdos: Quando se fala em ciberjornalismo tende-se para um excessivo enfoque no modo como o jornalismo está a aproveitar as potencialidades da Internet, deixando muitas vezes de parte o modo como o faz. Ou seja, olha-se sobretudo para a tecnologia disponível e para o uso que o jornalismo pode fazer dela, mas numa perspectiva meramente técnica: tem vídeos?, tem sons?, tem fotografias?, etc. A preocupação tem sido menor no que diz respeito aos conteúdos: faz sentido ter um vídeo sobre este acontecimento? Este som acrescenta algo de novo? Neste congresso vincou-se por diversas vezes a necessidade de se olhar sobretudo para o essencial e menos para o acessório, sendo que o essencial são os conteúdos.
- Incerteza: nos modelos de negócio. Este consistiu no principal tema do congresso. A questão mantém-se: como fazer do ciberjornalismo uma actividade rentável? A resposta não foi dada, mas todos (ou quase todos) concordaram que (cá está) é nos conteúdos jornalísticos que ela reside. Para se pagar por alguma coisa, é preciso que essa coisa valha mesmo a pena ser paga. Ora, como foi vincado, os sites reproduzem quase todos as mesmas notícias (homogeneização) e por isso não valerá a pena pensar em modelos que impliquem pagamento por parte dos utilizadores enquanto isso não for modificado.
- CGU: as redes sociais são a nova aposta do jornalismo online. Uma nova aposta ou uma nova moda? A questão foi transversal a várias intervenções e abordada de diversos modos: enquanto parte integrante de um modelo de negócio; enquanto modo de disseminação da informação ou enquanto mecanismo de participação. É neste último aspecto que se atribui importância aos conteúdos gerados pelo utilizador (CGU) como forma de participação, partilha e identificação. Falta, como vários intervenientes sublinharam, maior maturidade dos cibermeios para receberem esses mesmos conteúdos evitando a sua guetização (Marcos Palacios) que significa que os ciberjornais permitem comentar, participar com conteúdos nos sites, mas apenas num espaço próprio, separado das notícias. É preciso integrar, defendeu-se.

Uma outra nota para a atribuição dos prémios de ciberjornalismo que teve no Jornal de Notícias e na Renascença os grandes vencedores. Ao site da emissora católica foi mesmo atribuído o prémio de Excelência Geral em Ciberjornalismo. Um reconhecimento, a meu ver, justíssimo, já que me parece ser um dos melhores sites de informação em Portugal e seguramente o melhor no campo da rádio.

Uma nota final para o livro de Hélder Bastos Origens e Evolução do Ciberjornalismo em Portugal apresentado no decorrer do congresso e no qual se fazem diversas referências à rádio portuguesa na Internet.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Leituras sobre rádio

Há vários textos sobre rádio recentemente disponibilizados e que aqui deixo como sugestão:

A revista Prisma.com acaba de lançar a sua 12ª edição que reúne algumas das comunicações apresentadas no II Congresso Internacional de Ciberjornalismo que decorre hoje e amanhã no Porto. Entre os artigos destaco dois:

O áudio nas notícias das ciber-rádios: do hipertexto ao hiper-áudio? de Isabel Reis

Usos e desusos da rádio informativa nas redes sociais - o caso da visita de Bento XVI, artigo do qual sou autor.

Na revista JJ do Clube de Jornalistas, Helena de Sousa Freitas assina uma entrevista conjunta aos provedores do audiovisual público, entre eles Adelino Gomes que ocupou o cargo na rádio pública. Na mesma edição, assino um artigo sobre a Conferência dos 75 anos da rádio pública em Portugal que se realizou em Outubro.