O relatório GateScope 2015 referente à rádio revela alguns dados muito interessantes sobre o setor em Portugal. Desde logo, vem confirmar (e desmentir os mais cépticos) que a rádio está a perder ouvintes. Pelo contrário, como se observa no gráfico:
Mas se este dado resulta como uma confirmação de outros relatórios que têm mostrado que as audiências de rádio se mantém estáveis, já os dados relativos ao investimento surpreendem pela positiva.
De acordo com o estudo GateScope 2015, o investimento global na rádio em Portugal atingiu no último ano o valor mais alto dos últimos dez anos.
O relatório pode ser consultado neste link.
terça-feira, setembro 01, 2015
O podcasting em Portugal, no P3
Um trabalho de Ana Maria Henriques para ler aqui: Podcasts: quem diria que um dia seriam um sucesso em Portugal?
quinta-feira, julho 30, 2015
Rádio em Portugal e no Brasil: trajetória e cenários
"Apesar dos discursos que hoje defendem a caducidade da rádio enquanto meio de comunicação, pretensamente suplantado por outros veículos mais sofisticados, em todos os capítulos se parte do princípio de que a rádio é ainda um meio vivo, pertinente e necessário. Mesmo que outros meios possam até revelar-se mais eficazes a difundir e fazer circular informação, nenhum outro como a rádio nos proporciona a experiência de ouvir. "
Leitura:
Oliveira, M & Prata N. (2015) Rádio em Portugal e no Brasil: trajetória e cenários. Ebook. Disponível aqui:
http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/issue/view/179/showToc
segunda-feira, junho 29, 2015
Leituras
Está disponível o livro Metodologias Participativas. Os media e a educação, organizado por Maria José Brites, Ana Jorge e Sílvio Correia Santos e que vem na sequência do Projeto RadioActive.
O livro contém vários artigos sobre a rádio, educação e cidadania da autoria dos próprios coordenadores do livro, de Paula Cordeiro, Luís António Santos, Fábio Ribeiro, entre outros.
Contribuo com o artigo "A rádio, o som e a infância – o relato de experiências de programas de rádio elaborados por crianças do pré-escolar" que contou com a participação de crianças do jardim de infância do Atalaião, Portalegre e de alunos do curso de Jornalismo e Comunicação da ESE de Portalegre..
Leitura: Brites, M.J et. al. (org.) (2015) Metodologias Participativas. Os media e a educação. Livros Labcom.
O download gratuito pode ser feito aqui: http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20150629-2015_10_metodologias_participativas.pdf
O livro contém vários artigos sobre a rádio, educação e cidadania da autoria dos próprios coordenadores do livro, de Paula Cordeiro, Luís António Santos, Fábio Ribeiro, entre outros.
Contribuo com o artigo "A rádio, o som e a infância – o relato de experiências de programas de rádio elaborados por crianças do pré-escolar" que contou com a participação de crianças do jardim de infância do Atalaião, Portalegre e de alunos do curso de Jornalismo e Comunicação da ESE de Portalegre..
Leitura: Brites, M.J et. al. (org.) (2015) Metodologias Participativas. Os media e a educação. Livros Labcom.
O download gratuito pode ser feito aqui: http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20150629-2015_10_metodologias_participativas.pdf
quinta-feira, maio 28, 2015
Jornalismo e jornalistas das rádios locais portuguesas
Com base num inquérito aplicado a 50 jornalistas de 35 rádios locais portuguesas de 14 distritos de Portugal Continental no final de 2012 e de 2013 verificamos que se trata de um profissional licenciado em ciências da comunicação, aufere o ordenado mínimo, tem estabilidade laboral (72% com contrato por tempo indeterminado) e vê a sua atividade como uma "realização pessoal" e o "emprego desejado". No entanto, 20% admitiu que trabalhar numa rádio local é um passo para outra rádio de maiores dimensões.
Trata-se de um profissional jovem, pois 62% tem menos de 40 anos de idade. Em função disso, a maior parte dos jornalistas das rádios locais portuguesas respondentes tem experiência profissional inferior a 10 anos.
Relativamente à política editorial, os inquiridos referiram que deve haver mais reportagem nas rádios locais, bem como debates e noticiários. De acordo com os dados, aparentemente os problemas relacionados com a falta de recursos materiais e tecnológicos estão ultrapassados, pois referiram que o seu trabalho não é afectado negativamente por estas questões. Já quanto à falta de recursos humanos, o cenário é diferente, pois 42% reconhece que essa situação tem efeitos negativos no seu trabalho e 18% referiu que afeta muito o seu trabalho enquanto jornalista. De acordo com a amostra estudada, a média de jornalistas por redação é de 1,57 profissionais. A maior redação encontrada tem 4 jornalistas.
Para além da aplicação dos inquéritos, foram realizadas entrevistas a jornalistas com o objetivo de conhecer o seu posicionamento em relação à radiodifusão local e à Internet.
O cruzamento dos dados entre as respostas ao inquérito e às entrevistas permite-nos identificar o seguinte:
- A presença das rádios locais na Internet é fundamental.
- Apesar de o número reduzido de jornalistas nas redações, os profissionais revelaram que para além da rádio, têm também de atualizar o site ou as redes sociais.
- O jornalistas inquiridos consideram que a sua rádio tem uma presença "Muito Boa" na Internet embora reconheçam que melhorariam as questões relacionadas com a participação dos ouvintes e a interatividade.
- Para os jornalistas entrevistados, a Internet para as rádios locais é sobretudo uma forma de "estender o local" a outros públicos, nomeadamente aos emigrantes que assim têm uma forma de contacto com a sua comunidade de origem. "(...) o site continua a ser muito utilizado
pelos ouvintes, para aceder à emissão online. Muitos emigrantes ouvem-nos
noutros países e claro querem saber mais da região onde vivem" (Entrevistado D).
- A Internet entrou nas rotinas dos jornalistas das rádios locais "Assim que entro, consulto as
várias contas de e-mail (pessoal e da redacção) ajudo a actualizar a página do Facebook da rádio e, de vez em quando,
escrevo os textos para o online. (…) A internet é a redacção fora das instalações da rádio" (Entrevistado A), embora reconheçam a existência de constrangimentos que colocam a rede global numa segunda prioridade: Pois, sou eu
e, admito, quando me sobra tempo. Os programas e os noticiários apanham-me
praticamente todo o tempo. Admito que
apenas coloco as informações em ambas as plataformas quando me sobra tempo.
quarta-feira, maio 20, 2015
O consumo de rádio em Portugal, segundo a ERC
De acordo com o estudo "Públicos e Consumos de Média" realizado pela ERC, a rádio é para pouco mais de um quarto dos inquiridos a principal fonte de notícias (28%). A preferência dos inquiridos vai para a televisão, seguida pelas redes sociais.
O estudo revela ainda que a rádio é para apenas 1% dos inquiridos a primeira fonte de notícias e para 2% dos respondentes a segunda fonte.
Um dado que deverá ser objeto de reflexão por parte dos responsáveis pelas estações de rádio é que, apesar do meio apenas ser referido por um quarto dos inquiridos para o consumo de notícias, o estudo revela que o principal momento em que os inquiridos consomem notícias é justamente "Logo pela manhã", ou seja o período do dia em que tradicionalmente a rádio era a mais escutada e aquele em que as rádios mais apostam.Outro dado para reflexão é a circunstância de a rádio representar para apenas 8% dos inquiridos uma fonte para a atualização de notícias, quando essa é também ,tradicionalmente, uma das principais vantagens face aos outros meios de comunicação.
70% dos inquiridos confessou que não dedica tempo para a escuta de notícias na rádio. 9% dedica menos de 10 minutos a ouvir notícias na rádio e apenas 4% o faz mais de uma hora por dia.
Onde a rádio é imbatível, por razões óbvias, é na escuta em transporte pessoal. 94% ouve rádio nesta circunstância.
Curioso é o facto de os inquiridos referirem que as rádios mais procuradas para consumo de notícias são a RFM e a Comercial, duas emissoras que não apostam neste formato. A Renascença aparece em terceiro, a Cidade FM (outra que não aposta em informação) em quarto e só depois aparecem as duas rádios de cariz informativo: a TSF e depois a Antena 1. Esta ordenação é seguida também no caso da consulta para consumo de notícias online. Aqui é ainda mais estranho, pois se é verdade que a RFM e a Comercial possuem noticiários na rádio, no online não há qualquer aposta no campo da informação.
sexta-feira, maio 08, 2015
A contribuição da rádio para a cidadania, segundo Valquíria Guimarães
O conceito de cidadania é o foco da tese de doutoramento de Valquíria
Guimarães. A autora suporta-se de vários autores para seguir o caminho teórico que considera a cidadania como “a dimensão ou capacitação humana que permite
intervenção na realidade”. Aliada a esta concepção de cidadania, estão outros
conceitos como igualdade e o reconhecimento no outro a existência de “elementos
identitários comuns construídos ao longo de muitas gerações”.
A autora
prossegue afirmando que “o exercício da cidadania é a formulação de opiniões sobre
assuntos relevantes para a vida dos indíviduos”. E, neste particular, torna-se
fundamental perceber qual o papel que os média desempenham nesta equação,
enquanto espaços para o confronto de argumentos.
O desafio a que se propõe Valquíria Guimarães é o de
perceber qual o papel que a rádio tem neste domínio. Ou seja, em que medida a
rádio, ainda hoje, é capaz de representar esse espaço para a discussão da coisa
pública.
A autora analisa cinco rádio portuguesas (Renascença, TSF,
Antena 1, Cidade e RDP-África) e cinco brasileiras (Rádio Clube FM, Jovem Pan
FM, CBN FM, Cultura FM e Canção Nova). Através de grupos de foco, procurou saber
se a rádio ainda se apresenta para os seus ouvintes como um espaço para o
exercício dessa cidadania. Em simultâneo, analisou a programação das rádios
estudadas e entrevistou os diretores de programas das emissoras.
Cruzando os dados obtidos, Valquíria Guimarães chegou à
conclusão que a rádio não representa esse espaço para o exercício da cidadania
por vários motivos:
1 – Os ouvintes expressaram nos grupos de foco a sua
insatisfação perante o facto de a rádio não lhes proporcionar com frequência
espaços para participação;
2 – os ouvintes referiram ainda que possuem outras formas de
contacto com o mundo, nomeadamente a Internet e que a rádio está a deixar de
representar esse papel;
3 – os ouvintes referiram ainda que a rádio se afastou das
pessoas, na medida em que não aborda temáticas de interesse para os cidadãos;
4 – em relação a este aspeto, a análise aos conteúdos jornalísticos
feita pela autora, revela que temas como a educação, saúde ou meio ambiente são
dos menos tratados pelas rádios e que, no entender de Valquíria Guimarães, são
proporcionadores de maior proximidade com os ouvintes;
Conclui a autora: a rádio distanciou-se dos seus ouvintes e
não representa um espaço de livre expressão dos sujeitos. Não encontrou na
programação momentos que pudessem estimular a reflexão dos ouvintes, como
debates, reportagens, análises , informações contextualizadas e aprofundadas (p.206).
Leitura: A Contribuição da Rádio para o desenvolvimento da Cidadania: um estudo comparado da atuação de rádios do Brasil e de Portugal (2011-2012), Valquíria Guimarães. UNL.
Timor distingue TSF
Mais um prémio para a TSF: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=4550114&page=-1
Perestrelo
Para recordar:
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=4551612#st_refDomain=www.facebook.com&st_refQuery=/
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=4551612#st_refDomain=www.facebook.com&st_refQuery=/
State of news media 2015 - A rádio
Conclusão: A rádio é cada vez mais multiplataforma. Não há um processo de substituição (a internet não substituiu a rádio) há um processo de multiplicação. Com a Internet, há mais rádio nos nossos dias.
Do relatório State of news media - 2015:
More than half of Americans ages 12 and older have listened to online radio in the past month, according to 2015 survey data from Edison Research – a clear indication that online listening continues to move rapidly into the consumer mainstream. And more of that listening is now being done through mobile devices than through desktops. Traditional AM/FM radio, meanwhile, continues to reach the overwhelming majority of the American public – 91% of Americans ages 12 and older had listened in the week before they were surveyed in 2014, according to a Pew Research Center analysis of Nielsen Media Research data, essentially unchanged from 2013. And Sirius XM – the only satellite radio platform in the U.S. – reported a boost in subscriber numbers of almost 7% from 2013.
More than half of Americans ages 12 and older have listened to online radio in the past month, according to 2015 survey data from Edison Research – a clear indication that online listening continues to move rapidly into the consumer mainstream. And more of that listening is now being done through mobile devices than through desktops. Traditional AM/FM radio, meanwhile, continues to reach the overwhelming majority of the American public – 91% of Americans ages 12 and older had listened in the week before they were surveyed in 2014, according to a Pew Research Center analysis of Nielsen Media Research data, essentially unchanged from 2013. And Sirius XM – the only satellite radio platform in the U.S. – reported a boost in subscriber numbers of almost 7% from 2013.
Sobre o capítulo dedicado ao áudio:http://www.journalism.org/2015/04/29/audio-fact-sheet/
BabyRadio
A Internet é uma oportunidade para a rádio. Também, porque lhe permite chegar a outros públicos, incluindo aqueles que foi deixando para trás. A BabyRadio é uma rádio infantil, a primeira de Espanha. Tive conhecimento dela através de Luis Miguel Pedrero Esteban que a apresentou no âmbito do projeto NetStation..
Para seguir aqui: http://babyradio.es/
segunda-feira, março 24, 2014
Leituras: Benjamin e a rádio
No início dos anos 30 do século passado, Walter Benjamin teve uma interessante passagem pela rádio. Foi produtor e autor de vários programas, incluindo para crianças e jovens. Alguns dos escritos desses programas estão reunidos no livro "Walter Benjamin - ecrits radiophoniques" organizado por Philippe Baudouin. O livro está organizado em três partes. Cada uma delas dá-nos a conhecer a versatilidade de Benjamin. Em "Pour Enfants e Adolescents", encontramos transcrições de programas, muitos deles, realizados com base em histórias infantis; em "Pièces et Modèles Radiophoniques", Benjamin dá-nos a conhecer um conjunto de modelos radiofónicos por si explorados, incluindo uma descoberta dos extra-terrestres, cinco anos antes do famoso programa de Orson Wells. Por fim, a terceira parte "Théorie Fragmentaire de la radio: notes, lettres et articles" é, talvez, a compoenente mais interessante do livro para quem pretende estudar a rádio. Aqui, Benjamin reúne um conjunto de pequenos textos sobre a rádio e o seu futuro. E também ele, tal como Brecht, sublinha a importância de uma rádio para quem a ouve.
Outras leituras:
- Revista Recherches en Communication, nº 37 (2012) - Radio et Narration de Lénchantement au Réenchantement. Organização de Frédéric Antoine. Reúne textos sobre a narrativa radiofónica, o documentário radiofónico e a rádio e Internet.
- Revista Communication & Langages, nº 165 (2010) - Journalists et Citoyens: qui parle? Organizado por Valérie Croissant e Annelise Touboul. Como o próprio nome indica, reúne artigos sobre a participação dos cidadãos nos conteúdos noticiosos na rádio, mas não só. Também na fotografia e na imprensa
A informação radiofónica na era digital
A informação radiofónica está a passar por profundas mudanças por via da sua migração para a Internet. Alteram-se rotinas, conteúdos e perfis. Ou pelo menos, é isto que se espera que aconteça.
Em Estrasburgo profissionais, investigadores e professores de jornalismo radiofónico reuniram-se durante dois dias (20 e 21 de março) para discutir estas questões, no Colóquio “Informação e Radiojornalismo na era digital” promovido pelo Group de Recherche et d’Etudes sur la Radio (GRER).
Do vasto leque de comunicações apresentadas, sublinho a divulgação dos resultados de um inquérito realizado pelo GRER a jornalistas de rádio em França, Bélgica, Canadá e Madagáscar. O inquérito pretendia, justamente, perceber de que modo estão os jornalistas a encarar a mudança das suas rotinas e práticas profissionais para a Internet. Os resultados são reveladores de que, apesar da capacidade de transformação que a Internet potencia, na realidade encontram-se vários constrangimentos que impedem essas transformações, pelo menos de modo rápido.
O inquérito revelou que a maior parte dos jornalistas da rádio não tem qualquer participação na gestão da componente online da sua rádio. Por outro lado, os jornalistas inquiridos (67%) entendem que escrever para rádio e para a Internet é a mesma coisa. Entre as vantagens de estar presente na Internet encontradas pelos jornalistas respondentes, sublinham-se a rapidez, a autonomia e a qualidade do trabalho, mas é curioso verificar que os jornalistas responderam que as principais vantagens são para as entidades empregadores e menos para os profissionais. Por outro lado, os jornalistas da rádio entendem que a principal desvantagem desta relação entre rádio e Internet é o facto de ser pedido aos jornalistas que possuam capacidades e competências técnicas e tecnológicas que muitos não possuem.
Resultados que acabam por reforçar as conclusões de outras comunicações apresentadas, uma das quais por Josep Marti Marti e Sílvia Espinosa-Mirabet cujo trabalho de investigação pretendeu conhecer as novas práticas jornalísticas no contexto da digitalização, tendo como estudo de caso as rádios na Catalunha. Para os autores, os jornalistas mantêm, no essencial, as mesmas rotinas profissionais que possuíam antes do digital. Ou seja, concluem os autores: a digitalização não provocou grandes mudanças estruturais na produção noticiosa.
II
Um dos temas mais abordados no colóquio foi o das rádios comunitárias.
Sobre isso, o que sublinho é a enorme amplitude do conceito. Em Portugal não existem rádios comunitárias, mas bem que poderiam existir se as nossas locais fossem encaradas como na Colômbia. Erica Guevara explicou que por lá as rádios comunitárias têm uma implantação local, emitem normalmente 24 horas por dia (embora nem todas), têm publicidade e informação. Em França, o conceito é o de rádios associativas e muitas delas têm igualmente jornalistas profissionais, muito diferente daquilo que se passa na Indonésia. Iman Abdurrahman explicou que as rádios comunitárias atravessam tempos muito difíceis, pois muitas delas não têm autorização para emitir. Estão, por isso, ilegais e os motivos para isso são vários. Retive este: as ondas das rádios poderiam interferir com o tráfego aéreo! Na Indonésia, uma das preocupações das rádios comunitários é a luta contra a corrupção, tema que ocupa espaço em muitas emissoras do género.
Outras temáticas do congresso versaram sobre os novos modelos de participação na rádio decorrentes da criação de sites e da presença nas redes sociais, em particular o Facebook. Este foi, alias, tema da minha comunicação (análise das ferramentas online para participação na TSF, Antena 1 e RR entre 2009 e 2013). Webrádios, redes sociais, plataformas móveis e rádios universitárias foram outros temas abordados nas comunicações apresentadas de autores franceses, belgas, brasileiros, portugueses, espanhóis, ingleses, entre outros.
Em Estrasburgo profissionais, investigadores e professores de jornalismo radiofónico reuniram-se durante dois dias (20 e 21 de março) para discutir estas questões, no Colóquio “Informação e Radiojornalismo na era digital” promovido pelo Group de Recherche et d’Etudes sur la Radio (GRER).
Do vasto leque de comunicações apresentadas, sublinho a divulgação dos resultados de um inquérito realizado pelo GRER a jornalistas de rádio em França, Bélgica, Canadá e Madagáscar. O inquérito pretendia, justamente, perceber de que modo estão os jornalistas a encarar a mudança das suas rotinas e práticas profissionais para a Internet. Os resultados são reveladores de que, apesar da capacidade de transformação que a Internet potencia, na realidade encontram-se vários constrangimentos que impedem essas transformações, pelo menos de modo rápido.
O inquérito revelou que a maior parte dos jornalistas da rádio não tem qualquer participação na gestão da componente online da sua rádio. Por outro lado, os jornalistas inquiridos (67%) entendem que escrever para rádio e para a Internet é a mesma coisa. Entre as vantagens de estar presente na Internet encontradas pelos jornalistas respondentes, sublinham-se a rapidez, a autonomia e a qualidade do trabalho, mas é curioso verificar que os jornalistas responderam que as principais vantagens são para as entidades empregadores e menos para os profissionais. Por outro lado, os jornalistas da rádio entendem que a principal desvantagem desta relação entre rádio e Internet é o facto de ser pedido aos jornalistas que possuam capacidades e competências técnicas e tecnológicas que muitos não possuem.
Resultados que acabam por reforçar as conclusões de outras comunicações apresentadas, uma das quais por Josep Marti Marti e Sílvia Espinosa-Mirabet cujo trabalho de investigação pretendeu conhecer as novas práticas jornalísticas no contexto da digitalização, tendo como estudo de caso as rádios na Catalunha. Para os autores, os jornalistas mantêm, no essencial, as mesmas rotinas profissionais que possuíam antes do digital. Ou seja, concluem os autores: a digitalização não provocou grandes mudanças estruturais na produção noticiosa.
II
Um dos temas mais abordados no colóquio foi o das rádios comunitárias.
Sobre isso, o que sublinho é a enorme amplitude do conceito. Em Portugal não existem rádios comunitárias, mas bem que poderiam existir se as nossas locais fossem encaradas como na Colômbia. Erica Guevara explicou que por lá as rádios comunitárias têm uma implantação local, emitem normalmente 24 horas por dia (embora nem todas), têm publicidade e informação. Em França, o conceito é o de rádios associativas e muitas delas têm igualmente jornalistas profissionais, muito diferente daquilo que se passa na Indonésia. Iman Abdurrahman explicou que as rádios comunitárias atravessam tempos muito difíceis, pois muitas delas não têm autorização para emitir. Estão, por isso, ilegais e os motivos para isso são vários. Retive este: as ondas das rádios poderiam interferir com o tráfego aéreo! Na Indonésia, uma das preocupações das rádios comunitários é a luta contra a corrupção, tema que ocupa espaço em muitas emissoras do género.
Outras temáticas do congresso versaram sobre os novos modelos de participação na rádio decorrentes da criação de sites e da presença nas redes sociais, em particular o Facebook. Este foi, alias, tema da minha comunicação (análise das ferramentas online para participação na TSF, Antena 1 e RR entre 2009 e 2013). Webrádios, redes sociais, plataformas móveis e rádios universitárias foram outros temas abordados nas comunicações apresentadas de autores franceses, belgas, brasileiros, portugueses, espanhóis, ingleses, entre outros.
sábado, dezembro 28, 2013
A interacção verbal na rádio em livro
Neste livro, a autora analisa as interacções verbais entre ouvintes e locutores de cinco programas de phone-in da rádio portuguesa - Boa Noite, Clube da Madrugada, Bancada Central, Tempo de Antena e Estação de Serviço -.
Escreve a autora: "O desenho das relações interactivas e interlocutivas em emissões radiofónicas esboça um retrato de comunicação triangular: o locutor de rádio, gestor das trocas, os ouvintes que telefonam e o auditório (...) Tanto os locutores de rádio como os ouvintes que telefonam para as emissões que analisámos realizam um repertório de práticas discursivas específicas deste contexto institucional e desempenham, no e através do discurso interactivo, papéis instanciados em vozes autorizadas e ratificadas interaccionalmente" (p. 236)
É um contributo importante para o estudo da rádio e das suas potencialidades comunicativas enquanto meio de interacção.
Escreve a autora: "O desenho das relações interactivas e interlocutivas em emissões radiofónicas esboça um retrato de comunicação triangular: o locutor de rádio, gestor das trocas, os ouvintes que telefonam e o auditório (...) Tanto os locutores de rádio como os ouvintes que telefonam para as emissões que analisámos realizam um repertório de práticas discursivas específicas deste contexto institucional e desempenham, no e através do discurso interactivo, papéis instanciados em vozes autorizadas e ratificadas interaccionalmente" (p. 236)
É um contributo importante para o estudo da rádio e das suas potencialidades comunicativas enquanto meio de interacção.
Leitura: ALMEIDA, Carla Aurélia (2012) "A Construção da Ordem Interaccional na Rádio - contributo para uma análise linguística do discurso em interacções verbais". Porto: Edições Afrontamento.
sexta-feira, novembro 15, 2013
Emissão para surdos na rádio pública
A Antena 1 assinalou hoje o dia da Língua Gestual Portuguesa
(LGP) com a tradução de parte do programa da manhã. Tratou-se da segunda
experiência do género feita pelas rádios portuguesas. Em 2005, a TSF,
aproveitando a Feira das Capacidades, emitiu 14 horas em direto com tradução
para LGP. A emissão incluiu a tradução dos conteúdos informativos (noticiários,
Fórum TSF, o relato de futebol Sporting-Newcastle), mas excluiu os temas
musicais. A tradução da emissão da rádio pôde ser acompanhada através de um
site criado para o efeito.
A experiência levada a cabo esta manhã pela rádio pública
foi diferente. Desde logo, a duração da emissão com pouco mais de uma hora
(estava previsto começar às 9 da manhã, mas problemas técnicos atrasaram o
início. Terminou às 11h). Incluiu a tradução para LGP dos noticiários, das
informações de trânsito, intervenções do locutor, entrevistas realizadas em
estúdio, reportagem em direto. Ao contrário da TSF, na Antena 1 a música foi
também traduzida para LGP. A emissão com a tradução para LGP foi acompanhada
através da RTPPlay.
Não se conhecem muitas experiências do género e, também por
isso, a Antena 1 (até por ser a rádio pública e como tal com responsabilidades
acrescidas ao nível da inclusão) está de parabéns, tal como a TSF esteve há 8
anos. Para a rádio, são caminhos que se abrem num novo contexto mediático. A
comunidade surda deixou esta manhã o desafio: “foi uma iniciativa importante,
mas era bom que não fosse apenas hoje, mas todos os dias”.
Outras leituras:
segunda-feira, outubro 07, 2013
quinta-feira, maio 23, 2013
Livros sobre a rádio portuguesa
Assinalo mais duas publicações sobre a rádio portuguesa:
- O ebook "Os Media de Serviço Público" da autoria de Sílvio Correia Santos que pode ser descarregado aqui
e "Os Media na Guerra Colonial - a manipulação da Emissora Nacional como altifalante do regime" da autoria de Carolina Ferreira (edições Minerva).
A lista de livros sobre a rádio em Portugal pode ser consultada aqui.
- O ebook "Os Media de Serviço Público" da autoria de Sílvio Correia Santos que pode ser descarregado aqui
e "Os Media na Guerra Colonial - a manipulação da Emissora Nacional como altifalante do regime" da autoria de Carolina Ferreira (edições Minerva).
A lista de livros sobre a rádio em Portugal pode ser consultada aqui.
segunda-feira, maio 06, 2013
Som, rádio e infância
Este programa foi realizado no âmbito da iniciativa SeteDias com os Média que decorre
entre os dias 3 e 9 de maio de 2013.
O objetivo do programa foi estimular a aproximação de
crianças em idade pré-escolar com a rádio. Dar a conhecer a importância do som
na nossa vida, e em particular no quotidiano das crianças. Promover a rádio
enquanto meio de comunicação e contribuir para entender o seu modo de
funcionamento. Estimular o processo criativo das crianças utilizando o som.
Desenvolvimento da atividade:
O programa foi gravado com 26 crianças entre os 3 e os 6
anos de idade da sala B do Jardim-de-Infância do Atalaião, Portalegre, no
estúdio de rádio da Escola Superior de Educação de Portalegre.
Pretendia-se que as crianças se deslocassem aos estúdios
para aí tomarem contacto com todo o cenário que envolve a produção de um
programa de rádio.
As crianças foram divididas em 4 grupos. Cada grupo entrou
para o estúdio acompanhado pela educadora da sala, pelo professor de rádio e
por um aluno de Jornalismo e Comunicação da ESEP. Sempre com os microfones
abertos, as crianças foram estimuladas a conversar sobre a rádio: o que é?, o
que ouvem? Quando ouvem? Desta conversa foram retirados excertos e incluídos no
programa. Numa segunda fase, as crianças propuseram conteúdos para o programa:
cantaram canções da sua escola, descreveram o jardim-de-infância que
frequentam, inventaram histórias, sugeriram músicas para incluir no programa,
etc. Nesta fase, o papel da educadora foi fundamental, pois permitiu relembrar
às crianças as atividades e a rotina do jardim-de-infância para que assim elas
pudessem verbalizar.
No final da gravação, as vozes das crianças foram
reproduzidas o que motivou reações de espanto e entusiasmo ao identificarem a
sua voz. Era objetivo da iniciativa que apenas as vozes das crianças entrassem
no programa.
A edição do programa foi realizada pelo professor de rádio e
pelos alunos de Jornalismo e Comunicação da ESEP.
Ficha Técnica:
Vozes - Crianças da sala B do Jardim-de-Infância do
Atalaião, Portalegre. Afonso Santos;
Afonso Rosa; Afonso Lopes; Carlos
Gouveia; Daniel Ferreira; Daniela Ferreira; Diogo Ceia; Dinis Freire;
Diana Lopes; Duarte Barroqueiro; Francisco
Gargaté; Francisco Silva; Gabriel
Alferes; Gabriela dos Santos; João Salgueiro; Leonor Baptista; Leonor Magno; Leonor
Póvoas; Madalena Gouveia;
Madalena Mirão; Maria Paixão; Pedro
Rolo; Rafael Carvalho; Rita Lopez; Rodrigo Guerra e Sara Grave.
Ana Borges (Educadora de Infância) e Isabel Alfaia
(Assistente operacional).
Edição - Alunos de Jornalismo e Comunicação da ESEP: Ana
Catarina Silva, Carina Coelho, Francisca Cabedo, Daniela Senra e Tiago Silva.
Agradecimentos: Amélia Marchão, Alexandre Espinho, Carlos
Silva, Cristina Santos, Jorge Santos, Maria Sousa, Mariana Gameiro e Sónia
Pacheco.
Coordenação: Luís Bonixe
sábado, abril 20, 2013
Jornalismo e jornalistas das rádios locais portuguesas
Partilho um resumo dos dados recolhidos a partir de um inquérito
a jornalistas de rádios locais portuguesas cujos resultados foram apresentados
no encontro realizado em Portalegre no dia 18 de abril.
Segundo o inquérito, o jornalista das rádios locais
portuguesas tem menos de 40 anos de idade, possui formação superior na área
das ciências da comunicação e a maior parte dos inquiridos trabalha na mesma
rádio há menos de 5 anos. O vencimento de 46 por cento dos respondentes situa-se
entre o ordenado mínimo nacional e os 650 €, mas apesar disso os jornalistas
inquiridos veem a sua atividade como uma “realização pessoal” e um “emprego
desejado”.
Os jornalistas inquiridos revelaram ainda um sentido crítico
relativamente à política editorial da sua rádio considerando que deveria haver sobretudo
mais espaço para reportagem, para debate e para noticiários.
Se nos primeiros anos da radiodifusão local em Portugal, a insuficiência
de recursos materiais era uma realidade, atualmente o cenário parece ter
sofrido algumas alterações. Os inquiridos consideraram que o que mais afeta a
sua atividade não é a falta de meios técnicos, mas a escassez de recursos
humanos. Das rádios que aceitaram responder a este inquérito, a maior redação
tem 4 jornalistas e a menor apenas 1.
Sobre a Internet, a esmagadora maioria dos inquiridos considera
“muito importante” que as rádios locais estejam online. A rede global é para os
jornalistas das emissoras locais a principal fonte de informação e a sua
consulta uma atividade “muito frequente”.
Para o inquérito foram contactadas 30 rádios locais
portuguesas. 19 acederam positivamente, tendo sido inquiridos 28 jornalistas
que exercem atividade nos distritos de Évora, Beja, Porto, Braga, Viseu, Castelo
Branco, Portalegre; Santarém e Setúbal.
Inquéritos aplicados pelos alunos do curso de jornalismo e
Comunicação da ESEP: Ana Cristina Gargaté, Alexandre Espinho, Andreia Coelho,
Andreia Claro, Ana Catarina, Carina Coelho, Catarina Martins, Daniela Senra,
Daniela Sequeira, Dulce Batista, Francisca de Cabedo, Jaime Janeiro, Jorge
Grenho, Jorge Relvas, Maria Sousa, Mariana Gameiro, Patrícia Pinto, Rui
Alves, Tiago Silva. Coordenação: Luís
Bonixe
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