O Obercom acaba de disponibilizar um estudo no qual avalia o modo como os jornalistas vêem a sua profissão em diversos domínios tais como o futuro dos média, a formação, a organização das redacções, etc.
Alguns dados revelados pelo inquérito são muito curiosos, por exemplo a maior parte dos inquiridos concorda que as notícias estão cada vez com mais erros factuais (p.30); e que a concorrência e as audiências impõem-se à relevância dos acontecimentos (p.31).
Relativamente à rádio, não parece ficar muito bem em alguns aspectos. Por exemplo, é o meio a quem os jornalistas menos recorrem quando necessitam de informação (a Internet é o mais procurado, o que não surpreende).
Muito interessante é também o facto da maior parte dos jornalistas considerar como positivo a interacção com os utilizadores nas matérias noticiosas.É curioso porque não encontro muitas provas disso nos sites portugueses.
O relatório completo está aqui.
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sábado, dezembro 18, 2010
quarta-feira, novembro 10, 2010
A abundância dos media e a democracia
Do conjunto muito interessante de comunicações a que assisti no Seminário de Media, Jornalismo e Democracia destaco a ideia que foi transversal a algumas delas e que tem a ver com a perda de influência do jornalismo enquanto fonte de informação para os indivíduos sobre questões políticas.
Essa perda não tem tanto a ver com o papel que muitos atribuem actualmente à Internet e à emergência de formas de parajornalismo que de algum modo poderiam colocar em causa a utilidade do jornalismo enquanto dispositivo de abertura do mundo aos indivíduos.
O que o professor Thomas Patterson nos veio dizer, numa excelente comunicação, é que a abundância de meios de comunicação nem sempre se tem revelado como positivo para a democracia. O professor de Harvard deu o exemplo: antes da múltipla oferta de canais de televisão e da rádio em FM, havia uma hora em que as pessoas viam notícias na televisão, mas agora a essa mesma hora as pessoas têm muitas outras hipóteses. Ou seja, apesar de continuarmos a ver televisão e a ouvir rádio, os interesses têm-se deslocado mais para os programas de entretenimento e menos para os de informação.
Naturalmente que, apesar do entretenimento também poder ter um valor democrático, como fez questão de referir James Curran, a verdade é que se corre o risco de adquirir menos conhecimento sobre os acontecimentos públicos. Patterson referiu mesmo, relativamente ao caso Americano, que os norte-americanos estão cada vez menos informados sobre a política.
Por outro lado, diversas intervenções destacaram o papel do entretenimento na abordagem das questões políticas, não só em séries televisivas (como referiu Curran), como também em programas de humor (Ana Cabrera) que tratando os assuntos de um modo mais leve, acabam por fazer com que as pessoas falem dessas mesmas questões.
Para Patterson, os media noticiosos tendem cada vez mais para as soft news, abdicando de debates e de um tratamento mais aprofundado das temáticas.
Não é muito difícil identificarmos estes mesmos sintomas na rádio informativa portuguesa. Porque também ela desistiu do debate e da troca de ideias nos seus principais horários e porque começa a haver uma tendência para o tratamento da informação segundo uma lógica do entretenimento e até do humor (ex: Governo Sombra na TSF) e por fim, porque apesar da proliferação de rádios por todo o país, a verdade é que a aposta na informação é muito reduzida.
Leitura: Revista Media&Jornalismo que reúne as principais comunicações do Seminário.
Essa perda não tem tanto a ver com o papel que muitos atribuem actualmente à Internet e à emergência de formas de parajornalismo que de algum modo poderiam colocar em causa a utilidade do jornalismo enquanto dispositivo de abertura do mundo aos indivíduos.
O que o professor Thomas Patterson nos veio dizer, numa excelente comunicação, é que a abundância de meios de comunicação nem sempre se tem revelado como positivo para a democracia. O professor de Harvard deu o exemplo: antes da múltipla oferta de canais de televisão e da rádio em FM, havia uma hora em que as pessoas viam notícias na televisão, mas agora a essa mesma hora as pessoas têm muitas outras hipóteses. Ou seja, apesar de continuarmos a ver televisão e a ouvir rádio, os interesses têm-se deslocado mais para os programas de entretenimento e menos para os de informação.
Naturalmente que, apesar do entretenimento também poder ter um valor democrático, como fez questão de referir James Curran, a verdade é que se corre o risco de adquirir menos conhecimento sobre os acontecimentos públicos. Patterson referiu mesmo, relativamente ao caso Americano, que os norte-americanos estão cada vez menos informados sobre a política.
Por outro lado, diversas intervenções destacaram o papel do entretenimento na abordagem das questões políticas, não só em séries televisivas (como referiu Curran), como também em programas de humor (Ana Cabrera) que tratando os assuntos de um modo mais leve, acabam por fazer com que as pessoas falem dessas mesmas questões.
Para Patterson, os media noticiosos tendem cada vez mais para as soft news, abdicando de debates e de um tratamento mais aprofundado das temáticas.
Não é muito difícil identificarmos estes mesmos sintomas na rádio informativa portuguesa. Porque também ela desistiu do debate e da troca de ideias nos seus principais horários e porque começa a haver uma tendência para o tratamento da informação segundo uma lógica do entretenimento e até do humor (ex: Governo Sombra na TSF) e por fim, porque apesar da proliferação de rádios por todo o país, a verdade é que a aposta na informação é muito reduzida.
Leitura: Revista Media&Jornalismo que reúne as principais comunicações do Seminário.
quarta-feira, novembro 03, 2010
Jornalismo e Internet
Está aqui a conclusão de uma série de artigos, que tenho vindo a acompanhar, sobre o jornalismo e as novas tecnologias.
segunda-feira, maio 24, 2010
Jornalismo e redes sociais
Um artigo que merece uma leitura por parte de todos os que se interessam pela relação entre jornalismo e redes sociais.
Facebook - una Nueva Narrativa Informativa
Facebook - una Nueva Narrativa Informativa
sexta-feira, maio 14, 2010
A cobertura da visita de Bento XVI - 4 questões
Terminada a visita de Bento XVI a Portugal, sobram as perguntas de sempre relativamente à forma como os média, e neste caso a rádio, fazem a cobertura jornalística deste tipo de acontecimentos.
- Não terão as rádios exagerado no tempo que dedicaram à cobertura em directo do evento, interrompendo durante quatro dias e várias vezes ao dia a sua programação normal?
- Não terão os jornalistas exagerado na emoção posta em muitos dos relatos feitos a partir dos locais por onde o Papa passou? (Esta manhã ouvia-se na rádio de serviço público: "Tudo neste momento à espera do momento crucial" - o momento crucial era apenas que o helicóptero levantasse voo para transportar Bento XVI de Fátima para o Porto)
- Não terá ficado trabalho por fazer no que respeita ao tratamento/debate de alguns dos assuntos e temas que inquietam os próprios católicos?
- Não terão os média exagerado na forma como se associaram às cerimónias?
E depois da visita Papal, as baterias já estão apontadas para a selecção nacional de futebol...
- Não terão as rádios exagerado no tempo que dedicaram à cobertura em directo do evento, interrompendo durante quatro dias e várias vezes ao dia a sua programação normal?
- Não terão os jornalistas exagerado na emoção posta em muitos dos relatos feitos a partir dos locais por onde o Papa passou? (Esta manhã ouvia-se na rádio de serviço público: "Tudo neste momento à espera do momento crucial" - o momento crucial era apenas que o helicóptero levantasse voo para transportar Bento XVI de Fátima para o Porto)
- Não terá ficado trabalho por fazer no que respeita ao tratamento/debate de alguns dos assuntos e temas que inquietam os próprios católicos?
- Não terão os média exagerado na forma como se associaram às cerimónias?
E depois da visita Papal, as baterias já estão apontadas para a selecção nacional de futebol...
quinta-feira, maio 13, 2010
O futuro das notícias
São leituras indispensáveis para quem se interessa pelo tema.
Autores como Herbert Gans, Mitchell Stephens ou Michael Schudson escrevem sobre o futuro das notícias.
Via: Jornalismo e Comunicação.
Autores como Herbert Gans, Mitchell Stephens ou Michael Schudson escrevem sobre o futuro das notícias.
Via: Jornalismo e Comunicação.
quarta-feira, maio 05, 2010
Sobre o jornalismo e a tecnologia
Um dos problemas do discurso sobre o jornalismo e a convivência entre meios tradicionais e digitais é que, nesta fase da migração, domina a ideia que os primeiros serão destruídos de forma automática e rápida pelos segundos, quando deveríamos estar todos preocupados em saber como preparar uma transição que certamente ocorrerá, mas que será, necessariamente, mais lenta que a própria evolução tecnológica.
Take television: who would have thought in the 1950s and 1960s that radio would still be a powerful technological platform several decades later? Imagine the argument: who would want only sound, when you could have both sound and vision?
Take television: who would have thought in the 1950s and 1960s that radio would still be a powerful technological platform several decades later? Imagine the argument: who would want only sound, when you could have both sound and vision?
terça-feira, abril 27, 2010
quarta-feira, março 31, 2010
Informação local, rádio e multimédia
Uma excelente iniciativa que combina multimédia, rádio e informação local.
CPB is funding the creation of seven Local Journalism Centers (LJCs), combining CPB and participating stations' resources for a ground-breaking new approach to newsgathering and its distribution. The Centers will form teams of multimedia journalists, who will focus on issues of particular relevance to each region; their in-depth reports will be presented regionally and nationally via digital platforms, community engagement programs and radio and television broadcasts.
CPB is funding the creation of seven Local Journalism Centers (LJCs), combining CPB and participating stations' resources for a ground-breaking new approach to newsgathering and its distribution. The Centers will form teams of multimedia journalists, who will focus on issues of particular relevance to each region; their in-depth reports will be presented regionally and nationally via digital platforms, community engagement programs and radio and television broadcasts.
terça-feira, março 23, 2010
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
Redes sociais e fontes de informação
Um alerta do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas Portugueses sobre o uso de redes sociais como fonte de informação.
Nestes ou noutros termos, é importante fazer uma reflexão sobre o assunto, sobretudo para evitar os sempre frequentes excessos.
Nestes ou noutros termos, é importante fazer uma reflexão sobre o assunto, sobretudo para evitar os sempre frequentes excessos.
sábado, janeiro 02, 2010
sexta-feira, outubro 09, 2009
Entre a ameaça e a esperança
Dois textos (um deles uma notícia). O primeiro fala de 10 Hopeful Thoughts about the Future of Journalism o outro da ameaça que os novos meios representam para os media tradicionais e para os jornalistas que , diz a notícia, tendem a desaparecer.
quinta-feira, julho 30, 2009
Os novos tempos da informação !!!
Ora aqui está alguém que não usa as palavras "notícias" nem "jornalismo" e que se informa através do twitter!!!!
O editor da Wired, Chris Anderson, em entrevista.
O editor da Wired, Chris Anderson, em entrevista.
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