Quarta-feira, Julho 15, 2009

A voz da economia

Os jornais radiofónicos de economia (e suas variações: negócios, financeiros, etc) são em regra pouco atractivos do ponto de vista da expressividade radiofónica. Raramente há sons de protagonistas, os géneros utilizados são quase sempre os mesmos e as notícias resumem-se, em muitos casos, a informações das empresas e dos grandes negócios.

Aliás, é estranho que, tendo a temática "economia" cada vez mais peso nas notícias, o número de jornalistas da rádio portuguesa ocupados em exclusivo dessa área seja, por vezes, resídual.

É preciso ir um pouco mais longe.

Lembrei-me disto depois de ouvir esta manhã o Negócios e Empresas da TSF. Não sei se foi um acaso, ou se a agenda do dia o proporcionou,mas as notícias foram complementadas com sons dos protagonistas e houve peças com desenvolvimento dado por um segundo jornalista, aproveitando o "jogo de vozes" que a rádio pode proporcionar.

O conteúdo até pode ser o mesmo mas assim, em rádio, funciona muito melhor.

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Sábado, Julho 11, 2009

Sobre o jornalismo radiofónico

Algumas leituras:


- BOURGADE, Frédéric (2006), L’Info Rádio … Recto Verso, Paris: L’ Harmattan

- CEBRIÁN HERREROS, Mariano (1992), Generos Informativos Audiovisuales, Madrid: Editorial Ciencia.

- CROOK, Tim (1998), International Radio Journalism, Routledge: New York.

- FAUS BELAU, Angel (1981), La Radio – Introduccion a un Medio Desconocido, Madrid: Editorial Latina.

- GOLDING, Peter & ELLIOT, Phillip (1979), Making the News, London: Longman.

- MARTINEZ-COSTA, Maria del Pilar (2002), “El proceso de escritura de la información radiofónica”, in MARTINEZ-COSTA, Maria del Pilar (coord.), Información Radiofónica, Barcelona: Ariel, pp. 97-120.

- MERAYO PÉREZ, Arturo(2002), “La Construcción del relato informativo radiofónico”, in MARTINEZ-COSTA, Maria del Pilar (coord.), Información Radiofónica, Barcelona: Ariel, pp. 59-96.

- SOENGAS, Xosé (2003), Informativos Radiofónicos, Madrid: Cátedra.

- STEPHENS, Mitchell (1980), Broadcast News - Radio Journalism and an Introduction to television, New York: Holt, Rinehart and Winston.

- VILLAFAÑÉ, J. et al. (1987), Fabricar Noticias – las rutinas productivas en radio y televisión, Barcelona: Editorial Mitre.

E sobre o caso português:

- CASSIANO, Artur (2005), “Time-Setting: Estudo de Caso sobre a TSF Rádio-Notícias”, in CARDOSO, Gustavo e ESPANHA, Rita (Orgs.), Comunicação e Jornalismo na Era da Informação, Lisboa: Campo das Letras, pp. 273-302.

- GONÇALVES, Rui Fernando Mendes (1999), Jornalismo e Valores. O Projecto Informativo TSF-Rádio Jornal (1988-1993), Lisboa: Edinova.

- MEDITSCH, Eduardo (1999), A Rádio na Era da Informação, Coimbra: Minerva.

- MENESES, João Paulo (2003), Tudo o Que se Passa na TSF, Porto: Jornal de Notícias.

- PROENÇA, Luís (2005), “A rádio porta-estandarte: a TSF e o pós-referendo em Timor Leste”, in CARDOSO, Gustavo e ESPANHA, Rita (Orgs.), Comunicação e Jornalismo na Era da Informação, Lisboa: Campo das Letras, pp. 237-271.

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Terça-feira, Julho 07, 2009

Rádios livres – a tipologia de Cazenave (III)

As rádios locais portuguesas começaram a emitir há 20 anos, em 1989, na sequência de um processo legislativo concluído no final de 1988. A liberalização do sector da rádio em Portugal modificou por completo a paisagem radiofónica portuguesa. O Rádio e Jornalismo inicia hoje um conjunto de posts sobre a radiodifusão local, com especial enfoque na realidade portuguesa.

A Europa viu nascer um sem-número de rádios piratas a partir da década de 60, cenário que se prolongou nos anos seguintes. Em Itália, Espanha, Portugal (já no final dos anos 70) e em França, o fenómeno atingiu um nível que deve ser assinalado porquanto acarretou consequências ao nível social, cultural e político.
O entusiasmo verificado impede o rigor na determinação do número de rádios livres surgidas na Europa. Uma certa anarquia do movimento impossibilita uma caracterização concreta dos vários projectos criados.

François Cazenave, no seu livro Les Radios Libres, de 1984, propõe uma tipologia a partir do caso francês, mas que, com as devidas adaptações, pode enquadrar também os vários cenários europeus.

Cazenave sublinhou o carácter de passa-palavra (porte-parole) das rádios livres. E, com base nesse pressuposto, determinou a seguinte tipologia das rádios livres francesas:

- Rádios passa-palavra das lutas sociais: aquelas que apareceram ligadas a grupos com determinados interesses, desde a luta dos homossexuais, dos emigrantes ou dos ecologistas.

- Rádios passa-palavra de lutas políticas: Foram as que apareceram em maior número em França. Cazenave adverte que se tratam de estações que podem ter uma vida efémera e que isso torna difícil determinar com exactidão o seu número, a sua audiência e a duração das suas emissões. O exemplo dado pelo autor é o da Rádio Sorbonne que foi criada por estudantes universitários em Maio de 1968 e que servia para difundir a voz dos alunos. O autor enquadra ainda nesta categoria as rádios livres ligadas a grupos de ecologistas, que utilizam o meio radiofónico para mobilizar militantes, por exemplo na luta contra a proliferação de centrais nucleares. A rádio mais conhecida e que se pode enquadrar nesta classificação é a Rádio- Verte-Fessenheim, na Álsácia francesa. Em França surgiram ainda rádios eleitorais, que apareceram em 1979 aquando das eleições para o Parlamento Europeu. Esta emissora servia para que os pequenos partidos se pudessem expressar. Não faltam ainda rádios ligadas ao partido socialista, ao comunista e a uma ala apelidada de “giscardienne”.

- Rádio pela rádio. Esta terceira categoria engloba, segundo o autor, todas as emissoras que se dedicam quase em exclusivo a passar música. Aparentemente, nada move os criadores destas rádios a não ser o prazer de fazer mais uma rádio. O conteúdo da sua programação é ocupado 100% por música. Seja ela jazz, pop ou outro estilo musical qualquer. O que interessa verdadeiramente é passar música.

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Terça-feira, Junho 30, 2009

Três momentos das notícias em rr.pt

Primeiro momento – Antes da “Boa Onda da Rádio”. As notícias da Renascença têm presença na net recorrendo ao texto, a algumas fotos e sons. O site é aproveitado para propor dossiers temáticos, como é o caso daquele que aparece na imagem, sobre a morte do Papa João Paulo II.
















Um segundo momento marca uma viragem significativa no que diz respeito à política informativa da estação. A “Boa Onda da Rádio” representou uma clara aposta no online e menor investimento no campo da informação na emissão tradicional. Nesta fase, a RR foi pioneira na introdução de algumas funcionalidades aplicadas às notícias disponibilizadas em sites da rádio. O uso do vídeo, com produção própria, passou a ser mais frequente bem como a utilização da infografia animada. Foi também nesta fase que a componente multimédia no seio da redacção da RR cresceu mais e foi lançado outro projecto inédito em Portugal: o jornal em pdf “Página Um”.













Por fim, um terceiro momento que teve início recentemente com a reformulação do site da Renascença. Diria que se trata de um aperfeiçoamento da “Boa Onda da Rádio” no qual é visível uma ainda maior aposta no vídeo e a reformulação de espaços de Opinião, por exemplo.
Registo o passo dado pela RR em matéria de interacção com os utilizadores.
Já é possível comentar as notícias e, em alguns textos disponibilizados no site, os utilizadores podem contactar com os jornalistas de forma personalizada. Não sucede em todos e em particular (o que me parece pouco coerente) não acontece em relação à opinião, justamente o campo mais susceptível de gerar debate.
Curioso é verificar que remodelação após remodelação dos sites, as rádios continuam sem aderir à “moda” do Jornalismo do Cidadão, precisamente uma das bandeiras de outros media com presença na net.


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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Jackson

Invariavelmente, os noticiários da manhã das rádios abriram e destacaram a morte de Michael Jackson. O acontecimento proporcionou momentos diferentes nos noticários da rádio: uma natural maior presença da música, menor diversidade temática (Jackson eclipsou o resto da actualidade), maior presença do comentário (o recurso a críticos de música foi utilizado pela Antena 1, TSF e RR).

Globalmente, o acontecimento foi tratado do mesmo modo: a notícia do sucedido(Jackson morreu); a vida polémica (acusação de pedofilia); o sucesso comercial (milhões de discos vendidos) e as reacções à morte.

Nos sites, o tema merece igualmente atenção nesta manhã. Mais pobre o tratamento no Rádio Clube (destaque na home e ligação para três vídeos do You Tube) e na Antena 1 (notícia da Lusa e som da rádio). Mais rico na TSF (Texto, foto, sons do jornalista autor da peça e de críticos embora já tudo tenha sido emitido na rádio, vídeo do You Tube) e na RR (sons da rádio, vídeo do You Tube, e texto mais atractivo com o destaque de citações que é agora prática da RR desde a recente refornulação do site).

Interessante o recurso ao You Tube como solução de última hora nos sites. O acontecimento proporcionava isso.

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Terça-feira, Junho 23, 2009

As notícias na rádio portuguesa

Defendi no dia 22 de Junho a minha tese de doutoramento. O trabalho tem por título "A Informação Radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. A Internet como cenário emergente" e nele analiso as notícias na rádio procurando a sua compreensão a partir de dois quadros teóricos de referência.

Por um lado, a questão das notícias enquanto construção social da realidade e por outro relacionando esta construção com a expressividade sonora da rádio.
Ou seja, a hipótese colocada foi a de que a rádio, com as suas características enquanto meio de comunicação social, nos dá uma determinada percepção do Mundo, uma vez que as suas especificidades condicionam as opções editoriais dos jornalistas em relação à cobertura temática, à presença de protagonistas e a estratégias de valorização da informação.

O meu estudo passou pela análise de conteúdo das peças jornalísticas emitidas nos noticiários das 9 horas das três principais rádios de informação em Portugal: TSF, Antena 1 e RR e são estes alguns dos dados apurados:

a)Predomínio dos temas de política nas três emissoras estudadas;
b) Predomínio do recurso aos protagonistas com voz nas notícias oriundos do mundo da política e do sindicalismo;
c)Tratamento da informação na rádio portuguesa de acordo com a visão da esfera de decisão. Reduzida presença dos cidadãos nas notícias e circunscrita ao desempenho dos papéis de “vítima” ou “testemunha”.
d)Organização da redacção e rotinas produtivas dos jornalistas orientadas em função do acompanhamento do “dia noticioso” e determinadas pelas características do meio rádio;
e)Contexto de concorrência entre rádios, com expressão prática na uniformização dos principais temas difundidos pelas três emissoras.


No meu estudo tentei igualmente perceber qual a relação entre as notícias emitidas nos noticiários da rádio dita tradicional e as que são disponibilizadas nos sites da Antena 1, TSF e RR.
Em relação a esta matéria, destaco os seguintes aspectos:


a)Os sites dependem da matéria noticiosa inicialmente difundida nos noticiários da rádio, em particular no que diz respeito aos temas abordados e aos protagonistas das notícias;
b)Os sites apresentam, no entanto, um tratamento das notícias distinto daquele que é feito na rádio. Ou seja, apesar dos temas e dos protagonistas das notícias serem os mesmos da rádio, os sites apresentam a informação recorrendo a recursos expressivos (fotografia, vídeos, hiperligações, etc) que não fazem parte da rádio tradicional (que vive só do som).
c)Dinamismo dos sites das rádios TSF, RR e Antena 1 consubstanciado na reformulação das páginas e introdução de novas ferramentas. (ex: entre 2006 e 2008, RR e TSF reformularam os seus sites. Já em 2009 Antena 1 e RR levaram a cabo profundas modificações)

Outras teses de doutoramento sobre a rádio portuguesa.

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Quinta-feira, Junho 18, 2009

A propósito do Irão...

... o renovado site da Renascença disponibiliza alguns trabalhos sobre o Irão da autoria do jornalista José Pedro Frazão. Aqui e também aqui

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