terça-feira, setembro 19, 2006

As rádios piratas na imprensa nacional


Da Europa chegavam notícias que davam conta da velocidade com que as rádios livres se expandiam em países como a Itália ou França. Em Portugal, desde o final dos anos 70, que alguns pioneiros tinham começado a emitir programas de rádio de cobertura local.
A Rádio Juventude, surgida em 1977 na Grande Lisboa, terá sido a primeira rádio pirata portuguesa. Apesar da enorme simpatia com que boa parte da população, associações locais e alguns autarcas viam o surgimento do fenómeno, a verdade é que o processo que conduziu à legalização das rádios locais em Portugal foi demorado e complexo.

A isso faz referência este artigo publicado no Jornal de Notícias em 1983. As intenções de descentralização do discurso radiofónico contrastavam com as dificuldades sentidas no plano legal para a implementação destas pequenas emissoras.

Nesta altura, discutia-se também o conceito que deveria enquadrar as rádios que começavam a aparecer um pouco por todo o país.
No artigo do JN pode ler-se: “(…) nem todas as rádios livres se consideram estritamente «locais». Há quem tenha um entendimento diferente do fenómeno Rádio (livre?), quem sonhe (?) com a liberalização das ondas do espectro radioeléctrico para instalar não um posto emissor, mas uma cadeia de emissores, numa dada região do território nacional”.

3 comentários:

Anónimo disse...

Já havia, na altura, quem sonhasse com aquilo que só nos nossos dias se tornou possível... através da agregação de frequências locais.
RC

Anónimo disse...

Mais do que isso. As rádios locais sofriam a pressão dos partidos políticos locais, ou seja, dos senhores caciques locais que tentavam apoderar-se das estações emissoras e criar uma rede de contactos essenciais à luta autárquica.

Anónimo disse...

Depois de tudo isto... e passados tantos anos... acho que o verdadeiro proposito das rádios locais está a perder-se devido ás aquisições em cadeia dos grandes grupos de comunicação.