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segunda-feira, dezembro 28, 2009

E uma rádio pública de notícias?

E que sentido faria criar em Portugal uma rádio pública de notícias?
A ideia não é nova (já a tenho ouvido de vários jornalistas da rádio pública) e vem agora na reportagem (que assino) na revista JJ do Clube de Jornalistas. Quem o defende é Ricardo Alexandre, director-adjunto da rádio pública.

Para o jornalista, a criação de uma rádio pública de notícias seria uma solução para a falta de tempo (entenda-se espaço) para os conteúdos de informação na Antena 1 que, apesar de fazer uma visível aposta na informação, é uma emissora generalista e por isso tem que partilhar a antena com a programação. Um canal de informação no serviço público de rádio permitiria também aproveitar os recursos quer humanos, quer materiais da RDP.

Para quem procura alternativas ao nível da informação na rádio, a ideia agrada, mas até que ponto seria exequível?

Em primeiro lugar, é preciso ter a noção de que a criação de mais um canal no universo da rádio pública depende de uma decisão política. Por outro lado, há o aspecto financeiro, sempre relevante nestes.

O contexto da rádio em Portugal também não me parece ser favorável a uma outra rádio de informação. A maior parte dos ouvintes prefere, claramente, estações musicais. O passado recente trouxe-nos o fracasso do formato mais informativo do Rádio Clube Português.

Há ainda a Internet que enquanto plataforma para conteúdos informativos de rádio/áudio demora em afirmar-se. Na realidade, o que a Internet nos dá é muito semelhante ao que encontramos no espaço da rádio hertziana: por um lado, as notícias dos sites da rádio (com raras excepções) já passaram na emissão e por outro o comportamento dos ouvintes é também semelhante, preferindo os conteúdos musicais. Quantas webradios informativas existem em Portugal?

Insisto: a ideia parece-me simpática, mas o contexto não é favorável.

sexta-feira, novembro 28, 2008

O que mudou nas rádios locais…

… é o tema de uma tese de mestrado defendida em Outubro na Universidade da Beira Interior por Daniela Silva.

A autora começa por criar um breve contexto histórico das rádios locais em Portugal, sublinhando os aspectos que marcaram o seu aparecimento e analisando as transformações ocorridas no plano legislativo.

Partindo do pressuposto de que em 19 anos de existência de rádios locais em Portugal, o cenário destas emissoras se modificou, Daniela Silva procura na sua investigação perceber o que realmente mudou e quais as razões para isso.

A investigadora realizou entrevistas a duas personalidades que estiveram ligadas à radiodifusão local portuguesa (António Colaço e José Faustino) e analisa as respostas ao inquérito que submeteu às rádios locais.

Daniela Silva divide a sua investigação em seis grandes itens: Propriedade e Direcção, Recursos Humanos, Condições Técnicas, Audiência, Publicidade e Programação:

Da leitura da sua tese pode-se concluir que as principais transformações ocorridas nas rádios locais portuguesas situam-se ao nível da tecnologia, com destaque para a presença na Internet. Segundo os respondentes, quase todas as rádios estão presentes na rede global, sendo que no “Centro como no Sul, as respostas afirmativas atingiram os 100%”.
No entanto, as potencialidades da Internet parecem não ser totalmente aproveitadas pelas emissoras locais, por exemplo no que diz respeito à disponibilização de programas em podcast. Um dado que a Entidade Reguladora da Comunicação no seu relatório referente a 2007, também tinha notado.

Há, no entanto, um dado que me surpreende e que tem a ver com a informação: Segundo Daniela Silva, há hoje mais espaço para a informação nas rádios locais, do que há 20 anos. Acredito que sim, mas seria curioso saber que informação: local, nacional …

A investigadora conclui:

“Traçando o perfil das rádios locais actuais, ou seja, das rádios locais 20 anos depois da legalização, podemos dizer que a rádio de âmbito local, pertence a uma cooperativa, não está ligada a grupos media e tem na sua direcção entre quatro a sete pessoas. Remunera, em média, dois jornalistas, dois comerciais, dois técnicos e um director. Continua a existir algum voluntariado e, por isso mesmo, colaboradores não remunerados. As rádios empregam jornalistas com e sem formação académica. As instalações das rádios são instalações próprias e nelas existe, em média, um estúdio. A recolha de som é feita com Mini-disc e Gravador MP3. As rádios locais têm sítio na Internet e emissão Online, com o objectivo de chegar ao maior número de pessoas possível e de conquistar mais anunciantes. O Podcast é ainda muito raro.(…)“

Os meus parabéns à nova mestre e agradeço a Daniela Silva ter-me enviado a sua tese.

Leitura: SILVA, Daniela (2008). As Rádios Locais: o que mudou desde 1989?, Tese de Mestrado. Universidade da Beira Interior.
Orientação: João Canavilhas.

segunda-feira, março 10, 2008

Leituras

O blogue Jornalismo e Comunicação anuncia que estão disponíveis online várias edições da revista Comunicação&Sociedade da Universidade do Minho. Dos números que podem ser consultados na net há dois artigos sobre rádio.

Rádio em Portugal: tendências e grupos de comunicação na actualidade de Rogério Santos e
Internet y las nuevas formas de participación de los oyentes en los programas de rádio de Susana Herrera Damas.

sábado, dezembro 29, 2007

Votos para 2008

- Assistiremos à consolidação da aposta da Renascença no multimédia. 2007 marcou o lançamento de iniciativas muito interessantes neste capítulo como são os casos do Pagina Um, da inclusão de reportagens em vídeo e de infografia animada. O Grupo Reanscença anunciou que em 2008 irá lançar canais temáticos online. Ficaremos à espera.

- A Antena 1 também deu um importante contributo no campo do multimédia emitindo pela primeira vez relatos exclusivos na internet. E já agora a TSF que a propósito do programa de entrevistas “Discurso Directo” começou a disponibilizar vídeos no seu site. Experiências que devem ter seguimento em 2008.

- De regresso ao universo da Renascença, esperamos pela tal rádio dirigida ao público sénior. Também se aguarda para 2008 mais novidades acerca da TSF, cujo grupo a que pertence, a Controlinveste, anunciou a criação de novos canais.

- E a Record FM já começou a emitir em 107.7?

- 2008 será ainda o ano da revisão da Lei da Rádio
Certamente que estará em cima da mesa um sem-número de propostas de alteração da actual lei. Espera-se uma lei virada para os desafios do online e da digitalização e que dê coerência à tipologia da rádio portuguesa. Não se pode continuar a chamar rádios locais a todas as emissoras que têm uma frequência local. Mas o jornalismo, mesmo nas rádios locais, deve continuar a ser assegurado por jornalistas.

- 2008 dir-nos-à quem será o próximo provedor do ouvinte da RDP. José Nuno Martins já deu a entender que não pretende continuar no cargo (é bom que o próximo provedor seja um académico). JNM é provedor da RDP desde Abril de 2006. Completará, pois, este ano os dois anos de mandato.

- Deverá ser a prova de fogo do Rádio Clube. Depois da entrada em 2007 com um conjunto de propostas, algumas delas muito interessantes, as audiências acabaram por não corresponder, seguramente, ao que os seus responsáveis desejariam. A meio de 2007 já se sentiram alterações: mudaram as tardes, alguns espaços do fim-de-semana e foi nomeado um novo director de informação. Os profissionais e o maior grupo de rádios em Portugal hão-de querer mais em 2008. Aliás, anunciaram que querem mais.

- Aguardamos ainda para 2008 o arranque do arquivo sonoro online da RDP

O blogueiro deseja um excelente 2008 para todos.

segunda-feira, abril 30, 2007

Disponível anuário da comunicação

Já está disponível o Anuário da Comunicação 2005-06 publicado pelo Obercom.

No sector da rádio assinalo três artigos.

No primeiro, são expostos os dados relativos à audiência de rádio com base no Bareme Rádio da Marktest e o cenário da radiodifsão portuguesa (número de rádios existentes, de postos emissores, rádios por distrito etc). (pp. 104-110).

Destaco também o artigo de Rogério Santos "A Rádio em Portugal - estado da arte em 2006" no qual o autor faz uma retrospectiva do sector e projecta o ano de 2007. Diz Rogério Santos:
"(...)espera-se, para 2007, a realização de concurso para frequências ainda livres para cobertura local. (...) a rádio irá distribuir crescentemente os seus conteúdos áudio pela Internet, aos leitores de mp3, à Mobile TV, ao cabo, em Triple Play e noutras plataformas, em contínua reinvenção de um meio que começou há mais de oitenta anos".
(pp. 220-223)

E por fim, o artigo de João Porto (Grupo Renascença) "Medir o quê? Quando? e para Quê? Como se medem as audiências em Portugal? Como se medirão no futuro?".
Escreve o autor:
"(...) resta esperar e acompanhar de perto as diferentes experiências de implementação do sistema de audimetria PPM, já em curso em diversos países, cuja divulgação nacional permitirá aprender mais e melhor, o caso português. Porque não há dúvida de que, mais cedo ou mais tarde, a evolução para o sistema de audimetria medido por PPM será um facto". (pp. 258-261)