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terça-feira, janeiro 24, 2012

A rádio pública, de novo

Escreve o PÚBLICO: Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1.

Uma rádio pública credível e séria aos olhos dos seus ouvintes dispensa casos como este. Contra ela pendem sempre inúmeras suspeições, e situações como esta não ajudam a clarificar o seu papel insubstituível.

Entre aqueles que nada têm a comentar e os que dizem que já tudo estava decidido há muito tempo o que ficará neste caso, temo, é uma vez mais a ideia generalizada de uma rádio instrumentalizada pelo poder.

Mesmo que assim não seja, a rádio pública voltará a sofrer com isso.

A esperança é que o que aí vem (debates, inquéritos, etc.) nos possa dar alguma luz sobre o que realmente se passou neste caso!

Para já, Raquel Freire despediu-se assim do espaço "Este Tempo".

terça-feira, novembro 15, 2011

A rádio pública segundo o Grupo de Trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social

Há muito pouco sobre a rádio no Relatório do Grupo de Trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social coordenado pelo professor João Duque.

As referências que são feitas a este sector do audiovisual público, para além de escassas, são pouco concretas.

a) Sabemos que os relatores consideram "desproporcionada a existência de três canais de rádio nacionais do Estado, em pé de igualdade com o mesmo número de canais nacionais privados".

b) Mas que "o Estado deve ser especialmente cuidadoso em alterações no mercado das rádios, atendendo às condições difíceis do mesmo".

c)O relatório não é claro em relação ao futuro dos canais de rádio do serviço público português. Em relação à televisão não restam dúvidas sobre o que, segundo o GT, deveria ser feito, mas quanto à rádio, as referências são pouco claras.
É dito que um dos canais deve apostar na "divulgação da música e da língua portuguesas, promovendo um trabalho que leve às suas raízes" e que outro "deverá fazer ter como alvo principal a música e cultura eruditas, divulgando sistematicamente recitais e concertos de orquestras e músicos portugueses".
Falta um...

d) Deduz-se que a sugestão feita no sentido de reduzir o tempo dos noticiários também se aplique à rádio: "GT propõe que os conteúdos noticiosos do operador de serviço público de rádio e televisão sejam concentrados em noticiários curtos, sejam limitados ao essencial e recuperem o carácter verdadeiramente informativo, libertos da crescente dimensão subjectiva e opinativa no jornalismo (até para fazer diferença face aos operadores privados)."
Esta coisa de reduzir a dimensão subjectiva e opinativa do jornalismo é tarefa para um milhão de doláres! Não sei como se faz, nem sei se é possível fazer! Por outro lado, vejo esta recomendação como uma ingerência clara na liberdade editorial dos jornalistas. É a eles que deve cumprir a tarefa de fazer noticiários, escolher o que lá colocam e definir a sua duração (porquanto é um critério de noticiabilidade).

e) O relatório parece partir do princípio de que a rádio pública não cumpre as suas funções enquanto serviço público e que se limita a uma estratégia concorrencial. Parece-me injusto. Sem querer fazer a defesa incondicional do serviço público de rádio em Portugal, e em particular na informação, parece-me que há espaços e programas que representam uma alternativa e que apenas os podemos ouvir na rádio pública ("Portugal em Directo", é só um exemplo).

f) O relatório estabelece uma comparação entre o número de canais públicos e rádios nacionais privadas. É bom lembrar que no campo da informação, o universo não é assim tão alargado: Para além da rádio pública, existe a Renascença. A Antena 1 tem hoje um papel importantíssimo no domínio da informação. É bom lembrar, certamente que o GT teve isso em conta, que a TSF não é uma rádio nacional.

Finalmente, assusta-me que alguém ainda pense que a comunicação social possa ser um instrumento político:

"Um serviço internacional público de comunicação social deve ter como função despertar e consolidar o interesse por Portugal e pelo universo da língua portuguesa no mundo. Nesse sentido, consideramos que é um instrumento da política externa, devendo depender a definição do contrato-programa e seu financiamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros."


O relatório completo está aqui

terça-feira, agosto 30, 2011

Mário Figueiredo ameaça demitir-se

Para o Provedor do Ouvinte da RDP a suspensão das emissões da RDP Internacional em onda curta coloca em causa o conceito de serviço público. As declarações estão aqui:

segunda-feira, dezembro 28, 2009

E uma rádio pública de notícias?

E que sentido faria criar em Portugal uma rádio pública de notícias?
A ideia não é nova (já a tenho ouvido de vários jornalistas da rádio pública) e vem agora na reportagem (que assino) na revista JJ do Clube de Jornalistas. Quem o defende é Ricardo Alexandre, director-adjunto da rádio pública.

Para o jornalista, a criação de uma rádio pública de notícias seria uma solução para a falta de tempo (entenda-se espaço) para os conteúdos de informação na Antena 1 que, apesar de fazer uma visível aposta na informação, é uma emissora generalista e por isso tem que partilhar a antena com a programação. Um canal de informação no serviço público de rádio permitiria também aproveitar os recursos quer humanos, quer materiais da RDP.

Para quem procura alternativas ao nível da informação na rádio, a ideia agrada, mas até que ponto seria exequível?

Em primeiro lugar, é preciso ter a noção de que a criação de mais um canal no universo da rádio pública depende de uma decisão política. Por outro lado, há o aspecto financeiro, sempre relevante nestes.

O contexto da rádio em Portugal também não me parece ser favorável a uma outra rádio de informação. A maior parte dos ouvintes prefere, claramente, estações musicais. O passado recente trouxe-nos o fracasso do formato mais informativo do Rádio Clube Português.

Há ainda a Internet que enquanto plataforma para conteúdos informativos de rádio/áudio demora em afirmar-se. Na realidade, o que a Internet nos dá é muito semelhante ao que encontramos no espaço da rádio hertziana: por um lado, as notícias dos sites da rádio (com raras excepções) já passaram na emissão e por outro o comportamento dos ouvintes é também semelhante, preferindo os conteúdos musicais. Quantas webradios informativas existem em Portugal?

Insisto: a ideia parece-me simpática, mas o contexto não é favorável.

terça-feira, março 17, 2009

Museu da rádio

Já dei uma volta pelo Museu Virtual da Rádio. É interessante e vale a pena uma visita. Mas como tem sido assinalado noutros blogues, falta o Museu em espaço real.

domingo, maio 25, 2008

Ainda sobre o provedor cessante

Parece-me importante referir que José Nuno Martins, apesar do seu mandato ter terminado no dia 30 de Abril, continua em funções. Não apresenta o programa "Em Nome do Ouvinte", mas continua a responder aos ouvintes.

No site da RTP está disponível o relatório final de actividade do provedor.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Da rádio desta manhã

Uma rádio diferente para conhecer aqui e ouvir aqui

Quem ainda não experimentou, aproveite para ouvir hoje o relato da Antena 1 do Naval-Vitória de Setúbal às 15 horas só na net.