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terça-feira, agosto 30, 2011

Mário Figueiredo ameaça demitir-se

Para o Provedor do Ouvinte da RDP a suspensão das emissões da RDP Internacional em onda curta coloca em causa o conceito de serviço público. As declarações estão aqui:

sexta-feira, maio 06, 2011

Relatório intercalar do Provedor do Ouvinte

Disponível o primeiro relatório intercalar de actividade do Provedor do Ouvinte da rádio pública, Mário Figueiredo. Para consultar aqui.

segunda-feira, abril 04, 2011

Os provedores e o serviço público de rádio

Na última semana decorreu em Sevilha o I Congreso Internacional de Ética de la Comunicación.

O programa do congresso incluiu um conjunto de comunicações relacionadas com o estudo da rádio. Interessante foram as contribuições e testemunhos da rádio enquanto plataforma para a cidadania e educação.

Contribui com uma comunicação intitulada: "A auto-regulação no serviço público de rádio português - o caso do provedor do ouvinte".

Algumas notas:

Com base na análise dos relatórios elaborados pelos dois primeiros provedores da rádio pública portuguesa (José Nuno Martins e Adelino Gomes) verificámos o seguinte:

- O provedor da rádio pública caracteriza-se por ser um provedor de largo espectro. Significa dizer que quem ocupa o cargo debruça-se sobre uma enorme vastidão de temas (programação, informação, questões técnicas, tecnológicas, etc) e de canais de serviço público, incluindo a Internet. Não se trata, pois, de um provedor apenas para a área do jornalismo ou da programação, por exemplo, como sucede noutros países.

- O conceito de serviço público é central enquanto enquadramento para a análise dos temas. Ou seja, quando o provedor recebe uma queixa dos ouvintes em relação a matérias jornalísticas, na resposta, o provedor não invoca com a mesma frequência argumentos sustentados na ética e deontologia do jornalismo, preferindo recorrer às normas que constam do contrato de concessão do serviço público de rádio.

- A acção do provedor, para além de representar um mecanismo de auto-regulação, contribui para a crítica e doutrina sobre o serviço público de rádio. Não raras vezes, o provedor critica o normativo do contrato de concessão sugerindo alterações e propondo outras normas.

- Num ambiente como o português, onde escasseiam estudos académicos sobre a rádio em geral e sobre o serviço público de radiodifusão em particular, o papel do provedor representa um excelente contributo para a discussão e reflexão destas temáticas contribuindo para a compreensão do papel de uma rádio de serviço público.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Em Nome do Ouvinte

O programa do novo provedor da RDP, Mário Figueiredo, estreou na passada sexta-feira e está agora disponível para escutar online.

quarta-feira, junho 09, 2010

Novo provedor da RDP

Mário Figueiredo será o novo Provedor do Ouvinte da RDP, sucedendo a Adelino Gomes que terminou o seu primeiro e único mandato.

Mário Figueiredo é uma excelente escolha. O novo provedor tem no curriculum uma longa experiência enquanto profissional da rádio (e também da televisão) bem como de ensino na área da comunicação.

segunda-feira, março 29, 2010

O provedor da RDP em 2009

Do relatório do provedor do Ouvinte referente a 2009, retiro as seguintes observações:

A Informação foi o tema sobre o qual o provedor recebeu mais mensagens (169), enquanto a Antena 1, tal como já antes sucedia, continuou a ser a rádio com o maior número de queixas recebidas.

No campo da informação, assistiu-se, pois, a um aumento de correspondência da parte dos ouvintes, que, no entanto, não “alterou o sentido geral detectado até agora na forma negativa como os ouvintes apreciam o jornalismo praticado na rádio pública”.
Os ouvintes questionam sobretudo os critérios jornalísticos e o alinhamento dos noticiários bem como a qualidade da informação que, segundo as mensagens que chegaram ao provedor, é sobretudo negativa.

O programa Contraditório e a rubrica matinal Conselho Superior receberam igualmente várias mensagens negativas. Já a Antena Aberta, curiosamente se tivermos em conta o passado recente, quase que divide o número de mensagens entre positivas e negativas.
Tradicionalmente polémico, o desporto voltou a registar um “aumento significativo de correspondência. Em três anos de contabilização, as mensagens para o provedor quase duplicaram. O seu tom foi esmagadoramente negativo. O mais negativo, em termos percentuais, de todas as temáticas de conteúdos consideradas nesta análise”.

Igualmente negativa é a apreciação que os ouvintes fazem do multimédia da rádio pública. Ainda que as mensagens não sejam em grande quantidade, as que chegam são negativas. “Trata-se de resto da única área em que nenhuma das mensagens faz apreciações de carácter positivo em qualquer dos itens considerados: Acesso e navegação, Podcasts, Formatos, e Sugestões e outras questões”.

Adelino Gomes está a terminar o seu mandato, por isso faz uma espécie de despedida antecipada no seu relatório de 2009. Lamenta, por exemplo, que relativamente à Antena 2, apesar da iniciativa que teve em reunir uma série de personalidades que sobre este canal se pronunciassem “nenhuma iniciativa concreta, que eu saiba, foi tomada (com esta ou com qualquer outra configuração) no sentido de discutir a rádio clássica. Tenho pena”.

O Provedor do Ouvinte identifica ainda duas grandes linhas de acção para a rádio pública: “Se for necessário concretizar, direi que este desenho da estação pública que os portugueses têm o direito de exigir passa por dois pressupostos fundamentais: uma política exigente de recrutamento de pessoal e um forte investimento na formação profissional contínua.”

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

A rádio, o provedor e as novas tecnologias

O Provedor do Ouvinte da RDP iniciou no última semana uma conversa com o director-adjunto de Novos Formatos da RTP, Jorge Alexandre Lopes, sobre o papel da rádio no contexto das novas tecnologias. O primeiro programa está aqui. Adelino Gomes prossegue a conversa que pode ser escuta na sexta-feira em antena.

Já que é de rádio e novas tecnologias que se fala, parece-me adequado que o programa do provedor seja disponibilizado online, mesmo antes de ser ouvido em todos canais da RDP, como actualmente acontece.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

As fotos na rádio

Entre muitas outras coisas, a presença da rádio na Internet trouxe uma série de novos desafios e questões deontológicas aos jornalistas.

A provedora da NPR analisa a colocação de uma fotografia no site da rádio pública norte-americana. A foto foi considerada por uns como desnecessária e por outros como uma mais-valia que ajudou a compreender a informação. Afinal de contas, o problema já se colocava nos jornais e na televisão, agora com a chegada da imagem a esta "nova rádio", os jornalistas da rádio terão também que se preocupar com estas questões.

O texto está aqui.

terça-feira, novembro 03, 2009

O programa do provedor e a Internet

Agrada-me o programa do provedor do Ouvinte da RDP.

Em comparação com o seu antecessor, José Nuno Martins, Adelino Gomes tem trazido à antena mais temas relacionados com o jornalismo radiofónico e isso, confesso, agrada-me bastante, sobretudo porque contribui para a abordagem de questões jornalísticas no contexto da rádio, que em Portugal pouca atenção têm merecido, até dos próprios jornalistas.

Há, no entanto, um aspecto que gostaria de ver alterado e que tem a ver com a disponibilização do programa do provedor na Internet. Com efeito, este só pode ser escutado via online depois de passar em todas as estações do universo da rádio pública. Ou seja, à terça-feira.

Não entendo.
A Internet é um canal do serviço público de rádio, tal como os restantes. Não é o outro canal. Se o programa está gravado porque não colocá-lo de imediato no site?

Não podemos negligenciar o facto de haver muitos ouvintes (certamente a maioria) que ouve a rádio pública pela via, digamos, tradicional, mas também não nos podemos esquecer que há cada vez mais ouvintes que escutam os programas através da net.

Disponibilizar o programa do Ouvinte no site, sem ter de esperar pela sua difusão em todos os canais da rádio seria, a meu ver, responder a um direito que todos os "ciber-ouvintes" têm de escutar a rádio pública quando e onde desejam, afinal duas vantagens da rádio online.

Aliás, a Internet parece de algum modo secundarizada neste aspecto. Se consultarmos o horário do programa na página do provedor não encontramos qualquer referência ao dia em que o espaço é disponibilizado online.

Vem tudo isto a propósito da intenção deste blogueiro em querer hoje deixar o link para o último programa do provedor, no qual Adelino Gomes abordou o tratamento jornalístico dado aos partidos nas últimas eleições, e não conseguir encontrar o dito programa. É que vale mesmo a pena ouvir.

domingo, abril 05, 2009

NPR com mais audiência

A National Public Radio (NPR) obteve no último ano a maior audiência de sempre, apesar da crise e da ameaça das novas tecnologias.
Os números atingidos pela rádio pública norte-americana revelam o interesse que os ouvintes demonstraram no acompanhamento da eleição presidencial do último ano.

News organizations expect a bump in interest when big stories break, and NPR — like others — saw a spike during last year's presidential election that helped drive the news audience to a record 21 million listeners per week. But NPR President and CEO Vivian Schiller says last year's 9 percent increase is part of a long-term steady trend up."

A propósito desta notícia, a provedora do ouvinte, Alicia C. Shepard reflecte sobre a forma como a NPR deve dar notícias sobre a própria rádio. Para ler: How Should NPR Cover Itself?

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O provedor da RDP em 2008

Já está disponível o relatório de actividade de 2008 do Provedor do Ouvinte da RDP. Do documento sublinho as considerações feitas a propósito da informação.

Adelino Gomes recebeu 116 mensagens que abordam questões relacionadas com a informação. A Antena 1, tal como já sucedera com o seu antecessor, foi a estação mais visada pelos ouvintes, seguindo-se a Antena 2.

Apesar de no total ter recebido menos queixas dos ouvintes, a área da informação registou uma subida de 10 por cento em relação ao ano anterior.

A maior parte das mensagens recebidas pelo Provedor em relação à informação teve a ver com o alinhamento e critérios jornalísticos utilizados. Este item recebeu sobretudo queixas negativas. O mesmo sucedeu com a qualidade da informação.
"O alinhamento dos noticiários e a qualidade da informação em geral estão no centro de quase metade das mensagens recebidas nesta área temática" (p.42).

O programa Antena Aberta recebeu várias mensagens “a maioria com apreciações negativas mas mais de um terço com elogios” (p.42). Este programa, com a participação dos ouvintes, volta a estar no centro da actuação do provedor, tal como já tinha sucedido com José Nuno Martins. Adelino Gomes, nas suas reflexões finais dedica-lhe algum espaço e recorda a interpelação feita por um elemento do Conselho de Opinião da RDP:


“O mesmo conselheiro quis saber de mim se iria defender ou não o fim de programas do género da Antena Aberta, sobre o qual teceu considerações frontalmente desfavoráveis. Aproveitei esta questão polémica para lhe responder que, pelo contrário, considerava este tipo de programa como o perfeito exemplo de empowerment da cidadania propiciado pela rádio e cuja manutenção (com as ressalvas óbvias em relação a vulnerabilidades conhecidas mas evitáveis do modelo) eu defenderia com grande convicção” (p.69).


O programa Contraditório recebeu mais mensagens negativas do que positivas enquanto que o Conselho Superior recebeu “mais elogios do que manifestações de desagrado”.
O programa de informação local “Portugal em Directo” só recebeu mensagens positivas.


Leitura: Relatório do Provedor do Ouvinte.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Acerca dos noticiários da rádio

Um excelente texto da provedora do ouvinte da NPR.
A propósito da cobertura da campanha eleitoral para as presidênciais norte-americanas, Alicia C. Shepard escreve um interessante texto sobre a importância dos noticiários da rádio, do som e da inclusão de declarações de protagonistas nas notícias, do tempo na rádio e da dificuldade de (lá como cá) encontrar o equilibrio no que diz respeito à cobertura de candidatos quando em campanha.

Para ler: Balancing the newscasts

terça-feira, setembro 23, 2008

José Nuno Martins e a rádio pública

À revista JJ do Clube de Jornalistas o antigo provedor do Ouvinte da RDP, José Nuno Martins, faz um balanço da actividade que desempenhou durante dois anos.

Aqui ficam algumas passagens:

Sobre a Informação: "(...) É pena que não haja um jornalismo mais cosmopolita que além de falar do país pequenino que nós somos, e da pequenina política e da pequena saúde, da pequena justiça de todos os dias e do pequeno futebol ou do grande futebol, não saiba apresentar mais do mundo. Do grande mundo, do vasto mundo. O jornalista também precisa de nos levar a regiões que não conhecemos e de que ouvimos cada vez menos".

Sobre a Antena Aberta: "(...) A Antena Aberta é um meio caótico do ponto de vista conceptual e do ponto de vista funcional. Todos os meios caóticos são pouco tratáveis em televisão e em rádio. Há um depuramento que se exige dos profissionais e dos jornalistas. Um depuramento estético também. Isto não é abrir o microfone e digam para aí o que quiserem. Situações que são de impulso e de primarismo, de falta de preparação específica."

Sobre a Antena 2: "(...) Há um erro interpretativo acerca dos desígnios que são atribuídos pelos ouvintes à Antena 2. Há uma carga tradicional na Antena 2, houve uma evolução de públicos. Eu acho que houve impulsos demasiados quando o novo director tomou conta dos destinos da Antena 2. Há deficites grandes na programação da Antena 2 que se prendem, por exemplo, com a divulgação científica, divulgação de experiências de teatro radiofónico, de radioarte. Tudo são coisas desgarradas não há conceptualização nenhuma a esse nível. O que houve foi a vontade de alterar modelos, paradigmas de programação da própria estação. E com isso o que é resulta? Perdeu-se o público."

Sobre a Antena 3: "(...) Isto é, alguma vez você ouviu falar, por exemplo, sobre fiscalidade? Alguma vez ouviu falar sobre o dia cívico? Alguma vez ouviu questionar a ida de soldados portugueses, gente de 19 anos, para a Bósnia, para o Afeganistão? Faz sentido um país aflito estar a gastar o dinheiro que está a gastar? Isto é uma coisa que merece ser discutida ou não? Faz parte ou não, deve fazer parte ou não?
Eu não estou a dizer que se fale de educação sexual só por se falar, só para encher tempo, porque isso afastaria os ouvintes. O que é preciso é descobrir fórmulas que sejam suficientemente cativantes, muito sustentáveis numa programação musical muito específica, em que obviamente a nova música popular portuguesa tem que ter um desempenho muito grande e deixou de o ter também nesse plano. Acabaram com a “Quinta da 3” e não se vê que tenham feito propostas alternativas a isso."

Sobre o seu desempenho: "(...) eu tenho dúvidas de ter sido o provedor de que as pessoas estavam à espera. O que eu não tenho dúvidas é que fui o provedor que fui capaz de ser. Esforcei-me muito, trabalhei muito. Isto foi muito violento. Foi realmente muito violento. Não é que eu não tenha tido na vida momentos e fases em que não tenha trabalhado ainda mais, mas eu não imaginava que isto fosse tão violento. Se calhar porque não fui ambicioso aqui na constituição… "

segunda-feira, setembro 22, 2008

Acerto...

... no regresso das emissões no Rádio e Jornalismo sublinho a rentrée das rádios portuguesas, criando em alguns casos novos programas e noutros mantendo antigas apostas.

O dia de hoje assinalou a nova grelha da TSF que foi explicada recentemente por Paulo Baldaia, o seu director, ao Diário de Notícias. À primeira audição registo como positiva a manutenção da Reportagem TSF, que passa agora para a 5ª feira, em vez de sexta-feira, quando a TSF passará a emitir um novo programa chamado "Governo Sombra", curiosamente à mesma hora a Antena 1 emite o programa de debate e análise política "Contraditório". Num registo de informação útil, parece-me também positivo a continuação e o alargamento de pequenos espaços onde se pretende abordar a saúde (Clínica Geral) ou fiscalidade (Conselho Fiscal).
De negativo: lamento a saída de Denise e Maria Delfina e a não existência, no espaço nocturno, de um programa de análise da actualidade do dia. Negativo também o alargamentodo programa "A Idade da Inocência".

O arranque da nova programação do Rádio Clube aconteceu já há uns dias atrás e vem explicada em entrevista de Luís Osório ao Correio da Manhã. Destaco duas situações e ambas positivas: a parceria do Rádio Clube com o CM, que à semelhança de idêntico cenário entre TSF e DN, avançou com um programa de grande entrevista que é emitida na rádio e publicada na imprensa. Registo ainda as alterações (inevitáveis) no programa Janela Aberta. Dentro do estilo de uma espécie de informação e entretenimento que o Rádio Clube insiste em manter nas tardes, o par Teresa Gonçalves e Aurélio Gomes parece-me o mais adequado.

Na tentativa de acertar com a actualidade radiofónica nacional, registo ainda como muito positiva a série de programas levada a cabo pelo novo provedor do Ouvinte da RDP. O último desta série será dedicado a um "balanço das críticas dos seus convidados, a quem perguntou também o que faz mais falta na Rádio pública de hoje".


A série de programas pode ser escutada aqui.

terça-feira, agosto 12, 2008

Provedor do ouvinte regressa no final de Agosto

Em Nome do Ouvinte, o programa do provedor da RDP, vai regressar no próximo dia 29 de Agosto. Adelino Gomes, o novo provedor, decidiu fazer, antes de começar a responder aos ouvintes, um conjunto de programas destinados a abordar as vozes que fizeram história na rádio portuguesa. Oportunidade, portanto, para recordar, ou ouvir pela primeira vez, episódios que marcaram a radiodifusão em Portugal. O capítulo da informação terá seguramente um espaço nesta série de programas.

quinta-feira, julho 03, 2008

Provedor do ouvinte na net

Já está disponível no site da RTP (e também da RDP) informação sobre o novo provedor do Ouvinte, Adelino Gomes. Depois de ter assumido a função no dia 26 de Junho, falta agora saber quando regressará o programa do ombudsman da rádio pública que segundo a emissora manterá o título "Em Nome do Ouvinte".

segunda-feira, junho 23, 2008

Adelino Gomes inicia funções

Segundo o Público, Adelino Gomes iniciou hoje funções como Provedor do Ouvinte da RDP.
Ao diário, Adelino Gomes refere que o cargo que irá desempenhar é um vaivém entre os ouvintes, os profissionais e a própria estrutura da empresa. Sobre o papel do provedor e a relação com os jornalistas, o novo ombudsman considera que "Há uma dificuldade de relacionamento com a redacção e, no caso da rádio e da televisão, também com o sector da programação"

sexta-feira, maio 23, 2008

Adelino Gomes será o novo Provedor do Ouvinte

De acordo com o Publico.pt Adelino Gomes será o novo Provedor do Ouvinte da RDP. Adelino Gomes reúne, do meu ponto de vista, as melhores condições para desempenhar tais funções.
Tem uma vastíssima experiência na rádio (Rádio Clube Português, RDP e foi um dos criadores do curso de jornalistas da TSF, que os profissionais daquela estação tanto se orgulham de terem frequentado). Adelino Gomes é igualmente um profissional cuja competência e conhecimento poucos contestarão, razão pela qual é reconhecido pelos seus pares.

A escolha de Adelino Gomes é ainda feliz, do meu ponto de vista, porque reúne dois outros elementos: à experiência enquanto jornalista (não apenas na rádio, mas também na televisão e na imprensa, onde ainda exerce a actividade no Público) junta o ensino do jornalismo no ensino superior.

Pessoalmente, considero que dificilmente a Administração da RDP poderia ter tido uma escolha mais acertada. Aliás, já aqui tinha escrito, que a escolha de um novo provedor do Ouvinte deveria recair sobre um jornalista.

De acordo com a notícia do Público.pt, Adelino Gomes já aceitou o cargo, faltando apenas o parecer do Conselho de Opinião.

Declaração de interesses do blogueiro: Fui aluno de Adelino Gomes na faculdade e dele tenho as melhores recordações.

quinta-feira, maio 01, 2008

Fim de percurso I

José Nuno Martins terminou o seu primeiro (e único) mandato como provedor do Ouvinte da rádio pública portuguesa. No último programa que foi para o ar no dia 25 de Abril, JNM lembrou as dificuldades de quem teve por função iniciar uma prática como a que desempenhou durante dois anos. Referiu-se à inexistência de colaboração por parte de alguns responsáveis, das exigências de um serviço público de rádio e à perda de identidade da rádio pública provocada pela integração na actual estrutura organizativa de todo o audiovisual público português.

Globalmente, parece-me que o seu mandato foi positivo. Iniciou uma prática na rádio e isso é, por si só, meritório se nos recordarmos que em Portugal a tradição de uma crítica ao meio radiofónico é praticamente inexistente nas suas diversas dimensões (programação, informação, questões técnicas) e não me refiro só em relação à rádio privada. JNM abriu esse canal e deu voz, era essa a sua função, aos que o pretenderam fazer.

O provedor assumiu-se, erradamente a meu ver, como um defensor do Ouvinte e não da Rádio. Não sei se decidiu mais vezes a favor dos ouvintes. Fê-lo muitas vezes, mas é bom que se diga que também esteve contra o que quem escuta a rádio defendeu.
Um desses exemplos foi quando, abertamente, contestou o programa Antena Aberta.

JNM foi acutilante e não escondeu uma "guerra" contra quem com ele não quis colaborar. Procurou ter um estilo próprio.

Fui, e sou, um defensor de um provedor com experiência acumulada no jornalismo para o tratamento de questões jornalísticas. Apesar de considerar que JNM não esteve mal na avaliação que fez de algumas delas, parece-me que isso deve ser tido em conta na escolha do próximo provedor.