… é o tema de uma tese de mestrado defendida em Outubro na Universidade da Beira Interior por Daniela Silva.
A autora começa por criar um breve contexto histórico das rádios locais em Portugal, sublinhando os aspectos que marcaram o seu aparecimento e analisando as transformações ocorridas no plano legislativo.
Partindo do pressuposto de que em 19 anos de existência de rádios locais em Portugal, o cenário destas emissoras se modificou, Daniela Silva procura na sua investigação perceber o que realmente mudou e quais as razões para isso.
A investigadora realizou entrevistas a duas personalidades que estiveram ligadas à radiodifusão local portuguesa (António Colaço e José Faustino) e analisa as respostas ao inquérito que submeteu às rádios locais.
Daniela Silva divide a sua investigação em seis grandes itens: Propriedade e Direcção, Recursos Humanos, Condições Técnicas, Audiência, Publicidade e Programação:
Da leitura da sua tese pode-se concluir que as principais transformações ocorridas nas rádios locais portuguesas situam-se ao nível da tecnologia, com destaque para a presença na Internet. Segundo os respondentes, quase todas as rádios estão presentes na rede global, sendo que no “Centro como no Sul, as respostas afirmativas atingiram os 100%”.
No entanto, as potencialidades da Internet parecem não ser totalmente aproveitadas pelas emissoras locais, por exemplo no que diz respeito à disponibilização de programas em podcast. Um dado que a Entidade Reguladora da Comunicação no seu relatório referente a 2007, também tinha notado.
Há, no entanto, um dado que me surpreende e que tem a ver com a informação: Segundo Daniela Silva, há hoje mais espaço para a informação nas rádios locais, do que há 20 anos. Acredito que sim, mas seria curioso saber que informação: local, nacional …
A investigadora conclui:
“Traçando o perfil das rádios locais actuais, ou seja, das rádios locais 20 anos depois da legalização, podemos dizer que a rádio de âmbito local, pertence a uma cooperativa, não está ligada a grupos media e tem na sua direcção entre quatro a sete pessoas. Remunera, em média, dois jornalistas, dois comerciais, dois técnicos e um director. Continua a existir algum voluntariado e, por isso mesmo, colaboradores não remunerados. As rádios empregam jornalistas com e sem formação académica. As instalações das rádios são instalações próprias e nelas existe, em média, um estúdio. A recolha de som é feita com Mini-disc e Gravador MP3. As rádios locais têm sítio na Internet e emissão Online, com o objectivo de chegar ao maior número de pessoas possível e de conquistar mais anunciantes. O Podcast é ainda muito raro.(…)“
Os meus parabéns à nova mestre e agradeço a Daniela Silva ter-me enviado a sua tese.
Leitura: SILVA, Daniela (2008). As Rádios Locais: o que mudou desde 1989?, Tese de Mestrado. Universidade da Beira Interior.
Orientação: João Canavilhas.
sexta-feira, novembro 28, 2008
terça-feira, novembro 18, 2008
A Irmandade do Éter
Um novo blogue sobre rádio.
A Irmandade do Éter junta sete apaixonados pela rádio, entre eles o meu amigo Francisco Mateus.
Felicidades para a nova aventura.
A Irmandade do Éter junta sete apaixonados pela rádio, entre eles o meu amigo Francisco Mateus.
Felicidades para a nova aventura.
segunda-feira, novembro 17, 2008
A nova lei da rádio e a informação local
O ministro Augusto Santos Silva anunciou durante o XI Congresso de Radiodifusão algumas das medidas que pretende implementar em sede de revisão da Lei da Rádio.
Julgo que as principais alterações se podem resumir do seguinte modo:
- Facilitar processos de cooperação entre as rádios
- Abrir caminho a uma maior concentração no sector da radiodifusão local
- Acabar com a obrigação das rádios locais emitirem pelo menos três noticiários diários sobre a sua área de cobertura
- Facilitar a constituição de cadeias de rádio
- Proceder a alterações ao nível das regras para classificação de rádio temática.
É curioso notar que a tendência seja agora a de facilitar aquilo que em tempos era visto como algo prejudicial para o desenvolvimento da radiodifusão local portuguesa, nomeadamente no que diz respeito à concentração e à existência de cadeias de rádio, dois cenários que sempre foram alvo de medidas legislativas apertadas por se considerar que poderiam pôr em causa os princípios das rádios locais.
É certo que aquilo que se lê na comunicação social é muito pouco para se ter uma opinião mais sustentada sobre as propostas para uma nova lei da Rádio, mas há alguns dados que merecem reflexão.
Por exemplo o que significará na prática dizer que “o caminho de desenvolvimento do meio rádio português passa por alguma concentração”?
Duas outras medidas sugerem-me alguma perplexidade se se tiver em conta que as rádios locais devem servir para a reprodução dos discursos locais (foi para isso que foram criadas, certo?).
Refiro-me, em concreto, a dois aspectos: o fim da obrigatoriedade de emissão de três noticiários com informação local e a alteração das regras para a definição de rádios temáticas.
Daquilo que conheço, quando as rádios locais não forem obrigadas a fazer noticiários com informação local, simplesmente deixarão de emitir qualquer noticiário.
Tem razão Eduardo Meditsch quando afirma que as rádios emitem informação actualmente por dois motivos: “força do hábito ou de lei” (Meditsch, 1999:21).
Não havendo a lei…
É preciso também perceber o que significa dizer que as rádios locais passarão a ser obrigadas apenas a fazer a “cobertura informativa, em moldes que serão estabelecidos pela rádio e cujo cumprimento será fiscalizado pelo regulador.”
Passam a ter que fazer a cobertura jornalística de cerimónias, de grandes acontecimentos locais (normalmente promovidos pelas autarquias)? A ter um programa de informação? Diário? Semanal? Se a informação não for diária, haverá rádio local neste país que queira ter jornalistas nos seus quadros?
Já quanto às mudanças das regras para a classificação de rádio temática, acredito que quando todas as emissoras puderem ser assim classificadas, a tendência será para optarem pela classificação de temáticas musicais, tal como hoje sucede com aquelas que decidiram especializar-se num tipo de programação.
Num tal quadro, onde fica a informação local?
Acredito que estas medidas estejam ainda a ser alvo de reflexão por parte dos intervenientes, por isso, é de aguardar por mais desenvolvimentos. De qualquer forma, e num quadro que tende para a uniformização da oferta da rádio em Portugal, a informação, e em particular a local, poderá apresentar-se como um elemento diferenciador, desde que claro, seja feita por jornalistas e não por outras figuras, como o tal “radialista”.
Já me parece muito positivo que o Governo tenha a intenção de, finalmente, estabelecer níveis que diferenciem as rádios locais. Tratar por igual uma rádio da Grande Lisboa e outra do interior alentejano, por exemplo, parece-me absurdo.
As propostas para a nova Lei da Rádio aqui.
Julgo que as principais alterações se podem resumir do seguinte modo:
- Facilitar processos de cooperação entre as rádios
- Abrir caminho a uma maior concentração no sector da radiodifusão local
- Acabar com a obrigação das rádios locais emitirem pelo menos três noticiários diários sobre a sua área de cobertura
- Facilitar a constituição de cadeias de rádio
- Proceder a alterações ao nível das regras para classificação de rádio temática.
É curioso notar que a tendência seja agora a de facilitar aquilo que em tempos era visto como algo prejudicial para o desenvolvimento da radiodifusão local portuguesa, nomeadamente no que diz respeito à concentração e à existência de cadeias de rádio, dois cenários que sempre foram alvo de medidas legislativas apertadas por se considerar que poderiam pôr em causa os princípios das rádios locais.
É certo que aquilo que se lê na comunicação social é muito pouco para se ter uma opinião mais sustentada sobre as propostas para uma nova lei da Rádio, mas há alguns dados que merecem reflexão.
Por exemplo o que significará na prática dizer que “o caminho de desenvolvimento do meio rádio português passa por alguma concentração”?
Duas outras medidas sugerem-me alguma perplexidade se se tiver em conta que as rádios locais devem servir para a reprodução dos discursos locais (foi para isso que foram criadas, certo?).
Refiro-me, em concreto, a dois aspectos: o fim da obrigatoriedade de emissão de três noticiários com informação local e a alteração das regras para a definição de rádios temáticas.
Daquilo que conheço, quando as rádios locais não forem obrigadas a fazer noticiários com informação local, simplesmente deixarão de emitir qualquer noticiário.
Tem razão Eduardo Meditsch quando afirma que as rádios emitem informação actualmente por dois motivos: “força do hábito ou de lei” (Meditsch, 1999:21).
Não havendo a lei…
É preciso também perceber o que significa dizer que as rádios locais passarão a ser obrigadas apenas a fazer a “cobertura informativa, em moldes que serão estabelecidos pela rádio e cujo cumprimento será fiscalizado pelo regulador.”
Passam a ter que fazer a cobertura jornalística de cerimónias, de grandes acontecimentos locais (normalmente promovidos pelas autarquias)? A ter um programa de informação? Diário? Semanal? Se a informação não for diária, haverá rádio local neste país que queira ter jornalistas nos seus quadros?
Já quanto às mudanças das regras para a classificação de rádio temática, acredito que quando todas as emissoras puderem ser assim classificadas, a tendência será para optarem pela classificação de temáticas musicais, tal como hoje sucede com aquelas que decidiram especializar-se num tipo de programação.
Num tal quadro, onde fica a informação local?
Acredito que estas medidas estejam ainda a ser alvo de reflexão por parte dos intervenientes, por isso, é de aguardar por mais desenvolvimentos. De qualquer forma, e num quadro que tende para a uniformização da oferta da rádio em Portugal, a informação, e em particular a local, poderá apresentar-se como um elemento diferenciador, desde que claro, seja feita por jornalistas e não por outras figuras, como o tal “radialista”.
Já me parece muito positivo que o Governo tenha a intenção de, finalmente, estabelecer níveis que diferenciem as rádios locais. Tratar por igual uma rádio da Grande Lisboa e outra do interior alentejano, por exemplo, parece-me absurdo.
As propostas para a nova Lei da Rádio aqui.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Prémio para a TSF
A reportagem da TSF "Dari, Primata como Nós” da autoria de Carlos Vaz Marques foi a vencedora do prémio Fundação Ilídio Pinho.
No site do Sindicato dos Jornalistas lê-se o seguinte sobre a reportagem:
O repórter conta a história em voz própria, através de entrevistas aos participantes e recorre ao ambiente sonoro da selva africana, o que dá ao trabalho algum dramatismo, que entusiasma e “puxa” o ouvinte para dentro da acção. Uma entrevista à cientista que lidera o projecto contextualiza e dá sentido e profundidade à reportagem, mostrando que a vida comunitária de uma tribo de macacos na floresta da Guiné-Bissau e a sociedade humana têm muito mais em comum do que possa parecer.
Para voltar a ouvir ou escutar pela primeira vez: Dari, Primata como Nós
No site do Sindicato dos Jornalistas lê-se o seguinte sobre a reportagem:
O repórter conta a história em voz própria, através de entrevistas aos participantes e recorre ao ambiente sonoro da selva africana, o que dá ao trabalho algum dramatismo, que entusiasma e “puxa” o ouvinte para dentro da acção. Uma entrevista à cientista que lidera o projecto contextualiza e dá sentido e profundidade à reportagem, mostrando que a vida comunitária de uma tribo de macacos na floresta da Guiné-Bissau e a sociedade humana têm muito mais em comum do que possa parecer.
Para voltar a ouvir ou escutar pela primeira vez: Dari, Primata como Nós
quarta-feira, novembro 12, 2008
Sugestões
Para ouvir (e ver) mais logo no Rádio Clube. Até pode ser interessante.
Para os que se interessam por rádio e comunicação política. Um chat sobre a cobertura da NPR das eleições norte-americanas
Para o fim-de-semana.
O encontro de blogues na Universidade Católica, em Lisboa
E o Congresso de Radiodifusão, em Vila Real.
Para os que se interessam por rádio e comunicação política. Um chat sobre a cobertura da NPR das eleições norte-americanas
Para o fim-de-semana.
O encontro de blogues na Universidade Católica, em Lisboa
E o Congresso de Radiodifusão, em Vila Real.
terça-feira, novembro 04, 2008
A campanha na rádio
O tema do momento é mesmo a eleição do próximo presidente norte-americano.
Aqui fica uma sugestão de leitura do último texto da provedora da NPR. O texto debruça-se sobre a forma como os ouvintes da rádio pública dos Estados Unidos estão a olhar para a cobertura jornalística da campanha.
Escreve Alicia C. Shepard:
On Obama and Biden, Morning Edition ran 74 stories in 5 hours and 1 minute and ATC ran 72 stories in 4 hours and 6 minutes, for a total of 146 stories that covered 9 hours and 7 minutes.
Of the 429 stories studied, 115 focused about equally on both candidates.
Overall, McCain and Palin got nearly two more hours of air time on NPR than Obama-Biden.
So, do these statistics mean that NPR is biased toward McCain?
A resposta está no texto.
Aqui fica uma sugestão de leitura do último texto da provedora da NPR. O texto debruça-se sobre a forma como os ouvintes da rádio pública dos Estados Unidos estão a olhar para a cobertura jornalística da campanha.
Escreve Alicia C. Shepard:
On Obama and Biden, Morning Edition ran 74 stories in 5 hours and 1 minute and ATC ran 72 stories in 4 hours and 6 minutes, for a total of 146 stories that covered 9 hours and 7 minutes.
Of the 429 stories studied, 115 focused about equally on both candidates.
Overall, McCain and Palin got nearly two more hours of air time on NPR than Obama-Biden.
So, do these statistics mean that NPR is biased toward McCain?
A resposta está no texto.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Nas eleições americanas, em inglês
Tenho apreciado muito as reportagens na rádio a propósito das eleições nos Estados Unidos. Têm-nos trazido uma América interessante. Acompanho, em especial, os trabalhos da Antena 1 e da TSF. Só não entendo porque é que a TSF persiste em não dobrar um único som, seja longo, curto...
quarta-feira, outubro 29, 2008
Rádio Europa vai fechar
É pelo menos essa a ideia da Rádio França Internacional (RFI) que segundo o Expresso Online pretende encerrar a sua filial em Lisboa, a Rádio Europa, antiga Rádio Paris-Lisboa.
A decisão de encerrar justifica-se pela reorientação "estratégica" da emissora.
Lê-se na notícia do Expresso:
A ideia de fechar a Rádio Europa já é antiga e recolheu, designadamente, há cerca de um ano, o parecer favorável da Embaixada da França em Portugal, que considera a emissora "sem interesse", segundo disse ao Expresso uma fonte diplomática francesa.
A representação francesa em Portugal justificou, então, o seu parecer com as "audiências muito fracas" e a "inviabilidade financeira" da antiga Rádio Paris-Lisboa.
Antonieta Lopes da Costa, directora da Rádio Europa, disse ao Expresso não ter ainda "conhecimento oficial" da venda ou encerramento da estação emissora, mas admitiu que a decisão do Conselho de Administração da RFI seja a venda.
"Suspeito que a decisão seja a de vender a Rádio Europa, mas ainda não tive nenhuma reunião com a administração da RFI sobre o assunto", disse Antonieta Lopes da Costa.
A Rádio Europa, onde trabalham 16 pessoas, utiliza a frequência 90.4FM e identifica-se como uma estação que "aposta numa informação credível e rigorosa sobre a actualidade e está atenta aos novos desafios que se colocam aos cidadãos europeus do século XXI".
Act.(3 de Novembro 08) No blogue Jazza-me muito... é dito que a Rádio Europa-Lisboa não vai encerrar.
A decisão de encerrar justifica-se pela reorientação "estratégica" da emissora.
Lê-se na notícia do Expresso:
A ideia de fechar a Rádio Europa já é antiga e recolheu, designadamente, há cerca de um ano, o parecer favorável da Embaixada da França em Portugal, que considera a emissora "sem interesse", segundo disse ao Expresso uma fonte diplomática francesa.
A representação francesa em Portugal justificou, então, o seu parecer com as "audiências muito fracas" e a "inviabilidade financeira" da antiga Rádio Paris-Lisboa.
Antonieta Lopes da Costa, directora da Rádio Europa, disse ao Expresso não ter ainda "conhecimento oficial" da venda ou encerramento da estação emissora, mas admitiu que a decisão do Conselho de Administração da RFI seja a venda.
"Suspeito que a decisão seja a de vender a Rádio Europa, mas ainda não tive nenhuma reunião com a administração da RFI sobre o assunto", disse Antonieta Lopes da Costa.
A Rádio Europa, onde trabalham 16 pessoas, utiliza a frequência 90.4FM e identifica-se como uma estação que "aposta numa informação credível e rigorosa sobre a actualidade e está atenta aos novos desafios que se colocam aos cidadãos europeus do século XXI".
Act.(3 de Novembro 08) No blogue Jazza-me muito... é dito que a Rádio Europa-Lisboa não vai encerrar.
segunda-feira, outubro 27, 2008
Sinal dos tempos...
... este fim-de-semana as televisões encheram-se de imagens produzidas pela rádio.
A TSF, para além de conseguir para a rádio uma entrevista com o primeiro-ministro, conseguiu também potenciar a conversa, a Internet e, no fundo, a rádio.
A TSF, para além de conseguir para a rádio uma entrevista com o primeiro-ministro, conseguiu também potenciar a conversa, a Internet e, no fundo, a rádio.
segunda-feira, outubro 20, 2008
Novo site da Antena 1
A Antena 1 vai renovar o site em Novembro. É uma boa notícia, pois, entre a concorrência, o sítio da Antena 1 é de longe o menos interessante, pelo menos no que à informação diz respeito.
Via Meios&Publicidade.
Via Meios&Publicidade.
sexta-feira, outubro 17, 2008
Acerca dos noticiários da rádio
Um excelente texto da provedora do ouvinte da NPR.
A propósito da cobertura da campanha eleitoral para as presidênciais norte-americanas, Alicia C. Shepard escreve um interessante texto sobre a importância dos noticiários da rádio, do som e da inclusão de declarações de protagonistas nas notícias, do tempo na rádio e da dificuldade de (lá como cá) encontrar o equilibrio no que diz respeito à cobertura de candidatos quando em campanha.
Para ler: Balancing the newscasts
A propósito da cobertura da campanha eleitoral para as presidênciais norte-americanas, Alicia C. Shepard escreve um interessante texto sobre a importância dos noticiários da rádio, do som e da inclusão de declarações de protagonistas nas notícias, do tempo na rádio e da dificuldade de (lá como cá) encontrar o equilibrio no que diz respeito à cobertura de candidatos quando em campanha.
Para ler: Balancing the newscasts
quinta-feira, outubro 16, 2008
Sobre uma "nova rádio"
A sessão que juntou os responsáveis pelo multimédia da RDP, TSF, RR e Média Capital foi muito interessante e dela retiro a ideia de que em matéria de futuro da rádio há mais interrogações do que propriamente certezas.
Ou melhor, uma das certezas parece agora assentar em discursos mais cautelosos sobre a já há muito anunciada "morte da rádio". Com efeito, já ninguém arrisca dizer que a rádio vai morrer, mas sim que a emergência das novas tecnologias está a questionar a rádio tal como hoje a conhecemos. O discurso, pelo menos daqueles que participaram na sessão, aponta para o cenário de uma rádio que viverá de multiplas plataformas onde convive o som, o vídeo, o texto, a fotografia etc. Num tal cenário, a rádio proporciona informação personalizada e serve de palco para redes sociais.
Já sobre o caminho para lá chegar é que voltamos a encontrar algum desencontro nos discursos. Por exemplo, Carlos Marques, da Media Capital, considera que o futuro da rádio passa por um cenário a que chamou de "digi-media". Trata-se de um cenário onde convive a distribuição multiplataforma: FM+digital+net+mobile+cabo. A rádio disponibilizará serviços e conteúdos multimédia e proporcionará dinâmicas de envolvimento com o ouvinte. O que distingue, segundo percebi, o discurso de Carlos Marques dos restantes é naquilo que deve ser o eixo fundamental dessa "nova rádio". Para o director multimédia da Média Capital Rádios, esse eixo é o som. É em volta dele que todas as outras ferramentas devem crescer e desenvolver-se.
Fiquei com a ideia que para Pedro Leal, da Renascença, a rádio do futuro passa por um cenário semelhante, mas a aposta é sobretudo ao nível da imagem e muito em particular do vídeo, como aliás, já hoje acontece no site da RR.
Rui Pêgo, da RDP, considerou menos relevante discutir se tudo isto de que falamos (som e imagem e texto e fotografia etc) ainda é rádio. Julgo que este é o principal aspecto: saber se ainda é rádio. Por vezes é bom regressar à origem dos conceitos para percebermos o que está a montante.
Rádio é som. E isto, parecendo uma evidência, não é irrelevante porquanto a rádio é o que é precisamente porque se baseia numa comunicação sonora. Se ouvimos rádio enquanto conduzimos é porque precisamos de uma forma de comunicação que não requeira o nosso olhar. Se ouvimos rádio de manhã para saber as últimas é porque a rádio, enquanto meio sonoro, é o único que nos pode facultar de forma rápida e imediata essas informações e nós podemos consumi-las partilhando a sua escuta com uma série de outras actividades.
A net convoca a totalidade da nossa atenção e exige-nos uma resposta. E nós respondemos, caso contrário não é net. A rádio guia o nosso quotidiano e para isso ela tem que estar ao nosso lado sem nos impossibilitar de viver esse quotidiano.
Independentemente do conjunto de ferramentas e serviços que a rádio do futuro nos proporcionará, o ser humano continuará, seguramente, a necessitar de saber do mundo no momento em que o vive.
A Internet é, garantidamente, uma excelente oportunidade para renovar a rádio.
Ou melhor, uma das certezas parece agora assentar em discursos mais cautelosos sobre a já há muito anunciada "morte da rádio". Com efeito, já ninguém arrisca dizer que a rádio vai morrer, mas sim que a emergência das novas tecnologias está a questionar a rádio tal como hoje a conhecemos. O discurso, pelo menos daqueles que participaram na sessão, aponta para o cenário de uma rádio que viverá de multiplas plataformas onde convive o som, o vídeo, o texto, a fotografia etc. Num tal cenário, a rádio proporciona informação personalizada e serve de palco para redes sociais.
Já sobre o caminho para lá chegar é que voltamos a encontrar algum desencontro nos discursos. Por exemplo, Carlos Marques, da Media Capital, considera que o futuro da rádio passa por um cenário a que chamou de "digi-media". Trata-se de um cenário onde convive a distribuição multiplataforma: FM+digital+net+mobile+cabo. A rádio disponibilizará serviços e conteúdos multimédia e proporcionará dinâmicas de envolvimento com o ouvinte. O que distingue, segundo percebi, o discurso de Carlos Marques dos restantes é naquilo que deve ser o eixo fundamental dessa "nova rádio". Para o director multimédia da Média Capital Rádios, esse eixo é o som. É em volta dele que todas as outras ferramentas devem crescer e desenvolver-se.
Fiquei com a ideia que para Pedro Leal, da Renascença, a rádio do futuro passa por um cenário semelhante, mas a aposta é sobretudo ao nível da imagem e muito em particular do vídeo, como aliás, já hoje acontece no site da RR.
Rui Pêgo, da RDP, considerou menos relevante discutir se tudo isto de que falamos (som e imagem e texto e fotografia etc) ainda é rádio. Julgo que este é o principal aspecto: saber se ainda é rádio. Por vezes é bom regressar à origem dos conceitos para percebermos o que está a montante.
Rádio é som. E isto, parecendo uma evidência, não é irrelevante porquanto a rádio é o que é precisamente porque se baseia numa comunicação sonora. Se ouvimos rádio enquanto conduzimos é porque precisamos de uma forma de comunicação que não requeira o nosso olhar. Se ouvimos rádio de manhã para saber as últimas é porque a rádio, enquanto meio sonoro, é o único que nos pode facultar de forma rápida e imediata essas informações e nós podemos consumi-las partilhando a sua escuta com uma série de outras actividades.
A net convoca a totalidade da nossa atenção e exige-nos uma resposta. E nós respondemos, caso contrário não é net. A rádio guia o nosso quotidiano e para isso ela tem que estar ao nosso lado sem nos impossibilitar de viver esse quotidiano.
Independentemente do conjunto de ferramentas e serviços que a rádio do futuro nos proporcionará, o ser humano continuará, seguramente, a necessitar de saber do mundo no momento em que o vive.
A Internet é, garantidamente, uma excelente oportunidade para renovar a rádio.
domingo, outubro 12, 2008
Nova lei da rádio para o ano, garante Santos Silva
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, garantiu que o Governo irá apresentar no próximo ano à Assembleia da República a nova lei da rádio.
Santos Silva não adiantou os contornos do novo articulado no qual o governo está actualmente a trabalhar, mas sublinhou que a actual lei não foi um impedimento para que o sector progrida apesar da legislação obsoleta.
O ministro falava por ocasião da inauguração das novas instalações da Rádio Vouzela, que não conheço, mas que a avaliar pela notícia do DN fez um forte investimento e está claramente acima da média das rádios locais portuguesas.
Lê-se no DN:
"a rádio passou a dispor de cinco estúdios, para a informação, produção, emissão e entrevistas. Dispõe ainda de um pequeno auditório com capacidade para 70 pessoas e espaços para a administração", frisou o director. Com o aumento do número de estúdios, a VFM "adquiriu novo material informático, novas mesas de mistura e um PA para rentabilizar o auditório com a realização de pequenos concertos e espectáculos"
Notícias do DN e do Público.
Santos Silva não adiantou os contornos do novo articulado no qual o governo está actualmente a trabalhar, mas sublinhou que a actual lei não foi um impedimento para que o sector progrida apesar da legislação obsoleta.
O ministro falava por ocasião da inauguração das novas instalações da Rádio Vouzela, que não conheço, mas que a avaliar pela notícia do DN fez um forte investimento e está claramente acima da média das rádios locais portuguesas.
Lê-se no DN:
"a rádio passou a dispor de cinco estúdios, para a informação, produção, emissão e entrevistas. Dispõe ainda de um pequeno auditório com capacidade para 70 pessoas e espaços para a administração", frisou o director. Com o aumento do número de estúdios, a VFM "adquiriu novo material informático, novas mesas de mistura e um PA para rentabilizar o auditório com a realização de pequenos concertos e espectáculos"
Notícias do DN e do Público.
quinta-feira, outubro 09, 2008
Regresso da reportagem TSF
A reportagem TSF regressa hoje.
O trabalho é de Maria Augusta Casaca e tem por título "Doce amargo sal".
O regresso deste espaço da TSF traz uma novidade que comprova uma vez mais a tendência para a complementaridade entre a rádio hertziana e o site da estação. Para além de poder ouvir a reportagem pode-se aceder a uma galeria de fotos.
A reportagem passa na rádio às 19h15.
O trabalho é de Maria Augusta Casaca e tem por título "Doce amargo sal".
O regresso deste espaço da TSF traz uma novidade que comprova uma vez mais a tendência para a complementaridade entre a rádio hertziana e o site da estação. Para além de poder ouvir a reportagem pode-se aceder a uma galeria de fotos.
A reportagem passa na rádio às 19h15.
terça-feira, outubro 07, 2008
Conferência da ERC
A Entidade Reguladora da Comunicação organiza nos próximos dias 16 e 17, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a II Conferência "Por Uma Cultura de Regulação". Do programa destaco, naturalmente, um dos momentos dedicados à rádio:
Às 16h45 decorre a sessão "Impacto Regulatório das Novas Lógicas de Produção Radiofónica. Convergência e web2" com as participações de James Cridland, Head of Future Media and Technology da BBC Audio and Music; Rui Pêgo, Director de Programas da RDP; Arsénio Reis, Director Multimédia da Controlinveste (TSF); Pedro Leal, Responsável pelos Conteúdos Online da R.Renascença e Carlos Marques, Director Multimédia da Media Capital Rádios.
Os comentários estarão a cargo de Francisco José Oliveira, Vice-Presidente da APR.
O programa completo está aqui.
Às 16h45 decorre a sessão "Impacto Regulatório das Novas Lógicas de Produção Radiofónica. Convergência e web2" com as participações de James Cridland, Head of Future Media and Technology da BBC Audio and Music; Rui Pêgo, Director de Programas da RDP; Arsénio Reis, Director Multimédia da Controlinveste (TSF); Pedro Leal, Responsável pelos Conteúdos Online da R.Renascença e Carlos Marques, Director Multimédia da Media Capital Rádios.
Os comentários estarão a cargo de Francisco José Oliveira, Vice-Presidente da APR.
O programa completo está aqui.
quinta-feira, outubro 02, 2008
Vozes
Aqui há tempos, alguém me chamava a atenção para o facto de já não haver personalidades no jornalismo radiofónico. Referia-se às vozes.
E perguntava: quem hoje liga a rádio para ouvir as notícias só porque são ditas por um jornalista em concreto? Ninguém. Respondia.
Sena Santos foi o último que chamava ouvintes para a sua rádio. Ouviam-se as notícias de manhã na TSF porque estava lá o Sena. E depois na Antena 1.
Era por causa do estilo, claro está, mas também da informação, obviamente. E era também pela manutenção da mesma voz durante anos. As rádios (informativas) fidelizavam os ouvintes.
Hoje os tempos são outros. As manhãs, período nobre da rádio, e das notícias, conhecem pivots de forma rotativa. Pedro Pinheiro, depois Helena Vieira, depois Pedro Pinheiro e depois... Na Renascença era o Arsénio Reis, depois o José Pedro Frazão. A Antena 1 depois de Sena Santos, José Guerreiro, que era dos que mais tempo ficou, prolongando o estilo do seu mestre.
Agora Eduarda Maio. Ouvi hoje pela primeira vez.
Começou um novo ciclo nas manhãs da rádio pública.
Tenho que ouvir mais vezes.
E perguntava: quem hoje liga a rádio para ouvir as notícias só porque são ditas por um jornalista em concreto? Ninguém. Respondia.
Sena Santos foi o último que chamava ouvintes para a sua rádio. Ouviam-se as notícias de manhã na TSF porque estava lá o Sena. E depois na Antena 1.
Era por causa do estilo, claro está, mas também da informação, obviamente. E era também pela manutenção da mesma voz durante anos. As rádios (informativas) fidelizavam os ouvintes.
Hoje os tempos são outros. As manhãs, período nobre da rádio, e das notícias, conhecem pivots de forma rotativa. Pedro Pinheiro, depois Helena Vieira, depois Pedro Pinheiro e depois... Na Renascença era o Arsénio Reis, depois o José Pedro Frazão. A Antena 1 depois de Sena Santos, José Guerreiro, que era dos que mais tempo ficou, prolongando o estilo do seu mestre.
Agora Eduarda Maio. Ouvi hoje pela primeira vez.
Começou um novo ciclo nas manhãs da rádio pública.
Tenho que ouvir mais vezes.
terça-feira, setembro 23, 2008
José Nuno Martins e a rádio pública
À revista JJ do Clube de Jornalistas o antigo provedor do Ouvinte da RDP, José Nuno Martins, faz um balanço da actividade que desempenhou durante dois anos.
Aqui ficam algumas passagens:
Sobre a Informação: "(...) É pena que não haja um jornalismo mais cosmopolita que além de falar do país pequenino que nós somos, e da pequenina política e da pequena saúde, da pequena justiça de todos os dias e do pequeno futebol ou do grande futebol, não saiba apresentar mais do mundo. Do grande mundo, do vasto mundo. O jornalista também precisa de nos levar a regiões que não conhecemos e de que ouvimos cada vez menos".
Sobre a Antena Aberta: "(...) A Antena Aberta é um meio caótico do ponto de vista conceptual e do ponto de vista funcional. Todos os meios caóticos são pouco tratáveis em televisão e em rádio. Há um depuramento que se exige dos profissionais e dos jornalistas. Um depuramento estético também. Isto não é abrir o microfone e digam para aí o que quiserem. Situações que são de impulso e de primarismo, de falta de preparação específica."
Sobre a Antena 2: "(...) Há um erro interpretativo acerca dos desígnios que são atribuídos pelos ouvintes à Antena 2. Há uma carga tradicional na Antena 2, houve uma evolução de públicos. Eu acho que houve impulsos demasiados quando o novo director tomou conta dos destinos da Antena 2. Há deficites grandes na programação da Antena 2 que se prendem, por exemplo, com a divulgação científica, divulgação de experiências de teatro radiofónico, de radioarte. Tudo são coisas desgarradas não há conceptualização nenhuma a esse nível. O que houve foi a vontade de alterar modelos, paradigmas de programação da própria estação. E com isso o que é resulta? Perdeu-se o público."
Sobre a Antena 3: "(...) Isto é, alguma vez você ouviu falar, por exemplo, sobre fiscalidade? Alguma vez ouviu falar sobre o dia cívico? Alguma vez ouviu questionar a ida de soldados portugueses, gente de 19 anos, para a Bósnia, para o Afeganistão? Faz sentido um país aflito estar a gastar o dinheiro que está a gastar? Isto é uma coisa que merece ser discutida ou não? Faz parte ou não, deve fazer parte ou não?
Eu não estou a dizer que se fale de educação sexual só por se falar, só para encher tempo, porque isso afastaria os ouvintes. O que é preciso é descobrir fórmulas que sejam suficientemente cativantes, muito sustentáveis numa programação musical muito específica, em que obviamente a nova música popular portuguesa tem que ter um desempenho muito grande e deixou de o ter também nesse plano. Acabaram com a “Quinta da 3” e não se vê que tenham feito propostas alternativas a isso."
Sobre o seu desempenho: "(...) eu tenho dúvidas de ter sido o provedor de que as pessoas estavam à espera. O que eu não tenho dúvidas é que fui o provedor que fui capaz de ser. Esforcei-me muito, trabalhei muito. Isto foi muito violento. Foi realmente muito violento. Não é que eu não tenha tido na vida momentos e fases em que não tenha trabalhado ainda mais, mas eu não imaginava que isto fosse tão violento. Se calhar porque não fui ambicioso aqui na constituição… "
Aqui ficam algumas passagens:
Sobre a Informação: "(...) É pena que não haja um jornalismo mais cosmopolita que além de falar do país pequenino que nós somos, e da pequenina política e da pequena saúde, da pequena justiça de todos os dias e do pequeno futebol ou do grande futebol, não saiba apresentar mais do mundo. Do grande mundo, do vasto mundo. O jornalista também precisa de nos levar a regiões que não conhecemos e de que ouvimos cada vez menos".
Sobre a Antena Aberta: "(...) A Antena Aberta é um meio caótico do ponto de vista conceptual e do ponto de vista funcional. Todos os meios caóticos são pouco tratáveis em televisão e em rádio. Há um depuramento que se exige dos profissionais e dos jornalistas. Um depuramento estético também. Isto não é abrir o microfone e digam para aí o que quiserem. Situações que são de impulso e de primarismo, de falta de preparação específica."
Sobre a Antena 2: "(...) Há um erro interpretativo acerca dos desígnios que são atribuídos pelos ouvintes à Antena 2. Há uma carga tradicional na Antena 2, houve uma evolução de públicos. Eu acho que houve impulsos demasiados quando o novo director tomou conta dos destinos da Antena 2. Há deficites grandes na programação da Antena 2 que se prendem, por exemplo, com a divulgação científica, divulgação de experiências de teatro radiofónico, de radioarte. Tudo são coisas desgarradas não há conceptualização nenhuma a esse nível. O que houve foi a vontade de alterar modelos, paradigmas de programação da própria estação. E com isso o que é resulta? Perdeu-se o público."
Sobre a Antena 3: "(...) Isto é, alguma vez você ouviu falar, por exemplo, sobre fiscalidade? Alguma vez ouviu falar sobre o dia cívico? Alguma vez ouviu questionar a ida de soldados portugueses, gente de 19 anos, para a Bósnia, para o Afeganistão? Faz sentido um país aflito estar a gastar o dinheiro que está a gastar? Isto é uma coisa que merece ser discutida ou não? Faz parte ou não, deve fazer parte ou não?
Eu não estou a dizer que se fale de educação sexual só por se falar, só para encher tempo, porque isso afastaria os ouvintes. O que é preciso é descobrir fórmulas que sejam suficientemente cativantes, muito sustentáveis numa programação musical muito específica, em que obviamente a nova música popular portuguesa tem que ter um desempenho muito grande e deixou de o ter também nesse plano. Acabaram com a “Quinta da 3” e não se vê que tenham feito propostas alternativas a isso."
Sobre o seu desempenho: "(...) eu tenho dúvidas de ter sido o provedor de que as pessoas estavam à espera. O que eu não tenho dúvidas é que fui o provedor que fui capaz de ser. Esforcei-me muito, trabalhei muito. Isto foi muito violento. Foi realmente muito violento. Não é que eu não tenha tido na vida momentos e fases em que não tenha trabalhado ainda mais, mas eu não imaginava que isto fosse tão violento. Se calhar porque não fui ambicioso aqui na constituição… "
segunda-feira, setembro 22, 2008
Acerto...
... no regresso das emissões no Rádio e Jornalismo sublinho a rentrée das rádios portuguesas, criando em alguns casos novos programas e noutros mantendo antigas apostas.
O dia de hoje assinalou a nova grelha da TSF que foi explicada recentemente por Paulo Baldaia, o seu director, ao Diário de Notícias. À primeira audição registo como positiva a manutenção da Reportagem TSF, que passa agora para a 5ª feira, em vez de sexta-feira, quando a TSF passará a emitir um novo programa chamado "Governo Sombra", curiosamente à mesma hora a Antena 1 emite o programa de debate e análise política "Contraditório". Num registo de informação útil, parece-me também positivo a continuação e o alargamento de pequenos espaços onde se pretende abordar a saúde (Clínica Geral) ou fiscalidade (Conselho Fiscal).
De negativo: lamento a saída de Denise e Maria Delfina e a não existência, no espaço nocturno, de um programa de análise da actualidade do dia. Negativo também o alargamentodo programa "A Idade da Inocência".
O arranque da nova programação do Rádio Clube aconteceu já há uns dias atrás e vem explicada em entrevista de Luís Osório ao Correio da Manhã. Destaco duas situações e ambas positivas: a parceria do Rádio Clube com o CM, que à semelhança de idêntico cenário entre TSF e DN, avançou com um programa de grande entrevista que é emitida na rádio e publicada na imprensa. Registo ainda as alterações (inevitáveis) no programa Janela Aberta. Dentro do estilo de uma espécie de informação e entretenimento que o Rádio Clube insiste em manter nas tardes, o par Teresa Gonçalves e Aurélio Gomes parece-me o mais adequado.
Na tentativa de acertar com a actualidade radiofónica nacional, registo ainda como muito positiva a série de programas levada a cabo pelo novo provedor do Ouvinte da RDP. O último desta série será dedicado a um "balanço das críticas dos seus convidados, a quem perguntou também o que faz mais falta na Rádio pública de hoje".
A série de programas pode ser escutada aqui.
O dia de hoje assinalou a nova grelha da TSF que foi explicada recentemente por Paulo Baldaia, o seu director, ao Diário de Notícias. À primeira audição registo como positiva a manutenção da Reportagem TSF, que passa agora para a 5ª feira, em vez de sexta-feira, quando a TSF passará a emitir um novo programa chamado "Governo Sombra", curiosamente à mesma hora a Antena 1 emite o programa de debate e análise política "Contraditório". Num registo de informação útil, parece-me também positivo a continuação e o alargamento de pequenos espaços onde se pretende abordar a saúde (Clínica Geral) ou fiscalidade (Conselho Fiscal).
De negativo: lamento a saída de Denise e Maria Delfina e a não existência, no espaço nocturno, de um programa de análise da actualidade do dia. Negativo também o alargamentodo programa "A Idade da Inocência".
O arranque da nova programação do Rádio Clube aconteceu já há uns dias atrás e vem explicada em entrevista de Luís Osório ao Correio da Manhã. Destaco duas situações e ambas positivas: a parceria do Rádio Clube com o CM, que à semelhança de idêntico cenário entre TSF e DN, avançou com um programa de grande entrevista que é emitida na rádio e publicada na imprensa. Registo ainda as alterações (inevitáveis) no programa Janela Aberta. Dentro do estilo de uma espécie de informação e entretenimento que o Rádio Clube insiste em manter nas tardes, o par Teresa Gonçalves e Aurélio Gomes parece-me o mais adequado.
Na tentativa de acertar com a actualidade radiofónica nacional, registo ainda como muito positiva a série de programas levada a cabo pelo novo provedor do Ouvinte da RDP. O último desta série será dedicado a um "balanço das críticas dos seus convidados, a quem perguntou também o que faz mais falta na Rádio pública de hoje".
A série de programas pode ser escutada aqui.
segunda-feira, agosto 25, 2008
O Chiado e a TSF
Às oito da manhã, toda a redacção da TSF em Lisboa está nos lugares da notícia. Todos cultivam o hábito de ouvir logo a partir da manhã as notícias na sua rádio, que ainda nem tem seis meses de vida, e todos avançaram à primeira notícia do incêndio. Os que estavam de férias em lugares mais longe trataram de aparecer em Lisboa o mais depressa que conseguiram.
Franscisco Sena Santos (2008) in "Tão Perto do Mundo – 20 Acontecimentos em 20 anos da Rádio que mudou a rádio"
Para o jornalismo radiofónico, o incêndio do Chiado cujos 20 anos hoje se assinalaram, marca um ponto de viragem, em especial devido à cobertura que a TSF fez do acontecimento.
Foi o primeiro teste real para os então jovens jornalistas da rádio de Lisboa, chegados de um curso único em Portugal que partiu da iniciativa de Emidio Rangel e que foi pensado e coordenado por Adelino Gomes. Curso, aliás, inspirado nas ideias deixadas em Portugal por Edouard Guibert, do Institut National de l'audiovisuel francês.
O curso, tal como a própria TSF o viria a ser, tinha como bandeira a ideia de uma rádio feita em directo. Uma rádio dita e não lida e foi isso que os jornalistas da TSF souberam interpretar naquele dia 25 de Agosto de 1988.
Vinte anos depois, a TSF não esqueceu a data e colocou no ar, para além dos normais trabalhos que recolocam o problema da baixa lisboeta no século XXI, alguns dos sons que se escutaram na altura.
Franscisco Sena Santos (2008) in "Tão Perto do Mundo – 20 Acontecimentos em 20 anos da Rádio que mudou a rádio"
Para o jornalismo radiofónico, o incêndio do Chiado cujos 20 anos hoje se assinalaram, marca um ponto de viragem, em especial devido à cobertura que a TSF fez do acontecimento.
Foi o primeiro teste real para os então jovens jornalistas da rádio de Lisboa, chegados de um curso único em Portugal que partiu da iniciativa de Emidio Rangel e que foi pensado e coordenado por Adelino Gomes. Curso, aliás, inspirado nas ideias deixadas em Portugal por Edouard Guibert, do Institut National de l'audiovisuel francês.
O curso, tal como a própria TSF o viria a ser, tinha como bandeira a ideia de uma rádio feita em directo. Uma rádio dita e não lida e foi isso que os jornalistas da TSF souberam interpretar naquele dia 25 de Agosto de 1988.
Vinte anos depois, a TSF não esqueceu a data e colocou no ar, para além dos normais trabalhos que recolocam o problema da baixa lisboeta no século XXI, alguns dos sons que se escutaram na altura.
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